
Cara Luciana, caro Luiz Ernesto,
Espero que o ano 2013 se iniciou bem prometendo um bom ano.
Hoje nevou e a paisagem é lindamente branca. Estou curtindo família e amigos após de muito tempo.
Escrevo-lhes hoje para compartilhar umas reflexões sobre nosso projeto da Bienal.
Após da primeira reunião com os jovens curadores ficou muito claro para mim qual é a imensa força e dimensão desta nova proposta de uma curadoria (local) coletiva que atua numa abrangência ampla do local até o internacional em quatro casas importantes de Curitiba. Penso que você, Luiz, que acompanhou de perto as discussões na primeira tarde deve ter percebido a complexidade daquilo que propusemos e o grande desafio que nos espera. Percebi que quando elaboramos o novo formato da Bienal e enfrentamos a opinião dos Chef-curadores, não estava claro o tamanho do peso e da responsabilidade desta vertente curatorial alternativa e inovadora para TODA Bienal. Isso porque o grupo dos jovens curadores atua em quatro espaços essenciais que darão a cara da Bienal, evidentemente ao lado do MON e dos outros espaços, mas ouso dizer que MAC, Museu de Gravura e Fotografia são lugares centrais e tradicionais na cidade tendo uma suma importância.
O grupo dos jovens curadores percebeu prontamente o desafio e também a grande responsabilidade de fazer acontecer uma Bienal por meio de um projeto diferenciado. As correspondências após da primeira reunião expressaram esta situação claramente e formularam certas dúvidas.
Coloco aqui umas preocupações minhas.
Apesar de que o trabalho da curadoria coletiva terá picos de mais trabalho e pauses de menos, será um trabalho de 8 meses com uma preocupação permanente e constante ao longo do tempo. O formato que escolhemos de uma curadoria coletiva dentro de uma Bienal causou novas formas de se relacionar, elaborar e tirar desta sinergia um belo e denso trabalho que se materializerá numa exposição forte. Não é apenas a questão de gerar listas de artistas, mas todo processo anterior e interno que começamos com dificuldades em Dezembro, porque partir do nada é mais difícil do que de ter um conceito pronto, ter um diretor que comanda tudo. Isso é o grande desafio, mas também a grande oportunidade de fazer algo diferente, é um gesto autentico e em certo ponto “contra produtivo”. Contra produtivo porque custa mais tempo e mais custos de transações (circulação de informações, estrutura de comunicação mais complexa etc.) Mas tenho plena certeza que o resultado também será outro, desde que o processo é trilhado com muito compromisso e seriedade. Sendo assim, não é apenas um trabalho de um laboratório, mas sim um posicionamento profissional muito sério e corajosa diante, de um lado do sistema Bienal que envolve dinheiro e reputação, e de outro lado diante da proposta dos chef-curadores que é muito pouco inovador, especialmente a lista de nomes de Teixeira Coelho. Com essa alta responsabilidade, uma vez que trilhamos essa proposta pela primeira vez sem ter experiência de um outro projeto da Bienal deste formato em Curitiba, existe evidentemente um risco, tanto para toda Bienal bem como para os nomes dos jovens curadores. São as trajetórias deles que serão prejudicados no caso de um erro, por isso não é um laboratório para nós e nem para a Bienal porque o experimento tem que dar certo!
Para que esta experimentação dará certo, precisamos de segurança e condições favoráveis como os chef-curaodres também têm para suas escolhas de artistas de ponta. Nesse sentido eu vejo especialmente duas questões problemáticas. Primeiramente, o baixo salario dos jovens curadores que carregam uma grande responsabilidade durante os 8 meses. Tenho plena consciência que trata-se de JOVENS curadores construindo suas carreiras, mas garanto que toda equipe está plenamente engajada e compromissada realizando um trabalho sério. Isso ficou claro no decorrer das discussões na primeira reunião. Peço que a Diretoria da Bienal considera esta situação e encontra uma resposta respeitosa além do prémio de jovem curador.
O segundo ponto é a situação desconfortável dos curadores em chamar ou convidar artistas sem ter um cachê para oferecer. É uma situação complicada de fazer uma Bienal de low cost em prol de uma arte com alto nível considerando seriamente o trabalho artístico. Existe uma mostra de arte low cost na qual o artista não recebe? Talvez em Havana, que Luiz Ernesto mencionou como justificativa. Mas eu acredito que este argumento não pode ser considerado porque uma comparação socioeconômica das duas cidades mostraria um descompasso grande e jamais justificaria um não pagamento de artistas que participam de uma Bienal da cidade de Curitiba, que economicamente apresenta uma classe média bastante estável e com qualidade de vida alta. Um convite sem cachê prejudica seriamente uma proposta profissional que não se baseia apenas em convites das redes de contatos pessoais. Isso me parece um problema estrutural.
Novos formatos exigem novos parâmetros e novos negócios com curadores e artistas, incluindo um trabalho internamente transparente . O nosso projeto é ambicioso e potente, podendo se realizar como tal desde que tem uma injeção de dinheiro. Tenho certeza que vocês acreditam neste novo formato percebendo sua dimensão e potencia, por isso vocês abriram as portas. Para garantir o sucesso e manter os jovens curadores no grupo, a Diretoria precisa gerar condições favoráveis para este objetivo, que é o nosso objetivo em comum. Para tanto, precisa-se de uma gerencia mais transparente dos valores e das possibilidades.
Conto com a compreensão de vocês e aguardo um retorno propositivo.
Grata,
Um abraço da neve,
Stephanie
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Enviadas: Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013 17:22
Assunto: novas
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