Professores da UFRJ tentam impedir que o presidente da China, Xi Jinping, receba o título de “Doutor Honoris Causa” aprovado pelo Conselho Universitário da instituição, em 10 de outubro do ano passado, com um voto contrário e uma abstenção.
Segundo um professor, que não quis se identificar por medo de retaliações, a aprovação foi realizada de forma rápida, “com os pedidos feitos no final de setembro e aprovados no começo de outubro”, com a pretensão de chamar Xi Jinping já em novembro, o que acabou não dando certo. O nome do chinês para a concessão do título continua em uma lista de próximas cerimônias a serem marcadas na UFRJ.
Xi Jinping é presidente da China desde 2012. Sob seu governo, a China realiza um forte controle da educação e da liberdade de expressão, além de perseguir qualquer pessoa contrária ao Partido Comunista. O país, por exemplo, mantém campos de concentração com mais de um milhão de prisioneiros, controla o que se aprende em sala de aula (é proibido criticar o Partido Comunista), censura a internet, etc.
Em relação ao coronavírus, tentou calar o médico Li Wenliang, não deu remédios a pessoas com problemas de saúde pré-existentes durante a quarentena, permitiu viagens no início do surto, mesmo sabendo do perigo de contágio, entre outros atos questionáveis.
Na UFRJ, no entanto, um dos pareceres que defendeu a concessão do título a Xi Jinping declarou que ele seria um “líder aberto ao diálogo, com destaque mundial à sua visão mais democrática em relação à China”. Outro documento justificou o pedido de concessão pela atuação de Xi Jinping “em temas como conservação ambiental e desenvolvimento sustentável” – sendo a China o maior emissor de poluentes no mundo.
Há de se pensar que a UFRJ queira estreitar laços de pesquisa com a China. Nada contra. Mas, para isso, é necessário conceder honrarias altamente questionáveis a líderes que violam os direitos humanos?
A Gazeta do Povo está atenta a movimentos que utilizam instituições públicas para interesses pessoais ou políticos – nesse caso, tentando sinalizar a professores e estudantes “um exemplo a ser seguido”, como fomenta o título de “Doutor Honoris Causa”, a uma personalidade que não a merece. É uma batalha difícil. Com a sua ajuda, no entanto, seremos mais fortes.
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