Prezados Colegas,
Respondo aqui, com cópia para todos os interessados, seja os que se manifestaram, em particular os Srs. Antonio Palmeira e Marcos Carnaúba, e sobretudo ao Sr. Luiz Carlos Gulias Cabral, a quem não conheço pessoalmente, mas que, ao que tudo indica, também faz parte da “comunidade dos calculistas”. Muito expressivas as palavras deste último, a hipotecar solidariedade ao Engº Bruno Contarini, como se estivesse este sendo condenado pela imperícia que não cometeu ou pela negligência que jamais fez parte de seu perfil profissional, a exemplo do que ocorreu com o seu mestre e antigo patrão, Engº Sérgio Marques de Souza, que foi sumariamente execrado, no afã político de dar uma satisfação imediata à população e de punir os culpados a qualquer custo. Poucas, muito poucas mesmo, foram as vozes que, como a do Sr. Cabral agora, se levantaram para defender um profissional engenheiro projetista e construtor exemplar, como foi o Prof. Sérgio Marques de Souza, concedendo-lhe ao menos o benefício da dúvida a respeito de sua culpabilidade.
Tomo a liberdade, a título ilustrativo, de reproduzir, por oportuna, a gentil resposta que tive do Prof. Paulo Helene, a propósito da citação de seu nome em meu documento anterior, onde está transcrito um outro artigo, supostamente de fundo técnico, também eivado de detalhes inverídicos ou imprecisos, mas onde se destaca, em amarelo, o real espírito que permanece latente, em paralelo ao interesse puramente científico: a busca por culpados.
Prezado Gilson
Obrigado por seu esclarecimento.
Na época eu era estudante de quarto ano da POLI.USP.
De fato meu conhecimento do tema Paulo de Frontin é de palestras do Prof. Bauer à época (que comentava sobre a qualidade má da injeção de bainhas dos cabos de protensão) e de publicações da PINI e relatórios públicos como o abaixo transcrito de http://www.historiadorio.com.br/viadutos/paulofrontin
...no entanto a história desse elevado não é só de glórias - nele aconteceu uma das maiores tragédias da história do Rio, hoje esquecida ou desconhecida por muitos cariocas. Em 20 de novembro de 1971, 112 metros do elevado desabaram quando ele estava em fase de conclusão. Um caminhão betoneira carregado com 8 toneladas de concreto e pedras passava por cima do vão no momento do desabamento. A tragédia deixou 48 pessoas mortas e dezenas de feridas.
O acidente obrigou a reconstrução do vão e o reforço estrutural de todo o viaduto...
...a tecnologia da construção do viaduto na época era considerada revolucionária. Ou por ser nova ou por ser o início da impunidade que assolaria o Rio e o Brasil, nunca foram apontados responsáveis para o desabamento. Quando a reconstrução do elevado foi finalizada, o governo achou mais prudente fazer um teste de carga mais rigoroso até mesmo para tranqüilizar a população. Colocou vários caminhões carregados no elevado. Passado o teste o viaduto foi liberado para o tráfego e hoje é considerado um dos mais importantes do Rio....
Falava-se muito do caminhão betoneira e da sequência de obra: caixões pre fabricados + nichos + posterior preenchimento de nichos+ protensão (somente aqui se obtinha uma capacidade resistente mínima) + capa de rolamento, etc..
Não conheço nem conheci os detalhes do projeto e da construção e agradeço que você possa esclarecer, caso o deseje pois concordo contigo não é bom recordar desastres.
Por fim pergunto mui respeitosamente se você me autoriza tornar pública essa sua amável, sincera e precisa resposta, até porque eu aprendi muito com sua providencial intervenção que agora me recordo.
Abraços de
|
| Prof. Paulo Helene tel.: 55-11-7881-4016 ID 86*21024 ou tel.: 11-2501-4822 |
O Professor Paulo Helene, como muitos outros, aliás, foi influenciado por informações sem compromisso com a realidade dos fatos, o que o fez externar-se a respeito do assunto, por ocasião de uma palestra, sem conhecimento de causa. No entanto, ao ser alertado, teve a hombridade e o caráter de se desculpar, reconhecendo o engano e as implicações de ordem ética envolvidas, e reafirma essa posição hoje, com a grandeza dos que sabem recuar.
Faço questão de afirmar que sua ânsia de defender esses colegas, Sr. Cabral, com o endosso do Sr. Palmeira, e somada à de todos os outros que tenham tido esse sentimento de injustiça praticada por alguém, é NADA diante da minha, quando ouço, leio ou vejo alguma referência, ainda que apócrifa ou anônima, ao acidente do Elevado Paulo de Frontin, e me vêm de novo as lembranças do massacre a que foi submetido o Dr. Sérgio Marques de Souza. É uma lástima que a última frase contida em sua mensagem, Sr. Cabral, quando afirma que “Não se trata de buscar culpados, mas sim estudar as causas e origens de acidentes como aqueles para que não se repitam e todos nós aprendamos, em defesa da engenharia” (sic), não seja praticada por muitos de nossos colegas, voluntariamente ou não, não importa, e foi justamente este o pensamento que me motivou a intitular meu texto tal como o fiz. Mas é preciso, sobretudo, que se saiba buscar a verdade, e não simplesmente se acreditar em tudo o que se ouve.
Não vou prolongar mais essa polêmica que não terá fim, e quanto aos que estiverem realmente interessados em se inteirar do que aconteceu no Elevado Paulo de Frontin, disponho de alguns poucos exemplares do livro, talvez uma meia dúzia, por coincidência intitulado “Em Defesa dos Engenheiros”, de cuja elaboração participei na primeira metade da década de 1970, e onde estão assinalados todos os aspectos técnicos relevantes, bem como outros de caráter informativo e até jurídico, de modo a que tenham condição de formar um juízo isento sobre tudo o que aqui se está discutindo. Declino do convite de expor em público esse assunto, pois o meu envolvimento emocional e pessoal ao longo de tantos anos certamente não conduziria um tal evento a um resultado satisfatório, mas em caráter particular, coloco-me à disposição dos profissionais que desejarem qualquer esclarecimento a propósito de passagens do referido livro que porventura não lhes pareçam claras.
Meu telefone comercial está consignado no pé deste texto, e os primeiros que se manifestarem poderão mandar buscar o seu exemplar no endereço ali assinalado.
Atenciosamente,
Gilson Marchesini
De: Ubirajara Ferreira da Silva [mailto:ubira...@gmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 1 de março de 2013 12:00
Para: Gilson Marchesini
Assunto: Fwd: [comunidadeTQS] [calculistas] Informações sobre o caso do viaduto Paulo de Frontin - Bruno Contarini
Prezado Gilson,
Como pode constatar, A LUTA È GRANDE
Ubira
bbbbbb
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Antonio Palmeira <apeng_p...@yahoo.com>
Data: 1 de março de 2013 11:49
Colegas,
Por conhecer o trabalho do colega Bruno eu pensava que conhecia as causas da ruína dessa estrutura e nem sabia quem era o autor de tal projeto, isso o Dr. Bruno não me disse, (creio que por questão de ética), e eu não perguntei por questão de ética e por não interessar ao assunto.
Assim é que assino também essa mensagem do colega Cabral. Gostaria de saber exatamente o que causou essa ruína.
Abraços
Palmeira
São Luís - MA
De: LUIZ CARLOS CABRAL <cabra...@gmail.com>
Para: comuni...@yahoogrupos.com.br
Enviadas: Sexta-feira, 1 de Março de 2013 7:28
Assunto: Re: [comunidadeTQS] [calculistas] Informações sobre o caso do viaduto Paulo de Frontin - Bruno Contarini
Prezados.Em defesa da engenharia, quero hipotecar solidariedade ao Eng. Bruno Contarini que, diferente do que expõe o texto elaborado pelo engenheiro Gilson, não precisa ficar inventando moda para ter o reconhecimento da classe nacional e internacionalmente.
Em defesa da engenharia, faço o mesmo em relação aos engenheiros Nelson de Araújo Lima e Paulo Helene.
Em defesa da engenharia, solicitamos ao colega Gilson que diga e exponha, se possível no Instituto de Engenharia de São Paulo ou no Rio de Janeiro, em palestra transmitida pela Internet, os motivos do que ele entende como determinantes para a queda do viaduto.
Não se trata de buscar culpados, mas sim estudar as causas e origens de acidentes como aqueles para que não se repitam e todos nós aprendamos, em defesa da engenharia.
Abraços.
Cabral.
Blumenau - SC
Luiz Carlos Gulias Cabral
Engenheiro Civil
(47)-3322-3822
" O controle tecnológico do concreto, além de obrigatório por Norma, é imprescindível para a garantia da qualidade da estrutura e tomada de decisão nos casos de não conformidades"
Em 28 de fevereiro de 2013 19:50, Marcos Carnaúba <marca...@gmail.com> escreveu:
A Sua Senhoria o Senhor
Gilson Marchesini
Engenheiro Civil
Senhor Engenheiro
Ao cumprimentar Vossa Senhoria declaro, para todos os fins, ser de autoria do Engenheiro Bruno Contarini o texto sob título “Notícias sobre o Viaduto Paulo de Frontin”, emitido do e-mail bc...@veloxmail.com.br.
A sua divulgação nos grupos foi a mim solicitada por meio de contato via Tel. 21.2552.6816. No momento atual ele se encontra fora do Brasil.
Estou redirecionando a sua mensagem para todos os grupos destinatários da inicial.
Respeitosas saudações
Marcos Carnaúba
Eng.º Civil Crea 3034 D -PE/FN
Tels. 82.9981.6748
E-mail:marca...@gmail.com
Maceió - Alagoas - Brasil
Skype: marcarnauba
Não estou Moderador.---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Gilson Marchesini <gil...@sobrenco.com.br>
Data: 28 de fevereiro de 2013 17:26
Assunto: RES: [calculistas] Informações sobre o caso do viaduto Paulo de Frontin - Bruno Contarini [1 Anexo]
Para: Ubirajara Ferreira da Silva <ubira...@gmail.com>, marca...@gmail.com, calculi...@yahoogrupos.com.br, comuni...@yahoogrupos.com.br, patologia_d...@yahoogrupos.com.br, ClubedosEnge...@googlegroups.com
Cc: Arnaldo Fainstein <arnaldof...@gmail.com>, Gilberto do Valle <gdov...@projest.eng.br>, "Sergio Hampshire de C. Santos" <sergioh...@poli.ufrj.br>, Caio <caio...@argcivilport.com.br>, Carlos Henrique Siqueira <carlosh...@yahoo.com.br>, Júlio Timerman <ju...@engeti.eng.br>, Antonio Eulálio Pedrosa Araújo <eulalio...@uol.com.br>, batt...@coc.ufrj.br
Para refletir, leiam o anexo.
Sds,
Gilson Marchesini
--__._,_.