Prezado Valter
Tomo a liberdade de encaminhar sua dúvida para o grupo clube dos engenheiros civis.
Prezados para conhecimento, comentários e possíveis soluções.
Kézia Cruz
Engª Civil
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Prezados colegas :
Transcrevo extrato de relatório elaborado pelo Engº Civil Sérgio Frederico Gnipper, meu habitual parceiro em laudos técnicos sobre patologias :
NBR 8160:1982 da ABNT: "Nas instalações em prédios de dois ou mais andares que recebem descargas de aparelhos tais como pias, tanques, máquinas de lavar e outros similares onde são usados detergentes que provoquem a formação de espuma, é necessário evitar a ligação de aparelhos nos andares inferiores, em trechos considerados zonas de pressão de espuma."
O mesmo normativo contem, no item 4.6.28.1: "São considerados zonas de pressão de espuma: a) o trecho de tubo de queda de comprimento igual a 40 diâmetros imediatamente a montante de desvio para a horizontal, o trecho horizontal de comprimento igual a 10 diâmetros imediatamente a jusante do mesmo desvio, e o trecho horizontal de comprimento igual a 40 diâmetros imediatamente a montante do próximo desvio; b) o trecho de tubo de queda de comprimento igual a 40 diâmetros imediatamente a montante da base do tubo de queda e o trecho do coletor ou subcoletor de comprimento igual a 10 diâmetros imediatamente a jusante da mesma base; c) os trechos a montante e a jusante da primeira curva do coletor ou subcoletor, respectivamente com 40 a 10 diâmetros de comprimento; ... ".
Portanto, a norma exige que não sejam ligados ramais de esgotamento de aparelhos sanitários na extensão correspondente a 40 vezes o diâmetro da base do tubo de queda, imediatamente a montante de seu desvio para a horizontal.
Nos ambientes situados dentro das chamadas zonas de pressão de espuma, há risco de ocorrência de sobrepressão no ar do interior dos tubos de queda, ou seja de pressão superior à pressão do ar atmosférico, com possibilidade de haver refluxo de espuma e borbulhamento de gases mal cheirosos a partir dos seus desconectores. O risco de retorno de espuma existe devido à ausência de tubos ventiladores ligados às bases desses tubos de queda, que justamente exerceriam a função de aliviar a pressão positiva de ar (sobrepressão) aí acumulada em razão do escoamento líquido, fato agravado pela existência de conexões, com raio curto, que promovem mudanças bruscas de direção
Esse quadro pode ser acentuado quando há adoção indiscriminada de peças de transição brusca, de raios curtos, nas bases dos tubos de queda e/ou bases de seus desvios (joelhos de 90° e curvas de 90° graus com raio curto). Além disso, a NBR 8160:1982 da ABNT fixa, também, como zona de pressão de espuma a extensão correspondente a 10 vezes o diâmetro do trecho horizontal imediatamente a jusante da base do tubo de queda, ou da base de seu desvio para a horizontal.
O ar arrastado pelo fluxo vertical do esgoto no interior do tubo de queda - e aí acumulado e comprimido por efeito de bloqueio temporário de seu livre escoamento através do sistema de esgoto, geralmente causado pelo fenômeno do transiente conhecido por “ressalto hidráulico” -, acaba por remontar para o interior dos ramais horizontais dos apartamentos mais próximos. Este fenômeno resulta em borbulhamentos de gases mal cheirosos, acompanhados de ruídos desagradáveis e no eventual refluxo líquido para o piso do interior de áreas molhadas, com retorno de espuma quando o tubo de queda recebe contribuição de lavanderias e cozinhas.
Neste caso, medidas sugeridas deverão ser implementadas uma a uma, até que se atinja um grau satisfatório de desempenho do sistema de esgotamento sanitário do edifício:
1) Correção das distâncias de trechos horizontais, a partir das bases de desvios de tubos de queda no teto do pavimento térreo, de modo a resguardar as zonas de pressão de espuma.. Apesar da extensão sugerida na NBR 8160:1982 ser de 100 cm, a partir da conexão de mudança de direção, recomenda-se 150 cm como medida de segurança, de modo a se considerar também a necessária extensão de ressalto hidráulico que aí se forma.
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2) Extensão das colunas de ventilação existentes até o piso do térreo, acompanhando os desvios dos respectivos tubos de queda, e ventilando-os corretamente, tanto nas bases deles quanto nas bases de seus desvios. Também devem ser igualmente ventilados os trechos horizontais dos desvios e os inícios dos subcoletores, respeitadas sempre as distâncias aí indicadas. |
3) Nos casos onde tal sugestão obviamente não se aplica, em razão das dificuldades de execução e grau de intervenção implícito, sugere-se a adoção de “jump” ou tubulação paralela e alternativa para o alívio da sobrepressão do ar acumulado na base dessas prumadas. O jump deverá ser constituído de tubo de diâmetro DN 75mm ligado na base do tubo de queda, com extremidade posterior ligada de topo tanto no trecho horizontal do seu desvio quanto no respectivo subcoletor, num ponto após cerca de 1,50 m da última conexão de mudança de direção.
Saudações
Sylvio Nogueira Arquiteto
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