Data instituída no Canadá nos anos 1990 já é comemorada em mais de 60 países
da equipe Akatu
Você consegue se lembrar do último dia em que não comprou nada?...
E sabia que existe um dia mundial dedicado a isso, literalmente o “dia de não comprar nada”?
Sim, atualmente mais de 60 países comemoram o “Buy Nothing Day” ou, como é chamado nos países de língua portuguesa, Dia Mundial sem Compras, que, pelo mundo, é celebrado no último sábado de novembro; nos EUA e no Canadá, um dia depois do Dia de Ação de Graças.
Portanto, o próximo sábado, dia 27 de novembro é o Dia Mundial sem Compras. Assim como no Brasil, na maior parte do planeta, o sábado é um tradicional dia dedicado às compras, daí o desafio da comemoração. Aliás, mais que uma comemoração, é um dia de reflexão, assim como é o Dia Mundial sem Carro, comemorado em 22 de setembro.
“O modelo econômico, desde o pós-Guerra, tem sido baseado no aumento constante da produção de bens e serviços e na obsolescência programada de produtos, muitas vezes sem uma preocupação mais detida com o real bem-estar das pessoas”, alerta Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.
“Mais que isso, trata-se de um modelo que ignora os limites ambientais e a justiça social, o que resultou em um mundo em que praticamente se vive para consumir, em vez de consumir para viver. Nesse processo, o consumo tornou-se um fim em si mesmo, deixando de ser o que realmente é: um instrumento de bem-estar”, completa Mattar.
E o resultado disso é um padrão de produção e consumo insustentável: concentrado e excessivo. Segundo o relatório “Estado do Mundo – 2010”, a humanidade já consome 30% a mais de recursos naturais que a Terra consegue repor; e apenas 16% da população mundial (pouco mais de 1 bilhão de pessoas) abocanham 78% desses recursos, restando apenas 22% dos recursos para 84% da população (os 5,8 bilhões de pessoas restantes).
Sustentabilidade implica em garantir acesso justo a bens e serviços a todos hoje e no futuro. Portanto o acesso deve ser estendido aos que estão de fora hoje, sem, no entanto, comprometer a vida das gerações futuras.
Daí a profunda reflexão sobre a necessidade de mudança no estilo de vida das pessoas. Se o padrão de consumo daquele 1 bilhão de pessoas que consomem fosse estendido a toda a população, seriam necessários cinco planetas.
O Dia Mundial sem Compras e o movimento mundial pelo Consumo Consciente não são contra o consumo. Consumir conscientemente não é não consumir, mas consumir menos e diferente.
Mas um dia só faz alguma diferença? Os ativistas britânicos do Buy Nothing Day explicam que a intenção não é mudar o estilo de vida do planeta num único dia. A ideia é despertar a consciência das pessoas para que percebam os impactos de seu consumo no meio ambiente.
“Todo consumo causa impacto – positivo ou negativo – na economia, nas relações sociais, na natureza e em cada indivíduo”, diz o presidente do Akatu.
“Ao ter essa consciência, o consumidor pode buscar aumentar os impactos positivos e diminuir os negativos de seu consumo na hora de decidir por que comprar e de escolher o que comprar, de quem comprar, como comprar e de definir a maneira de usar e, depois, descartar o que não serve mais”, explica Mattar.
O Dia Mundial sem Compras busca, portanto, contribuir para a construção de uma sociedade que promova um maior sentido de vida para as pessoas e o respeito aos recursos naturais e sociais.
A ideia do Dia Mundial sem Compras, ora atribuída ao artista Ted Dave, ora à ONG Adbusters Media, veio do Canadá, no início dos anos 1990, como uma forma de protesto contra o consumismo que assola a sociedade contemporânea.
Desde então, são realizadas manifestações em todo o mundo contra os males do consumo exagerado ao bolso e à saúde de quem consome, à sociedade e ao meio ambiente. Ativistas fazem “tours de zumbis” em shoppings e supermercados - caminhando pacificamente em grupos de pessoas fantasiadas e com olhar perdido pelos corredores –, destroem seus próprios cartões de crédito em praça pública, promovem feiras de trocas... Os mais dedicados, além de não fazer compra alguma, consomem o estritamente necessário de água, ainda evitam ligar aparelhos elétricos, fazer ligações telefônicas e usar carros.
Veja mais em:
- http://www.buynothingday.co.uk
- http://www.adbusters.org/campaigns/bnd
A few people start breaking their old patterns, embracing what they love (and in the process discovering what they hate), daydreaming, questioning, rebelling. What happens naturally then, according to the revolutionary past, is a groundswell of support for this new way of being, with more and more people empowered to perform new gestures unencumbered by history.
http://www.youtube.com/watch?v=1uK0_jwyh_0&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=t9Vw7JwhgLU&feature=fvw