Publicado no livro "PARAÍSO", André Freire, PORTUGAL MAG Editora, 2025.
Prefácio de António Bondoso.
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Sou natural do Estado de Alagoas, lá no Nordeste do Brasil. É verdade: por lá eu vivi poucos anos. Estive no Rio de Janeiro, Nova Friburgo, São Paulo e Portugal. Numa época, já distante, vivi e trabalhei em Maceió! Saudade daqueles dias. Mas a minha saudosa Alagoas é a minha terra natal, a minha eternamente querida terra natal. Mesmo já afastado do sotaque original - tanta mistura de pronúncias - sou e serei eternamente natural de Alagoas. E citando Zé Ketti e Hortêncio Rocha, “Eu estou por aí sempre pensando nela”. A querida Maceió foi o meu berço. A Santa Casa da Misericórdia foi o local do meu nascimento, onde cheguei apressado, antes mesmo da obstetra Dra. Vitória. Com os olhares assustados da auxiliar da Maternidade e da mamãe, eu puxava o cordão umbilical, deliciado com a minha chegada neste Mundo. Naquele 22 de outubro de 1959. Uma quinta-feira, salvo engano. Pobre daquele, que abandonando – por qualquer motivo – sua terra natal, esqueça de citar ou recordar sua origem. É mais chique ser carioca ou paulista do que nordestino da gema? E no caso de Alagoas, do trágico Salgema (mazelas à parte, é claro!)! Alagoas, Estado pequenino, é verdade. Banhado por um Oceano de águas mornas, entupido de coqueirais, cana-de-açúcar, ornado por lindas praias, com suas lagoas, rios e sertão. Ah! Alagoas onde eu vivi poucos anos. Terra natal do meu pai, André de Albuquerque Freire, natural de Mata Grande, e a terra adotiva da minha mãe, Ruth Castilho Freire, nascida no Distrito Federal. Terra onde já cheguei, cinco anos após a chegada do meu irmão Gustavo Adolpho. Ah! Alagoas do Quilombo de Palmares – salve, Zumbi dos Palmares! – e do eterno e mítico coqueiro Gogó da Ema, A Torre de Pisa do Nordeste brasileiro. Alagoas da luta, da arte e da resistência. Salve a magia musical, salve a magia cultural! Alagoas dos intermináveis canaviais e praias divinas.
Salve Djavan, Téo Pereira Lima, Pontes de Miranda, José Luís Rodrigues Calazans, o mítico Jararaca. Salve o Maestro Bruno Rodrigues e a sua Orquestra Tupy. Terra de Setton Neto, Eliezer Setton e do divinal CORETFAL, o Coral da Escola Técnica Federal de Alagoas, alegremente a espalhar sonoridades de nossa gente por este Mundo tão carente de luz e amor. Salve João de Lima, Théo Brandão e Sandro Becker. Salve o “bruxo dos sons” Hermeto Pascoal. Vivas para Linda Mascarenhas, Primeira Dama do Teatro Alagoano. Vivas para Floracy Cavalcante, Rainha do Rádio Alagoano. Salve o inesquecível Armando Veríssimo Ribeiro “Moleque Namorador”, o Rei do Frevo, o Rei do Passo. Salve “Dicionário” Aurélio Buarque de Hollanda, Carlito Lima, Lêdo Ivo, Graciliano Ramos.
Ô, ô, ô, ô, ô, salve Jorge de Lima, Enredo da Estação Primeira de Mangueira, a mais bela e querida Escola de Samba do Mundo, no Carnaval de 1975: “Imagens Poéticas de Jorge de Lima”. Salve José Jofre Soares e o alagoano adoptivo Pelópidas Guimarães Brandão “Paulo” Gracindo, a exemplo da minha mãe, também nascido no Distrito Federal, eternizado como Odorico Paraguaçu e Coronel Ramiro. Vivas para a memória e Arte da Fotografia do talentoso Augusto Malta. O Cinema de Carlos José “Cacá” Fontes Diegues, glória do Mundo. Vivas para Padre Teófanes Augusto de Araújo Barros, Arthur Ramos, Calabar, Augusto Calheiros. Salve Alagoas da luta e da Arte! No Teatro, Cinema, TV, política, grandes nomes, expressivos nomes para um pequenino e pobre Estado. Da Literatura – luta eterna pelo Bem. Salve, Alagoas! Vivas para Pilar e Chã do Pilar onde passei anos e anos da minha infância, em férias inesquecíveis. Na Medicina, vivas para Nise da Silveira, Maria das Vitórias Pontes de Miranda, para os irmãos e pediatras Carlos Gonçalves de Oliveira e José Gonçalves Sobrinho. Vivas para o cardiologista Miguel Olímpio Cavalcanti, amigo e médico do meu saudoso pai, a prova da união da consciência social, amor e ciência. Alagoas da magia do Futebol, masculino e feminino! Dos duelos do meu CRB x CSA! Mil vivas para a super Marta, a Marta Vieira da Silva, seis vezes eleita a melhor futebolista do Mundo. Apesar de nascido em Sergipe, vamos recordar o jogador “Jacozinho”. Salve o Júlio dos Santos Ângelo “Peu”! E tem ainda o “13” Mestre Mário Jorge Lobo Zagallo. Tem o “Dida” Edvaldo Alves de Santa Rosa, Campeões do Mundo. Salve Képler Laveran de Lima Ferreira, hoje “Pepe”, do Futebol Clube do Porto e da Seleção de Portugal. Salve o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca! Salve o Marechal Floriano Vieira Peixoto, respectivamente,o primeiro e o segundo Presidentes do Brasil.
Salve, salve, salve Alagoas, minha distante e saudosa terra natal! Do “Velho Chico”, de rios, lagoas e cachoeiras, deliciosos quitutes, heróis, Histórias, lendas, lutas, belezas, sofrimentos, E uma crónica Fome que nem o delicioso sururu consegue aplacar.
Estado de rico folclore, das suas rendeiras, mágicos artistas e artesãos. Vivas para Manoel da Marinheira, Pierre Gabriel Najm Chalita, António Deodato Sobrinho, o Mestre Deodato, José Cícero da Silva, o Mestre Zezinho de Arapiraca. Salve a pintora Lívia de Almeida Goes e salve o André Fon, colunista e Mago da Fotografia. Salve tantas coisas lindas esquecidas pela “mídia sulista” que só consegue enxergar “axé music”. E produtos destinados ao consumo fácil. Ou defeitos…Vivas para Taieiras, Guerreiro Alagoano, Reisado, Maracatu, Chegança (Fandango), Frevo (sim!), o Carnaval e as Escolas de Samba, Coco de roda, Pastoril, Baianas. Vivas para o Samba-de-Matuto, Marujada, Gigantões, Quadrilha Junina, Vaquejada, O Bumba meu Boi e “correr o Boi” lá em Pilar e Chã do Pilar”. Vivas para a Cavalhada, Pagode, Mané do Rosário, Caboclinhas, A Cobra Jararaca, Dança de São Gonçalo, Bandos, Negras da Costa, Baião, Toré de Xangô, Toré do Índio e outras que não consigo recordar.
E do Hino de Alagoas quero ressaltar:
“…E se a luta voltar, hão-de os bravos/ Ter a imagem da Pátria por fé.
Que Alagoas não procria escravos/ Vence ou morre!...Mas sempre de pé
Tu, Liberdade formosa, /Ridentes hinos entoas:
Salve, ó terra grandiosa/ De luz, de paz, Alagoas!...”*
Alagoas, Alagoas, Alagoas, terra natal agora tão distante. E ainda tão distante da igualdade, numa dura e cruel realidade, onde a fome ainda campeia e a miséria ainda insiste em distribuir mais fome, sofrimento, luto e tristeza.
Alagoas, eu peço, não perca a fé! E como já diz o nosso Hino:
“Vence ou morre!...Mas sempre de pé!”
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*Hino Oficial de Alagoas, Composição de Luiz Mesquita e Benedito Silva.