16 de
Abril
Pela fé
Abraão, quando chamado, obedeceu, afim de ir para um lugar que devia receber
por herança. (Hb
11.8.)
Ele não
sabia para onde ia; bastava-lhe saber que ia com Deus. Não era tanto nas
promessas que ele se apoiava, mas nAquele que prometera. Não olhava para as
dificuldades do que estava à sua frente, mas para o Rei, eterno, imortal,
invisível, o único Deus sábio, que havia assumido o compromisso de dirigir o
seu caminho e que por certo honraria o Seu próprio nome. Gloriosa fé! Esta é a
tua tarefa e estas são as tuas possibilidades. Devemos nos contentar em sair do
porto com as ordens em envelope fechado, tendo toda a confiança na sabedoria do
Comandante em chefe; devemos estar prontos a levantar, deixar tudo e seguir a
Cristo, pela segurança que possuímos de que o máximo da terra não se pode
comparar com o mínimo do céu. — F. B. M.
Não basta
partirmos com Deus para uma aventura de fé. Abandonemos qualquer itinerário que
a nossa imaginação tenha traçado para a jornada.
Nada será
como esperamos.
Nosso Guia
não Se prenderá a caminhos já trilhados. Ele nos guiará por um caminho que
jamais sonhamos ver. Ele não conhece temor, e espera que nada temamos enquanto
Ele está ao nosso lado.
"... e
saiu, sem saber para onde ia"..
Porém,
Deus o sabia,
E ele andava com Deus,
Eu
também me entreguei a Deus um dia.
Vou por
onde me guia. Ele É fiel.
17 de
Abril
Qual
entre todos estes não sabe que a mão do Senhor fez isto? (Jó 12.8.)
Há anos
achou-se na África um dos mais magníficos diamantes da história. Foi oferecido
ao Rei da Inglaterra, para fulgurar na sua coroa. O Rei enviou-o a Amsterdam
para ser lapidado, e foi posto nas mãos de um especialista. E o que fez ele?
Tomou a
valiosa gema e fez nela uma marca. Então deu-lhe com seu instrumento um golpe
seco. E pronto, lá estava a soberba pedra dividida em dois pedaços! Que
imprudência, que desperdício, que descaso criminoso!
De modo
algum. Por dias e semanas aquele golpe havia sido estudado e planejado.
Desenhos e modelos haviam sido feitos da pedra. Suas qualidades, seus defeitos,
as linhas do corte, tudo havia sido estudado com extremo cuidado. O homem a
quem ela estava entregue era um dos mais hábeis lapidários do mundo.
Então
aquele golpe foi um erro? Absolutamente. Foi o clímax do engenho do lapidário.
Quando ele desferiu o golpe, fez aquilo que traria a pedra à sua mais perfeita
forma, brilho e esplendor. Aquele golpe que parecia arruinar a magnífica
preciosidade, era na verdade a sua redenção. Pois daquelas duas metades saíram
as duas soberbas gemas que o olho hábil do lapidário enxergou escondidas na
pedra bruta que veio da mina.
Assim, às vezes Deus deixa cair sobre a nossa vida
um golpe cortante. O sangue jorra. Os nervos retraem-se. Nossa alma grita em
agonia. O golpe nos parece um grande erro. Mas não é. Pois somos para Deus uma
jóia preciosíssima. E Ele é o mais hábil lapidário do universo.
Um dia
iremos fulgurar no diadema do Rei. Agora, enquanto estamos na Sua mão, Ele sabe
exatamente como lidar conosco. Não recairá sobre nós nenhum golpe que não seja
permitido pelo amor, o qual, das suas profundezas, opera bênçãos e
enriquecimentos espirituais que nunca vimos nem procuramos. — James H.
MacConkey
Num dos
livros de Jorge MacDonald aparece este fragmento de conversa: "Eu imagino
por que Deus me fez", disse o Sr. F. "Estou certo de que não adiantou
nada fazer-me!"
"Talvez
não tenha adiantado muito ainda", disse D., "mas Ele ainda não acabou
de fazer você. Ele ainda o está fazendo; e você está questionando o
processo."
Se os
homens apenas cressem que estão no processo de criação, e consentissem em ser
feitos — em deixar o Criador moldá-los como o oleiro ao barro, submetendo-se
aos movimentos da sua roda — dentro de pouco tempo estariam louvando a Deus
pelas vezes que a Sua mão os pressionou, mesmo que lhes tivesse causado dor; e
por vezes, não seriam apenas capazes de crer, mas reconheceriam o fim que Deus
tem em vista, que é trazer um filho à glória.
18 de
Abril
E ele o
fará. (Sl 37.5.)
Primeiro
eu pensava que, depois de orar, eu devia fazer tudo o que estivesse ao meu
alcance para a concretização da resposta. Ele me
ensinou um caminho melhor, e mostrou-me que meu
esforço próprio sempre atrapalhava a Sua operação; e que quando eu orava e cria
definidamente nEle para um determinado fim, Ele queria que eu esperasse em
espírito de louvor e só fizesse o que Ele me mandasse. Parece uma coisa tão
insegura, simplesmente ficar quieto e não fazer nada, senão confiar no Senhor;
às vezes, é tremenda a tentação de tomarmos a batalha em nossas próprias mãos.
Todos
sabemos como é difícil salvar de afogamento uma pessoa que procura ajudar quem
a socorre. Assim também, nós impossibilitamos o Senhor de combater os nossos
combates, quando insistimos em procurar combatê-los nós mesmos. Não é que Ele
não queira, mas não pode. Nossa interferência impede a Sua operação. —
C.H.P.
As
forças espirituais não podem operar enquanto as forças terrenas estão em
atividade.
Deus
precisa de tempo para responder a orações. Muitas vezes falhamos em dar
oportunidade a Deus a este respeito. Leva tempo para Deus colorir uma rosa.
Leva tempo para Ele formar um carvalho. Leva tempo para Deus tornar em pão um
trigal. Ele toma a terra. Ele a amolece. Ele a enriquece. Ele a umedece com
chuvas e orvalho. Ele a aquece com vida. Ele dá a lâmina, a haste, o grão
dourado, e então, por fim, o pão para o faminto.
Tudo isto
leva tempo. Por isso nós semeamos, cultivamos, e esperamos, e confiamos, até
que seja cumprido o propósito de Deus. Estamos dando uma oportunidade a Ele. A
mesma lição se aplica à nossa vida de oração. Deus precisa de tempo para
responder à oração. — J. A. M.
Textos retirados da obra "Mananciais no Deserto"