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----- Original Message -----From: Ana PaulaSent: Tuesday, June 23, 2009 10:47 AMSubject: [Clube dos Engenheiros Civis] Tratamento de Fissuras
----- Original Message -----From: Ana PaulaSent: Tuesday, June 23, 2009 10:47 AMSubject: [Clube dos Engenheiros Civis] Tratamento de Fissuras
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-----Mensagem original-----
De: ClubedosEnge...@googlegroups.com [mailto:ClubedosEnge...@googlegroups.com] Em nome de Vicente Menta Filho
Enviada em: terça-feira, 7 de julho de 2009 17:01
Para: ClubedosEnge...@googlegroups.com
Assunto: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras
Prezado colega:
Transcrevo abaixo o item 13.4.2 da NBR-6118/2003 para lhe provar que não estou "avaliando" a NBR, como disse. Está claramente permitida a fissura, e muito menos isso é uma "nova forma" porque, como havia dito, e repito, desde 1960 as normas de cálculo de concreto aceitam fissuração. Só exigem controle. Em outras palavras, não há como NÃO fissurar porque assim é a teoria (Estádio III e Estado Limite Último). Sou calculista de estruturas desde 1973 e já fui professor Construções de Concreto e Sistemas Estruturais II, e não estou inventando nada, está lá escrito para quem quiser ler, desde 1960. O que acontece é que a maioria delas (fissuras) é imperceptível ou está sob revestimento.
Pelo contrário, colega, estou seguindo a norma, não avaliando.
Henrique A Cunha
Brasília DF
13.4.2 Limites para fissuração e proteção das armaduras quanto à durabilidade
A abertura máxima característica wk das fissuras, desde que não exceda valores da ordem de 0,2 mm a 0,4 mm, (conforme tabela 13.3) sob ação das combinações freqüentes, não tem importância significativa na corrosão das armaduras passivas.Como para as armaduras ativas existe a possibilidade de corrosão sob tensão, esses limites devem ser mais restritos e função direta da agressividade do ambiente, dada pela classe de agressividade ambiental (ver seção 6). Na tabela 13.3 são dados valores limites da abertura característica wk das fissuras, assim como outras providênciasvisando garantir proteção adequada das armaduras quanto à corrosão. Entretanto, devido ao estágio atual dos conhecimentos e da alta variabilidade das grandezas envolvidas, esses limites devem ser vistos apenas como critérios para um projeto adequado de estruturas. Embora as estimativas de abertura de fissuras feitas em 17.3.3.2 devam respeitar esses limites, não se deve esperar que as aberturas de fissuras reais correspondam estritamente aos valores estimados, isto é, fissuras reais podem eventualmente ultrapassar esses limites.Colado da NBR-6118/2003 Projeto de Estruturas de Concreto - ABNT
eng carlos eugenio
Prezado colega:
Nos tempos de hoje, não é raro nos depararmos com residências, edifícios, ou qualquer tipo de construção, no qual não apresente nenhum tipo de fissura. Um dos fatores relevantes no Brasil é o fator climático, pois em cada região a temperatura varia bruscamente durante vários meses do ano. Devido a isso as obras de pequeno, médio ou grande porte apresentam fissurações com o tempo. Em uma estrutura de concreto armado, podem ocorrer danificações no concreto, no qual o agente causador pode ser de vários tipos.
O campo das patologias das estruturas é uma área da Engenharia Civil que apresenta grande diversidade e complexidade, devido à abrangência de aspectos em análise, que podem advir de erros de projetos, erro de execução, agressividade do meio ambiente, má escolha de materiais, entre outras. Em uma estrutura de concreto armado, as patologias podem ocorrer no concreto e/ou no aço, destacando-se que os agentes podem advir das mais diversas fontes, sendo de muita importância a correta caracterização de onde estas advêm para que ocorra uma intervenção adequada, a fim de minimizar ou evitar a ação do agente gerador.
A fissuração é um fenômeno inevitável no concreto e um dos fatores que mais influenciam no comportamento das peças estruturais de concreto armado, tendo em vista que pode comprometer a utilização (necessidade funcional da estrutura), a durabilidade e a estética das mesmas. As fissuras ocorrem basicamente nas zona
submetidas a esforços de tração, devido à baixa resistência do concreto a esse tipo de solicitação.
Sendo as zonas tracionadas as que mais merecem atenção nas peças de concreto armado submetidos à flexão, por serem susceptíveis à fissuração, muitos estudos tem sido realizados tentando retratar o seu comportamento.
Embora o concreto armado tenha surgido nos meados do século passado, foi neste século, na década de 30, que surgiu o primeiro modelo analítico de simulação do comportamento das zonas tracionadas. Porém, esses modelos só tomaram significativa expressão, em relação à teoria da fissuração e aos métodos para previsão de abertura de fissuras, a partir de trabalhos realizados principalmente por Ferry Borges, Beeby, Goto, Nawy, Gergely & Lutz e Broms, entre outros, nas décadas de 50 e 60, na Europa e nos Estados Unidos da América (CÂMARA, 1988). Ainda se mantém validos os princípios fundamentados por alguns desses modelos, embora ultimamente tenha sido enriquecido por alguns pesquisadores, com o intuito de aprimorá-los e melhorar suas aplicabilidades.
A fissuração no concreto é inevitável. Portanto, prevendo-se que venha a acontecer, torna-se necessário atender a alguns aspectos importantes para que seja amenizado.
Existem basicamente três razões para se controlar a fissuração: a durabilidade (corrosão da armadura), a aparência e a estanqueidade a líquidos e gases. Discutem-se a seguir, separadamente, essas razões.
A corrosão da armadura está geralmente associada a três mecanismos que desencadeiam o processo corrosivo: a carbonatação, a presença de cloretos ou a ruptura do concreto por esforços mecânicos, que causam fissuras transversais que podem em principio, colocar em risco a armadura, pois a abertura da fissura tem influência apenas no início do processo de corrosão, sendo este período relativamente curto, não influenciando no desenvolvimento da corrosão. Após o período de 5 a 10 anos, a corrosão é essencialmente independente da abertura da fissura.
Por outro lado, a espessura, a porosidade e o cobrimento do concreto são parâmetros importantes no processo da corrosão da armadura. Melhorar a qualidade do concreto e controlar a abertura das fissuras são fatores importantes para o controle da fissuração. Portanto, é necessário especificar o valor limite da abertura da fissura de acordo com a agressividade do meio ambiente.
As aberturas da fissuras com valores abaixo de 0,3 mm geralmente não causam inquietação as pessoas. Obviamente, a aparência tolerável da abertura da fissura é muito subjetiva e depende de vários fatores, tais como a distância entre o observador e a fissura, a iluminação e as condições da superfície.
A necessidade da estanqueidade depende da natureza do gás ou do líquido que será retido pela estrutura. Teoricamente é possível especificar e contar com uma estrutura sem fissuras visíveis. Isto é mais coerente, no entanto, quando se especifica um limite para a abertura da fissura. Pesquisas e experiências têm mostrado que estruturas para retenção de água podem ter fissuras com aberturas de ate 0,1 a 0,2mm. Assim uma fissura, mesmo quando atravessa totalmente a espessura da parede, pode permitir a penetração de umidade após a ocorrência da primeira fissura; mas o estancamento do vazamento ocorre em poucos dias.
De acordo com o CEB-FIP MC 90, as exigências para esse estado limite são:
· Deve-se garantir, com uma probabilidade adequada, que as fissuras não prejudiquem a utilização e a durabilidade da estrutura.
· Fissuras não podem comprometer a utilização ou a durabilidade; nas estruturas de concreto armado, as fissuras podem ser decorrentes da solicitação por flexão, cisalhamento, torção ou tração (resultante de carregamentos diretos ou deformações restringidas e impostas), sem necessariamente prejudicar a utilização ou a durabilidade.
No entanto as exigências podem ser respeitadas caso a caso:
· O funcionamento da estrutura não pode ser prejudicado pela formação das fissuras.
· A durabilidade da estrutura durante o período da vida útil não pode ser prejudicada pela formação da fissura.
· A aparência da estrutura não pode ser inaceitável por causa da fissuração.
· Incertezas na resistência do concreto a tração, bem como tensões de tração não previstas, devem ser previstas nos projetos e execução.
· Exigências complementares para um controle apropriado da fissuração pode resultar da necessidade de limitar ou evitar vibrações ou prejuízos causados por deformações excessivas ou ruptura frágil.
Em situações em que o controle da abertura da fissura é exigido, a verificação consiste em satisfazer à seguinte condição:
Wk ≤ Wlim
Wk - abertura característica da fissura ou calculada conforme as combinações de ações consideradas;
Wlim – valor limite da abertura da fissura especificada de acordo com exigências adotadas, garantindo assim a durabilidade e o bom funcionamento da estrutura.
A NBR 6118/2003 considera que a fissuração é nociva quando a abertura das fissuras na superfície do concreto ultrapassa os seguintes valores (Tabela 1):
Tabela 1 – Limite de abertura de fissuras (NBR 6118/2003)
|
Tipo de concreto estrutural |
Classe de agressividade ambiental (CAA) |
Exigências relativas à fissuração |
Combinação de ações em serviço a utilizar |
|
Concreto armado |
CAA I |
ELS-W wk ≤ 0,4mm |
Combinação freqüente |
|
CAA II a CAA III |
ELS-W wk ≤ 0,3mm | ||
|
CAA IV |
ELS-W wk ≤ 0,2mm |
ELS-W: Estado Limite de Serviço de abertura de fissuras
Tabela 2 – Classe de agressividade (NBR 6118/2003)
|
Classe de agressividade ambiental | |||
|
Classe de agressividade ambiental |
Agressividade |
Classificação geral do tipo de ambiente para efeito de projeto |
Risco de deterioração da estrutura |
|
CAA I |
Fraca |
Rural / Submersa |
Insignificante |
|
CAA II |
Moderada |
Urbana |
Pequeno |
|
CAA III |
Forte |
Marinha / Industrial |
Grande |
|
CAA IV |
Muito Forte |
Industrial / Respingos de maré |
Elevado |
O ACI Commitee 224 adota os valores da tabela 3 para abertura máxima da fissura, de acordo com as condições de exposição da estrutura.
Tabela 3 – Limite de abertura de fissuras (ACI Commitee 224/224R(2001))
|
CONDIÇÕES DE EXPOSIÇÃO |
ABERTURA DA FISSURA (mm) |
|
Clima seco ou peça protegida |
0,41 |
|
Ambiente úmido, peça em contato com o solo |
0,30 |
|
Agressividade química |
0,18 |
|
Ambiente marinho, molhado ou seco |
0,15 |
|
Estruturas para retenção de líquidos |
0,10 |
Existem fatores que afetam na formação de fissuras antes do carregamento e este mecanismo ocorre em duas etapas: uma com o concreto ainda fresco, antes do endurecimento; e outra com o concreto já endurecido. Pode-se dizer também que as fissuras ocorrem antes da estrutura ser colocada em uso, ou seja, antes do carregamento.
As fissuras que ocorrem devido ao carregamento externo são basicamente decorrentes de tensões de tração devidos aos esforços de compressão, tração, flexão, cisalhamento ou torção, sendo que estas ocorrem com o concreto endurecido, onde este trabalho foca o esforço de flexão por ser o mais freqüente em concreto armado.
Desta forma, apresentam-se alguns fatores como: a água, cimento, agregados, cura, lançamento, adensamento e condições climáticas que afetam na fissuração antes do carregamento que serão analisados abaixo.
Água
A água de amassamento tem uma importância fundamental quanto à quantidade utilizada relacionada com a quantidade de cimento. Para a hidratação dos componentes ativos do cimento seria suficiente uma relação água/cimento teórica aproximada de 0,20; todo o excesso repercute na compacidade, portanto, quanto maior a quantidade de água, maior a porosidade, menor as resistências mecânicas, maior retração e maior o risco de ataque ao concreto.
A água ocupa um papel importantíssimo na cura do concreto. As águas de curas inadequadas podem ser muito nocivas ao agir sobre um concreto já aplicado e começando a endurecer e sobre o qual podem exercer efeitos expansivos e destrutivos.
A água que não se combina quimicamente com o cimento deve sair da massa na pega e ao sair deixa poros e capilares que tornam o concreto tanto mais permeável quanto maior for a quantidade de água a ser eliminada.
Caso a água não seja utilizada na dosagem correta, poderá acarretar em fissuras no concreto armado antes mesmo da viga absorver o carregamento que lhe foi aplicada.
Cimento
O cimento também é um fator importante quanto à fissuração. Em geral concretos mais ricos em cimentos fissuram mais.
Um dos grandes problemas do cimento empregado no concreto é a presença de adições inertes ou não ativas que ele possa conter.
Os cimentos com adições inertes, como por exemplo, o carbonato de cálcio, moídos na mesma finura, caracteriza-se por ter um endurecimento mais lento que os cimentos puros, devendo ser considerada essa circunstância na hora de dosar o concreto, pela repercussão que possa ter, tanto na quantidade de cimento a ser empregado, quanto na quantidade de água a ser utilizada.
A dosagem de cimento também pode criar problemas no concreto. Para uma determinada resistência, sempre se deve procurar empregar a menor quantidade possível de cimento. Altos consumos trazem como conseqüência forte calor de hidratação com as conseqüentes elevações de temperatura, especialmente em épocas de calor, que se traduzirão em fortes, retrações de origem térmica com perigo de fissuração, e aumenta também o risco de retração hidráulica, conseqüentemente, fissuração no concreto recém lançado.
Agregado
A composição mineral, forma, textura superficial e a variação do tamanho dos agregados afetam as proporções previstas, coeficientes térmicos, retração, dureza, deformação lenta e resistência do concreto. As frações de finos de tamanho inferior a 0,15mm, e especialmente as que têm finura comparável com a do cimento, são perniciosas para o concreto, principalmente se entram em proporção excessiva. Isso pode ocorre quando:
- As frações finas prejudicam a boa aderência entre a argamassa e os agregados graúdos bem como com as armaduras.
- Dada a grande superfície especifica desses finos, eles requerem muita água para molhá-los, conseqüentemente, diminui a água disponível à hidratação do cimento provocando sua hidratação incompleta, e, portanto enfraquecendo o concreto.
- Exigem mais água para a mesma consistência; assim, a relação água/cimento tem que ser aumentada, para conseguir a mesma trabalhabilidade, diminuindo, pelo excesso de água, as resistências mecânicas. Certas argilas nos agregados causam alta retração e fissuração, pois a argila contrai mais do que a pasta de cimento.
Na composição do concreto os grãos de diferentes tamanhos devem entrar em proporções calculadas e estudadas para que seja máxima a compacidade da mistura.
Os agregados afetam se usados de forma inadequada, diretamente na qualidade do concreto, ocasionando fissuras na peça estrutural.
Cura e outros cuidados
Enquanto não atingir endurecimento satisfatório, o concreto deverá ser mantido protegido contra agentes prejudiciais, tais como mudanças bruscas de temperaturas, evaporação de água, chuva forte, água torrencial, agente químico, bem como contra choques e vibrações de intensidade tal que possam produzir fissuração na massa do concreto ou prejudicar a sua aderência à armadura.
A proteção contra a secagem prematura, pelo menos durante os sete primeiros dias após o lançamento do concreto, aumentando este mínimo quando a natureza do cimento o exigir poderá ser feita mantendo-se umedecida a superfície ou protegendo-se com uma película impermeável. O endurecimento do concreto poderá ser antecipado por meio de tratamento térmico adequado e devidamente controlado, não se dispensando as medidas de proteção contra a secagem.
Se não for executado como descrito acima o concreto seca antecipadamente e conseqüentemente causando assim fissuras em toda a estrutura.
Lançamento e adensamento
O concreto deve ser lançado logo após o amassamento, não sendo permitido, entre o fim deste e o lançamento, intervalo superior à uma hora; se utilizada agitação mecânica, esse prazo será contado a partir do fim da agitação. Com o uso de retardadores de pega o prazo poderá ser aumentado de acordo com as características do aditivo.
Em nenhuma hipótese se fará lançamento do concreto após o inicio da pega, podendo ocorrer o aparecimento de fissuras.
Para os lançamentos que tenham que ser feitos a seco, em recintos sujeitos a penetração de água, deverão ser tomadas as precauções necessárias para que não haja água no local em que se lança o concreto nem possa o concreto fresco vir a ser por ela elevado.
O concreto deverá ser lançado o mais próximo possível de sua posição final, evitando-se a incrustação de argamassa nas paredes das formas e nas armaduras.
Deverão ser tomadas precauções para manter a homogeneidade do concreto. A altura de queda livre não poderá ultrapassar 2m, para peças estreitas e altas, o concreto deverá ser lançado por janelas abertas na parte lateral, ou por meio de funis ou trombas.
Cuidados especiais deverão ser tomados quando o lançamento se der em ambiente com temperatura inferior a dez graus ou superior a quarenta graus.
Durante e imediatamente após o lançamento, o concreto deverá ser vibrado ou socado continua e energicamente com equipamentos adequados à trabalhabilidade do concreto. O adensamento deverá ser cuidadoso para que o concreto preencha todos os recantos da forma. Durante o adensamento deverão ser tomadas todas as precauções necessárias para que não se formem ninhos ou haja segregação dos materiais; dever-se-á evitar a vibração da armadura para que não se formem vazios ao seu redor, com prejuízo da aderência.
No adensamento manual as camadas de concreto não deverão exceder 20 cm. Quando se utilizarem vibradores de imersão, a espessura da camada deverá ser aproximadamente igual a ¾ do comprimento da agulha; se não puder atender a esta exigência não devera ser empregado vibrador de imersão.
O processo de lançamento e adensamento se não executados como descrito acima poderá vim a comprometer a peça estrutural, vindo a ocasionar o fissuramento.
Condições Climáticas
As condições climáticas que podem causar problemas no concreto são: o frio, o calor e a baixa umidade.
A ação do frio, seja natural ou artificial sobre o concreto em período de pega ou principio de endurecimento, consiste em retardar e inclusive anular seu endurecimento, ao diminuir a velocidade de hidratação dos componentes ativos do cimento ou destruir a resistência do concreto caso o frio seja intenso a ponto de gelar a água de amassamento.
A ação do calor sobre o concreto em processo de pega ou principio de endurecimento pode ser vantajosa, pois ajuda a sua cura; mas para que isso aconteça, as temperaturas devem ter um limite de oitenta graus e a umidade relativa do ar ser elevada ou estar em saturação.
Para que o calor possa causar problemas ao concreto é preciso que a temperatura seja muito elevada e que o concreto se encontre numa atmosfera com baixa umidade relativa. Geralmente, esse é o caso mais freqüente, pois, ao se produzir uma elevação de temperatura, a umidade relativa do ambiente que envolve o concreto desce a valores muito baixos, fazendo com que o concreto perca água durante a pega ou principio de endurecimento. Produz-se assim uma grande secagem superficial que fará com que essa água de sua massa interna migre para essas superfícies e ocasione deficiências na hidratação dos componentes ativos do cimento que traduzirão em baixas resistências, ao mesmo tempo que se produzirá um estado tensional por retração hidráulica no concreto, que poderá resultar em sua fissuração e, inclusive, ruptura.
Como se pode ver, a resistência do concreto é influenciada pela temperatura. No entanto, a influência principal da temperatura na fissuração é estabelecida nas primeiras horas em que o concreto começa a endurecer.
Considere-se a viga biapoiada, submetida a duas forças F iguais e eqüidistantes dos apoios, armada com barras longitudinais tracionadas e com estribos, para resistir os esforços de flexão e de cisalhamento, respectivamente.
A armadura de cisalhamento poderia também ser constituída por estribos associados a barras longitudinais curvadas (barras dobradas).
Para pequenos valores da força F, enquanto a tensão de tração for inferior à resistência do concreto à tração na flexão, a viga não apresenta fissuras, ou seja, as suas seções permanecem no Estádio I. Nessa fase, origina-se um sistema de tensões principais de tração e de compressão.
Com o aumento do carregamento, no trecho de momento máximo (entre as forças), a resistência do concreto à tração é ultrapassada e surgem as primeiras fissuras de flexão (verticais). Nas seções fissuradas a viga encontra-se no Estádio II e a resultante de tração é resistida exclusivamente pelas barras longitudinais. No início da fissuração da região central, os trechos junto aos apoios, sem fissuras, ainda se encontram no Estádio I.
Continuando o aumento do carregamento, surgem fissuras nos trechos entre as forças e os apoios, as quais são inclinadas, por causa da inclinação das tensões principais de tração σI (fissuras de cisalhamento). A inclinação das fissuras corresponde aproximadamente à inclinação das trajetórias das tensões principais, isto é, aproximadamente perpendicular à direção das tensões principais de tração.
Com carregamento elevado, a viga, em quase toda sua extensão, encontra-se no Estádio II. Em geral, apenas as regiões dos apoios permanecem isentas de fissuras, até a ocorrência de ruptura.
RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR AS FISSURAS
Como citado anteriormente não podemos acabar totalmente com as fissuras nas construções, mas podemos amenizá-las, por isso apresentam-se algumas recomendações:
Cobrimento Mínimo
O cobrimento de concreto é na realidade uma proteção à armadura. Se assim raciocinarmos, veremos que a qualidade dessa proteção depende da espessura que em princípio quanto maior a espessura do cobrimento, maior a proteção, fixadas as demais variáveis. Isso tem uma limitação na ordem de 60 mm, pois, espessuras maiores que essas têm forte tendência a fissuração por outros mecanismos, tais como a retração por secagem e movimentação térmica. É evidente que aumentar o cobrimento implica aumentar o custo da estrutura.
Armadura de pele
As normas recomendam uma armadura de pele longitudinal mínima para reduzir a fissuração das vigas (fissuras na alma).
A NBR 6118/2003 adota a seguinte condição:
O espaçamento s entre as armaduras é: s ≤ d/3 ou s ≤ 20 cm (considerar o menor dos dois valores).
Segundo FUSCO (1996), “nas vigas altas em que toda a armadura está concentrada na face inferior do banzo tracionado (h ≥ 80 cm), existe a tendência à arborização das fissuras, o que pode provocar maiores aberturas superficiais ao longo da altura da alma da viga”.
Para o controle da fissuração, a armadura de pele deve ser colocada junto a cada face da peça estrutural a ser protegida, devendo resistir aos esforços de tração liberados pela ruptura da camada periférica do concreto que lhe é adjacente.
Segundo o item 17.3.5.2.3 da NBR 6118/2003, a armadura de pele mínima deve ser de 0,10% Ac,alma em cada face da alma da viga e composta por barras de alta aderência (h1 ≥ 2,25) com espaçamento não maior que 20 cm
Para vigas com altura igual ou inferior a 60 cm pode ser dispensada a utilização de armadura de pele.
Para o cálculo da armadura de pele admite-se que a fissuração do concreto nela provoque a tensão σs = fyk e que suas barras tenham espaçamentos Sr máximo de 20 cm e não seja maior que d/3 (d é a altura útil da seção).
- Armadura Mínima
A armadura mínima visa à prevenção de situações em que a seção transversal de concreto é muito superior aquela que seria teoricamente necessária. Vigas, submetidas às cargas de serviço, cuja situação de trabalho pode ainda não ter provocado fissuração, leva em consideração que a tensão máxima na região tracionada não atinge o valor característico da resistência à tração fct (fctk,sup). Para evitar que o concreto seja fissurado, tendo uma ruptura brusca do concreto tracionado, devido a um excesso de carga, torna-se necessária uma armadura de tração As,mim que seja suficientemente capaz de assegurar à viga uma resistência à flexão, com o concreto já fissurado, pelo menos igual aquela que possuía no concreto sem fissuras.
A armadura mínima de tração deve ser determinada pelo dimensionamento ao momento mínimo, respeitando uma taxa mínima absoluta de 0,15%, dependendo da resistência à compressão do concreto e da seção transversal da peça.
Contudo, apesar das fissuras estarem intrínsecas ao concreto armado, existe algumas maneiras de evitá-las, proporcionando à peça uma durabilidade maior, à estrutura uma estabilidade maior e aos usuários um conforto maior.
A fissuração é um fenômeno inevitável no concreto e um dos fatores que mais influenciam no comportamento das peças estruturais de concreto armado, tendo em vista que pode comprometer a utilização, a durabilidade e a estética das mesmas.
Existem basicamente três razões para se controlar a fissuração: a durabilidade, a aparência e a estanqueidade a líquidos e gases.
Antes do carregamento, alguns fatores como: a água, o cimento, os agregados, a cura, o lançamento, o adensamento e as condições climáticas afetam na fissuração das peças e as fissuras que ocorrem devido ao carregamento externo são basicamente decorrentes de tensões de tração devidos aos esforços de compressão, tração, flexão, cisalhamento ou torção, sendo que estas ocorrem com o concreto endurecido por ser o mais freqüente em concreto armado.
Em uma estrutura de concreto armado, as patologias podem ocorrer no concreto e/ou no aço, destacando-se que os agentes podem advir das mais diversas fontes, sendo de muita importância a correta caracterização de onde estas advêm para que ocorra uma intervenção adequada, a fim de minimizar ou evitar a ação do agente gerador.
Como visto ao longo do artigo, seria praticamente impossível acabarmos totalmente com as fissuras nas construções, mas podemos amenizá-las através do controle do cobrimento mínimo, da utilização da armadura de pele para algumas seções de concreto e garantir a utilização da armadura mínima, proporcionando à peça uma durabilidade maior, à estrutura uma estabilidade maior e aos usuários um conforto maior.
Desculpem a falta de tempo, mas podemos exemplificar tudo com modelos matemáticos, caso isso sirva para resolver o simples problema de fissura da nossa colega Ana.
Eng Carlos Eugenio Ok....
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Caro Carlos:
Solicito sua autorização para inserir
este artigo na minha home-page
Saudações
Sylvio Nogueira
Arquiteto
UFRJ/1966
-------Mensagem original------- |
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Data: 07/11/09 09:21:07
Assunto: Re: RES: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras |
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Nos tempos de hoje, não é raro nos depararmos com residências, edifÃcios, ou qualquer tipo de construção, no qual não apresente nenhum tipo de fissura. Um dos fatores relevantes no Brasil é o fator climático, pois em cada região a temperatura varia bruscamente durante vários meses do ano. Devido a isso as obras de pequeno, médio ou grande porte apresentam fissurações com o tempo. Em uma estrutura de concreto armado, podem ocorrer danificações no concreto, no qual o agente causador pode ser de vários tipos.  O campo das patologias das estruturas é uma área da Engenharia Civil que apresenta grande diversidade e complexidade, devido à abrangência de aspectos em análise, que podem advir de erros de projetos, erro de execução, agressividade do meio ambiente, má escolha de materiais, entre outras. Em uma estrutura de concreto armado, as patologias podem ocorrer no concreto e/ou no aço, destacando-se que os agentes podem advir das mais diversas fontes, sendo de muita importância a correta caracterização de onde estas advêm para que ocorra uma intervenção adequada, a fim de minimizar ou evitar a ação do agente gerador.             A fissuração é um fenômeno inevitável no concreto e um dos fatores que mais influenciam no comportamento das peças estruturais de concreto armado, tendo em vista que pode comprometer a utilização (necessidade funcional da estrutura), a durabilidade e a estética das mesmas. As fissuras ocorrem basicamente nas zona submetidas a esforços de tração, devido à baixa resistência do concreto a esse tipo de solicitação.  Sendo as zonas tracionadas as que mais merecem atenção nas peças de concreto armado submetidos à flexão, por serem susceptÃveis à fissuração, muitos estudos tem sido realizados tentando retratar o seu comportamento.  Embora o concreto armado tenha surgido nos meados do século passado, foi neste século, na década de 30, que surgiu o primeiro modelo analÃtico de simulação do comportamento das zonas tracionadas. Porém, esses modelos só tomaram significativa expressão, em relação à teoria da fissuração e aos métodos para previsão de abertura de fissuras, a partir de trabalhos realizados principalmente por Ferry Borges, Beeby, Goto, Nawy, Gergely & Lutz e Broms, entre outros, nas décadas de 50 e 60, na Europa e nos Estados Unidos da América (CÂMARA, 1988). Ainda se mantém validos os princÃpios fundamentados por alguns desses modelos, embora ultimamente tenha sido enriquecido por alguns pesquisadores, com o intuito de aprimorá-los e melhorar suas aplicabilidades.  A fissuração no concreto é inevitável. Portanto, prevendo-se que venha a acontecer, torna-se necessário atender a alguns aspectos importantes para que seja amenizado.  Existem basicamente três razões para se controlar a fissuração: a durabilidade (corrosão da armadura), a aparência e a estanqueidade a lÃquidos e gases. Discutem-se a seguir, separadamente, essas razões.  A corrosão da armadura está geralmente associada a três mecanismos que desencadeiam o processo corrosivo: a carbonatação, a presença de cloretos ou a ruptura do concreto por esforços mecânicos, que causam fissuras transversais que podem em principio, colocar em risco a armadura, pois a abertura da fissura tem influência apenas no inÃcio do processo de corrosão, sendo este perÃodo relativamente curto, não influenciando no desenvolvimento da corrosão. Após o perÃodo de 5 a 10 anos, a corrosão é essencialmente independente da abertura da fissura.  Por outro lado, a espessura, a porosidade e o cobrimento do concreto são parâmetros importantes no processo da corrosão da armadura. Melhorar a qualidade do concreto e controlar a abertura das fissuras são fatores importantes para o controle da fissuração. Portanto, é necessário especificar o valor limite da abertura da fissura de acordo com a agressividade do meio ambiente.  As aberturas da fissuras com valores abaixo de 0,3 mm geralmente não causam inquietação as pessoas. Obviamente, a aparência tolerável da abertura da fissura é muito subjetiva e depende de vários fatores, tais como a distância entre o observador e a fissura, a iluminação e as condições da superfÃcie.  A necessidade da estanqueidade depende da natureza do gás ou do lÃquido que será retido pela estrutura. Teoricamente é possÃvel especificar e contar com uma estrutura sem fissuras visÃveis. Isto é mais coerente, no entanto, quando se especifica um limite para a abertura da fissura. Pesquisas e experiências têm mostrado que estruturas para retenção de água podem ter fissuras com aberturas de ate 0,1 a 0,2mm. Assim uma fissura, mesmo quando atravessa totalmente a espessura da parede, pode permitir a penetração de umidade após a ocorrência da primeira fissura; mas o estancamento do vazamento ocorre em poucos dias.   De acordo com o CEB-FIP MC 90, as exigências para esse estado limite são:  ·                 Deve-se garantir, com uma probabilidade adequada, que as fissuras não  prejudiquem a utilização e a durabilidade da estrutura. ·                 Fissuras não podem comprometer a utilização ou a durabilidade; nas estruturas de concreto armado, as fissuras podem ser decorrentes da solicitação por flexão, cisalhamento, torção ou tração (resultante de carregamentos diretos ou deformações restringidas e impostas), sem necessariamente prejudicar a utilização ou a durabilidade.  No entanto as exigências podem ser respeitadas caso a caso: ·                 O funcionamento da estrutura não pode ser prejudicado pela formação das fissuras. ·                 A durabilidade da estrutura durante o perÃodo da vida útil não pode ser prejudicada pela formação da fissura. ·                 A aparência da estrutura não pode ser inaceitável por causa da fissuração. ·                 Incertezas na resistência do concreto a tração, bem como tensões de tração não previstas, devem ser previstas nos projetos e execução. ·                 Exigências complementares para um controle apropriado da fissuração pode resultar da necessidade de limitar ou evitar vibrações ou prejuÃzos causados por deformações excessivas ou ruptura frágil.  Em situações em que o controle da abertura da fissura é exigido, a verificação consiste em satisfazer à seguinte condição:  Wk ≤ Wlim  Wk - abertura caracterÃstica da fissura ou calculada conforme as combinações de ações consideradas;  Wlim – valor limite da abertura da fissura especificada de acordo com exigências adotadas, garantindo assim a durabilidade e o bom funcionamento da estrutura.  A NBR 6118/2003 considera que a fissuração é nociva quando a abertura das fissuras na superfÃcie do concreto ultrapassa os seguintes valores (Tabela 1):   Tabela 1 – Limite de abertura de fissuras (NBR 6118/2003) |
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ELS-W: Estado Limite de Serviço de abertura de fissuras  Tabela 2 – Classe de agressividade (NBR 6118/2003)
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 O ACI Commitee 224 adota os valores da tabela 3 para abertura máxima da fissura, de acordo com as condições de exposição da estrutura.  Tabela 3 – Limite de abertura de fissuras (ACI Commitee 224/224R(2001))
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  Existem fatores que afetam na formação de fissuras antes do carregamento e este mecanismo ocorre em duas etapas: uma com o concreto ainda fresco, antes do endurecimento; e outra com o concreto já endurecido. Pode-se dizer também que as fissuras ocorrem antes da estrutura ser colocada em uso, ou seja, antes do carregamento.  As fissuras que ocorrem devido ao carregamento externo são basicamente decorrentes de tensões de tração devidos aos esforços de compressão, tração, flexão, cisalhamento ou torção, sendo que estas ocorrem com o concreto endurecido, onde este trabalho foca o esforço de flexão por ser o mais freqüente em concreto armado.  Desta forma, apresentam-se alguns fatores como: a água, cimento, agregados, cura, lançamento, adensamento e condições climáticas que afetam na fissuração antes do carregamento que serão analisados abaixo.  à gua A água de amassamento tem uma importância fundamental quanto à quantidade utilizada relacionada com a quantidade de cimento. Para a hidratação dos componentes ativos do cimento seria suficiente uma relação água/cimento teórica aproximada de 0,20; todo o excesso repercute na compacidade, portanto, quanto maior a quantidade de água, maior a porosidade, menor as resistências mecânicas, maior retração e maior o risco de ataque ao concreto.  A água ocupa um papel importantÃssimo na cura do concreto. As águas de curas inadequadas podem ser muito nocivas ao agir sobre um concreto já aplicado e começando a endurecer e sobre o qual podem exercer efeitos expansivos e destrutivos.  A água que não se combina quimicamente com o cimento deve sair da massa na pega e ao sair deixa poros e capilares que tornam o concreto tanto mais permeável quanto maior for a quantidade de água a ser eliminada.  Caso a água não seja utilizada na dosagem correta, poderá acarretar em fissuras no concreto armado antes mesmo da viga absorver o carregamento que lhe foi aplicada.  Cimento O cimento também é um fator importante quanto à fissuração. Em geral concretos mais ricos em cimentos fissuram mais.  Um dos grandes problemas do cimento empregado no concreto é a presença de adições inertes ou não ativas que ele possa conter.  Os cimentos com adições inertes, como por exemplo, o carbonato de cálcio, moÃdos na mesma finura, caracteriza-se por ter um endurecimento mais lento que os cimentos puros, devendo ser considerada essa circunstância na hora de dosar o concreto, pela repercussão que possa ter, tanto na quantidade de cimento a ser empregado, quanto na quantidade de água a ser utilizada.  A dosagem de cimento também pode criar problemas no concreto. Para uma determinada resistência, sempre se deve procurar empregar a menor quantidade possÃvel de cimento. Altos consumos trazem como conseqüência forte calor de hidratação com as conseqüentes elevações de temperatura, especialmente em épocas de calor, que se traduzirão em fortes, retrações de origem térmica com perigo de fissuração, e aumenta também o risco de retração hidráulica, conseqüentemente, fissuração no concreto recém lançado.  Agregado A composição mineral, forma, textura superficial e a variação do tamanho dos agregados afetam as proporções previstas, coeficientes térmicos, retração, dureza, deformação lenta e resistência do concreto. As frações de finos de tamanho inferior a 0,15mm, e especialmente as que têm finura comparável com a do cimento, são perniciosas para o concreto, principalmente se entram em proporção excessiva. Isso pode ocorre quando:  - As frações finas prejudicam a boa aderência entre a argamassa e os agregados graúdos bem como com as armaduras.  - Dada a grande superfÃcie especifica desses finos, eles requerem muita água para molhá-los, conseqüentemente, diminui a água disponÃvel à hidratação do cimento provocando sua hidratação incompleta, e, portanto enfraquecendo o concreto.  - Exigem mais água para a mesma consistência; assim, a relação água/cimento tem que ser aumentada, para conseguir a mesma trabalhabilidade, diminuindo, pelo excesso de água, as resistências mecânicas. Certas argilas nos agregados causam alta retração e fissuração, pois a argila contrai mais do que a pasta de cimento.  Na composição do concreto os grãos de diferentes tamanhos devem entrar em proporções calculadas e estudadas para que seja máxima a compacidade da mistura.  Os agregados afetam se usados de forma inadequada, diretamente na qualidade do concreto, ocasionando fissuras na peça estrutural.  Cura e outros cuidados Enquanto não atingir endurecimento satisfatório, o concreto deverá ser mantido protegido contra agentes prejudiciais, tais como mudanças bruscas de temperaturas, evaporação de água, chuva forte, água torrencial, agente quÃmico, bem como contra choques e vibrações de intensidade tal que possam produzir fissuração na massa do concreto ou prejudicar a sua aderência à armadura.  A proteção contra a secagem prematura, pelo menos durante os sete primeiros dias após o lançamento do concreto, aumentando este mÃnimo quando a natureza do cimento o exigir poderá ser feita mantendo-se umedecida a superfÃcie ou protegendo-se com uma pelÃcula impermeável. O endurecimento do concreto poderá ser antecipado por meio de tratamento térmico adequado e devidamente controlado, não se dispensando as medidas de proteção contra a secagem.  Se não for executado como descrito acima o concreto seca antecipadamente e conseqüentemente causando assim fissuras em toda a estrutura.  Lançamento e adensamento O concreto deve ser lançado logo após o amassamento, não sendo permitido, entre o fim deste e o lançamento, intervalo superior à uma hora; se utilizada agitação mecânica, esse prazo será contado a partir do fim da agitação. Com o uso de retardadores de pega o prazo poderá ser aumentado de acordo com as caracterÃsticas do aditivo.  Em nenhuma hipótese se fará lançamento do concreto após o inicio da pega, podendo ocorrer o aparecimento de fissuras.                             Para os lançamentos que tenham que ser feitos a seco, em recintos sujeitos a penetração de água, deverão ser tomadas as precauções necessárias para que não haja água no local em que se lança o concreto nem possa o concreto fresco vir a ser por ela elevado.  O concreto deverá ser lançado o mais próximo possÃvel de sua posição final, evitando-se a incrustação de argamassa nas paredes das formas e nas armaduras.  Deverão ser tomadas precauções para manter a homogeneidade do concreto. A altura de queda livre não poderá ultrapassar 2m, para peças estreitas e altas, o concreto deverá ser lançado por janelas abertas na parte lateral, ou por meio de funis ou trombas.  Cuidados especiais deverão ser tomados quando o lançamento se der em ambiente com temperatura inferior a dez graus ou superior a quarenta graus.  Durante e imediatamente após o lançamento, o concreto deverá ser vibrado ou socado continua e energicamente com equipamentos adequados à trabalhabilidade do concreto. O adensamento deverá ser cuidadoso para que o concreto preencha todos os recantos da forma. Durante o adensamento deverão ser tomadas todas as precauções necessárias para que não se formem ninhos ou haja segregação dos materiais; dever-se-á evitar a vibração da armadura para que não se formem vazios ao seu redor, com prejuÃzo da aderência.  No adensamento manual as camadas de concreto não deverão exceder 20 cm. Quando se utilizarem vibradores de imersão, a espessura da camada deverá ser aproximadamente igual a ¾ do comprimento da agulha; se não puder atender a esta exigência não devera ser empregado vibrador de imersão.  O processo de lançamento e adensamento se não executados como descrito acima poderá vim a comprometer a peça estrutural, vindo a ocasionar o fissuramento.  Condições Climáticas As condições climáticas que podem causar problemas no concreto são: o frio, o calor e a baixa umidade.  A ação do frio, seja natural ou artificial sobre o concreto em perÃodo de pega ou principio de endurecimento, consiste em retardar e inclusive anular seu endurecimento, ao diminuir a velocidade de hidratação dos componentes ativos do cimento ou destruir a resistência do concreto caso o frio seja intenso a ponto de gelar a água de amassamento.  A ação do calor sobre o concreto em processo de pega ou principio de endurecimento pode ser vantajosa, pois ajuda a sua cura; mas para que isso aconteça, as temperaturas devem ter um limite de oitenta graus e a umidade relativa do ar ser elevada ou estar em saturação.  Para que o calor possa causar problemas ao concreto é preciso que a temperatura seja muito elevada e que o concreto se encontre numa atmosfera com baixa umidade relativa. Geralmente, esse é o caso mais freqüente, pois, ao se produzir uma elevação de temperatura, a umidade relativa do ambiente que envolve o concreto desce a valores muito baixos, fazendo com que o concreto perca água durante a pega ou principio de endurecimento. Produz-se assim uma grande secagem superficial que fará com que essa água de sua massa interna migre para essas superfÃcies e ocasione deficiências na hidratação dos componentes ativos do cimento que traduzirão em baixas resistências, ao mesmo tempo que se produzirá um estado tensional por retração hidráulica no concreto, que poderá resultar em sua fissuração e, inclusive, ruptura.  Como se pode ver, a resistência do concreto é influenciada pela temperatura. No entanto, a influência principal da temperatura na fissuração é estabelecida nas primeiras horas em que o concreto começa a endurecer.  Considere-se a viga biapoiada, submetida a duas forças F iguais e eqüidistantes dos apoios, armada com barras longitudinais tracionadas e com estribos, para resistir os esforços de flexão e de cisalhamento, respectivamente.  A armadura de cisalhamento poderia também ser constituÃda por estribos associados a barras longitudinais curvadas (barras dobradas).  Para pequenos valores da força F, enquanto a tensão de tração for inferior à resistência do concreto à tração na flexão, a viga não apresenta fissuras, ou seja, as suas seções permanecem no Estádio I. Nessa fase, origina-se um sistema de tensões principais de tração e de compressão.  Com o aumento do carregamento, no trecho de momento máximo (entre as forças), a resistência do concreto à tração é ultrapassada e surgem as primeiras fissuras de flexão (verticais). Nas seções fissuradas a viga encontra-se no Estádio II e a resultante de tração é resistida exclusivamente pelas barras longitudinais. No inÃcio da fissuração da região central, os trechos junto aos apoios, sem fissuras, ainda se encontram no Estádio I.  Continuando o aumento do carregamento, surgem fissuras nos trechos entre as forças e os apoios, as quais são inclinadas, por causa da inclinação das tensões principais de tração σI (fissuras de cisalhamento). A inclinação das fissuras corresponde aproximadamente à inclinação das trajetórias das tensões principais, isto é, aproximadamente perpendicular à direção das tensões principais de tração.  Com carregamento elevado, a viga, em quase toda sua extensão, encontra-se no Estádio II. Em geral, apenas as regiões dos apoios permanecem isentas de fissuras, até a ocorrência de ruptura.    RECOMENDAÇÕES PARA EVITAR AS FISSURAS  Como citado anteriormente não podemos acabar totalmente com as fissuras nas construções, mas podemos amenizá-las, por isso apresentam-se algumas recomendações:   Cobrimento MÃnimo  O cobrimento de concreto é na realidade uma proteção à armadura. Se assim raciocinarmos, veremos que a qualidade dessa proteção depende da espessura que em princÃpio quanto maior a espessura do cobrimento, maior a proteção, fixadas as demais variáveis. Isso tem uma limitação na ordem de 60 mm, pois, espessuras maiores que essas têm forte tendência a fissuração por outros mecanismos, tais como a retração por secagem e movimentação térmica. É evidente que aumentar o cobrimento implica aumentar o custo da estrutura.   Armadura de pele  As normas recomendam uma armadura de pele longitudinal mÃnima para reduzir a fissuração das vigas (fissuras na alma).  A NBR 6118/2003 adota a seguinte condição:  O espaçamento s entre as armaduras é: s ≤ d/3 ou s ≤ 20 cm (considerar o menor dos dois valores).  Segundo FUSCO (1996), “nas vigas altas em que toda a armadura está concentrada na face inferior do banzo tracionado (h ≥ 80 cm), existe a tendência à arborização das fissuras, o que pode provocar maiores aberturas superficiais ao longo da altura da alma da viga†.  Para o controle da fissuração, a armadura de pele deve ser colocada junto a cada face da peça estrutural a ser protegida, devendo resistir aos esforços de tração liberados pela ruptura da camada periférica do concreto que lhe é adjacente.  Segundo o item 17.3.5.2.3 da NBR 6118/2003, a armadura de pele mÃnima deve ser de 0,10% Ac,alma em cada face da alma da viga e composta por barras de alta aderência (h1 ≥ 2,25) com espaçamento não maior que 20 cm  Para vigas com altura igual ou inferior a 60 cm pode ser dispensada a utilização de armadura de pele.  Para o cálculo da armadura de pele admite-se que a fissuração do concreto nela provoque a tensão σs = fyk e que suas barras tenham espaçamentos Sr máximo de 20 cm e não seja maior que d/3 (d é a altura útil da seção).  - Armadura MÃnima  A armadura mÃnima visa à prevenção de situações em que a seção transversal de concreto é muito superior aquela que seria teoricamente necessária. Vigas, submetidas à s cargas de serviço, cuja situação de trabalho pode ainda não ter provocado fissuração, leva em consideração que a tensão máxima na região tracionada não atinge o valor caracterÃstico da resistência à tração fct (fctk,sup). Para evitar que o concreto seja fissurado, tendo uma ruptura brusca do concreto tracionado, devido a um excesso de carga, torna-se necessária uma armadura de tração As,mim que seja suficientemente capaz de assegurar à viga uma resistência à flexão, com o concreto já fissurado, pelo menos igual aquela que possuÃa no concreto sem fissuras.  A armadura mÃnima de tração deve ser determinada pelo dimensionamento ao momento mÃnimo, respeitando uma taxa mÃnima absoluta de 0,15%, dependendo da resistência à compressão do concreto e da seção transversal da peça.                                     Contudo, apesar das fissuras estarem intrÃnsecas ao concreto armado, existe algumas maneiras de evitá-las, proporcionando à peça uma durabilidade maior, à estrutura uma estabilidade maior e aos usuários um conforto maior.   A  fissuração é um fenômeno inevitável no concreto e um dos fatores que mais influenciam no comportamento das peças estruturais de concreto armado, tendo em vista que pode comprometer a utilização, a durabilidade e a estética das mesmas.  Existem basicamente três razões para se controlar a fissuração: a durabilidade, a aparência e a estanqueidade a lÃquidos e gases.  Antes do carregamento, alguns fatores como: a água, o cimento, os agregados, a cura, o lançamento, o adensamento e as condições climáticas afetam na fissuração das peças e as fissuras que ocorrem devido ao carregamento externo são basicamente decorrentes de tensões de tração devidos aos esforços de compressão, tração, flexão, cisalhamento ou torção, sendo que estas ocorrem com o concreto endurecido por ser o mais freqüente em concreto armado.  Em uma estrutura de concreto armado, as patologias podem ocorrer no concreto e/ou no aço, destacando-se que os agentes podem advir das mais diversas fontes, sendo de muita importância a correta caracterização de onde estas advêm para que ocorra uma intervenção adequada, a fim de minimizar ou evitar a ação do agente gerador.  Como visto ao longo do artigo, seria praticamente impossÃvel acabarmos totalmente com as fissuras nas construções, mas podemos amenizá-las através do controle do cobrimento mÃnimo, da utilização da armadura de pele para algumas seções de concreto e garantir a utilização da armadura mÃnima, proporcionando à peça uma durabilidade maior, à estrutura uma estabilidade maior e aos usuários um conforto maior.   Desculpem a falta de tempo, mas podemos exemplificar tudo com modelos matemáticos, caso isso sirva para resolver o simples problema de fissura da nossa colega Ana.  Eng Carlos Eugenio Ok....  | |||
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Caro Carlos Eugênio,
Parabéns pelo artigo.
Todavia, vai uma pequena obesrvação.
Voce diz que pesquisas e experiências mostram que estruturas para retenção de água, podem ter fissuras com aberturas de 0,1 a 0,2 mm. de abertura.
Isso não corresponde à realidade, posto que aberturas menores, são as mais susceptíveis a capilaridade e assim, ajudam o fluido a penetrar com mais facilidade. Fissuras, principalmente as de menores aberturas, devem ser tratadas quanto a estanqueidade, embora possam não representar riscos em outras áreas.
Coincidentemente, na última 4ª feira, na reunião da ABNT que cuida da reformulação da NBR 9575 e da elaboração de nova norma de impermeabilizantes acrílicos, esse tema foi objeto de um acalorado debate.
Opiniões como a que eu acabo de informar, é compartilhada por outros colegas especialistas em impermeabilização e pelo Prof. Dr. FH Sabattini, autoridade em concreto e argamassas.
Vicente Menta Filho
São Paulo - SP
Para que o calor possa causar problemas ao concreto é preciso que a temperatura seja muito elevada e que o concreto se encontre numa atmosfera com baixa umidade relativa. Geralmente, esse é o caso mais freqüente, pois, ao se produzir uma elevação de temperatura, a umidade relativa do ambiente que envolve o concreto desce a valores muito baixos, fazendo com que o concreto perca água durante a pega ou principio de endurecimento. Produz-se assim uma grande secagem superficial que fará com que essa água de sua massa interna migre para essas superfícies e ocasione deficiências na hidratação dos componentes ativos do cimento que traduzirão em baixas resistências, ao mesmo tempo que se produzirá um estado tensional por retração hidráulica no concreto, que poderá resultar em sua fissuração e, inclu sive, ruptura.

Trata-se de um mecanismo largamente utilizado em países do primeiro mundo, como os Estados Unidos, onde, segundo dados da American Society of Home Inspectors, 80% dos imóveis objeto de locação ou venda são previamente inspecionados por profissionais habilitados.
Além disso, nestes países a profissão de inspetor predial é regulamentada, existindo uma vasta literatura sobre o tema, cujos trabalhos e procedimentos são padronizados por normas, o que leva a um reconhecimento da importância e necessidade de sua realização.
Em nosso país o tema é ainda incipiente, e a produção literária é relativamente recente, fruto de palestras técnicas em eventos do setor da construção, condomínios ou perícias, além de monografias em cursos de pós-graduação, o que tem levado a uma demanda deste tipo de serviço por proprietários, compradores, locatários, condomínios e administradoras de imóveis.
De acordo com a Norma de Inspeção Predial do IBAPE/SP, a inspeção predial é definida como “a vistoria da edificação para determinar suas condições técnicas, funcionais e de conservação, visando direcionar o plano de manutenção”, consistindo portanto em uma minuciosa análise do imóvel e de suas partes constitutivas, objetivando apurar as condições de conservação, manutenção, segurança, higiene e adequação ao uso, podendo indicar eventuais ações corretivas ou preventivas.
Neste sentido, o trabalho deve ser realizado por profissionais especializados, que realizam uma inspeção visual dos diversos itens que compõem a edificação, buscando a detecção de eventuais defeitos estruturais, nas redes elétricas e hidráulicas, telhado ou fundações, dentre outros, cuja finalidade principal não é a resolução dos problemas, mas a sua identificação e indicação.
Para realizar seu trabalho o profissional deve adotar um roteiro básico de inspeção, o que possibilita a racionalização das atividades e o planejamento da vistoria, tendo sempre em mente que não se trata de um modelo definitivo e acabado, mas ao contrário, deve ser encarado como uma ferramenta dinâmica, em constante processo de atualização e aperfeiçoamento, fruto da experiência e das inovações tecnológicas do mercado.
A materialização do trabalho realizado é apresentada através de um Parecer Técnico de Inspeção Predial, documento onde encontra-se fundamentada a vistoria realizada sob as normas vigentes, atestando as condições gerais da edificação, com o intuito de revelar aos interessados a real situação do imóvel, constituindo-se um importante direcionador das ações de manutenção e contribuindo para a preservação e valorização do patrimônio.
Diante do exposto, verifica-se que a preservação patrimonial garante uma melhor orientação na condução dos negócios imobiliários, dentro da orientação que uma das idéias que mais benefícios à sociedade é o da prevenção, tornando a inspeção predial um instrumento fundamental na antecipação de ações contra a deterioração precoce dos imóveis.
----- Original Message -----Sent: Monday, July 13, 2009 11:43 PMSubject: Re: RES: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras
poderia enviar-me qual é esse site?
obrigado
----- Email de alf...@globo.com ---------
Data: Tue, 14 Jul 2009
00:10:13 -0300
De: Carlos Eugenio Lemos de Oliveira
<alf...@globo.com>
Responder Para: ClubedosEnge...@googlegroups.com
Assunto: Re: RES: [Clube dos
Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras
Para: ClubedosEnge...@googlegroups.com
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Mariano:
Aqui em Curitiba também andaram assentando blocos de "Sical",
há vários anos, como se tijolos de barro cozido fossem; todos, de
"olho gordo" na redução de peso próprio, que renderia alguns
trocadinhos, economizados no estaqueamento, blocos e pilares...
Depois, quando as consequências da falta de "amarração" entre
os blocos (fartas nos tijolos furados) e as faltas de percintas sob
aberturas começaram a gerar trincas + absorções de chuva +
fungos + musgos (como os da suas fotos), os "sabidões da hora"
puseram a culpa no produto; e nunca mais o usaram.
Alem disto, o abundante umedecimento das fachadas mandou o
esperado isolamento térmico, do "sical", pros quintos dos infernos,
fato que, no inverno curitibano, gerou impublicáveis palavrões ...
( faltou óleo de peroba, à época, para tantos caras-de-pau...)
Não quero ser pessimista, mas temo que ao prédio mostrado
(que não suportaria o retorno à mais pesada alvenaria de
tijolos ) restará a seguinte e escassa opção :
a) Reduzir as amplitudes de deformação plástica, na cobertura,
através de aeradores eólicos (se houver áticos, sob telhamentos)
e/ou de isolantes térmicos ( não aplicar pinturas refletivas ou
películas de alumínio sobre telhas de barro ou de fibro-cimento ! ).
b) Remover o acabamento externo ( parece textura acrílica ) e
pintar com tinta à base de cimento ("Cimentol" ou similar), para
que a umidade absorvida possa evaporar, de volta, rumo ao exterior.
( como acontece, ainda, nas paredes antigas, do seu Pelourinho,
que tenham escapado a equivocados "reftrofits-da-hora" ... )
Boa sorte
Sylvio Nogueira
Arquiteto
-------Mensagem original------- |
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Data: 07/14/09 13:43:55
Assunto: Re: RES: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras |
----- Original Message -----From: Orley Saraiva Mariano
Sent: Tuesday, July 14, 2009 7:30 AMSubject: Re: RES: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras
Aparecem em outros pontos do prédio essa mesma patologia ?? As fotos 166 e 167 são iguais e parece a região dos banheiros é isso mesmo ??Eng Carlos.
A falha ou falta de impermeabilização do peitoril da janela propicia a infiltração de água na parede sob a janela. Essa parte da parede, umedecida, sofre uma expansão. Depois, quando o tempo seca a parede, na parte afetada, sofre uma contração. Então surgem trincas exatamente na fronteira entre a parte úmida e seca da parede num traçado mais ou menos a 45 graus que se inicia nos cantos inferiores do quadro da janela.Esse fato é agravado pela pequena declividade do peitoril o que favorece o empoçamento de água no peitoril.A extensão das trincas dá o tempo em que o fenômeno acorre e pelas fotos parece que faz mais de 10 anos.
Janelas de fachada devem ser instaladas o mais próximo possível da borda externa do quadro.Isso para evitar 2 fenômenos indesejáveis:1 - Empossamento de água, permanencendo um tempo longo e favorecendo a infiltração.2 - A ação do vento ascendente que atua sobre a parede lateral forma uma barreira que não deixa a água empossada no peitoril sair para fora. Pode chegar a empossar 5 ou até mais centímetros caso o prédio receba um vento a barlavento. A quantidade de água que corre aí é muito grande pois não há, pela foto, elemento para desviar o fluxo descendente da água que desce pela parede. Jardineiras na parte de baixo ou toldinho na parte de cima ajudam a jogar para fora a água descendente.
Janelas do tipo Maxim-air são bolações "bem boladas" porque permite o máximo de arejamento dos ambientes. Entretanto, muitos fabricantes não sabem fabricar janelas autenticamente Maxim-Air. No caso, vê-se que a parte superior da janela que deveria ter uma boa abertura para a exaustão dos vapores do banho não existe.Veja um site sobre isso http://www.ebanataw.com.br/roberto/janelas/janela5d.htmDesse modo, os vapores do banho, carregados de pele humana, saem pelas laterais da janela onde formam as primeiras manchas de mofo.Parte do vapor de água do banho, ao bater contra o vidro mais gelado, condensa e pinga sobre o peitoril. Essa água condensada, rica em pele (alimento dos ácaros) percola através das trincas inclinadas daí a linha preferencial das manchas escuras que começam nos cantos inferiores das janelas.
----- Original Message -----From: Orley Saraiva Mariano
Sent: Tuesday, July 14, 2009 7:30 AMSubject: Re: RES: [Clube dos Engenheiros Civis] Re: Tratamento de Fissuras
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A patologia das construções é uma ciência que se propõe ao estudo dos problemas que prejudicam o desempenho das edificações e de obras em geral. As edificações possuem características, relacionadas ao seu uso, que devem se manter ao longo do tempo para que possam continuar em serviço. Os problemas patológicos geralmente estão relacionados a uma perda de desempenho apresentada por um determinado componente da edificação ou pela edificação como um todo. Tais problemas são devidos não só a erros ou falhas cometidas em uma das etapas do processo da construção, mas também durante o seu uso. Os sintomas geralmente são percebidos quando a construção passa a ser utilizada. Além disso, toda construção tem um tempo de utilização ou “vida útil” limitado. Dessa forma, o envelhecimento deve ser acompanhado de forma a possibilitar que sejam realizadas as atividades para conservação da construção dentro dos requisitos de desempenho requeridos. Como toda ciência, a Patologia está amparada por um Método. O técnico irá realizar uma investigação que tem como principal estratégia a inspeção da edificação, com o intuito de identificar os sintomas e suas prováveis causas. Além disso, será realizada uma anamnese para obter informações sobre a construção e realizados ensaios laboratoriais para que se tenham subsídios suficientes para diagnosticar o problema e assim prescrever a terapêutica.
As patogenias são problemas que se instalam nas edificações e que a tornam doentia. Na sua evolução, pode ocorrer uma deterioração das partes afetadas e até mesmo a ruptura, comprometendo a estabilidade da edificação. Em outras palavras, às vezes, uma simples mancha ou uma pequena trinca pode ser o sinal de que algo grave está acontecendo com o prédio.
E, olha que não sou tão velho assim, pois o Paulo Helene foi companheiro de turna na Poli.
De qualquer forma, creio que as colocações bem fundamentadas servem de base para que todos os membros desse grupo saiam pesquisando e possam ter suas próprias conclusões pois o tema é vasto e bastante cativante. Eu sou fissurado (no sentido de apaixonado) pelas Patologias das Edificações.
Afinal de contas, é intenção do grupo buscar uma interatividade mais sólida com o intuito de nos conhecermos e dividir, além de experiências, qualificações e serviços.
Como diz a chamada: Nós somos a Engenharia desse País.
Abraços,
Roberto Massaru Watanabe
rob...@ebanataw.com.br
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VISTORIAS CAUTELARES: NECESSIDADE PREVENTIVA NAS CONSTRUÇÕES
Qual a empresa de construção civil que ao construir um prédio, em regiões onde predominam residências, não teve problemas com a vizinhança, principalmente por ocasião da execução da terraplenagem e das fundações? Além dos diversos problemas causados para essa vizinhança, a construtora é muitas vezes acusada de todo tipo de fissuras, trincas e rachaduras de prédios próximos, chegando até mesmo à esfera judicial que é demorada, dispendiosa e pode levar ao embargo da obra e atrasos no cronograma físico. As vistorias cautelares, quando determinadas por processos judiciais, têm como objetivo apurar as situações existentes num determinado imóvel. Casos essas vistorias caracterizem algum vício de construção, ou dano causado, o requerente poderá no prazo legal (Art. 806 do Código de Processo Civil) entrar com uma ação principal de indenização contra a construtora. Esses processos demandam tempo e são onerosos. As partes litigantes têm que constituir um advogado, pagar o Perito Oficial do Juízo e o Assistente Técnico, os quais deverão ser profissionais legalmente habilitados e registrados no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA (Lei 7.270/84) e Resolução nº 345 do CONFEA. Outro inconveniente é o clima que se estabelece entre as partes. Visando exatamente evitar tais atritos e promover um relacionamento de boa vizinhança, pois ao demonstrar essa preocupação a construtora estará agindo com responsabilidade e respeito aos direitos dos seus vizinhos,é que muitas delas, tanto grandes como pequenas e médias, têm contratado profissionais habilitados para tal. Engenheiros experientes e habituados co as perícias judiciais procedem, antes do início da construção do prédio, as vistorias cautelares nos diversos imóveis que circundam o terreno onde será edificada a construção. Essas vistorias extra-judiciais trazem vantagem de estabelecer uma relação de confiança mútua entre a construtora e a vizinhança que, por algum tempo, terá de conviver com os incômodos de uma obra. A vistoria cautelar deverá ser efetuada antes do início efetivo da obra e o Perito irá verificar as características do imóvel do ponto de vista de conservação e estado geral. Relatará e definirá tecnicamente, para comparações futuras, caso seja necessário, todas as patologias observadas na vistoria, como fissuras, trincas e rachaduras, vazamentos, eflorescências, infiltrações, abatimento de pisos, etc., além de caracterizar eventuais riscos de desabamento por ocasião dos serviços de terraplenagem ou fundações. Deverá, ainda, mapear em croquis ou plantas todas as patologias observadas, bem como registrar fotograficamente os defeitos expressivos, resguardando direitos futuros da construtora e dando segurança ao dono do imóvel (reparação dos danos acarretados), sem necessidade de demandas judiciais. Esses laudos deverão ser expedidos em duas vias e preferencialmente rubricas pelas duas partes, a construtora e o vizinho, ou documentada sua entrega por meio de correspondência que comprove a aceitação dos fatos relatados, sendo necessário um laudo para cada imóvel limítrofe. Esses laudos deverão estar acompanhados da respectiva ART - Anotação de Responsabilidade Técnica que caracteriza a feitura do mesmo por profissional habilitado no CREA e atendendo ao dispositivo da Lei 6496/77. É muito importante que o profissional procure apresentar um laudo pericial isento, independente da parte que o contratou, na maioria das vezes a construtora, seguindo o preconizado no Código de Ética Profissional, regulamentado pela Resolução 205 do CONFEA - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, bem como as especificações contidas na NBR-13.752 - Norma Brasileira para Perícias de Engenharia na Construção Civil da ABNT. Isto feito espera-se que a obra desenvolva-se normalmente e caso algum dano seja causado ao imóvel, a construtora venha a corrigi-lo naturalmente, na hora certa e da melhor maneira possível, evitando-se assim uma demanda judicial. Finalmente, sobre a confecção do Laudo de Vistoria, este deverá conter as informações previstas pela NBR-13.753. Interessado: indicação da pessoa física ou jurídica que tenha contratado o trabalho e o proprietário do bem objeto da perícia. Objetivos: definição dos objetivos do laudo de vistoria, com finalidade de resguardar direitos futuros. Requisitos: atendidos na perícia conforme item 4.3 da referida norma. Relato e data da vistoria: deverá conter as informações relacionadas no item 5.2 da norma, caracterização da região, caracterização física, melhoramentos públicos, equipamentos e serviços comunitários, potencial de aproveitamento, caracterização do imóvel e seus elementos, descrição sucinta, número de pavimentos, cômodos, estado geral, idade aparente. Do terreno e das benfeitorias constatação dos danos, dados observados, localização ou inexistência de defeitos, condições de estabilidade do prédio. Plantas ou croquis com mapeamento das danificações. Subsídios esclarecedores. Data e local da realização da vistoria. Assinatura, nome do profissional que realizou a vistoria, título acadêmico e número de registro no CREA e número de registro no instituto do qual é associado. Anexos: fotografias, croquis, via da ART devidamente registrada. Nota do Autor: Com a Lei 9.307 de 23.09.96 que dispõe sobre Arbitragem, a Vistoria Cautelar, poderá constituir-se numa peça fundamental da Sentença Arbitral. O perito autor do Laudo de Vistoria Cautelar poderá inclusive ser designado Árbitro pelas partes, pois ele como autor da vistoria cautelar, conhece bem o estado inicial do imóvel e poderá com muita eficiência mensurar de maneira justa e objetiva as modificações ocorridas no imóvel, nas duas épocas comparadas.
Este artigo trata dos principais conceitos utilizados em patologia das edificações. Estabelece diferenças de enfoque quanto aos tratamentos e procedimentos empregados quando se trata de prédios convencionais ou de edifícios de valor histórico, cultural e/ou arquitetônico.
Em relação aos últimos, tratando-se de um projeto de intervenção, o artigo apresenta alguns princípios básicos que devem ser seguidos na recuperação, conservação e restauro.
Finalmente, relata um exemplo que mostra desde a identificação de uma manifestação patológica, sua origem, causa, até o diagnóstico.
Espera-se que o artigo possa servir de guia para um aprofundamento maior das questões que envolvam os problemas de envelhecimento natural e degradação prematura dos edifícios.
As manifestações patológicas e os possíveis níveis de intervenção
Os edifícios convencionais - e também os de valor arquitetônico ou histórico - costumam apresentar alguma manifestação patológica. Considera-se patologia, diferentemente de envelhecimento natural, qualquer fenômeno que, ocorrendo fora de um período previsível, afete o desempenho do prédio, seja ele físico, econômico ou estético.
A perda parcial ou total desse desempenho pode ter origem no projeto, na execução, nos materiais empregados ou no uso (tanto em termos de operação do edifício como de manutenção).
Em prédios não convencionais, normalmente, a origem das manifestações patológicas deve-se à operação e/ou manutenção (uso). É necessário, nesse caso, considerar a ação de agentes de degradação, sejam eles físicos, químicos ou biológicos (que atuam normalmente no edifício no decorrer do tempo) e aqueles que, de modo anormal, resultem em alterações patogênicas.
As manifestações patológicas mais significativas podem ser classificadas, para fins de identificação, em três grandes grupos: 1) umidade; 2) fissuras, trincas e rachaduras; 3) descolamento de revestimentos.
Particularmente no caso de manifestações patológicas de umidade, a identificação deve especificar os fenômenos causados pela presença da água, de acordo com o material onde ela ocorre, com a orientação solar, com as condições de ventilação e procedência da água. Por exemplo:
n Umidade em madeira: apodrecimento;
n Umidade em metais: alteração química do material (corrosão);
n Umidade em tintas: descoloração, empolamento, descolamento, entre outros;
n Umidade em alvenarias: eflorescências, geração de fungos (bolor), algas, musgos etc.
Nos casos de fissuras, trincas e rachaduras, é fundamental caracterizar sua natureza, ou seja, determinar se elas são ativas (vivas), ou inativas (mortas), mais precisamente, se a abertura delas varia ou permanece constante ao longo do tempo.
No descolamento de revestimento, por sua vez, é importante identificar o tipo de revestimento (tintas, azulejos, revestimento de argamassas, papel de parede etc.), as camadas atingidas (chapisco, emboço, reboco e, se for o caso, argamassa de assentamento) e as condições do material de aderência, se esse permanece aderido ao tardoz do componente descolado ou no substrato do elemento construtivo onde o componente foi aplicado como revestimento.
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| Figura 1 - Planta baixa do Centro Acadêmico da Faculdade de Arquitetura de Pelotas |
Os tipos de patologia, apresentados anteriormente de forma isolada, podem, no entanto, se manifestar concomitantemente e, muitas vezes, uma facilitando o surgimento da outra. Esse fato faz lembrar o caráter evolutivo das patologias.
A patologia, na verdade, é um sintoma ou a parte perceptível dos fenômenos que se manifestam nos componentes construtivos ou nos materiais que os constituem.
Os fenômenos, evidentemente, não ocorrem ao acaso, alguma causa ou causas são responsáveis por sua ocorrência. O reconhecimento dessas causas, por uma investigação cuidadosa, é a base para o tratamento (terapia) futuro, tendo como princípio universal que somente eliminando a causa resolve-se o problema. Entretanto, os efeitos permanecem e devem, só então, ser corrigidos.
Conhecidos os sintomas e reconhecida a causa, antes de ser definida a terapia, deve-se estabelecer um diagnóstico, que nada mais é que o perfeito entendimento de como, a partir da causa, ocorreram os sintomas. O diagnóstico procura explicar todos os fenômenos e mecanismos que concorreram para a manifestação patológica.
Fica, portanto, evidente que o primeiro passo para solucionar uma patologia é identificar a(s) sua(s) causa(s) para se estabelecer, então, procedimentos a fim de eliminá-la(s).
A identificação da causa pode ser pelos seguintes procedimentos:
n Vistoria;
n Anamnese;
n Análise de campo e/ou de laboratório.
Na vistoria do prédio pode-se valer dos sentidos que o ser humano dispõe, tais como o cheiro de bolor (olfato), a mancha de umidade (visão) etc. Outros recursos utilizados são: levantamento fotográfico, croquis e observação dos elementos construtivos por diversos ângulos.
Se, após cumprida essa etapa, a causa ainda não for identificada, passa-se, então, para o segundo procedimento.
Na anamnese são feitas entrevistas com os usuários, construtores, a fim de se obter um relato de como iniciou o problema, seu comportamento evolutivo, ocorrências naturais ou não no entorno do prédio, enfim, informações que possam contribuir para o entendimento do problema, assim como todo e qualquer tipo de documento existente sobre a obra ou alguma intervenção efetuada durante o uso do prédio.
Exemplo: notas fiscais de aquisição dos materiais, plantas baixas, cortes, resultados de ensaios de laboratório etc. Caso ainda não tenha sido definida a causa, recorre-se à análise de campo e/ou laboratório.
Na análise de campo, os ensaios podem ser destrutivos ou não destrutivos. Em se tratando de prédios históricos ou de valor arquitetônico, deve-se, preferencialmente, optar pelos não destrutivos, por razões óbvias. No caso de ensaios de laboratório são necessárias coletas de amostras que devem ser as mais discretas possíveis.
Concluída a análise dos resultados dos ensaios e se, eventualmente, a causa continua desconhecida, os procedimentos acima descritos devem ser retomados de modo mais detalhado.
Finalmente, identificada a causa, essa, em caso de umidade, por exemplo, poderá ser:
n Água de infiltração (água da chuva);
n Água proveniente do solo (água que sobe por capilaridade);
n Água de condensação (vapor de água do ar);
n Água acidental (vazamentos);
n Água da obra (água usada na execução).
Observa-se que, nos prédios históricos, problemas de umidade por água da obra são improváveis, a não ser no caso de reformas.
No caso de fissuras, trincas e rachaduras as causas possíveis envolvem algum tipo de movimentação, seja do edifício em geral, entre elementos e/ou componentes construtivos que geram nos materiais tensões, geralmente de tração e, em alguns casos, cisalhamento.
Assim, são citadas as causas mais frequentes:
n Movimentação das fundações;
n Movimentação higrotérmica;
n Movimentação por sobrecarga;
n Movimentação por deformação excessiva da estrutura;
n Movimentação por retração de produtos à base de cimento;
n Movimentação por reação química dos materiais;
n Outras (vibrações naturais ou artificiais, impactos acidentais etc.).
Os descolamentos de revestimento envolvem uma diversidade bastante grande de causas. Entretanto, pode-se destacar que, geralmente, elas estão localizadas na interface do revestimento com o substrato.
Figura 2 - Localização das patologias na planta baixa
Fica, portanto, evidente que o estudo dos sintomas relacionados com as suas possíveis causas (sintomatologia), é essencial na formação de um patologista. O ideal seria que o profissional, ao observar um sintoma (manifestação patológica), pudesse, quase que naturalmente, estabelecer o número mais reduzido possível de causas (as consideradas principais). Por isso, a experiência em patologia é fundamental.
Identificada a causa e definido o diagnóstico, deve-se, então, estabelecer o tratamento (terapia) a fim de se solucionar o problema. Particularmente, em caso de restauro, as terapias devem, como regra geral, ser minimamente invasivas (princípio da intervenção mínima).
Tomando-se como exemplo o caso de um prédio com problema de eflorescências na base das paredes térreas, causada por água proveniente do solo, a terapia mais recomendada seria drenar o terreno em torno do edifício, visando rebaixar o nível do lençol freático sem atingir diretamente o prédio. É válido lembrar que a profundidade dos drenos não deve ser maior que a profundidade de assentamento das fundações com a finalidade de evitar recalques diferenciais das fundações e o surgimento de possíveis trincas.
Existem, entretanto, outras opções, tais como impermeabilização da base das paredes afetadas e injeção de produtos químicos cristalizantes. Porém, ambas as soluções atingem o prédio, embora em diferentes níveis, não sendo, portanto, as mais adequadas. Contudo, em última instância, quando a drenagem torna-se inviável, a opção recai sobre aquela menos agressiva (produtos químicos cristalizantes).
As terapias adotadas nos prédios convencionais são amplamente conhecidas e discutidas na literatura, entretanto, em relação aos prédios históricos ou de valor arquitetônico existem diferentes intervenções a serem consideradas (conservação, consolidação, recuperação, reabilitação etc.) que exigem uma maior atenção e conhecimento especializado.
No presente artigo não serão aprofundados os diferentes aspectos técnicos de cada procedimento adotado nas possíveis intervenções, tanto pela extensão do tema como devido à especificidade de cada caso a ser tratado pelo restaurador.
A seguir serão apresentados os princípios norteadores que devem ser seguidos em um projeto de restauro, considerando os conceitos mais atuais no campo na preservação e conservação.
Figura 3 - Descolamento e empolamento do revestimento
Princípios fundamentais em uma intervenção de conservação e restauro
Intervenção mínima - conforme já foi mencionado, deve-se limitar a intervenção de restauro ao mínimo indispensável. Os motivos são diversos, porém, a principal razão é que qualquer intervenção de restauro expõe a obra a um notável estresse físico. Esse princípio é um dos mais importantes no campo do restauro e, com certeza, um dos mais ignorados no passado.
Compatibilidade - todo material utilizado no restauro não deve produzir danos físicos, químicos, mecânicos e/ou estéticos nos materiais originais. Como salienta Giorgio Torraca, nenhum material, em princípio, é bom ou mau em termos absolutos, isso dependerá do modo como será aplicado.
Reversibilidade - qualquer intervenção, seja por razões estéticas ou de conservação, deve permitir que o material empregado seja removido sem danificar a matéria original. Isso porque no futuro podem surgir materiais melhores do que os utilizados no momento e, mesmo durante a aplicação, ao se notar qualquer alteração indesejável, deve ser possível a reversão.
Distinguibilidade - este princípio trata do respeito com o material original, tornando de suma importância deixar reconhecida qualquer parte introduzida durante a intervenção, respeitando, porém, o conjunto da obra em sua continuidade estética.
Tomando como base os princípios acima e considerando-se a intervenção de modo sistêmico, onde a sequência relativa dos procedimentos aplicados é importante, a cobertura, por se tratar do principal elemento da envoltória de um edifício, e, portanto, o maior responsável por sua proteção, mesmo contra as intempéries, deve ser objeto de primeira preocupação. Possivelmente, ao fazer isso, eliminam-se várias causas de manifestações patológicas existentes no interior do edifício e, ao mesmo tempo, evidenciam-se outras camufladas pelas infiltrações oriundas da cobertura inexistente ou com defeitos localizados.
Concluídas essas considerações, embora referidas a obras de restauro, a seguir é apresentado um exemplo das informações que devem constar num levantamento das manifestações patológicas existentes em um prédio convencional, aplicável a ambos os casos, evidenciando a diferença entre origem e causa dessas e estabelecendo-se o diagnóstico do quadro.
A manifestação patológica estudada localiza-se no Centro Acadêmico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pelotas, no pavimento térreo, conforme assinalado na planta baixa (figura 1).
A planta baixa do Centro Acadêmico, com maiores detalhes e com a patologia assinalada, conforme legenda, é apresentada na figura 2.
Os sintomas observados foram identificados como descolamento e empolamento do revestimento (argamassa) atingindo somente a camada de reboco (ver figuras 3 e 4).
A causa foi definida como água de infiltração, gerando, consequentemente, alteração química dos materiais.
A partir do estabelecimento da causa da manifestação patológica em questão, foi estabelecido o diagnóstico: a infiltração de água, através das trincas da face externa da parede, sujeita a intempéries, acentuada por ausência de beiral (platibanda), causou a hidratação dos óxidos presentes na cal, a qual não foi devidamente extinta (hidratada). Portanto, a origem dessa patologia foi falha na etapa de execução.
De posse desse diagnóstico, foi possível determinar o tratamento mais adequado para o caso. De modo geral, todo tratamento envolve a eliminação da causa e restituição dos elementos danificados, restabelecendo-se as condições de desempenho originais.
O exemplo corrente, não se tratando de um prédio histórico ou de valor arquitetônico, permite, portanto, maior liberdade na escolha dos procedimentos em termos de maior ou menor intervenção.
Conclusão

Figura 4 - Detalhe da camada de revestimento atingida
O presente artigo buscou estabelecer os principais conceitos utilizados em patologia das edificações, tais como origem, causa, sintoma, diagnóstico e terapia, muito embora alguns conceitos, como origem e causa, ainda têm sido empregados na literatura de maneira pouco precisa.
Mediante a avaliação das manifestações patológicas levantadas por profissionais especializados, torna-se possível estabelecer o grau de degradação de um prédio, definir as causas intervenientes, conhecer os mecanismos de como os fenômenos ocorrem e o modo como eles se apresentam (sintomas).
A partir dessas informações, define-se o tratamento mais adequado, levando-se em conta o tipo de edificação, se possui ou não valor histórico e/ou arquitetônico.
Os tratamentos gerais e os procedimentos adotados devem ser norteados por alguns princípios básicos, os quais foram citados neste artigo. Entretanto, o estabelecimento de ações específicas torna-se difícil, dada à particularidade de cada caso.
LEIA MAIS
Conservación de Bienes Culturales: Teoria, História, Princípios y Normas. I. Gonzalez-Varas. Madrid: Ed. Cátedra, 1999. 628p.
Incidência de Manifestações Patológicas em Edificações Habitacionais. In: Tecnologia de edificações. Eduardo Ioshimoto. 1988, São Paulo: PINI. p. 545-554.
Patologia das Construções. N.B. Lichtenstein. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1986. (Boletim Técnico, 06/86). 35p.
Trincas em Edifícios: Causas, Prevenção e Recuperação. E. Thomaz. São Paulo: PINI-Epusp-IPT, 1989. 194p.
Tecnologia, Gerenciamento e Qualidade na Construção. E. Thomaz, 1ª ed. SP: PINI, 2001, 449p.
Building Pathology: a State- of-the-art Report. CIB, Delft: CIB Report. CIB. W86, june 1993. (Publication 155). 93p.
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Muito oportuna a matéria sobre restaurações de prédios.
Sugiro, à propósito, que os colegas leiam artigo, de
minha autoria (embora mais sucinto ), em :
Artigos de Sylvio
"Casa antigas merecem respeito"
Saudações
Sylvio Nogueira
Arquiteto
Curitiba/PR -------Mensagem original------- |
Patologia não é a doença !! É o estudo da doença... simples.
Na medicina ( fonte Wikipédia ) Patologia (derivado do grego pathos, sofrimento, doença, e logia, ciência, estudo) é o estudo das doenças em geral sob aspectos determinados.
Ela envolve tanto a ciência básica quanto a prática clínica, e é devotada ao estudo das alterações estruturais e funcionais das células, dos tecidos e dos órgãos que estão ou podem estar sujeitos a doenças.
O estudo envolve inclusive os sintomas, pelo uso de técnicas microbiológicas, imunológicas e exames moleculares, a patologia tenta explicar as razões e a localização dos sinais e sintomas manifestos pelos pacientes, enquanto fornece uma base para os cuidados clínicos e a terapia.
Tradicionalmente, o estudo da patologia é dividido em: patologia geral: Está envolvida com as reações básicas das células e tecidos a estímulos anormais provocados pelas doenças. patologia especial: Examina as respostas específicas de órgãos especializados e tecidos a estímulos mais ou menos bem definidos. Etiologia: Estuda as causa das doenças. Patogenia: É o processo de eventos do estímulo inicial até a expressão morfológica da doença. Fisiopatologia :Estuda os distúrbios funcionais e significado clínico. A natureza das alterações morfológicas e sua distribuição nos diferentes tecidos influenciam o funcionamento normal e determinam as características clínicas, o curso e também o prognóstico da doença. O estudo dos sinais e sintomas das doenças é objeto da Patologia Propedêutica ou Semiologia, que têm por finalidade fazer seu diagnóstico, a apartir do qual se estabelecem o prognóstico, a terapêutica e a profilaxia.
Agora Patologia clínica ou medicina laboratorial é uma especialidade médica que tem por objetivo auxiliar os médicos de diversas especialidades no diagnóstico e acompanhamento clínico de estados de saúde e doença, através da análise de sangue, urina, fezes e outros fluidos orgânicos (como líquor, líquido sinovial, líquido ascítico, fluido seminal, etc).[1]
Deve ser diferenciada de patologia cirúrgica ou anatomia patológica, especialidade que tem por objeto de análise os tecidos sólidos do corpo humano, geralmente obtidos por meio de biópsia.
Concluindo meu amigos:
Patologia, de acordo com os dicionários, é a parte da Medicina que estuda as doenças. Com a definição dada pelo portal Wikipédia, a palavra patologia é derivada do grego de pathos, que significa sofrimento, doença, e de logia, que é ciência, estudo. O Portal cita como sendo “o estudo das doenças em geral sob aspectos determinados”. O dicionário Michaelis informa que é a “Ciência que estuda a origem, os sintomas e a natureza das doenças”.
A engenharia veio a utilizar o termo “patologia” para estudar nas construções as manifestações, suas origens, seus mecanismos de ocorrência das falhas e seus defeitos que alteram o equilíbrio pré-existente ou idealizado.
Conforme CANOVAS (1988), a Patologia das Construções não é uma ciência moderna, mesmo que tenha se ganhado proeminência recentemente. Apresença de problemas nas edificações nas primeiras casas construídas rusticamente pelo homem primitivo já eram relatadas, como se pode constatar pelo próprio Código de Hamurabi.
Ter um conhecimento da Patologia das Edificações é indispensável para todos que trabalham na construção, indo desde um operário até o engenheiro e o arquiteto. Segundo VERÇOZA (1991), quando se conhece os problemas ou defeitos que uma construção pode vir a apresentar e suas causas, a chance de se cometer erros reduz muito. O autor citado menciona que esse conhecimento é tão mais importante quanto maior a responsabilidade profissional na construção/obra.
Conforme VERÇOZA (1991), as características construtivas modernas favorecem muito o aparecimento de patologias nas edificações. Hoje, sempre se está à procura de construções que sejam realizadas com o máximo de economia, reduzindo assim o excesso de segurança, em função do conhecimento mais aperfeiçoado e aprofundado dos materiais e métodos construtivos. Com o conhecimento preciso de que até que ponto pode se confiar e utilizar um material tem-se a redução do seu consumo. Mas, com isso, o mínimo erro pode gerar diversas patologias. KLEIN (1999) ainda cita a má qualidade da mão-de-obra como favorecimento do surgimento de patologias
O estudo dos sintomas ( Nariz escorrendo ) é patologia , agora quebrar a perna é acidente. Logo fissuras são manifestações ou sintomas patológicos, campo da patologia ou até mesmo Semiologia, mas nós não usamos esse termo. Mas prognóstico, diagnóstico e terapia são bem falados até no nosso meio. E ambos são do campo da Patologia. Não sei pq a confusão com essa palavra. Patologia estuda a doenças e não é uma doença. Gripe é uma doença o estudo dela é patologia, mas a gripe tem como sintoma a fissura dos lábios ( em alguns casos ) e esses são sintomas ou manifestações da doença que fazem parte da Patologia, simples !!!
Eu particulamente devendo essa definição do dicionário Michaelis:
Patologia= “Ciência que estuda a origem, os sintomas e a natureza das doenças”. Ou seja é o conjunto das manisfestações, sintomas e estudo das doenças.
Simples....
O tema tá começando a esquentar é ótimo discutir esse e outros assuntos. Esclarecer não divergir é aprimorar.
Um abraço amigos e vamos continuar a discussão !!!!
eng Carlos Eugenio L. de Oliveira
Só complementando o Professor Eduardo Thomaz, alguns autores dão tolerância em 10% para as aberturas de fissuras como o Süssekind sugere em seu livro (aquelas fórmulas empíricas do CEB que foram adotadas pela Norma na revisão de 2003. Link: http://aquarius.ime.eb.br/~webde2/prof/ethomaz/fissuracao/sld000.html
Bom Dia ,Queridos(as) companheiros, estou precisando de um produto para tratamento de fissura, estava utilizando o Sicaflex, mas infelizmente as fissuras estão retornando, eu gostaria de saber se alguem de vocês trabalha com produto de fissuras, ou se poderiam me indicar um produto para que eu possa utilizarObrigadaAna Paula