
Rodrigo Constantino
“A menor minoria de todas é o indivíduo; aqueles que negam direitos individuais, não podem alegar serem defensores de minorias.” (Ayn Rand)Em artigo hoje no jornal
Valor Econômico ("Altura e desempenho no mercado de trabalho"), Naércio Menezes Filho mostra que a altura tem correlação com o salário: "Mesmo entre pessoas com o mesmo nível educacional, as mais altas ganham mais. Os dados mostram que 1% a mais de estatura entre os homens, eleva o salário em cerca de 2%". Mas o próprio autor reconhece que correlação pode não ser causalidade, lembrando que a explicação mais plausível é que “a altura das pessoas está refletindo, em parte, as condições sócio-econômicas de suas famílias na infância e até no ambiente uterino”. Ainda assim, ele afirma que “não se pode descartar a possibilidade de discriminação contra os mais baixos no mercado de trabalho, assim como ocorre com as mulheres e os negros”.
Creio que isso é o suficiente, no momento atual em que vive o país, para se criar um movimento em prol das cotas para os baixinhos. A primeira medida, entretanto, deve ser a mudança do termo, para se adaptar à era do politicamente correto, onde eufemismos predominam. Logo, “baixinho” não parece um adjetivo adequado, tampouco “nanico” seria desejável. A luta deve ser pelas cotas dos “verticalmente prejudicados”, assim como “negros” viraram “afro-descendentes”, mesmo que inúmeros descendentes da África possam ser brancos. Esses detalhes não vêm ao caso. O importante é criar um novo privilégio, pois essa é a demanda da mentalidade brasileira: o governo vai solucionar todos os males do mundo com uma canetada milagrosa. Baixinhos do mundo todo, uni-vos!
Qual será o argumento para condenar esse novo privilégio pela altura, se defendem a mesma medida por causa da cor? E naturalmente, não devemos parar aqui: os gorduchos deveriam se unir para reivindicar cotas também. Afinal, existe preconceito contra aqueles “com peso avantajado”. Os carecas, sem dúvida, merecem alguma compensação pela discriminação que sofrem. Não deve ser fácil ser um portador de “insuficiência capilar”. E por aí vai...
Ou entendemos que cada indivíduo, com suas características particulares, merece um tratamento igual perante as leis, ou abrimos espaço para todo tipo de privilégio arbitrário. A primeira postura é uma bandeira tipicamente liberal, que rejeita privilégios com base na cor, no credo, no sexo, na renda, na altura, no peso, etc. A alternativa é uma eterna luta por privilégios, onde indivíduos desaparecem, dando lugar a grupos coletivistas que selecionam
uma das várias características da pessoa, e a usam como o fator predominante, ignorando o resto todo. O indivíduo deixa de ser quem ele é, e passa a ser um “negro”, ou um “baixinho”, ou um “careca”, pois essa específica característica passa a ser dominante, garantindo seu privilégio. Isso sem falar, evidentemente, que cada privilégio gera um discriminado, ou seja, todo tipo de cota fomenta a segregação com base na característica usada para o privilégio.
É nesse mundo que queremos viver? A única solução justa é a igualdade perante as leis, ou seja, abolir todo e qualquer tipo de privilégio, mantendo a isonomia das leis. Caso contrário, o caminho da servidão será inevitável.