Cyberbullying

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Ana Cristina

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Oct 7, 2008, 12:33:14 PM10/7/08
to Comunidades Virtuais CPSPC

Só porque não ia com a cara de um colega de turma, o estudante mineiro
Lucas Campos achou que tinha o direito de criar uma página em um site
de relacionamentos na internet com todo tipo de ofensa e xingamentos,
inventando apelidos. O estudante ofendido não gostou e resolveu
processar.

O Tribunal de Justiça do Estado de Minas condenou o autor da zombaria
a pagar R$ 3.500 de indenização em danos morais por crime de
difamação.

“Não são todas as pessoas que costumam deixar este tipo de coisa
passar em branco”, diz o estudante Daniel Garcia Neto.

Essa prática de provocar e intimidar colegas sem motivo e de forma
insistente vem sendo chamada há alguns anos de “bullying”. Uma
pesquisa sobre violência escolar feita com quatro mil estudantes
paulistas mostra: a maior parte das provocações acontece no pátio da
escola, no corredor e na sala de aula, quando o professor não está
presente. A novidade é que sites e blogs da internet agora também
aparecem na lista de "locais" preferidos para esta prática, que é uma
espécie de assédio moral.

LOCAIS PREFERIDOS PARA AS PROVOCAÇÕES:
Escola privada
Pátio 38%
Corredor 31%
Classe sem professor 30%
Sites de relacionamento e blogs: 10%

Escola pública
Pátio: 44%
Corredor: 30%
Classe sem professor: 40%
Sites de relacionamento e blogs: 8%

Na internet, esta intimidação também é conhecida como “cyberbullying”
ou “bullying virtual”.

“O que leva a garotada a fazer essas coisas com os colegas é a certeza
da impunidade e do anonimato. A maior defesa é a denúncia, mas
infelizmente as pessoas não denunciam, são poucos os que recorrem à
Justiça", afirma Cleo Fante, pesquisadora de violência escolar.

A estudante de Direito Thany Pollini escreveu para o site do
Fantástico contando que sempre foi discriminada na escola e que agora
passou a sofrer o problema também na internet.

“Já fui chamada de baleia, de monstro do mar, elefante, essas coisas
assim de pessoas cruéis. Fui ameaçada de apanhar, fui ameaçada de ter
meu carro riscado, fui ameaçada com telefonemas. Isso ao longo do
tempo que eu uso a internet”, conta Thany.

“O uso da internet como instrumento de divulgação dessa agressividade
tem se tornado muito mais comum a cada dia que passa e é um problema
mundial”, avalia Aramis Lopes, da Associação Brasileira de Proteção à
Infância e à Adolescência.

Uma estudante universitária de Porto Alegre decidiu inverter o jogo:
fez da internet uma arma contra a intimidação escolar. Há dois anos
criou um blog para ajudar vitimas de assédio moral na escola.

“Não havia nada no Brasil falando, só em site americano. Então, eu ia
traduzindo e como eu vi que tinha pouca coisa aqui eu resolvi criar o
blog. A partir daí fui pesquisando, pesquiso até hoje e tudo o que eu
encontro de informação eu procuro passar para os outros”, diz a
estudante Daniele Vuoto.

A intenção era evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo
desespero que ela enfrentou na adolescência. Daniele foi internada em
uma clínica psiquiátrica depois de tentar o suicídio. Tudo porque era
excluída e humilhada no colégio.

“Ninguém merece, nada justifica colocar alguém de lado”, observa
Daniele.

Até um jogo de videogame está na mira do time antiviolência escolar,
que tenta proibi-lo no Brasil.

“Essa agressividade entre os estudantes era tida como uma situação
normal, tolerável, aceitável e inofensiva. Hoje já se sabe que não,
que é um ato violento, que causa danos a quem sofre, a quem observa e
a quem agride”, explica Aramis Lopes.

“A gente não precisa morrer de amor por ninguém, mas eu acho que o
respeito ao ser humano, isso tem que existir”, opina Daniel.

Fonte : http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1528489-4005,00.html
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