Fwd: [endurofimregularidaders] Relato José Sheid do Cachoeiras

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Jose Scheid

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Mar 19, 2013, 3:17:00 PM3/19/13
to Companhia Da Trilha


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Moacir Bergonsi - Erechim / RS <moa...@hotmail.com>
Data: 19 de março de 2013 16:02
Assunto: [endurofimregularidaders] Relato José Sheid do Cachoeiras
Para: copam...@googlegroups.com
Cc: erechim...@googlegroups.com, endurofimre...@googlegroups.com


 

 

http://josescheid.blogspot.com.br/2013/03/enduro-das-cachoeiras.html 

 

 

A prática de enduro no Paraná, tem suas histórias alteradas totalmente quando realizado com chuva. Foi o que aconteceu no brasileiro de regularidade na cidade de União da Vitória
.
Sábado as 6 hs tocou o despertador do celular, que por sinal estava na minha mão, pois alguns segundos antes acordei para conferir a hora. Levantar, conferir as condições do tempo, enrolar planilha, copiar os trechos, tomar café no hall de entrada do Hotel 10, conferir o tempo novamente e partir para a largada no centro da cidade.

A primeira providência foi partir para aferir os equipamentos. Foi quando tudo começou acontecer, digamos não pelo planejado. Durante o trajeto da aferição choveu, não, derramou água em quantia. Retornando à barraca, no local da largada verifiquei que minha planilha havia molhado.

Verificando o horário de largada(9:02:40), daria tempo de trocar por uma planilha nova. Mas onde conseguir em cima da hora. Nisso o piloto Junior Capelleto me salvou. Rapidamente enrolar planilha e faltando alguns minutos tudo pronto.

A chuva continuava a cair sem parar, enquanto os mais de 100 pilotos largavam. E foi assim na minha largada. Tudo corria muito bem, pelo menos no deslocamento até as trilhas. Entrei na primeira trilha com vontade de acelerar. Não contava que na primeira curva em uma trilha estreita jazia um piloto. E me fui ao chão fazer companhia ao colega Flavio Demoliner.

Levanta rápido com ajuda do Flavio, e segue a trilha, mas agora com as luvas tapadas de barro. Chegando na segunda trilha, vejo uma fila de pilotos se formando em uma descida. Medo. E não deu outra. Grandes dificuldades para descer. Consegui sair desta com 10 minutos de atraso.

Mas vamos recuperar. Enduro com chuva é assim mesmo. E mais tranqueiras em algumas subidas e o atraso aumenta. Tento recuperar numa descida forte, vou ao chão e levo junto mais um piloto. Dou uma conferida e vejo que tinha acabado de derrubar meu colega de equipe Fernando Utzig, que por sinal me ajudou e nem me conheceu, ainda bem.

Sigo acelerando forte, mas a recuperação é tímida. Continuo com o mesmo atraso. As trilhas encharcadas e com muito barro, muito liso, bota liso nisso. A moto respondia muito bem, até que.....uma pequena falha, mais uma falha e ela parou. Não poderia ter terminado a gasolina, mas coloquei na reserva. Nada. E nisso chega o Fernando e sugere verificar a torneira de combustível. Era só colocar na posição correta de reserva. AI. Lá se foi mais 5 minutos. Agora eram 15 minutos de atraso.

E chegamos juntos no primeiro neutro de apenas 10 minutos. Abastecer rápido, trocar a garrafinha de água, luvas limpas e "braaaaaappp". Acelerar forte pra tentar diminuir o atraso. Acelerei tanto que cheguei no próximo neutro, o principal com o pneu dianteiro furado. Provavelmente uma batida de aro, depois confirmada. E pior, bateria na moto pifada. Ficou complicado, mas o tempo de neutro era de 25 minutos e isso me fez voltar ao tempo ideal.

Vamos para a segunda parte com as forças debilitadas. Mas endurista não desiste nunca, e mesmo esgotado, as vezes não tomando água o suficiente para se hidratar. Então "splacth", um inseto bate direto no dentão. Imediatamente o sabor do bichinho invade toda boca. Um "fede-fede", destes verdinhos que atacam a lavoura de soja. "haghhh". Sei que isso não é só fedorento, mas também venenoso. Parar, enxaguar bem a boca com o restante da água e seguir.

Atrasado, fazendo a moto pegar no pedal, pneu dianteiro furado, sabor de inseto na boca, liso, e bota liso nisso. O que faltaria acontecer nesse dia? Ai, cãibras. A cocha direita começa a dar sinal de cãibras. No próximo neutro consigo um comprimidinho de potássio com o Fernando, sempre o Fernando me salvando, aquele mesmo que derrubei no descidão lá no início.  E me arrasto até o final.

Resultado do dia: Terceira colocação na categoria. Foram 170 km de pura trilha. Praticamente não andamos em estrada. Mais de 6 horas de pilotagem e saindo da oficina do Polaco as 11:30 da noite com a moto em dia para o segundo dia. As 6 hs vai tocar o despertador.

Amanheceu em União da Vitória, o dia parece que vai ser ensolarado. Pois é, só parece. Depois do café da manhã uma garoa fininha cai parece gozando da cara do piloto. Mas "vamo que vamo".  Desistir jamais. Na concentração da largada noto que não estou nas melhores condições. Dói para mover os braços, as pernas, para subir na moto. Dói até para pensar. Além disso um pequeno mal estar.

Logo que entro na primeira trilha tenho a contatação que não foi só uma garoa fina. Deve ter chovida bastante na madrugada. As trilhas estão embarradas e muito lisas. Já no primeiro subidão, motos trancadas patinando sem sair do lugar. Eu esperando. O tempo passando. Atraso comendo.

Depois de vencido o subidão tento tirar a diferença do tempo e vou ao chão. Uma chacoalhada no barro e pulo na moto acelerando. Logo constato que não consigo cambiar as marchas. Pedal de cambio torto. Levo 5 minutos para arrumar. Atrasado novamente.

Neste momento tomo a decisão de mudar a estratégia do dia. Vou tentar cortar uma parte do roteiro para voltar ao tempo ideal. Mas como fazer isso. Fácil, pedir informações a um morador sobre como ir ao local do neutro. Morador? Mas que morador. Andei, andei e nada de uma alma viva. Mato e mais mato. De repente me passa uma sensação de alívio. Ouço sons, parecem de humanos. Uma subida onde haviam pessoas da organização ajudando, pois estava muito difícil de conseguir vencer o obstáculo. Até o marcos Lazzareti com a camisa do Colorado gaúcho estava lá.

Consigo a informação de como me deslocar até o neutro e com isso volto ao tempo da prova. Depois de um bom descanso, de um churrasquinho que o apoio assou, volto para a prova com disposição e sigo até o final com bom desempenho. Hoje foram mais 160 km em mais de 6 horas.

No final, comemorei muito uma quarta colocação. Muito pelas condições em que cheguei a ele. Mas eu esperava mais. Agora vamos para a preparação da próxima etapa do campeonato brasileiro em abril na cidade de Porto Seguro na Bahia.

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ENDURO FIM REGULARIDADE DO RS
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Darci Radünz

unread,
Mar 19, 2013, 5:50:56 PM3/19/13
to companhi...@googlegroups.com

Em 2002 eu e o Nuzi participamos de um enduro das cachoeiras, sei o que é difícil aquela prova, dois dias não é fácil, tem horas que anda em Santa Catarina e dali uns metros está no Paraná e nem sabe, mas consegui trazer troféu de 4º. Lugar.

 

Parabéns José, por mais esta prova!

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