O Teatro e o táxi, André Freire

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André Freire

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Jun 4, 2026, 1:12:55 PMJun 4
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Texto do livro "PARAÍSO", André Freire, PORTUGAL MAG Editora, 2025.
Prefácio de António Bondoso.
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"O Teatro e o táxi"
Rio de Janeiro, a Cidade divina e Maravilhosa. O final da tarde é evidente naquele sábado carioca. O acender da iluminação pública, o pôr do sol. Está tudo encaminhado para mais uma noite calma, sossegada, um jantar, talvez assistir televisão (um filme?)
ou a leitura de um romance. No entanto, toca o telefone, naquele tempo de precisar discar para fazer a chamada. O primo Luisinho está no Rio! Viva! É festa!
-Venha para a casa da minha avó. Vamos assistir o show do Made in Brazil, lá em Copacabana!
A banda Made in Brazil trazia o rock da capital de São Paulo, a famosa “Sampa” ou “Paulicéia”. Saí apressado rumo a Praia do Flamengo e, de lá, seguimos os dois para o Teatro Tereza Raquel, mediática casa de espetáculos de Copacabana. De autocarro, é claro! Teatro cheio. No final da apresentação fomos para a frente do Teatro, que está localizado num enorme edifício da Rua Siqueira Campos. E a famosa questão:
-Fazer o quê, Luisinho?
Espera daqui, espera dali, chegaram duas gatinhas e ficaram ao nosso lado à espera de um táxi. E o táxi chegou, o único após prolongada espera.
-Podemos ir com vocês? A pergunta das duas meninas, bonitas, simpáticas.
-Claro! Onde vão ficar?
-Na Rua Redentor.
-Claro que sim.
E as meninas – irmãs – respondem rapidamente: -Vamos dividir a despesa!
Uma delas era Flora, a outra eu esqueci o nome (durante anos chamamos as duas de Flora e Fauna). O casal masculino muito educado, atencioso, conversa daqui, conversa dali, mas as duas meninas resolveram ficar em casa. Moravam na famosa Rua Redentor, na mediática Ipanema, boêmia e culturalmente rica naqueles anos.
-Vocês vão ficar?
-Não, nós moramos longe daqui, lá na Glória.
-Ah! Tchau, beijinhos, tchau, tchau, etc……
O taxista “zera” a bandeirada e pergunta: Qual a rua?
E o meu primo Luisinho, rapidamente responde:
-Mudei de ideia! Pode parar na outra esquina! Resolvi passar no “Niterói”!
O taxista fica sem entender nada. Depois de pagar a corrida, seguimos para o Niterói, o nosso bar predileto, defronte ao famoso “Garota de Ipanema”. Lá, depois de conseguir
encontrar uma mesa vazia, hora da farra com chopes duplos, porções de calabresas e batatas-fritas, caprichadas e cobertas (praticamente soterradas) com mostarda e ketchup.
Muitas risadas e a lembrança das bonitas irmãs. Final de noite, hora de voltar para casa, primo Luisinho ficou de dormir em minha casa. No final, veio o momento de susto e perigo, quando precisamos saltar do autocarro em movimento, lá no Aterro do Flamengo.
-Aqui eu não paro, decretou o motorista.
Flora e Fauna: por onde estão aquelas duas belas meninas do teatro e do táxi?
Paraíso, capa do livro.jpg
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