O
Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2009-2010, lançado
na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta a persistência
e o agravamento da desigualdade entre pretos e pardos, de um lado, e
brancos.
O trabalho, produzido pelo Laboratório de
Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações
Raciais (Laeser) da UFRJ, mostra, por exemplo, que em 2008 quase metade
das crianças afrodescendentes de 6 a 10 anos estava fora da série
adequada, contra 40,4% das brancas. Na faixa de 11 a 14 anos, o
porcentual de pretos e pardos atrasados subia para 62,3%.
Os
resultados contrastam com avanços nos últimos 20 anos. A média de anos
de estudo de afrodescendentes foi de 3,6 anos para 6,5 entre 1988 e
2008, e a taxa de crianças pretas e pardas na escola chegou a 97,7%.
Mesmo assim, o avanço entre pretos e pardos foi menor. Na saúde, subiu a
proporção de afrodescendentes mortas por causa da gravidez ou
consequências. 'Não quer dizer que as coisas estejam às mil maravilhas
para os brancos, mas os pretos e pardos são os mais atingidos', diz um
dos coordenadores, o economista Marcelo Paixão.
Com 292 páginas, o
trabalho é focado nas consequências da Constituição de 1988 e seus
desdobramentos para os afrodescendentes. Para produzir o texto, os
pesquisadores do Laeser recorreram a bases de dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos Ministérios da Saúde e
da Educação e do Sistema Único de Saúde (SUS), entre outros. Foram
abordados temas como Previdência, acesso ao sistema de saúde,
assistência social e ensino.
O estudo constata que o
estabelecimento do SUS beneficiou mais pretos e pardos (66,9% da sua
população atendida em 2008) do que brancos (47,7%), mas a taxa de não
cobertura (proporção dos que não conseguem atendimento) dos
afrodescendentes foi de 27%, para 14% dos brancos. 'A Constituição de
1988 não foi negativa para os afrodescendentes, mas, do ponto de vista
de seu ideário, ainda é algo a ser realizado', diz Paixão, reconhecendo
que há brancos prejudicados, em menor proporção.
Em 2008
40,9%
das mulheres pretas e pardas nunca haviam feito mamografia, contra
22,9% das brancas 18,1% das mulheres pretas e pardas nunca haviam feito
papanicolau (13,2% entre as brancas)
FONTE:
http://estadao.br.msn.com/ciencia/desigualdade-racial-se-agrava-no-brasil-diz-relat%C3%B3rio-da-ufrj?wa=wsignin1.0