Acordo Ortografico, só Portugal o aplica a partir de hoje

5 views
Skip to first unread message

João Costa > CT1FBF

unread,
May 13, 2015, 9:00:54 AM5/13/15
to Cluster-ARLA, ct-comunicacoe...@googlegroups.com
Angola e Moçambique ainda não ratificaram o Acordo Ortográfico, assinado pelos oito países lusófonos há 23 anos e, à exceção de Portugal e do Brasil, os restantes não definiram datas para a sua aplicação.

O Governo angolano alega que pretende aprofundar a sua reflexão sobre o Acordo Ortográfico para salvaguardar aspetos de interesse do país, ligados à sua identidade cultural, nomeadamente a diversidade de línguas nacionais, bem como as implicações financeiras.

"Nos últimos quatro anos têm sido produzidos um conjunto de manuais escolares que representam mais de 50 milhões de exemplares, que em princípio são utilizados nas escolas primárias e secundárias do primeiro ciclo, e isso seria uma implicação financeira importante", disse em julho passado o ministro da Educação angolano, Pinda Simão.

Apesar da relutância na ratificação, Angola vai financiar os trabalhos do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa com 35 mil euros, segundo disse à Lusa, em julho, Gilvan Mller de Oliveira, presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, responsável pelos trabalhos.

Já em Moçambique, o Acordo Ortográfico foi ratificado pelo Governo em junho de 2012, um mês antes de o país assumir a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas falta ainda a ratificação pelo parlamento.

Portugal definiu como data para a aplicação global do acordo maio de 2015 e o Brasil dezembro do mesmo ano (o Governo Federal adiou posteriormente para 1º de janeiro de 2016), tendo adiado a data anteriormente estabelecida, que era janeiro de 2013

Quanto aos restantes países lusófonos que já ratificaram o acordo, apenas São Tomé e Príncipe avança uma data provável para a sua aplicação.

Em declarações à Lusa em 2014, o ministro da Educação, Cultura e Formação são-tomense, Jorge Bom Jesus, avançou como data provável para o início da aplicação do acordo setembro de 2014 (mas na prática ainda não foi aplicado), no arranque do próximo ano letivo, mas ressalvou que é preciso "ter um plano de implementação com etapas claras".

"Vamos tomar a decisão muito rapidamente (...) nós vamos implementar o acordo por etapas porque é preciso sensibilizar e mobilizar os vários setores, desde logo a imprensa escrita e falada, a administração pública, poder apresentar o acordo, explicar o que é que muda e o que é que desaparece", disse.

O ministro são-tomense alertou para a necessidade de se avançar rapidamente na aplicação do acordo, sob pena de se "caminhar para uma espécie de funcionamento da língua a duas velocidades".

Em Cabo Verde, um dos primeiros países a ratificar o Acordo Ortográfico, a implementação esteve inicialmente marcada para 05 de maio de 2009, mas acabou adiada "sine die", porque alguns Estados lusófonos defenderam a necessidade de mais consensos e discussões em torno do projeto.

Também sem se comprometer com datas para a aplicação do acordo, que Timor-Leste ratificou em setembro de 2009, o chefe da diplomacia timorense, José Luís Guterres, referiu que o Governo está "a fazer os possíveis para implementar o que foi acordado".

"A língua portuguesa representa um papel extremamente importante na formação do nosso caráter nacional e dá-nos o caráter de sermos únicos aqui na região e, por outro lado, é o elo profundo que temos com a CPLP e por isso valorizamos a língua portuguesa", disse o ministro.

O parlamento da Guiné-Bissau aprovou Acordo Ortográfico em novembro de 2009, mas na prática ainda não foi aplicado, disse à Lusa o ministro de transição com a pasta da Educação, Alfredo Gomes.

"Não temos manuais revistos para seguir o acordo, nem há meios para realizar ações sobre as alterações da língua", disse.

"Não que a aplicação do acordo não seja uma prioridade, mas os obstáculos são muitos", referiu o ministro, exemplificando que as diferentes variedades do português em África não foram tidas em conta.

O Acordo Ortográfico deveria ter entrando em vigor a 01 de janeiro de 1994, mas, nessa altura, só Portugal, Brasil e Cabo Verde o tinham ratificado.

Entretanto, foram aprovados dois protocolos de alteração, o segundo dos quais, de 2004, prescindia da aplicação unânime e reconhecia a entrada em vigor a partir de três ratificações.

Fonte : Lusa

Antonio Matias

unread,
May 13, 2015, 9:11:03 AM5/13/15
to ct-comunicacoe...@googlegroups.com

Um disparate total.
Um acordo que ninguém esta de acordo, ninguém  foi consultado, não foi debatido nem no parlamento, nem na sociedade civil.
Foi imposto num conselho de iluminados.
Como diria Rui Rio," quando uma minoria impõe vontade a uma maioria, chama-se ditadura "
É um caso.

--
--
Para mais informações/opções visite o site, e edite a sua conta:
http://groups.google.com/group/ct-comunicacoes-e-tecnologias?hl=en?hl=pt-PT

---
Recebeu esta mensagem porque subscreveu ao grupo "CT-Comunicações e Tecnologias" do Grupos do Google.
Para anular a subscrição deste grupo e parar de receber emails do mesmo, envie um email para ct-comunicacoes-e-te...@googlegroups.com.
Para mais opções, visite https://groups.google.com/d/optout.

CT2KJR

unread,
May 15, 2015, 9:53:29 AM5/15/15
to ct-comunicacoe...@googlegroups.com
A este propósito envio-vos um clip divertido ... Divirtam-se!



-------------------------------------------------------------------------------------------------------
Este e-mail foi escrito com intencional desrespeito pelo novo Acordo Ortográfico!
-------------------------------------------------------------------------------------------------------
Rui M. Rocha CT2KJR





João Costa > CT1FBF

unread,
May 15, 2015, 12:43:07 PM5/15/15
to ct-comunicacoe...@googlegroups.com
Naufragar é preciso?

texto de João Pereira Coutinho (escritor português)

PUBLICADO NA FOLHA DE SÃO PAULO

Começa a ser penoso para mim ler a imprensa portuguesa. Não falo da qualidade dos textos. Falo da ortografia deles. Que português é esse?

Quem tomou de assalto a língua portuguesa (de Portugal) e a transformou numa versão abastardada da língua portuguesa (do Brasil)?

A sensação que tenho é que estive em coma profundo durante meses, ou anos. E, quando acordei, habitava já num planeta novo, onde as regras ortográficas que aprendi na escola foram destroçadas por vândalos extraterrestres que decidiram unilateralmente como devem escrever os portugueses.

Eis o Acordo Ortográfico, plenamente em vigor. Não aderi a ele: nesta Folha, entendo que a ortografia deve obedecer aos critérios do Brasil.

Sou um convidado da casa e nenhum convidado começa a dar ordens aos seus anfitriões sobre o lugar das pratas e a moldura dos quadros.
Questão de educação.

Em Portugal é outra história. E não deixa de ser hilariante a quantidade de articulistas que, no final dos seus textos, fazem uma declaração de princípios:

“Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com a antiga ortografia”.

A esquizofrenia é total, e os jornais são hoje mantas de retalhos. Há notícias, entrevistas ou reportagens escritas de acordo com as novas regras.

As crônicas e os textos de opinião, na sua maioria, seguem as regras antigas. E depois existem zonas cinzentas, onde já ninguém sabe como escrever e mistura tudo: a nova ortografia com a velha e até, em certos casos, uma ortografia imaginária.

A intenção dos pais do Acordo Ortográfico era unificar a língua.

Resultado: é o desacordo total com todo mundo a disparar para todos os lados. Como foi isso possível?

Foi possível por uma mistura de arrogância e analfabetismo. O Acordo Ortográfico começa como um típico produto da mentalidade racionalista, que sempre acreditou no poder de um decreto para alterar uma experiência histórica particular.

Acontece que a língua não se muda por decreto; ela é a decorrência de uma evolução cultural que confere aos seus falantes uma identidade própria e, mais importante, reconhecível para terceiros.

Respeito a grafia brasileira e a forma como o Brasil apagou as consoantes mudas de certas palavras (“ação”, “ótimo” etc.).

E respeito porque gosto de as ler assim: quando encontro essas palavras, sinto o prazer cosmopolita de saber que a língua portuguesa navegou pelo Atlântico até chegar ao outro lado do mundo, onde vestiu bermuda e se apaixonou pela garota de Ipanema.

Não respeito quem me obriga a apagar essas consoantes porque acredita que a ortografia deve ser uma mera transcrição fonética. Isso não é apenas teoricamente discutível; é, sobretudo, uma aberração prática.

Tal como escrevi várias vezes, citando o poeta português Vasco Graça Moura, que tem estudado atentamente o problema, as consoantes mudas, para os portugueses, são uma pegada etimológica importante. Mas elas transportam também informação fonética, abrindo as vogais que as antecedem. O “c” de “acção” e o “p” de “óptimo” sinalizam uma correta pronúncia.

A unidade da língua não se faz por imposição de acordos ortográficos; faz-se, como muito bem perceberam os hispânicos e os anglo-saxônicos,pela partilha da sua diversidade. E a melhor forma de partilhar uma língua passa pela sua literatura.

Não conheço nenhum brasileiro alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Fernando Pessoa na ortografia portuguesa. E também não conheço nenhum português alfabetizado que sinta “desconforto” ao ler Nelson Rodrigues na ortografia brasileira.

Infelizmente, conheço vários brasileiros e vários portugueses alfabetizados que sentem “desconforto” por não poderem comprar, em São Paulo ou em Lisboa, as edições correntes da literatura dos dois países a preços civilizados.

Aliás, se dúvidas houvesse sobre a falta de inteligência estratégicaque persiste dos dois lados do Atlântico, onde não existe um mercado livreiro comum, bastaria citar o encerramento anunciado da livraria Camões, no Rio, que durante anos vendeu livros portugueses a leitores brasileiros.

De que servem acordos ortográficos delirantes e autoritários quando a língua naufraga sempre no meio do oceano?
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages