[Cinema] Diretores brasilienses comemoram a adaptação de suas peças para o cinema

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Jessica Cardoso

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Apr 12, 2012, 2:18:30 PM4/12/12
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Mostra Encenações

  • No lugar errado, de Luiz Pretti, Guto Parente, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti - Ficção, Brasil, 2011, 70’

Sinopse: Durante uma noite, o reencontro de quatro amigos será marcado por um jogo de mentiras e verdades com consequências inesperadas. Filme realizado a partir da peça Eutro, dirigida por Rodrigo Fisher.

Sexta Feira (13/04) no Auditório da Faculdade de Comunicação da UnB às 14h, pela Mostra do Filme Livre.

Sábado (14/04) exibição no Memorial Darcy Riberio (Beijódromo - ao lado da Reitoria da UnB), às 18h, seguido de debate com os atores do Filme - Márcio Minervino, Micheli Santini, Rodrigo Fischer e Sulian Princivalli

Desde o início de qualquer civilização de que se tem notícia, os homens se reuniam para representar e ver teatro, embora o conceito não fosse conhecido dessa forma. O formato se consolidou na Grécia Antiga e ganhou vertentes e desdobramentos ao longo dos séculos. Não é de hoje que seu princípio de representar histórias, eternizando arquétipos e dramas milenares, chegou ao cinema. Nem o intercâmbio entre narrativas que pulam dos palcos para as telas, e vice-versa, é uma novidade. Mas, agora, esse casamento entre teatro e cinema está se consolidando em Brasília. Somente no ano passado, dois textos dramatúrgicos criados na cidade ganharam versão cinematográfica. 

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O dramaturgo, ator e diretor Rodrigo Fischer também teve uma obra sua transposta para a tela grande. A montagem Eutro, fruto de sua dissertação de mestrado, relata o encontro entre quatro amigos (dois homens e duas mulheres) em uma noite intercalada por surpresas. No cinema, ganhou o título No lugar errado, com o mesmo elenco, e sob a condução de quatro integrantes do Alumbramento, coletivo de cinema surgido no Ceará, que coleciona prêmios e causa frisson no mercado alternativo. 

A produção, encenada por Fischer, Sulian Princivalli, Márcio Minervino e Michele Santini, já passou pelo festival do Rio, pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e foi exibido na Janela do Cinema, em Recife. “O filme conseguiu trabalhar as relações com mais profundidade e ambiguidade”, reconhece Fischer. 

A possibilidade surgiu quando Fischer e seu amigo de infância Ricardo Pretti se reuniram em uma mesa de bar. Pretti, que integra o coletivo, gostou da proposta e levou a ideia aos companheiros, que se entusiasmaram. “Minha primeira impressão, ao ver a peça, foi a de uma porrada. Acabei sem saber como reagir. A peça mexe com os afetos, com o que é encenação e o que não é, o que diz respeito aos atores e aos personagens”, explica Pedro Diógenes, outro integrante da Alumbramento, que tem como uma de suas caraterísticas a alternância de funções dentro do set de filmagens. 

“Desde que fiz a peça, vi a possibilidade de alcance no cinema. Achava que os personagens teriam mais força, já que o registro de interpretação é bem cinematográfico, mais intimista, minimalista e sutil”, destaca o autor do texto, que produziu mais um roteiro do que uma obra dramatúrgica fechada, outra proximidade com a linguagem do audiovisual. 

Quando chegaram a Brasília, para a imersão de seis dias, os quatro diretores, cuja assinatura profissional é Irmãos Pretti/primos Parente, acompanharam cinco ensaios e definiram os rumos da adaptação. “O que a gente quis, principalmente, foi elevar a dramaturgia no trabalho dos atores. Eliminamos o máximo cenário, participação externa. Até a cor do filme retiramos, para concentrar a tensão nesses elementos”, detalha Diógenes. 

Para ele, a relação entre as duas linguagens é natural. “O teatro está quase no nascer do cinema. Grandes dramaturgos, como Eisenstein, escreveram para o cinema, e vice versa”, afirma. “Para o ator, é preciso entender o mecanismo envolvido em uma filmagem, senão fica perdido, vira marionete. Teatro e cinema se alimentam um do outro constantemente, nos sentidos estético e filosófico”, salienta Fischer, que dedica seu doutorado ao estudo da relação entre as duas artes. 

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Jessica Cardoso 
Agitadora - Cultura Local
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Telefone: Tim - (61) 8259-0364


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