Rodrigo e demais;
Grato por me enviar esse artigo do Prof. Nivalde. Ele me dá a oportunidade de desmistificar um pouco esse academicismo de artigos em formato de “paper”, que, para muitos, geram uma aura de isenção que, na minha opinião, é apenas aparente. O Nivalde é conhecido por suas posições pró-governo. Na realidade, o artigo conta apenas parte da história. Os gráficos e características físicas do sistema elétrico brasileiro são conhecidos há pelo menos 4 décadas e, portanto, para quem é do setor não são novidades.
Tenho várias observações;
1. O sistema brasileiro não é ligeiramente diferente dos outros, como o artigo faz crer. Ele é a singularidade. Nenhum sistema no mundo é interligado em 4.000 km de norte a sul e de leste a oeste. Nenhum é capaz de guardar água equivalente a 5 meses da carga de todo um ano. São aproximadamente 200 TWh, em água reservada, que, se fossem gerados por térmicas consumiriam aproximadamente 120 milhões de barris de óleo. Os sistemas semelhantes (Quebec e British Columbia) continuam estatais e verticalizados.
2. Uma das maiores autoridades em regulação, Paul L. Joskow (CALIFORNIA’S ELECTRICITY CRISIS – MIT - http://18.7.29.232/bitstream/handle/1721.1/44978/2001-006.pdf?sequence=1)
levanta sérias dúvidas sobre a capacidade de sistemas competitivos sobrepujarem a organização verticalizada quando se observa características sinérgicas entre geração e transmissão, justamente o caso brasileiro. Monopólio natural geração transmissão.
3. Já que é para mostrar gráficos, seria melhor mostrar a distribuição de probabilidades do preço spot no Brasil, quando, segundo a regra vigente, há equilíbrio entre oferta e demanda. O spot é basicamente igual ao custo marginal de operação limitado a um valor mínimo e um máximo. O CMO nem deveria ser entendido como um custo marginal, já que assume valores maiores do que a usina mais cara! Ele tem a distribuição de probabilidades mostrada abaixo. Ou seja, é altamente provável que o spot assuma valores bem inferiores à custos de contrato. Portanto, é óbvio que comportamentos especulativos são esperados. Mais do que esperados, são verificados! Mas, o paper não menciona nada sobre isso, apesar de ser a questão estrutural mais importante.

4. Concordo com o autor quando diz: “Por fim, é de suma importância a reavaliação do processo de formação de preços de eletricidade de curto prazo no Brasil, dada a importância do setor elétrico para a economia, e principalmente, sendo um setor capital intensivo e cujos investimentos requerem longo prazo de maturação”. Só que isso significa rever as bases do modelo que, apesar das críticas, são as mesmas do governo FHC.
O grande mistério que ainda permanece é porque, com tantas evidências de que o modelo competitivo aplicado no Brasil é uma anomalia, não se aproveitou o trauma do racionamento para fazer o correto.
Abcs
De: desenvolv...@googlegroups.com
[mailto:desenvolv...@googlegroups.com] Em nome de Rodrigo
Medeiros
Enviada em: segunda-feira, 26 de março de 2012 09:32
Para: desenvolv...@googlegroups.com
Assunto: envolvi] Preço spot de eletricidade: teoria e evidências do
caso brasileiro
http://www.ie.ufrj.br/datacenterie/pdfs/seminarios/pesquisa/texto0306.pdf
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