Porra,
não freia assim, caralho!
Estou
descendo (à pé, claro) a Augusta, já depois da meia noite. O grito
é nas minhas costas.
Quase
que bato em você!
Cara,
eu vi onde você tava, não tinha risco.
Não
tinha risco?! Não tinha risco?!
Sinto que os dois gladiadores do trânsito seguem descendo, se
aproximando de mim, apesar de prosseguirem com a discussão.
Se
eu não freio com tudo tinha acabado em cima de você, porra!
Tinha
nada, tinha distância, eu vi. Acha que fiz sem ver?
Olho para trás, surpreso da discussão seguir em movimento, e também
por curiosidade mórbida de uma discussão de trânsito de madrugada
em São Paulo.
Viu
o caralho!
O sinal vermelho, os dois páram – eles, não a discussão.
Claro
que vi, você tava longe!
O
caralho! Eu tava logo atrás!
Eu
segui meu trajeto. Carros passavam. O sinal abriu, e os dois
patinadores (rollerskater)
seguiram sua discussão, se haviam quase batido ou não.
São
Paulo, 26 de novembro de 2012.
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dAniel gOrte-dAlmoro
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Na teoria a prática é simples.
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"A alienação do espectador em favor do objeto contemplado se expressa assim: quanto
mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas
imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria
existência e seu próprio desejo. É por isso que o espectador não se
sente em casa em nenhum lugar, pois o espetáculo está em toda parte."
Debord