A Prefeitura de
Santos, no
litoral de São Paulo, fez um levantamento e verificou que 65 prédios localizados na orla da praia, têm entre meio metro e 1,80 metro de inclinação, esse desnível é considerado grave.
Quem mora em prédio torto já se acostumou. No apartamento do professor Bio Ungaretti, o morador fez adaptações para viver melhor: como as portas fecham sozinhas, o piso do banheiro foi nivelado e os pés da cama ganharam um apoio. "Eu nem moro em prédio torto, moro em um prédio normal, tranquilo, porque a gente acostuma né". afirma o professor.
O prefeito da cidade
João Paulo Tavares Papa resolveu marcar uma entrevista coletiva nesta tarde, para esclarecer o assunto. A prefeitura vai chamar para uma reunião os responsáveis por esses 65 prédios, vai exigir laudos técnicos mais específicos e só depois desses estudos é que será definido se há algum risco.
"Esse tipo de problema decorre muito lentamente, o entortamento de um edifício se dá ao longo dos anos, até ele entrar em uma faixa de risco, de insegurança, é muito lento, não é de um dia para o outro que um prédio vai cair", afirma o engenheiro Marcelo Racca.
"Toda a responsabilidade de reforma e reconstrução estrutural é dos proprietários. Nós estamos procurando radiografar e delimitar onde está o problema, que está claramente identificado com a orla da praia e criar meios, incentivos e assessoramento técnico para que os investimentos necessários sejam feitos", afirma o prefeito João Paulo Papa.
Um desses famosos prédios tortos foi nivelado no início do ano passado. O bloco B do edifício Lucio Malzoni, construído em 1970, tinha 1,70 metro de inclinação, o prédio mais torto atualmente esta localizado no canal 4 , com um desnível de 1,80 metro.
Moradores de vários prédios já estão discutindo o assunto: "Tem que ter um projeto conjunto entre as comunidades, a prefeitura, o governo do estado e os moradores", reclama o consultor José Bianchini.