envolvi] E-mail de compilação para desenvolvimentistas@googlegroups.com - 25 mensagens em 12 tópicos

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desenvolv...@googlegroups.com

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Feb 7, 2012, 5:53:16 AM2/7/12
to Destinatários de e-mail de compilação

Grupo: http://groups.google.com/group/desenvolvimentistas/topics

    Geraldo Serathiuk <gsera...@yahoo.com.br> Feb 07 01:59AM -0800  

    RECEBI DE ONTEM PARA HOJE 10 EMAILS IGUAL A ESTE.....
    FAVOR PARAR DE ENVIAR TANTOS EMAILS...
     
    GERALDO
     
     
     
    ________________________________
    De: "desenvolv...@googlegroups.com" <desenvolv...@googlegroups.com>
    Para: Destinatários de e-mail de compilação <desenvolv...@googlegroups.com>
    Enviadas: Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 7:24
    Assunto: envolvi] E-mail de compilação para desenvolv...@googlegroups.com - 25 mensagens em 14 tópicos

     
      Resumo do tópico de hoje
    Grupo: http://groups.google.com/group/desenvolvimentistas/topics
    * Clipping : E-mail de compilação para clipping-...@googlegroups.com - 20 mensagens em 20 tópicos [1 atualização]
    * Novo artigo: "Privataria do PT" [1 atualização]
    * sobre o crescimento dos Desenvolvimentistas [3 atualizações]
    * Clipping de Esquerda E-mail de compilação para clipping-d...@googlegroups.com - 8 mensagens em 8 tópicos [1 atualização]
    * Inglaterra e Irã: uma velha inimizade [2 atualizações]
    * Clipping de Esquerda E-mail de compilação para clipping-d...@googlegroups.com - 25 mensagens em 22 tópicos [1 atualização]
    * RES: envolvi] Hipóteses de agressão [3 atualizações]
    * A SUÍÇA ESTREMECE ...!!! [3 atualizações]
    * "Hipóteses de agressão" no clipping da Representação Brasileira no Parlasul [1 atualização]
    * Desembargadores querem reduzir os poderes do Coaf [1 atualização]
    * FORUM SOCIAL MUNDIAL 2012 & CONEXÕES- PORTO ALEGRE - Interressados: Melhor cobertura: www.sul21.com.br -( dossiê anexo) [2 atualizações]
    * alguém sabe ? [4 atualizações]
    * O primado do dinheiro, ou como parar o mundo [1 atualização]
    * O primado do dinheiro, ou como parar o mundo [1 atualização]
     Clipping : E-mail de compilação para clipping-...@googlegroups.com - 20 mensagens em 20 tópicos
     Novo artigo: "Privataria do PT"
     sobre o crescimento dos Desenvolvimentistas
     Clipping de Esquerda E-mail de compilação para clipping-d...@googlegroups.com - 8 mensagens em 8 tópicos
     Inglaterra e Irã: uma velha inimizade
     Clipping de Esquerda E-mail de compilação para clipping-d...@googlegroups.com - 25 mensagens em 22 tópicos
     RES: envolvi] Hipóteses de agressão
     A SUÍÇA ESTREMECE ...!!!
     "Hipóteses de agressão" no clipping da Representação Brasileira no Parlasul
     Desembargadores querem reduzir os poderes do Coaf
     FORUM SOCIAL MUNDIAL 2012 & CONEXÕES- PORTO ALEGRE - Interressados: Melhor cobertura: www.sul21.com.br -( dossiê anexo)
     alguém sabe ?
     O primado do dinheiro, ou como parar o mundo
     O primado do dinheiro, ou como parar o mundo
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    ceci....@terra.com.br Jan 24 11:16AM  

    Relembro que a pergunta inicial por mim feita era:
    Um país que tem quase 400 bilhões de dólares em fundo chamado
    'soberano', precisa ou deve deve emitir títulos de dívida externa
    para captar mais dólares, sujeitando-se ao risco cambial além de
    suportar o ônus de taxa de juros provavelmente flutuante ? Que
    razões poderiam justificar tal decisão ? Que restrições existem
    para a utilização do fundo soberano?
    Ceci

     

    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com> Jan 24 09:44AM -0200  

    Restrições ideológicas, pois até a revista The Economist fez recentemente
    matéria sobre o assunto mostrando como alguns países operam com tal
    instrumento. Há problemas de transparência e prestação de contas, algo
    comum na política desde os tempos de Platão.
     
    http://www.economist.com/node/21542925
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/24 <ceci....@terra.com.br>
     

     

    ceci....@terra.com.br Jan 23 08:05PM  

    Brizola foi em quem eu votei em 1962. Sempre me choca a diferença
    entre este e o que veio a ser governador do Rio de Janeiro, o que para
    mim é um exemplo de como o contexto social e histórico determina os
    limites do comportamento humano. O Brizola do RJ queixava-se do
    déficit do metrô, culpava os altos salários por parte deste
    déficit, defendia a concorrência nos transportes, enfim não se
    oporia à privatização do metrô que afinal acabou sendo feita por
    um pedetista brizolista - Marcelo de Alencar. Ceci
    JUREMIR MACHADO: 90 ANOS DE BRIZOLA E A LUTA PELA REFORMA AGRáRIA
    Por Juremir Machado da Silva
    Em O Correio do Povo
    Hoje, se vivo fosse, Leonel "Itagiba" de Moura Brizola completaria 90
    anos de idade. Pode-se dizer, sem exagero, Brizola Vive! Ele, Jango e
    Getúlio formam a trinca de políticos gaúchos mais importantes dos
    últimos 80 anos. Brizola ainda deslumbra seus admiradores pela
    coragem, pela ousadia, pelas grandes reformas - encampou duas empresas
    multinacionais incompetentes e parasitas - e pelo papel que
    desempenhou em relação à reforma agrária e à educação.
     
    Digo, depois de muito estudar, que Leonel Brizola foi o melhor
    governador da história do Rio Grande do Sul. Hoje também é o dia
    dos 50 anos do começo da luta por reforma agrária no Banhado do
    Colégio, em Camaquã, onde o agricultor Epaminondas Silveira e o
    padre Léo Schneider lideraram comboio de 2 mil pessoas, de carroça,
    charretes, a cavalo e a pé, por 10 quilômetros. Exigiam que o
    governo retomasse terras do Estado griladas por fazendeiros. Brizola
    entrou na parada e mudou o jogo.
    É emocionante ler as manchetes dos jornais da época. Capa da
    Última Hora: "Camaquã imita Sarandi - Mais de 2 mil camponeses pedem
    terra". Outra da intrépida UH: "Colonos de Camaquã - Só a morte nos
    expulsa daqui". Os fazendeiros queriam que o III Exército fizesse o
    serviço sujo e expulsasse os sem-terra. Brizola preferiu um caminho
    inusitado como destaca Elio Copes: "Decretou a área do Banhado do
    Colégio (cerca de 20 mil hectares) de utilidade pública para fins de
    reforma agrária, deu apoio ao acampamento, tais como, alimentação,
    atendimento de saúde e iniciou um trabalho de inscrição dos
    acampados, levantamento da condição social de cada família, que
    serviria para a seleção para, mais tarde, receberem os lotes. Após
    cinco meses do acampamento, tempo que levou para providenciar na
    documentação dos lotes, o então governador Leonel Brizola esteve no
    Banhado do Colégio, onde fez a entrega dos primeiros 134 lotes,
    marcando, assim, um novo marco de desenvolvimento para o local". Algo
    nunca visto antes.
    Elio Copes organiza, em Camaquã, as comemorações desse
    cinquentenário da primeira reforma agrária realmente bem-sucedida do
    Brasil. Brizola era de faca na bota. Fez uma que cala todos os
    maledicentes. Promoveu reforma agrária na fazenda Pangaré, de sua
    propriedade, em Palmares. Distribuiu 1.080 de 2.300 hectares para
    pequenos agricultores plantarem arroz. Cada um recebeu um lote de 35
    hectares, casa e três vacas holandesas.
     
    De fato, esse Brizola era muito perigoso, subversivo, assustador.
    Não cumpriu o papel tradicional de repressor de movimentos sociais,
    criou milhares de escolas, não se mixou para os americanos, enfrentou
    os interesses dos estancieiros donos do Rio Grande do Sul, suportou
    com galhardia o pau que levava diariamente dos setores conservadores
    da Assembleia Legislativa e, findo seu mandado de governador,
    elegeu-se deputado pelo Rio de Janeiro com um voto em cada quatro
    eleitores, como se diz, de cola em pé. Esse era de meter medo. Só
    podia virar inimigo público de todos os reacionários e dos golpistas
    de 1964.
    *Reforma Agrária
    --
    "É preciso transformar desânimos e resignações em esperança
    combativa."
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    Atualizado em 05/09/2011
    -------------------------
    (jaime e brizola1.jpg):

     

    Paulo Timm <paul...@gmail.com> Jan 20 09:30PM -0300  

    *Os novos limites do possível*
     
     
     
    Por *André Lara Resende* | Para o Valor, de São Paulo 20 janeiro 12
     
     
     
    A crise financeira mundial já vai completar quatro anos, mas ainda não dá
    sinais de que esteja por se esgotar. Pelo contrário, parece não haver
    economia no mundo, das mais pobres às mais avançadas, que esteja imune ao
    seu agravamento. O paralelo com a Grande Depressão do século XX é cada vez
    mais frequente entre os analistas. Acreditava-se que o antídoto para crises
    destas proporções havia sido descoberto, mas no mundo de hoje existem novas
    restrições que podem inviabilizar as saídas conhecidas.
     
    A analogia assusta, não apenas pela duração e pela profundidade da
    Depressão, mas, sobretudo, pelas consequências. A crise de 30 encerrou um
    período de internacionalização e de prosperidade mundial. Exacerbou o
    nacionalismo, o protecionismo e a xenofobia que levou ao fascismo, ao
    nacional-socialismo nazista e, finalmente, às tensões que desembocaram na
    Segunda Grande Mundial.
     
    Assim como no início dos anos 30, com o fim da Primeira Guerra a exaustão
    de um longo ciclo de prosperidade deixou um legado de endividamento público
    e privado de difícil digestão. Como nos anos 30, temos hoje o esgotamento
    do padrão monetário estabelecido e uma potência hegemônica em crise,
    prestes a ser superada por uma nova estrela econômica e militar.
     
    Neste início do século XXI, a insistência na saída keynesiana da retomada
    do crescimento pode ser uma ortodoxia anacrônica
     
    Ainda nos anos 30, John Maynard Keynes estabeleceu as bases conceituais de
    um fecundo debate sobre as causas, as consequências e as políticas
    necessárias para evitar a repetição de uma experiência tão traumática. Mais
    surpreendente ainda do que as semelhanças objetivas é constatar que o
    debate hoje continua pautado pela mesma polarização dos anos 30: de um
    lado, o fiscalismo e a ortodoxia monetária; do outro, a defesa da retomada
    do crescimento, através dos gastos públicos e de novos estímulos ao consumo.
     
    Em "Lords of Finance", publicado em 2009, Liaquat Ahamed retoma as
    circunstâncias, os personagens e as ideias do tumultuado período entre as
    duas Grandes Guerras do século XX. A partir de cuidadoso trabalho de
    pesquisa, com acesso aos arquivos privados de quatro personagens cruciais,
    os presidentes dos Bancos Centrais da Inglaterra, dos Estados Unidos, da
    França e da Alemanha, Ahamed mantém o leitor fascinado com o desenrolar de
    uma crise que pautou o século XX dali em diante. Não há como escapar à
    sensação de calafrios com as similaridades deste início de século.
     
    Recomendo enfaticamente o livro de Ahamed, mas, apesar das semelhanças, o
    mundo de hoje é outro. Para compreender, avaliar alternativas e traçar
    políticas, a história é fundamental, mas não se pode desconsiderar a
    especificidade das circunstâncias. Tenho a impressão de que, nas condições
    de hoje, o remédio keynesiano deixou de fazer sentido.
     
    Sabemos que esta crise é decorrente do estouro da bolha de preços de
    ativos, principalmente dos imóveis, provocada pelo excesso de
    endividamento. Bolhas são altas de preços induzidas pela disponibilidade de
    crédito. A partir de certo ponto, perdem relação com os fundamentos e
    passam a ser alimentadas exclusivamente pela expectativa de renovada alta
    dos preços. Embora devesse ser evidente que são insustentáveis, nunca
    faltam explicações para por que desta vez é diferente. Bolhas são boas
    enquanto duram. Todos ganham, até o choque com a realidade. Os fundamentos
    da psicologia de manada, que levam os mercados a se afastarem da
    racionalidade, são bem conhecidos, mas sistematicamente esquecidos a cada
    nova bolha. Não é difícil compreender a dificuldade enfrentada pelos que se
    aventuram a questioná-las. Nada mais aborrecido do que profetas do
    apocalipse a proclamar que o fim do mundo está próximo, enquanto todos
    ganham.
     
     
     
     
     
     
     
    Em plena crise, logo após o estouro da bolha, um "cartoon" americano dizia:
    "País viciado em bolhas busca desesperadamente uma nova bolha para
    investir". Cômico, porque profundamente verdadeiro. As economias modernas,
    desde a Revolução Industrial, estão organizadas para crescer e produzir
    mais. Quando não crescem é por que algo está errado. Para que a produção
    cresça é preciso que a demanda também cresça. A insuficiência de demanda, o
    risco de que a falta de demanda interrompa o crescimento é a ameaça
    subjacente, sempre presente nas modernas economias de mercado.
     
    A alavancagem excessiva, o abuso do crédito, é provavelmente a forma mais
    evidente de turbinar a demanda. Quase todas as políticas teoricamente
    questionáveis, mas que resistem, no tempo e em toda parte, ao ataque da
    racionalidade, podem ser entendidas como tentativas veladas de estimular a
    demanda. O viés mercantilista exportador, a defesa tarifária do mercado
    interno, subsídios às exportações também são exemplos de sustentação
    artificial da demanda.
     
    Ao demonstrar que o gasto público, mesmo quando contratado para abrir e
    fechar buracos, serviria como motor de arranque para a economia devastada
    pela recessão, o talento de Keynes encontrou a fórmula para a retomada do
    crescimento. O gasto público como forma de sustentar a demanda foi a
    peça-chave da macroeconomia keynesiana, quase hegemônica, desde o fim da
    Segunda Guerra Mundial, até o fim dos anos 60. Infelizmente, serviu também
    para justificar a insaciável vontade de gastar dos governos, ainda que nos
    momentos mais inoportunos. Nos Estados Unidos, os limites da sustentação
    artificial da demanda através do gasto público apareceram com o surto
    inflacionário do início dos anos 70. Nos países menos afeitos à disciplina
    fiscal, como os da América Latina, mais propensos a juntar a fome (da
    demagogia) com a vontade de comer (do keynesianismo), as consequências
    inflacionárias surgiram mais cedo, desde meados dos anos 50.
     
    Como não nos preparamos para uma economia estacionária, seremos obrigados a
    enfrentar uma parada traumática
     
    O contraponto teórico ao keynesianismo simplório do pós-guerra surgiu do
    debate acadêmico suscitado pela ameaça da inflação, nos anos 70 e 80. A
    chamada síntese da Curva de Phillips Expandida, em que o efeito das
    expectativas de inflação foi incorporado, demonstrava os limites dos gastos
    públicos como estimuladores da demanda e indutores do crescimento e do
    emprego. Além da lição keynesiana, do estímulo à demanda para sustentar o
    crescimento, a formulação de políticas macroeconômicas incorporou a lição
    monetarista, o uso da taxa de juros para conter os excessos inflacionários.
    O resultado foi tão positivo que levou à impressão de que nada mais havia a
    ser entendido em termos de macroeconomia. Tinha-se chegado à síntese
    teórica que abrira o caminho para a "Grande Moderação", uma nova era, sem
    recessão nem inflação. Nada mais havia a ser compreendido em termos de
    condução macroeconômica. Até mesmo o estudo da macroeconomia chegou a ser
    considerado ultrapassado.
     
    Em grandes linhas, a crise de 2008 está agora em sua quarta fase. Primeiro,
    houve o estouro da bolha de preços dos ativos, principalmente, mas não
    exclusivamente, dos imóveis. Na segunda fase, a mais aguda, o sistema
    financeiro quebrou. Na terceira fase, para evitar o colapso do sistema
    financeiro, os governos intervieram e assumiram grande parte das dívidas
    privadas. Agora, na quarta fase, depois de assumir o excesso de dívida
    privada, os governos estão eles próprios excessivamente endividados.
     
    Até a terceira fase, o processo foi mais ou menos equivalente em todas as
    economias avançadas. A maneira como as dívidas privadas foram transferidas
    para o setor público foi, entretanto, diferente nos Estados Unidos e na
    União Europeia. Enquanto nos Estados Unidos parte significativa das dívidas
    privadas passou para o Federal Reserve (Fed), na Europa, a ortodoxia do
    Banco Central (BCE) exigiu que a dívida privada fosse assumida diretamente
    pelos governos. O trauma da Alemanha, com a hiperinflação pela qual passou
    nos anos 30, engessou o mandato do BCE, até hoje sem autorização para
    inchar seu ativo com o excesso de dívida privada. Já o Fed, dirigido por um
    macroeconomista estudioso dos anos 30, foi agressivo na sua disposição de
    assumir as dívidas privadas problemáticas.
     
    Há efetivamente uma diferença filosófica, mas a reação audaciosa do Fed
    seria muito mais perigosa, não fossem os Estados Unidos os emissores da
    moeda-reserva mundial. A transferência de dívidas privadas diretamente para
    o governo eleva a dívida pública. Se parte dessa transferência pode ser
    feita para o balanço do Banco Central, há uma monetização sem contrapartida
    imediata na dívida pública. A dívida privada que vai para o balanço do
    Banco Central é monetizada. O espaço para monetizar dívidas, sem pressões
    inflacionárias imediatas, é muito maior para o emissor da moeda-reserva
    mundial.
     
    As implicações, como era de se esperar, foram distintas. Nos Estados
    Unidos, a dívida pública aumentou, mas, por enquanto, a grande preocupação
    é com o risco de que o excesso de emissão de moeda possa vir a provocar a
    perda de confiança no dólar. Enquanto a economia americana continuar com
    excesso de capacidade, a inflação não deverá reaparecer. O risco de uma
    brusca desvalorização do dólar, pela perda de confiança internacional,
    poderia ser grande, não fosse a absoluta falta de alternativas. Ao menos a
    curto prazo, não há substituto à vista. O principal candidato, o euro,
    sofre as consequências da inoportuna ortodoxia do Banco Central Europeu.
     
    O período de transição será longo, duro e conturbado. A reorganização da
    economia será compulsória e profunda
     
    Em princípio, o fato de o BCE estar impedido de monetizar parte da dívida
    privada transferida para o setor público deveria fortalecer o euro. O
    resultado, entretanto, foi o inverso. A ortodoxia do BCE levou o
    endividamento público em vários países a níveis percebidos como
    insustentáveis. É verdade que nos periféricos, principalmente Grécia e
    Portugal, a situação já era insustentável. A crise só explicitou o
    problema. O endividamento público dos países europeus, agora até mesmo nos
    países centrais - como a Itália e a França - atingiu níveis em que seu
    financiamento se torna problemático.
     
    Por enquanto, a União Europeia como um todo continua com um nível tolerável
    de dívida consolidada. A solução, um orçamento fiscal europeu,
    supranacional, encontra forte resistência política, principalmente por
    parte da Alemanha. A consolidação fiscal, através da criação de uma
    federação europeia, deveria ter acompanhado, desde o início, a união
    monetária. Foram justamente as resistências a essa consolidação fiscal que
    levaram à decisão precipitada de adotar a moeda única, na esperança de que
    seu sucesso criasse as condições políticas para viabilizá-la. Hoje, até
    mesmo a união monetária está em xeque.
     
    Enquanto a Europa corre risco de desintegrar-se, a economia americana,
    apesar de alguns recentes sinais positivos, continua praticamente
    estagnada. Uma recessão de grandes proporções, equivalente à dos anos 30,
    foi evitada, mas o crescimento não voltou e o desemprego continua alto.
    Apesar da agressiva monetização do Fed, a dívida pública também se aproxima
    do limite tolerável. De todo modo, nos Estados Unidos a atuação do Fed
    permitiu que se ganhasse tempo. O tempo sempre foi um precioso aliado em
    economia.
     
    ó existem três formas de eliminar o excesso de endividamento. A primeira é
    uma recessão suficientemente profunda para quebrar devedores e credores e
    zerar a pedra. Foi o que ocorreu nos 30. Os custos, como aprendemos, são
    inaceitáveis. A segunda é a monetização das dívidas. Ganha-se tempo,
    enquanto a inflação reduz o valor real das dívidas, mas há risco de perda
    de controle. Como no caso da Alemanha dos anos 30, o resultado pode ser uma
    hiperinflação, ainda mais devastadora do que a pior das recessões. A
    terceira é a retomada do crescimento.
     
    Como depressão e inflação têm custos inaceitáveis, só a retomada do
    crescimento é solução, pois reduz o tamanho relativo das dívidas. O
    crescimento é o único remédio, mas, diante do endividamento excessivo, como
    ensinou Keynes, sua retomada depende do estímulo artificial à demanda, via
    aumento do gasto e do endividamento públicos. Nada mais revelador do
    círculo vicioso de nossa condição do que a imagem do viciado em busca de
    uma nova bolha para investir.
     
    É bem possível que hoje, 80 anos depois, o remédio keynesiano não possa
    mais ser aplicado. Neste início de século XXI, a insistência na saída
    keynesiana da retomada do crescimento pode ser uma ortodoxia anacrônica,
    assim como era a defesa do padrão ouro no início do século XX.
     
    Para compreender por quê, "The Great Disruption", livro de Paul Gilding,
    que acaba de ser publicado, é leitura obrigatória. Guilding é hoje
    professor do Programa para a Sustentabilidade da Universidade de Cambridge,
    na Inglaterra. Tem um longo histórico, a vida toda dedicada ao tema. Foi
    chefe do Greenpeace Internacional, empresário de sucesso e consultor, tanto
    de pequenas comunidades, como de grandes empresas internacionais. Seu ponto
    de partida é o fato de que já passamos dos limites físicos do planeta.
     
    Peço uma trégua na impaciência dos que são imediatamente tomados de um
    misto de tédio e irritação ao pressentir a possibilidade de se defrontarem
    com mais uma catilinária sobre a defesa do ambiente. Certo, ouço-os dizer,
    estamos convictos da importância da questão ecológica, mas, diante de uma
    crise que ameaça transformar-se numa depressão mundial, não é hora de falar
    de sustentabilidade. Grave engano. Se o remédio do crescimento não estiver
    mais disponível, é imperativo abrir novos horizontes.
     
    Gilding argumenta que passamos do limite físico do planeta. As evidências
    são hoje um consenso na comunidade científica. Apesar da vida de ativista,
    Gilding é a antítese do radical rancoroso. Seu livro faz a melhor exposição
    organizada, inteligente e ponderada, da evolução das pesquisas, da
    consciência ecológica e do estágio a que chegamos. Qualidades que em nada
    aliviam o impacto depressivo do tema. Gilding é, contudo,
    surpreendentemente otimista na capacidade de adaptação e de superação da
    humanidade. Não antes de enfrentar uma crise sem precedentes.
     
    Em 2005, num seminário para empresários e executivos na Universidade de
    Cambridge, Gilding fez uma tentativa de descrever como seria essa crise.
    Argumentou que os limites ecológicos terão, antes de mais nada, um impacto
    profundamente desorganizador na economia. A reação e o grau de engajamento
    da plateia na discussão foi completamente diferente. Enquanto o argumento é
    sobre a arrogância humana, seu desrespeito pela natureza, a destruição do
    sistema ecológico e até mesmo o possível fim da humanidade como a
    conhecemos, a plateia comove-se, mas vai para casa sem que nada mude.
    Deprimente, distante e aparentemente não há nada que se possa fazer. Melhor
    esquecer. Mas se, antes de desaparecermos todos, ou quase todos, da face da
    Terra, tivermos que enfrentar décadas de uma crise econômica de grandes
    proporções, aí a coisa muda. A ameaça torna-se concreta.
     
    A tese de Gilding é de que a economia mundial será obrigada a parar de
    crescer. Como não houve uma transição antecipada, como não nos preparamos
    para uma economia estacionária, seremos obrigados a enfrentar uma parada
    brusca, profundamente traumática. O momento da tomada de consciência do

     

    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com> Jan 21 09:52AM -0200  

    Sobre a atualidade de Keynes recomendo:
     
    http://www.nytimes.com/2011/12/30/opinion/keynes-was-right.html
     
    Para simplificar o argumento, claro que para um país como o Brasil o
    aumento do gasto público com câmbio abaixo de R$2,40 por dólar gera um
    elevado déficit em conta corrente e o aumento do coeficiente de penetração
    das importações. Está acontecendo...
     
    Quanto ao retorno das teses malthusianas, precisamos ser bem cuidadosos.
    Como podemos aceitar que países que já ultrapassaram o patamar de renda
    média de US$30.000 (PPP) nos digam que agora a regra é decrescimento?
    Haverá algum mecanismo de transferências dos desenvolvidos para os
    emergentes cuidarem do ambiente, "serviços ambientais"? Nem na eurozona se
    enxerga solidariedade para transferências de recursos financeiros.
     
    Relembro aos colegas que o combinado na Rio-92 quanto às transferências dos
    desenvolvidos para os em desenvolvimento não foi honrado.
     
    Quem é mesmo Lara Resende?
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/20 Paulo Timm <paul...@gmail.com>
     

     

    al...@bndes.gov.br Jan 23 11:50AM -0200  

    Rodrigo
     
    Lara Resende foi denunciado no livro "Cabeças de Plailha" do jornalista
    Luiz Nassif de provocar o arrocho cambial no início do plano real para
    depois sair do governo e montar um Banco de Investimento (Banco Marka) que
    lucrou horrores com a apreciação cambial do governo FHC, portanto, é um
    homem que não tem moral nenhuma.
     
    Na época ele esbanjava dinheiro pilotando carros de corrida e levando
    cavalos de seus haras para passear em aviões de sua propriedade.
     
    André Luiz Pinheiro de Almeida
     
     
     
    De:
    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com>
    Para:
    desenvolv...@googlegroups.com
    Data:
    21/01/2012 09:52
    Assunto:
    Re: envolvi] Os novos limites do possível - Por André Lara Resende , Ex.
    PRES.BNDES | Para o Valor, de São Paulo / Enviado por MAURICIO DIAS DAVID,
    a quem agradeço.Timm
    Enviado por:
    desenvolv...@googlegroups.com
     
     
     
    Sobre a atualidade de Keynes recomendo:
     
    http://www.nytimes.com/2011/12/30/opinion/keynes-was-right.html
     
    Para simplificar o argumento, claro que para um país como o Brasil o
    aumento do gasto público com câmbio abaixo de R$2,40 por dólar gera um
    elevado déficit em conta corrente e o aumento do coeficiente de penetração
    das importações. Está acontecendo...
     
    Quanto ao retorno das teses malthusianas, precisamos ser bem cuidadosos.
    Como podemos aceitar que países que já ultrapassaram o patamar de renda
    média de US$30.000 (PPP) nos digam que agora a regra é decrescimento?
    Haverá algum mecanismo de transferências dos desenvolvidos para os
    emergentes cuidarem do ambiente, "serviços ambientais"? Nem na eurozona se
    enxerga solidariedade para transferências de recursos financeiros.
     
    Relembro aos colegas que o combinado na Rio-92 quanto às transferências
    dos desenvolvidos para os em desenvolvimento não foi honrado.
     
    Quem é mesmo Lara Resende?
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/20 Paulo Timm <paul...@gmail.com>


    Os novos limites do possível

    Por André Lara Resende | Para o Valor, de São Paulo 20 janeiro 12

    A crise financeira mundial já vai completar quatro anos, mas ainda não dá
    sinais de que esteja por se esgotar. Pelo contrário, parece não haver
    economia no mundo, das mais pobres às mais avançadas, que esteja imune ao
    seu agravamento. O paralelo com a Grande Depressão do século XX é cada vez
    mais frequente entre os analistas. Acreditava-se que o antídoto para
    crises destas proporções havia sido descoberto, mas no mundo de hoje
    existem novas restrições que podem inviabilizar as saídas conhecidas.
    A analogia assusta, não apenas pela duração e pela profundidade da
    Depressão, mas, sobretudo, pelas consequências. A crise de 30 encerrou um
    período de internacionalização e de prosperidade mundial. Exacerbou o
    nacionalismo, o protecionismo e a xenofobia que levou ao fascismo, ao
    nacional-socialismo nazista e, finalmente, às tensões que desembocaram na
    Segunda Grande Mundial.
    Assim como no início dos anos 30, com o fim da Primeira Guerra a exaustão
    de um longo ciclo de prosperidade deixou um legado de endividamento
    público e privado de difícil digestão. Como nos anos 30, temos hoje o
    esgotamento do padrão monetário estabelecido e uma potência hegemônica em
    crise, prestes a ser superada por uma nova estrela econômica e militar.
    Neste início do século XXI, a insistência na saída keynesiana da retomada
    do crescimento pode ser uma ortodoxia anacrônica
    Ainda nos anos 30, John Maynard Keynes estabeleceu as bases conceituais de
    um fecundo debate sobre as causas, as consequências e as políticas
    necessárias para evitar a repetição de uma experiência tão traumática.
    Mais surpreendente ainda do que as semelhanças objetivas é constatar que o
    debate hoje continua pautado pela mesma polarização dos anos 30: de um
    lado, o fiscalismo e a ortodoxia monetária; do outro, a defesa da retomada
    do crescimento, através dos gastos públicos e de novos estímulos ao
    consumo.
    Em "Lords of Finance", publicado em 2009, Liaquat Ahamed retoma as
    circunstâncias, os personagens e as ideias do tumultuado período entre as
    duas Grandes Guerras do século XX. A partir de cuidadoso trabalho de
    pesquisa, com acesso aos arquivos privados de quatro personagens cruciais,
    os presidentes dos Bancos Centrais da Inglaterra, dos Estados Unidos, da
    França e da Alemanha, Ahamed mantém o leitor fascinado com o desenrolar de
    uma crise que pautou o século XX dali em diante. Não há como escapar à
    sensação de calafrios com as similaridades deste início de século.
    Recomendo enfaticamente o livro de Ahamed, mas, apesar das semelhanças, o
    mundo de hoje é outro. Para compreender, avaliar alternativas e traçar
    políticas, a história é fundamental, mas não se pode desconsiderar a
    especificidade das circunstâncias. Tenho a impressão de que, nas condições
    de hoje, o remédio keynesiano deixou de fazer sentido.
    Sabemos que esta crise é decorrente do estouro da bolha de preços de
    ativos, principalmente dos imóveis, provocada pelo excesso de
    endividamento. Bolhas são altas de preços induzidas pela disponibilidade
    de crédito. A partir de certo ponto, perdem relação com os fundamentos e
    passam a ser alimentadas exclusivamente pela expectativa de renovada alta
    dos preços. Embora devesse ser evidente que são insustentáveis, nunca
    faltam explicações para por que desta vez é diferente. Bolhas são boas
    enquanto duram. Todos ganham, até o choque com a realidade. Os fundamentos
    da psicologia de manada, que levam os mercados a se afastarem da
    racionalidade, são bem conhecidos, mas sistematicamente esquecidos a cada
    nova bolha. Não é difícil compreender a dificuldade enfrentada pelos que
    se aventuram a questioná-las. Nada mais aborrecido do que profetas do
    apocalipse a proclamar que o fim do mundo está próximo, enquanto todos
    ganham.



    Em plena crise, logo após o estouro da bolha, um "cartoon" americano
    dizia: "País viciado em bolhas busca desesperadamente uma nova bolha para
    investir". Cômico, porque profundamente verdadeiro. As economias modernas,
    desde a Revolução Industrial, estão organizadas para crescer e produzir
    mais. Quando não crescem é por que algo está errado. Para que a produção
    cresça é preciso que a demanda também cresça. A insuficiência de demanda,
    o risco de que a falta de demanda interrompa o crescimento é a ameaça
    subjacente, sempre presente nas modernas economias de mercado.
    A alavancagem excessiva, o abuso do crédito, é provavelmente a forma mais
    evidente de turbinar a demanda. Quase todas as políticas teoricamente
    questionáveis, mas que resistem, no tempo e em toda parte, ao ataque da
    racionalidade, podem ser entendidas como tentativas veladas de estimular a
    demanda. O viés mercantilista exportador, a defesa tarifária do mercado
    interno, subsídios às exportações também são exemplos de sustentação
    artificial da demanda.
    Ao demonstrar que o gasto público, mesmo quando contratado para abrir e
    fechar buracos, serviria como motor de arranque para a economia devastada
    pela recessão, o talento de Keynes encontrou a fórmula para a retomada do
    crescimento. O gasto público como forma de sustentar a demanda foi a
    peça-chave da macroeconomia keynesiana, quase hegemônica, desde o fim da
    Segunda Guerra Mundial, até o fim dos anos 60. Infelizmente, serviu também
    para justificar a insaciável vontade de gastar dos governos, ainda que nos
    momentos mais inoportunos. Nos Estados Unidos, os limites da sustentação
    artificial da demanda através do gasto público apareceram com o surto
    inflacionário do início dos anos 70. Nos países menos afeitos à disciplina
    fiscal, como os da América Latina, mais propensos a juntar a fome (da
    demagogia) com a vontade de comer (do keynesianismo), as consequências
    inflacionárias surgiram mais cedo, desde meados dos anos 50.
    Como não nos preparamos para uma economia estacionária, seremos obrigados
    a enfrentar uma parada traumática
    O contraponto teórico ao keynesianismo simplório do pós-guerra surgiu do
    debate acadêmico suscitado pela ameaça da inflação, nos anos 70 e 80. A
    chamada síntese da Curva de Phillips Expandida, em que o efeito das
    expectativas de inflação foi incorporado, demonstrava os limites dos
    gastos públicos como estimuladores da demanda e indutores do crescimento e
    do emprego. Além da lição keynesiana, do estímulo à demanda para sustentar
    o crescimento, a formulação de políticas macroeconômicas incorporou a
    lição monetarista, o uso da taxa de juros para conter os excessos
    inflacionários. O resultado foi tão positivo que levou à impressão de que
    nada mais havia a ser entendido em termos de macroeconomia. Tinha-se
    chegado à síntese teórica que abrira o caminho para a "Grande Moderação",
    uma nova era, sem recessão nem inflação. Nada mais havia a ser
    compreendido em termos de condução macroeconômica. Até mesmo o estudo da
    macroeconomia chegou a ser considerado ultrapassado.
    Em grandes linhas, a crise de 2008 está agora em sua quarta fase.
    Primeiro, houve o estouro da bolha de preços dos ativos, principalmente,
    mas não exclusivamente, dos imóveis. Na segunda fase, a mais aguda, o
    sistema financeiro quebrou. Na terceira fase, para evitar o colapso do
    sistema financeiro, os governos intervieram e assumiram grande parte das
    dívidas privadas. Agora, na quarta fase, depois de assumir o excesso de
    dívida privada, os governos estão eles próprios excessivamente
    endividados.
    Até a terceira fase, o processo foi mais ou menos equivalente em todas as
    economias avançadas. A maneira como as dívidas privadas foram transferidas
    para o setor público foi, entretanto, diferente nos Estados Unidos e na
    União Europeia. Enquanto nos Estados Unidos parte significativa das
    dívidas privadas passou para o Federal Reserve (Fed), na Europa, a
    ortodoxia do Banco Central (BCE) exigiu que a dívida privada fosse
    assumida diretamente pelos governos. O trauma da Alemanha, com a
    hiperinflação pela qual passou nos anos 30, engessou o mandato do BCE, até
    hoje sem autorização para inchar seu ativo com o excesso de dívida
    privada. Já o Fed, dirigido por um macroeconomista estudioso dos anos 30,
    foi agressivo na sua disposição de assumir as dívidas privadas
    problemáticas.
    Há efetivamente uma diferença filosófica, mas a reação audaciosa do Fed
    seria muito mais perigosa, não fossem os Estados Unidos os emissores da
    moeda-reserva mundial. A transferência de dívidas privadas diretamente
    para o governo eleva a dívida pública. Se parte dessa transferência pode
    ser feita para o balanço do Banco Central, há uma monetização sem
    contrapartida imediata na dívida pública. A dívida privada que vai para o
    balanço do Banco Central é monetizada. O espaço para monetizar dívidas,
    sem pressões inflacionárias imediatas, é muito maior para o emissor da
    moeda-reserva mundial.
    As implicações, como era de se esperar, foram distintas. Nos Estados
    Unidos, a dívida pública aumentou, mas, por enquanto, a grande preocupação
    é com o risco de que o excesso de emissão de moeda possa vir a provocar a
    perda de confiança no dólar. Enquanto a economia americana continuar com
    excesso de capacidade, a inflação não deverá reaparecer. O risco de uma
    brusca desvalorização do dólar, pela perda de confiança internacional,
    poderia ser grande, não fosse a absoluta falta de alternativas. Ao menos a
    curto prazo, não há substituto à vista. O principal candidato, o euro,
    sofre as consequências da inoportuna ortodoxia do Banco Central Europeu.
    O período de transição será longo, duro e conturbado. A reorganização da
    economia será compulsória e profunda
    Em princípio, o fato de o BCE estar impedido de monetizar parte da dívida
    privada transferida para o setor público deveria fortalecer o euro. O
    resultado, entretanto, foi o inverso. A ortodoxia do BCE levou o
    endividamento público em vários países a níveis percebidos como
    insustentáveis. É verdade que nos periféricos, principalmente Grécia e
    Portugal, a situação já era insustentável. A crise só explicitou o
    problema. O endividamento público dos países europeus, agora até mesmo nos
    países centrais - como a Itália e a França - atingiu níveis em que seu
    financiamento se torna problemático.
    Por enquanto, a União Europeia como um todo continua com um nível
    tolerável de dívida consolidada. A solução, um orçamento fiscal europeu,
    supranacional, encontra forte resistência política, principalmente por
    parte da Alemanha. A consolidação fiscal, através da criação de uma
    federação europeia, deveria ter acompanhado, desde o início, a união
    monetária. Foram justamente as resistências a essa consolidação fiscal que
    levaram à decisão precipitada de adotar a moeda única, na esperança de que
    seu sucesso criasse as condições políticas para viabilizá-la. Hoje, até
    mesmo a união monetária está em xeque.
    Enquanto a Europa corre risco de desintegrar-se, a economia americana,
    apesar de alguns recentes sinais positivos, continua praticamente
    estagnada. Uma recessão de grandes proporções, equivalente à dos anos 30,
    foi evitada, mas o crescimento não voltou e o desemprego continua alto.
    Apesar da agressiva monetização do Fed, a dívida pública também se
    aproxima do limite tolerável. De todo modo, nos Estados Unidos a atuação
    do Fed permitiu que se ganhasse tempo. O tempo sempre foi um precioso
    aliado em economia.
    ó existem três formas de eliminar o excesso de endividamento. A primeira é
    uma recessão suficientemente profunda para quebrar devedores e credores e
    zerar a pedra. Foi o que ocorreu nos 30. Os custos, como aprendemos, são
    inaceitáveis. A segunda é a monetização das dívidas. Ganha-se tempo,
    enquanto a inflação reduz o valor real das dívidas, mas há risco de perda
    de controle. Como no caso da Alemanha dos anos 30, o resultado pode ser
    uma hiperinflação, ainda mais devastadora do que a pior das recessões. A
    terceira é a retomada do crescimento.
    Como depressão e inflação têm custos inaceitáveis, só a retomada do
    crescimento é solução, pois reduz o tamanho relativo das dívidas. O
    crescimento é o único remédio, mas, diante do endividamento excessivo,
    como ensinou Keynes, sua retomada depende do estímulo artificial à
    demanda, via aumento do gasto e do endividamento públicos. Nada mais
    revelador do círculo vicioso de nossa condição do que a imagem do viciado
    em busca de uma nova bolha para investir.
    É bem possível que hoje, 80 anos depois, o remédio keynesiano não possa
    mais ser aplicado. Neste início de século XXI, a insistência na saída
    keynesiana da retomada do crescimento pode ser uma ortodoxia anacrônica,
    assim como era a defesa do padrão ouro no início do século XX.
    Para compreender por quê, "The Great Disruption", livro de Paul Gilding,
    que acaba de ser publicado, é leitura obrigatória. Guilding é hoje
    professor do Programa para a Sustentabilidade da Universidade de
    Cambridge, na Inglaterra. Tem um longo histórico, a vida toda dedicada ao
    tema. Foi chefe do Greenpeace Internacional, empresário de sucesso e
    consultor, tanto de pequenas comunidades, como de grandes empresas
    internacionais. Seu ponto de partida é o fato de que já passamos dos
    limites físicos do planeta.
    Peço uma trégua na impaciência dos que são imediatamente tomados de um
    misto de tédio e irritação ao pressentir a possibilidade de se defrontarem
    com mais uma catilinária sobre a defesa do ambiente. Certo, ouço-os

     

    Paulo Timm <paul...@gmail.com> Jan 23 11:11AM -0300  

    CAROS COLEGAS DESENVOLVIMENTISTAS:
    Eu náo sou amigo do Lara - nem o conheço pessoalmente - e as referências
    pessoais que tenho sobre ele sáo péssimas. Sei que saiu muito rico do
    Governo, que mora em Londres e que sempre foi um bon-vivant. O suficiente
    parn não tê-lo como LIDER POLÍTICO. Como não seguiria, jamais, o Delfim
    Neto. Ainda assim, há uma REGRA DE OURO NA POLÍTICA: 'na política, como ela
    é, define-se o INIMIGO. Os "amigos", então, sáo inevitáveis.' Náo por
    acaso, o Governo LULA/DILMA corteja o PMDB, o Sarney, até o PP que era a
    antiga ARENA...
    De qualquer forma, mesmo náo aceitando essa REGRA DE OURO, primícia do
    inevitável OPORTUNISMO do CRETINIMSO PARLAMENTAR , temos que admitir que
    LIDERANÇA POLÍTICA náo é o MESMO que TALENTO ou INTELIGÊNCIA. Penso que
    temos que deixar de lado questões pessoais da personalidade de quem quer
    que seja. Até o Velho Marx, quem parece que cometeu, na vida, não poucos
    pecados pessoais...Vamos ver se as idéias, argumentos, teses deste ou
    daquele autor são boas ou ruins. E aproveitá-las no que têm de bom.
    Rejeitá-las se náo valem nada. Eu, honestamente, gostei do artigo do LARA e
    gostaria que Vs. , mais jovens, com melhor formação do que eu, que fui
    feito meio a marteladas, me ajudassem a avaliá-lo TECNICAMENTE. Grato. E me
    desculpem... Timm
     

     

    al...@bndes.gov.br Jan 23 12:14PM -0200  

    Prezado Timm
     
    O que relatei são fatos dessa figura de história tão conturbada, um homem
    que não devemos ter confiança nenhuma. E ele pode voltar, basta que o PSDB
    ganhe a eleição presidencial e traga de volta os tubarões do governo FHC.
    Apesar de tudo estou lendo o artigo do Sr. Lara Resende.
    André Luiz Pinheiro de Almeida
     
     
     
    De:
    Paulo Timm <paul...@gmail.com>
    Para:
    desenvolv...@googlegroups.com
    Data:
    23/01/2012 12:11
    Assunto:
    Re: envolvi] Os novos limites do possível - Por André Lara Resende , Ex.
    PRES.BNDES | Para o Valor, de São Paulo / Enviado por MAURICIO DIAS DAVID,
    a quem agradeço.Timm
    Enviado por:
    desenvolv...@googlegroups.com
     
     
     
    CAROS COLEGAS DESENVOLVIMENTISTAS:
    Eu náo sou amigo do Lara - nem o conheço pessoalmente - e as referências
    pessoais que tenho sobre ele sáo péssimas. Sei que saiu muito rico do
    Governo, que mora em Londres e que sempre foi um bon-vivant. O suficiente
    parn não tê-lo como LIDER POLÍTICO. Como não seguiria, jamais, o Delfim
    Neto. Ainda assim, há uma REGRA DE OURO NA POLÍTICA: 'na política, como
    ela é, define-se o INIMIGO. Os "amigos", então, sáo inevitáveis.' Náo por
    acaso, o Governo LULA/DILMA corteja o PMDB, o Sarney, até o PP que era a
    antiga ARENA...
    De qualquer forma, mesmo náo aceitando essa REGRA DE OURO, primícia do
    inevitável OPORTUNISMO do CRETINIMSO PARLAMENTAR , temos que admitir que
    LIDERANÇA POLÍTICA náo é o MESMO que TALENTO ou INTELIGÊNCIA. Penso que
    temos que deixar de lado questões pessoais da personalidade de quem quer
    que seja. Até o Velho Marx, quem parece que cometeu, na vida, não poucos
    pecados pessoais...Vamos ver se as idéias, argumentos, teses deste ou
    daquele autor são boas ou ruins. E aproveitá-las no que têm de bom.
    Rejeitá-las se náo valem nada. Eu, honestamente, gostei do artigo do LARA
    e gostaria que Vs. , mais jovens, com melhor formação do que eu, que fui
    feito meio a marteladas, me ajudassem a avaliá-lo TECNICAMENTE. Grato. E
    me desculpem... Timm
     
    Em 23 de janeiro de 2012 10:50, <al...@bndes.gov.br> escreveu:
    Rodrigo
     
    Lara Resende foi denunciado no livro "Cabeças de Plailha" do jornalista
    Luiz Nassif de provocar o arrocho cambial no início do plano real para
    depois sair do governo e montar um Banco de Investimento (Banco Marka) que
    lucrou horrores com a apreciação cambial do governo FHC, portanto, é um
    homem que não tem moral nenhuma.
     
    Na época ele esbanjava dinheiro pilotando carros de corrida e levando
    cavalos de seus haras para passear em aviões de sua propriedade.
     
    André Luiz Pinheiro de Almeida
     
     
     
    De:
    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com>
    Para:
    desenvolv...@googlegroups.com
    Data:
    21/01/2012 09:52
    Assunto:
    Re: envolvi] Os novos limites do possível - Por André Lara Resende , Ex.
    PRES.BNDES | Para o Valor, de São Paulo / Enviado por MAURICIO DIAS DAVID,
    a quem agradeço.Timm
    Enviado por:
    desenvolv...@googlegroups.com
     
     
     
     
    Sobre a atualidade de Keynes recomendo:
     
    http://www.nytimes.com/2011/12/30/opinion/keynes-was-right.html
     
    Para simplificar o argumento, claro que para um país como o Brasil o
    aumento do gasto público com câmbio abaixo de R$2,40 por dólar gera um
    elevado déficit em conta corrente e o aumento do coeficiente de penetração
    das importações. Está acontecendo...
     
    Quanto ao retorno das teses malthusianas, precisamos ser bem cuidadosos.
    Como podemos aceitar que países que já ultrapassaram o patamar de renda
    média de US$30.000 (PPP) nos digam que agora a regra é decrescimento?
    Haverá algum mecanismo de transferências dos desenvolvidos para os
    emergentes cuidarem do ambiente, "serviços ambientais"? Nem na eurozona se
    enxerga solidariedade para transferências de recursos financeiros.
     
    Relembro aos colegas que o combinado na Rio-92 quanto às transferências
    dos desenvolvidos para os em desenvolvimento não foi honrado.
     
    Quem é mesmo Lara Resende?
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/20 Paulo Timm <paul...@gmail.com>


    Os novos limites do possível

    Por André Lara Resende | Para o Valor, de São Paulo 20 janeiro 12

    A crise financeira mundial já vai completar quatro anos, mas ainda não dá
    sinais de que esteja por se esgotar. Pelo contrário, parece não haver
    economia no mundo, das mais pobres às mais avançadas, que esteja imune ao
    seu agravamento. O paralelo com a Grande Depressão do século XX é cada vez
    mais frequente entre os analistas. Acreditava-se que o antídoto para
    crises destas proporções havia sido descoberto, mas no mundo de hoje
    existem novas restrições que podem inviabilizar as saídas conhecidas.
    A analogia assusta, não apenas pela duração e pela profundidade da
    Depressão, mas, sobretudo, pelas consequências. A crise de 30 encerrou um
    período de internacionalização e de prosperidade mundial. Exacerbou o
    nacionalismo, o protecionismo e a xenofobia que levou ao fascismo, ao
    nacional-socialismo nazista e, finalmente, às tensões que desembocaram na
    Segunda Grande Mundial.
    Assim como no início dos anos 30, com o fim da Primeira Guerra a exaustão
    de um longo ciclo de prosperidade deixou um legado de endividamento
    público e privado de difícil digestão. Como nos anos 30, temos hoje o
    esgotamento do padrão monetário estabelecido e uma potência hegemônica em
    crise, prestes a ser superada por uma nova estrela econômica e militar.
    Neste início do século XXI, a insistência na saída keynesiana da retomada
    do crescimento pode ser uma ortodoxia anacrônica
    Ainda nos anos 30, John Maynard Keynes estabeleceu as bases conceituais de
    um fecundo debate sobre as causas, as consequências e as políticas
    necessárias para evitar a repetição de uma experiência tão traumática.
    Mais surpreendente ainda do que as semelhanças objetivas é constatar que o
    debate hoje continua pautado pela mesma polarização dos anos 30: de um
    lado, o fiscalismo e a ortodoxia monetária; do outro, a defesa da retomada
    do crescimento, através dos gastos públicos e de novos estímulos ao
    consumo.
    Em "Lords of Finance", publicado em 2009, Liaquat Ahamed retoma as
    circunstâncias, os personagens e as ideias do tumultuado período entre as
    duas Grandes Guerras do século XX. A partir de cuidadoso trabalho de
    pesquisa, com acesso aos arquivos privados de quatro personagens cruciais,
    os presidentes dos Bancos Centrais da Inglaterra, dos Estados Unidos, da
    França e da Alemanha, Ahamed mantém o leitor fascinado com o desenrolar de
    uma crise que pautou o século XX dali em diante. Não há como escapar à
    sensação de calafrios com as similaridades deste início de século.
    Recomendo enfaticamente o livro de Ahamed, mas, apesar das semelhanças, o
    mundo de hoje é outro. Para compreender, avaliar alternativas e traçar
    políticas, a história é fundamental, mas não se pode desconsiderar a
    especificidade das circunstâncias. Tenho a impressão de que, nas condições
    de hoje, o remédio keynesiano deixou de fazer sentido.
    Sabemos que esta crise é decorrente do estouro da bolha de preços de
    ativos, principalmente dos imóveis, provocada pelo excesso de
    endividamento. Bolhas são altas de preços induzidas pela disponibilidade
    de crédito. A partir de certo ponto, perdem relação com os fundamentos e
    passam a ser alimentadas exclusivamente pela expectativa de renovada alta
    dos preços. Embora devesse ser evidente que são insustentáveis, nunca
    faltam explicações para por que desta vez é diferente. Bolhas são boas
    enquanto duram. Todos ganham, até o choque com a realidade. Os fundamentos
    da psicologia de manada, que levam os mercados a se afastarem da
    racionalidade, são bem conhecidos, mas sistematicamente esquecidos a cada
    nova bolha. Não é difícil compreender a dificuldade enfrentada pelos que
    se aventuram a questioná-las. Nada mais aborrecido do que profetas do
    apocalipse a proclamar que o fim do mundo está próximo, enquanto todos
    ganham.



    Em plena crise, logo após o estouro da bolha, um "cartoon" americano
    dizia: "País viciado em bolhas busca desesperadamente uma nova bolha para
    investir". Cômico, porque profundamente verdadeiro. As economias modernas,
    desde a Revolução Industrial, estão organizadas para crescer e produzir
    mais. Quando não crescem é por que algo está errado. Para que a produção
    cresça é preciso que a demanda também cresça. A insuficiência de demanda,
    o risco de que a falta de demanda interrompa o crescimento é a ameaça
    subjacente, sempre presente nas modernas economias de mercado.
    A alavancagem excessiva, o abuso do crédito, é provavelmente a forma mais
    evidente de turbinar a demanda. Quase todas as políticas teoricamente
    questionáveis, mas que resistem, no tempo e em toda parte, ao ataque da
    racionalidade, podem ser entendidas como tentativas veladas de estimular a
    demanda. O viés mercantilista exportador, a defesa tarifária do mercado
    interno, subsídios às exportações também são exemplos de sustentação
    artificial da demanda.
    Ao demonstrar que o gasto público, mesmo quando contratado para abrir e
    fechar buracos, serviria como motor de arranque para a economia devastada
    pela recessão, o talento de Keynes encontrou a fórmula para a retomada do
    crescimento. O gasto público como forma de sustentar a demanda foi a
    peça-chave da macroeconomia keynesiana, quase hegemônica, desde o fim da
    Segunda Guerra Mundial, até o fim dos anos 60. Infelizmente, serviu também
    para justificar a insaciável vontade de gastar dos governos, ainda que nos
    momentos mais inoportunos. Nos Estados Unidos, os limites da sustentação
    artificial da demanda através do gasto público apareceram com o surto
    inflacionário do início dos anos 70. Nos países menos afeitos à disciplina
    fiscal, como os da América Latina, mais propensos a juntar a fome (da
    demagogia) com a vontade de comer (do keynesianismo), as consequências
    inflacionárias surgiram mais cedo, desde meados dos anos 50.
    Como não nos preparamos para uma economia estacionária, seremos obrigados
    a enfrentar uma parada traumática
    O contraponto teórico ao keynesianismo simplório do pós-guerra surgiu do
    debate acadêmico suscitado pela ameaça da inflação, nos anos 70 e 80. A
    chamada síntese da Curva de Phillips Expandida, em que o efeito das
    expectativas de inflação foi incorporado, demonstrava os limites dos
    gastos públicos como estimuladores da demanda e indutores do crescimento e
    do emprego. Além da lição keynesiana, do estímulo à demanda para sustentar
    o crescimento, a formulação de políticas macroeconômicas incorporou a
    lição monetarista, o uso da taxa de juros para conter os excessos
    inflacionários. O resultado foi tão positivo que levou à impressão de que
    nada mais havia a ser entendido em termos de macroeconomia. Tinha-se
    chegado à síntese teórica que abrira o caminho para a "Grande Moderação",
    uma nova era, sem recessão nem inflação. Nada mais havia a ser
    compreendido em termos de condução macroeconômica. Até mesmo o estudo da
    macroeconomia chegou a ser considerado ultrapassado.
    Em grandes linhas, a crise de 2008 está agora em sua quarta fase.
    Primeiro, houve o estouro da bolha de preços dos ativos, principalmente,
    mas não exclusivamente, dos imóveis. Na segunda fase, a mais aguda, o
    sistema financeiro quebrou. Na terceira fase, para evitar o colapso do
    sistema financeiro, os governos intervieram e assumiram grande parte das
    dívidas privadas. Agora, na quarta fase, depois de assumir o excesso de
    dívida privada, os governos estão eles próprios excessivamente
    endividados.
    Até a terceira fase, o processo foi mais ou menos equivalente em todas as
    economias avançadas. A maneira como as dívidas privadas foram transferidas
    para o setor público foi, entretanto, diferente nos Estados Unidos e na
    União Europeia. Enquanto nos Estados Unidos parte significativa das
    dívidas privadas passou para o Federal Reserve (Fed), na Europa, a
    ortodoxia do Banco Central (BCE) exigiu que a dívida privada fosse
    assumida diretamente pelos governos. O trauma da Alemanha, com a
    hiperinflação pela qual passou nos anos 30, engessou o mandato do BCE, até
    hoje sem autorização para inchar seu ativo com o excesso de dívida
    privada. Já o Fed, dirigido por um macroeconomista estudioso dos anos 30,
    foi agressivo na sua disposição de assumir as dívidas privadas
    problemáticas.
    Há efetivamente uma diferença filosófica, mas a reação audaciosa do Fed
    seria muito mais perigosa, não fossem os Estados Unidos os emissores da
    moeda-reserva mundial. A transferência de dívidas privadas diretamente
    para o governo eleva a dívida pública. Se parte dessa transferência pode
    ser feita para o balanço do Banco Central, há uma monetização sem
    contrapartida imediata na dívida pública. A dívida privada que vai para o
    balanço do Banco Central é monetizada. O espaço para monetizar dívidas,
    sem pressões inflacionárias imediatas, é muito maior para o emissor da
    moeda-reserva mundial.
    As implicações, como era de se esperar, foram distintas. Nos Estados
    Unidos, a dívida pública aumentou, mas, por enquanto, a grande preocupação
    é com o risco de que o excesso de emissão de moeda possa vir a provocar a
    perda de confiança no dólar. Enquanto a economia americana continuar com
    excesso de capacidade, a inflação não deverá reaparecer. O risco de uma
    brusca desvalorização do dólar, pela perda de confiança internacional,
    poderia ser grande, não fosse a absoluta falta de alternativas. Ao menos a
    curto prazo, não há substituto à vista. O principal candidato, o euro,
    sofre as consequências da inoportuna ortodoxia do Banco Central Europeu.
    O período de transição será longo, duro e conturbado. A reorganização da
    economia será compulsória e profunda
    Em princípio, o fato de o BCE estar impedido de monetizar parte da dívida
    privada transferida para o setor público deveria fortalecer o euro. O
    resultado, entretanto, foi o inverso. A ortodoxia do BCE levou o
    endividamento público em vários países a níveis percebidos como
    insustentáveis. É verdade que nos periféricos, principalmente Grécia e
    Portugal, a situação já era insustentável. A crise só explicitou o
    problema. O endividamento público dos países europeus, agora até mesmo nos
    países centrais - como a Itália e a França - atingiu níveis em que seu
    financiamento se torna problemático.
    Por enquanto, a União Europeia como um todo continua com um nível
    tolerável de dívida consolidada. A solução, um orçamento fiscal europeu,
    supranacional, encontra forte resistência política, principalmente por
    parte da Alemanha. A consolidação fiscal, através da criação de uma
    federação europeia, deveria ter acompanhado, desde o início, a união
    monetária. Foram justamente as resistências a essa consolidação fiscal que
    levaram à decisão precipitada de adotar a moeda única, na esperança de que
    seu sucesso criasse as condições políticas para viabilizá-la. Hoje, até
    mesmo a união monetária está em xeque.
    Enquanto a Europa corre risco de desintegrar-se, a economia americana,
    apesar de alguns recentes sinais positivos, continua praticamente
    estagnada. Uma recessão de grandes proporções, equivalente à dos anos 30,
    foi evitada, mas o crescimento não voltou e o desemprego continua alto.
    Apesar da agressiva monetização do Fed, a dívida pública também se
    aproxima do limite tolerável. De todo modo, nos Estados Unidos a atuação
    do Fed permitiu que se ganhasse

     

    ceci....@terra.com.br Jan 23 02:33PM  

    Eu já conhecia esse artigo e não o enviei porque penso que ele não
    traz nada de novo. Um diagnóstico no mínimo incompleto - o problema
    são as bolhas que se criam por aumento artificial da demanda...
    As hipóteses para sair da crise estão corretas, em termos - a
    depressão com quebras e perdas imensas, a inflação que derruba
    rentistas e governos endividados, ou uma nova fase de crescimento
    considerada impossível ou improvável. Serão apenas estas as
    saídas ?
    Enfim, uma vez mais nos encontramos frente a uma mente colonizada.
    Olha o mundo, os países centrais e a nova estrela, a China. Mas se
    omite frente aos problemas e as alternativas para o Brasil.
    Nosso problema, hoje e sempre, é o Brasil e a América do Sul. De
    que maneira nos situamos frente a esta situação crítica? A
    saída não pode ser privatizar aeroportos, mais estradas e entregar a
    aposentadoria dos funcionários aos mercados financeiros. Não pode
    ser. Historicamente isto não é saída.
    Ceci
    > Prezado Timm
    > O que relatei são fatos dessa figura de história tão conturbada,
    um
    > Para: desenvolv...@googlegroups.com
    > Data: 23/01/2012 12:11
    > Assunto: Re: envolvi] Os novos limites do possível - Por André
    Lara
    > Resende , Ex. PRES.BNDES | Para o Valor, de São Paulo / Enviado
    por
    > CAROS COLEGAS DESENVOLVIMENTISTAS:
    > Eu náo sou amigo do Lara - nem o conheço pessoalmente - e as
    > referências pessoais que tenho sobre ele sáo péssimas. Sei que
    saiu
    > muito rico do Governo, que mora em Londres e que sempre foi um
    > bon-vivant. O suficiente parn não tê-lo como LIDER POLÍTICO.
    Como
    > não seguiria, jamais, o Delfim Neto. Ainda assim, há uma REGRA DE
     
    > OURO NA POLÍTICA: 'na política, como ela é, define-se o INIMIGO.
    Os
    > LULA/DILMA corteja o PMDB, o Sarney, até o PP que era a antiga
    > ARENA...
    > De qualquer forma, mesmo náo aceitando essa REGRA DE OURO,
    primícia
    > do inevitável OPORTUNISMO do CRETINIMSO PARLAMENTAR , temos que
    > admitir que LIDERANÇA POLÍTICA náo é o MESMO que TALENTO ou
    > INTELIGÊNCIA. Penso que temos que deixar de lado questões
    pessoais
    > da personalidade de quem quer que seja. Até o Velho Marx, quem
    parece
    > que cometeu, na vida, não poucos pecados pessoais...Vamos ver se
    as
    > idéias, argumentos, teses deste ou daquele autor são boas ou
    ruins.
    > E aproveitá-las no que têm de bom. Rejeitá-las se náo valem
    nada.
    > Eu, honestamente, gostei do artigo do LARA e gostaria que Vs. ,
    mais
    > Data: 21/01/2012 09:52
    > Assunto: Re: envolvi] Os novos limites do possível - Por André
    > Lara Resende , Ex. PRES.BNDES | Para o Valor, de São Paulo /
    Enviado
    > Sobre a atualidade de Keynes recomendo:
    > http://www.nytimes.com/2011/12/30/opinion/keynes-was-right.html
    > Para simplificar o argumento, claro que para um país como o Brasil
    o
    > aumento do gasto público com câmbio abaixo de R$2,40 por dólar
    gera
     
    > penetração das importações. Está acontecendo...
    > Quanto ao retorno das teses malthusianas, precisamos ser bem
    > cuidadosos. Como podemos aceitar que países que já ultrapassaram
    o
    > patamar de renda média de US$30.000 (PPP) nos digam que agora a
    regra
    > transferências de recursos financeiros.
    > Relembro aos colegas que o combinado na Rio-92 quanto às
    > transferências dos desenvolvidos para os em desenvolvimento não
    foi
    > Por ANDRé LARA RESENDE | Para o Valor, de São Paulo 20 janeiro 12
     
     
    > A crise financeira mundial já vai completar quatro anos, mas ainda
     
    > não dá sinais de que esteja por se esgotar. Pelo contrário,
    parece
    > não haver economia no mundo, das mais pobres às mais avançadas,
    que
    > esteja imune ao seu agravamento. O paralelo com a Grande Depressão
    do
    > século XX é cada vez mais frequente entre os analistas.
    > Acreditava-se que o antídoto para crises destas proporções havia
     
    > sido descoberto, mas no mundo de hoje existem novas restrições
    que
    > podem inviabilizar as saídas conhecidas.
     
    > A analogia assusta, não apenas pela duração e pela profundidade
    da
    > Depressão, mas, sobretudo, pelas consequências. A crise de 30
    > encerrou um período de internacionalização e de prosperidade
    > mundial. Exacerbou o nacionalismo, o protecionismo e a xenofobia
    que
    > levou ao fascismo, ao nacional-socialismo nazista e, finalmente,
    às
     
    > Assim como no início dos anos 30, com o fim da Primeira Guerra a
    > exaustão de um longo ciclo de prosperidade deixou um legado de
    > endividamento público e privado de difícil digestão. Como nos
    anos
    > 30, temos hoje o esgotamento do padrão monetário estabelecido e
    uma
    > potência hegemônica em crise, prestes a ser superada por uma nova
     
    > estrela econômica e militar.
     
    > Neste início do século XXI, a insistência na saída keynesiana
    da
    > retomada do crescimento pode ser uma ortodoxia anacrônica
     
    > Ainda nos anos 30, John Maynard Keynes estabeleceu as bases
    > conceituais de um fecundo debate sobre as causas, as consequências
    e
    > as políticas necessárias para evitar a repetição de uma
    > experiência tão traumática. Mais surpreendente ainda do que as
    > semelhanças objetivas é constatar que o debate hoje continua
    pautado
    > pela mesma polarização dos anos 30: de um lado, o fiscalismo e a
    > ortodoxia monetária; do outro, a defesa da retomada do
    crescimento,
    > personagens cruciais, os presidentes dos Bancos Centrais da
    > Inglaterra, dos Estados Unidos, da França e da Alemanha, Ahamed
    > mantém o leitor fascinado com o desenrolar de uma crise que pautou
    o
    > semelhanças, o mundo de hoje é outro. Para compreender, avaliar
    > alternativas e traçar políticas, a história é fundamental, mas
    > não se pode desconsiderar a especificidade das circunstâncias.
    Tenho
     
    > de ativos, principalmente dos imóveis, provocada pelo excesso de
    > endividamento. Bolhas são altas de preços induzidas pela
    > disponibilidade de crédito. A partir de certo ponto, perdem
    relação
    > com os fundamentos e passam a ser alimentadas exclusivamente pela
    > expectativa de renovada alta dos preços. Embora devesse ser
    evidente
    > que são insustentáveis, nunca faltam explicações para por que
    > desta vez é diferente. Bolhas são boas enquanto duram. Todos
    ganham,
    > até o choque com a realidade. Os fundamentos da psicologia de
    manada,
    > que levam os mercados a se afastarem da racionalidade, são bem
    > conhecidos, mas sistematicamente esquecidos a cada nova bolha. Não
    é
    > difícil compreender a dificuldade enfrentada pelos que se
    aventuram a
    > questioná-las. Nada mais aborrecido do que profetas do apocalipse
    a
    > proclamar que o fim do mundo está próximo, enquanto todos ganham.
     
    > Em plena crise, logo após o estouro da bolha, um "cartoon"
    americano
    > dizia: "País viciado em bolhas busca desesperadamente uma nova
    bolha
    > para investir". Cômico, porque profundamente verdadeiro. As
    economias
    > modernas, desde a Revolução Industrial, estão organizadas para
    > crescer e produzir mais. Quando não crescem é por que algo está
    > errado. Para que a produção cresça é preciso que a demanda
    também
    > presente nas modernas economias de mercado.
     
    > A alavancagem excessiva, o abuso do crédito, é provavelmente a
    > forma mais evidente de turbinar a demanda. Quase todas as
    políticas
    > abrir e fechar buracos, serviria como motor de arranque para a
    > economia devastada pela recessão, o talento de Keynes encontrou a
    > fórmula para a retomada do crescimento. O gasto público como
    forma
    > de sustentar a demanda foi a peça-chave da macroeconomia
    keynesiana,
    > quase hegemônica, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, até o
    fim
    > mais inoportunos. Nos Estados Unidos, os limites da sustentação
    > artificial da demanda através do gasto público apareceram com o
    > surto inflacionário do início dos anos 70. Nos países menos
    afeitos
    > à disciplina fiscal, como os da América Latina, mais propensos a
    > juntar a fome (da demagogia) com a vontade de comer (do
    > keynesianismo), as consequências inflacionárias surgiram mais
    cedo,
    > obrigados a enfrentar uma parada traumática
     
    > O contraponto teórico ao keynesianismo simplório do pós-guerra
    > surgiu do debate acadêmico suscitado pela ameaça da inflação,
    nos
     
    > formulação de políticas macroeconômicas incorporou a lição
    > monetarista, o uso da taxa de juros para conter os excessos
    > inflacionários. O resultado foi tão positivo que levou à
    impressão
    > de que nada mais havia a ser entendido em termos de macroeconomia.
    > Tinha-se chegado à síntese teórica que abrira o caminho para a
    > "Grande Moderação", uma nova era, sem recessão nem inflação.
    Nada
    > mais havia a ser compreendido em termos de condução
    macroeconômica.
    > principalmente, mas não exclusivamente, dos imóveis. Na segunda
    > fase, a mais aguda, o sistema financeiro quebrou. Na terceira fase,
     
    > para evitar o colapso do sistema financeiro, os governos
    intervieram e
    > assumiram grande parte das dívidas privadas. Agora, na quarta
    fase,
    > todas as economias avançadas. A maneira como as dívidas privadas
    > foram transferidas para o setor público foi, entretanto, diferente
     
    > nos Estados Unidos e na União Europeia. Enquanto nos Estados
    Unidos
     
    > que a dívida privada fosse assumida diretamente pelos governos. O
    > trauma da Alemanha, com a hiperinflação pela qual passou nos anos
     
    > 30, engessou o mandato do BCE, até hoje sem autorização para
    inchar
    > seu ativo com o excesso de dívida privada. Já o Fed, dirigido por
    um
    > macroeconomista estudioso dos anos 30, foi agressivo na sua
    > disposição de assumir as dívidas privadas problemáticas.
     
    > Há efetivamente uma diferença filosófica, mas a reação
    audaciosa
    > do Fed seria muito mais perigosa, não fossem os Estados Unidos os
    > emissores da moeda-reserva mundial. A transferência de dívidas
    > privadas diretamente para o governo eleva a dívida pública. Se
    parte
    > dessa transferência pode ser feita para o balanço do Banco
    Central,
    > há uma monetização sem contrapartida imediata na dívida
    pública.
    > Estados Unidos, a dívida pública aumentou, mas, por enquanto, a
    > grande preocupação é com o risco de que o excesso de emissão de
     
    > moeda possa vir a provocar a perda de confiança no dólar.
    Enquanto a
    > economia americana continuar com excesso de capacidade, a
    inflação
    > não deverá reaparecer. O risco de uma brusca desvalorização do
    > dólar, pela perda de confiança internacional, poderia ser grande,
     
    > não fosse a absoluta falta de alternativas. Ao menos a curto
    prazo,
    > não há substituto à vista. O principal candidato, o euro, sofre
    as
    > reorganização da economia será compulsória e profunda
     
    > Em princípio, o fato de o BCE estar impedido de monetizar parte da
     
    > dívida privada transferida para o setor público deveria
    fortalecer o
    > euro. O resultado, entretanto, foi o inverso. A ortodoxia do BCE
    levou
    > o endividamento público em vários países a níveis percebidos
    como
    > insustentáveis. É verdade que nos periféricos, principalmente
    > Grécia e Portugal, a situação já era insustentável. A crise

    > explicitou o problema. O endividamento público dos países
    europeus,
    > agora até mesmo nos países centrais - como a Itália e a França
    -
    > atingiu níveis em que seu financiamento se torna problemático.
     
    > Por enquanto, a União Europeia como um todo continua com um nível
     
    > tolerável de dívida consolidada. A solução, um orçamento
    fiscal
    > principalmente por parte da Alemanha. A consolidação fiscal,
    > através da criação de uma federação europeia, deveria ter
    > acompanhado, desde o início, a união monetária. Foram justamente
    as
    > resistências a essa consolidação fiscal que levaram à decisão
    > precipitada de adotar a moeda única, na esperança de que seu
    sucesso
    > criasse as condições políticas para viabilizá-la. Hoje, até
    mesmo
    > americana, apesar de alguns recentes sinais positivos, continua
    > praticamente estagnada. Uma recessão de grandes proporções,
    > equivalente à dos anos 30, foi evitada, mas o crescimento não
    voltou
    > e o desemprego continua alto. Apesar da agressiva monetização do
    > Fed, a dívida pública também se aproxima do limite tolerável.
    De
    > custos, como aprendemos, são inaceitáveis. A segunda é a
    > monetização das dívidas. Ganha-se tempo, enquanto a inflação
    > reduz o valor real das dívidas, mas há risco de perda de
    controle.
    > Como no caso da Alemanha dos anos 30, o resultado pode ser uma
    > hiperinflação, ainda mais devastadora do que a pior das
    recessões.
    > retomada do crescimento é solução, pois reduz o tamanho relativo
     
    > das dívidas. O crescimento é o único remédio, mas, diante do
    > endividamento excessivo, como ensinou Keynes, sua retomada depende
    do
    > estímulo artificial à demanda, via aumento do gasto e do
    > endividamento públicos. Nada mais revelador do círculo vicioso de
     
    > nossa condição do que a imagem do viciado em busca de uma nova
    bolha
    > para investir.
     
    > É bem possível que hoje, 80 anos depois, o remédio keynesiano
    não
    > possa mais ser aplicado. Neste início de século XXI, a
    insistência
    > na saída keynesiana da retomada do crescimento pode ser uma
    ortodoxia
    > século XX.
     
    > Para compreender por quê, "The Great Disruption", livro de Paul
    > Gilding, que acaba de ser publicado, é leitura obrigatória.
    Guilding
    > é hoje professor do Programa para a Sustentabilidade da
    Universidade
    > de Cambridge, na Inglaterra. Tem um longo histórico, a vida toda
    > dedicada ao tema. Foi chefe do Greenpeace Internacional,
    empresário
    > de sucesso e consultor, tanto de pequenas comunidades, como de
    grandes
    > empresas internacionais. Seu ponto de partida é o fato de que já
    > passamos dos limites físicos do planeta.
     
    > Peço uma trégua na impaciência dos que são imediatamente
    tomados
    > de um misto de tédio e irritação ao pressentir a possibilidade
    de
    > se defrontarem com mais uma catilinária sobre a defesa do
    ambiente.
    > Certo, ouço-os dizer, estamos convictos da importância da
    questão
    > ecológica, mas, diante de uma crise que ameaça transformar-se
    numa
    > depressão mundial, não é hora de falar de sustentabilidade.
    Grave
    > engano. Se o remédio do crescimento não estiver mais disponível,
    é
    > imperativo abrir novos horizontes.
     
    > Gilding argumenta que passamos do limite físico do planeta. As
    > evidências são hoje um consenso na comunidade científica. Apesar
    da
    > vida de ativista, Gilding é a antítese do radical rancoroso. Seu
    > livro faz a melhor exposição organizada, inteligente e ponderada,
    da
    > evolução das pesquisas, da consciência ecológica e do estágio
    a
    > que chegamos. Qualidades que em nada aliviam o impacto depressivo
    do
    > tema. Gilding é, contudo, surpreendentemente otimista na
    capacidade
    > de adaptação e de superação da humanidade. Não antes de
    enfrentar
    > uma crise sem precedentes.
     
    > Em 2005, num seminário para empresários e executivos na
    > Universidade de Cambridge, Gilding fez uma tentativa de descrever
    como
    > seria essa crise. Argumentou que os limites ecológicos terão,
    antes
    > de mais nada, um impacto profundamente desorganizador na economia.
    A
    > reação e o grau de engajamento da plateia na discussão foi
    > completamente diferente. Enquanto o argumento é sobre a

     

    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com> Jan 23 04:27PM -0200  

    Concordo... Li esse artigo do Lara Resende. Causou certa polêmica entre
    colegas. Malthus e Keynes não são antagônicos, muito pelo contrário. O
    primeiro foi inspiração para o segundo na questão da preferência pela
    liquidez.
     
    Em um sistema econômico monetizado, não haveria qualquer garantia de que a
    "Lei de Say" se aplicasse. A oferta, portanto, não escoaria naturalmente.
    Quanto ao aspecto do freio populacional, penso que Malthus errou feio.
    Compreendo que no mundo de Thomas Malthus e David Ricardo o conhecimento
    avançava de maneira muito lenta.
     
    Retornos decrescentes faziam sentido. Já no século XX ocorre a emergência
    de outra realidade. O avanço do conhecimento tecnocientífico expandiu as
    fronteiras das possibilidades de produção. A fome e a pobreza mundial não
    são fenômenos pautados pela escassez no sentido dado por Ricardo, mas sim
    por relações de natureza política.
     
    Problemas atuais de sustentabilidade são relevantes. Há, entretanto,
    diversos vetores tecnológicos e sócio-organizacionais que podem tratar da
    questão de forma progressista e democrática.
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/23 <ceci....@terra.com.br>
     

     

    al...@bndes.gov.br Jan 23 04:46PM -0200  

    Evocar Malthus nesse momento é no mínimo não verificar a realidade,
    atualmente no mundo desenvolvido o que está ocorrendo é um fenômeno
    exatamente anti-malthusiano, este movimento principalmente na europa e no
    Japão é o envelhecimento da população e a redução da natalidade que está
    travando o desenvolvimento destes países com a redução (como diria Marx
    tão citado aqui) do exército industrial de reserva, este fato vem
    asfixiando as economias e reduzindo a expansão capitalista.
     
    A pobreza nos países pobres não é um fenômeno malthusiano em si, pelo
    menos atualmente, pois muitas da miséria atual é fruto de guerras internas
    e de problemas regionais, principalmente na África.
     
     
     
     
    De:
    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com>
    Para:
    desenvolv...@googlegroups.com
    Data:
    23/01/2012 16:27
    Assunto:
    Re: envolvi] Os novos limites do possível - Por André Lara Resende , Ex.
    PRES.BNDES | Para o Valor, de São Paulo / Enviado por MAURICIO DIAS DAVID,
    a quem agradeço.Timm
    Enviado por:
    desenvolv...@googlegroups.com
     
     
     
    Concordo... Li esse artigo do Lara Resende. Causou certa polêmica entre
    colegas. Malthus e Keynes não são antagônicos, muito pelo contrário. O
    primeiro foi inspiração para o segundo na questão da preferência pela
    liquidez.
     
    Em um sistema econômico monetizado, não haveria qualquer garantia de que a
    "Lei de Say" se aplicasse. A oferta, portanto, não escoaria naturalmente.
    Quanto ao aspecto do freio populacional, penso que Malthus errou feio.
    Compreendo que no mundo de Thomas Malthus e David Ricardo o conhecimento
    avançava de maneira muito lenta.
     
    Retornos decrescentes faziam sentido. Já no século XX ocorre a emergência
    de outra realidade. O avanço do conhecimento tecnocientífico expandiu as
    fronteiras das possibilidades de produção. A fome e a pobreza mundial não
    são fenômenos pautados pela escassez no sentido dado por Ricardo, mas sim
    por relações de natureza política.
     
    Problemas atuais de sustentabilidade são relevantes. Há, entretanto,
    diversos vetores tecnológicos e sócio-organizacionais que podem tratar da
    questão de forma progressista e democrática.
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/23 <ceci....@terra.com.br>
    Eu já conhecia esse artigo e não o enviei porque penso que ele não traz
    nada de novo. Um diagnóstico no mínimo incompleto - o problema são as
    bolhas que se criam por aumento artificial da demanda...
     
    As hipóteses para sair da crise estão corretas, em termos - a depressão
    com quebras e perdas imensas, a inflação que derruba rentistas e governos
    endividados, ou uma nova fase de crescimento considerada impossível ou
    improvável. Serão apenas estas as saídas ?
     
    Enfim, uma vez mais nos encontramos frente a uma mente colonizada. Olha o
    mundo, os países centrais e a nova estrela, a China. Mas se omite frente
    aos problemas e as alternativas para o Brasil.
     
    Nosso problema, hoje e sempre, é o Brasil e a América do Sul. De que
    maneira nos situamos frente a esta situação crítica? A saída não pode
    ser privatizar aeroportos, mais estradas e entregar a aposentadoria dos
    funcionários aos mercados financeiros. Não pode ser. Historicamente isto
    não é saída.
     
    Ceci
     
     
    > -------------------------
    > Esta mensagem foi verificada pelo E-mail Protegido Terra.
    > Atualizado em 05/09/2011
     
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    Notícias, Informações e Debates
    sobre o Desenvolvimento do Brasil:

    www.desenvolvimentistas.com.br
     
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    conteúdo e seus anexos. Cabe a seus destinatários, inclusive aqueles
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    sanções cíveis, criminais e disciplinares, quando cabíveis. Se você
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    prior to deleting it from your inbox."

     

    ceci....@terra.com.br Jan 23 02:41PM  

    Em entrevista à FOLHA, o porta-voz pessoal do presidente do Irã,
    Mahmoud Ahmadinejad, criticou duramente o comportamento do Brasil em
    relação a seu país. Ali Akbar Javanfekr atacou diretamente Dilma
    Rousseff.
     
    A reportagem, de SAMY ADGHIRNI está disponível [1]para assinantes
    da FOLHA e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a
    FOLHA.
     
    "A presidente golpeou tudo o que [o ex-presidente] Lula havia feito.
    Destruiu anos de bom relacionamento", afirmou ele.
     
    A irritação iraniana também se nota nas recentes barreiras contra
    exportadores de carne brasileira.
     
    A União Brasileira de Avicultura afirma que as vendas de frango para
    o Irã, em alta até outubro, passaram a ser vetadas sem
    justificativa.
     
    Já a multinacional brasileira JBS relata ter tido milhares de
    toneladas de carne bovina retidas por três semanas num porto
    iraniano.
     
    Leia a reportagem completa na FOLHA [2]desta segunda-feira, que já
    está nas bancas.
     
    Assine a FOLHA [3]

     

    ceci....@terra.com.br Jan 21 11:20AM  

    Los cuervos y los buitres de Emir Sader
    Mauricio R. Alfaro
    Rebelión
    INTRODUCCIóN
    El sociólogo brasileño Emir Sader en un artículo aparecido en Alai
    (1), escribe lo siguiente: “Notaron que hay gente, que se dice de
    izquierda, pero que sólo aparece para criticar a gente de izquierda.
    Nunca contra la derecha, sea lo que sea que ésta haga. Son
    especialistas en lanzar gasolina en cualquier fueguito dentro de la
    izquierda… Son excelentes para hacer balances de derrotas, pero
    nunca saben proponer alternativas y nunca consiguen dirigir proceso
    alguno. Son siempre críticos. Especies de buitres, especialistas en
    carroña. Cuervos, que auguran siempre catástrofes. No da para tener
    respeto por alguien que se dice de izquierda, pero no está en todas
    las paradas de la lucha contra la derecha. Ahí se quedan quietos,
    acechando para atacar a la izquierda, sea porque no es suficientemente
    radical, sea porque no derrotó de forma radical y definitiva a la
    derecha. Ellos mismos, no son capaces de afectar el poder de la
    derecha, ni están centralmente preocupados con eso, les importa sobre
    todo las “traiciones” de la izquierda”.
    En este artículo, en un primer momento, nos proponemos tratar de
    detectar los motivos que pudieron suscitar ese ataque en regla de Emir
    Sader contra la izquierda crítica. Para, en un segundo momento,
    tratar -en reacción a lo expresado por él- de encontrar las causas
    reales que, en su movimiento y según nuestro análisis, habrían
    motivado las críticas de la izquierda crítica hacia la izquierda en
    el poder.
    Emir Sader y su crítica de la izquierda crítica
    Digamos que, frente a la crítica de la izquierda crítica, Emir
    Sader cae en una especie de contradicción. La cual va, desde proponer
    que las divergencias existentes en el seno de la izquierda sean
    tratadas de una forma racional, hasta concretizar, en el mismo
    impulso, un ataque en regla contra la primera.
    En su forma racional, Emir Sader plantea que las contradicciones
    existentes deberían tratarse en “un frente único (para impulsar)
    lo que hay de común, comenzando por la lucha contra la derecha. Y
    criticar aquello en que hay divergencias”. Lo cuestionable de esa
    posición (en apariencia abierta, tolerante) es que Emir Sader antes
    había planteado, como se ha anotado más arriba, que él no ve en la
    izquierda crítica otra cosa que: “Especies de buitres,
    especialistas en carroña. Cuervos, que auguran siempre
    catástrofes”. Y que ante las paradas de la lucha contra la derecha
    “se quedan quietos, acechando para atacar a la izquierda, sea porque
    no es suficientemente radical, sea porque no derrotó de forma radical
    y definitiva a la derecha” (1).
    De lo expuesto deducimos que, para el autor, si ante las
    proposiciones y actuaciones de la izquierda en el poder, la crítica
    de la izquierda crítica fuera leal, bien encuadrada, eso estaría
    bien. Pero si, al contrario de lo esperado, ella opta por
    cuestionarla, esto, a los ojos de Emir Sader, es completamente
    anormal, injustificable. Ya que, de hecho, esa izquierda -consciente o
    inconscientemente- le estaría haciendo el juego a la reacción
    regional. Puesto que, frente a ella, y esto, Emir Sader lo repite una
    y otra vez, esa izquierda guarda un silencio sospechoso.
    Y lo dramático del caso sería que, la izquierda en el poder,
    además de enfrentar a una derecha astuta, egoísta, hipócrita, sin
    alma, tiene al mismo tiempo que lidiar con ese tipo de izquierda:
    siempre al acecho del más mínimo error, del más mínimo fuego, para
    crear incendios. ¿Cómo entonces una tal izquierda -cegada con sus
    purismos, sus rencores, sus gustos por la carroña y siempre
    presagiando malos agüeros- puede ver, celebrar, entre otras tantas
    realizaciones, las nacionalizaciones hechas por Evo; la política
    independiente en el plano internacional de Lula; etc.?
    La izquierda en el poder, gracias al artículo de Emir Sader, nos da
    entonces la imagen como de estar guiada por verdaderos capitanes
    políticos que, como grandes timoneles, guían, con sus reformas, la
    nave latino-americana hacia un nuevo horizonte. Y esto, a pesar de las
    tormentas provocadas por la derecha y la crítica de la izquierda
    crítica. ¿Significa esto entonces que Emir Sader plantea, en
    términos correctos, las causas que motivan las divergencias en el
    seno de la izquierda regional o existe algo más profundo que las
    motivan?
    Las críticas de la izquierda crítica
    Nuestro análisis nos lleva a observar que, lo que Emir Sader celebra
    como los grandes logros de la izquierda en el poder, como las reformas
    citadas de Evo y Lula, son las que la izquierda crítica ve con cierto
    recelo. Y esto, como producto de una vivencia, de un sentimiento que
    se experimenta como insatisfacción, como desconcierto. Aspectos que,
    encontramos, tendrían su origen en el hecho, que la izquierda en el
    poder, con su reformismo, se refleja como algo inconstante,
    inconcluso. Como algo que se mueve entre un si y un no ya que habría
    tomado el gusto por el equilibrismo.
    Equilibrismo dado que, según la izquierda crítica, la izquierda en
    el poder, ante los problemas cruciales de pobreza, exclusión social y
    otros tantos arcaísmos profundos, habría optado por una vía que, en
    los hechos, habría renunciado a transformar las causas estructurales
    que las provocan. Lo que hace, que esa izquierda en el poder se mueva
    cautelosamente, como intentado siempre, equilibrar intereses que por
    naturaleza son opuestos.
    Se trataría, entonces, ahí de un reformismo que da la impresión de
    dar vueltas y más vueltas, es decir, sensaciones de cambio, pero que
    no avanza, en términos reales, de manera positiva. Y con ello, la
    izquierda en el poder no haría otra cosa que promover: un cambio en
    la continuidad; que, en la región, concretamente, significa continuar
    reproduciendo el desarrollo del sub-desarrollo. Los efectos negativos
    de una tal orientación, James Petras, los expone en la forma
    siguiente:
    “Acabada la mejor parte de la década actual, los mercados de
    valores latinoamericanos han vivido una expansión. Los inversores
    extranjeros han recogido y repatriado a sus países de origen miles de
    millones de dividendos, beneficios e intereses. Las corporaciones
    multinacionales se han metido en la minería, el sector agrario y
    otros afines, sin trabas y prácticamente sin que las diferentes
    regiones les hayan exigido realizar “transferencias de
    tecnología” ni impuesto limitaciones medioambientales. Los
    gobiernos latinoamericanos han acumulado unas reservas de divisas
    extranjeras sin precedentes para garantizar que los inversores
    extranjeros gocen de acceso ilimitado a monedas fuertes para remitir
    las ganancias. La década ha sido testigo de una desmovilización sin
    precedentes de movimientos sociales radicales. Los gobiernos han
    brindado protección política y social a inversores nacionales y
    extranjeros, así como garantías a largo plazo del derecho a la
    propiedad privada.
    …La abundancia de datos basados en entrevistas de campo extensas,
    los estudios estadísticos publicados por organismos de desarrollo
    internacional, los informes de consultoras, empresas y bancos de
    inversión y los debates con dirigentes de movimientos sociales
    independientes aportan documentación sobrada para mantener que
    América Latina ha tomado múltiples caminos hacia el capitalismo del
    siglo XXI, y no al socialismo ni a nada que se le parezca”.
    En cuanto al modelo de “desarrollo” vigente, un economista de la
    CEPAL (4) perece corroborar lo expuesto por Petras así:
    “…La buena noticia es que nos estamos conectando de manera cada
    vez más intensa con el motor de la economía mundial del siglo XXI
    (es decir China). La mala es que lo estamos haciendo con un modelo
    exportador similar al del siglo XIX”.
    Constatamos entonces que el modelo de desarrollo vigente en la
    región, no hace otra cosa que perennizar un estado que, hace ya un
    tiempo, en un libro, fue denunciado por Eduardo Galeano bajo el
    título de: Las venas abiertas de América Latina. La diferencia es
    que ahora ese despojo se realiza bajo el manto del progresismo. El
    cual no parece ser otra cosa que un cambio de “polo de
    desarrollo”, es decir: el de pasar de Washington a Pekín, como
    antes se hizo -en el periodo de las independencias- de Sevilla a
    Londres. Fundando con ello, progresivamente, una nueva especie de
    centro-periferia.
    Si la izquierda en el poder ha privilegiado un modelo de desarrollo
    que impacta a la región en la dirección antes señalada, entonces:
    ¿Cómo podríamos definir el tipo de poder que ella ha fundado? Nos
    parece que es Gramsci, quien nos da la pista para precisar una
    respuesta. Y esto, luego que él explica que existe un tipo de poder
    en donde la forma de la dominación cambia, pero no su contenido.
    Creemos que Frei Betto (2) aclara, con su posición crítica frente al
    reformismo brasileño, la forma en que ese tipo de dominación se ha
    concretizado en ese país. Y esto, luego que él se expresa en la
    forma siguiente:
    “No basta, sostiene Frei Betto, con promover la distribución de la
    renta y con facilitar el consumo entre los más pobres. (Sino que) es
    necesario, reivindica el autor, erradicar las causas de la pobreza, lo
    que significa enfrentar (el subrayado es nuestro) las estructuras
    arcaicas que todavía perduran en nuestro país, como la agraria, la
    política, la tributaria y los sistemas de educación y de salud”.
    Evaluamos que la estructura de la citación revela claramente una
    forma de dominación que, digamos, ya no se reproduce en los términos
    brutales de antes, dado que, en Brasil, existe ahora un poder que dice
    si a un cierto tipo de reformismo. Pero que, al mismo tiempo, ante
    “las estructuras arcaicas que todavía perduran”, ese poder se
    muestra cauto, reflejando con ello una especie de pacto, en donde,
    todo parecería indicar que las reformas, el status quo dominante las
    tolera, en la medida en que estas no obstaculicen la tradicional forma
    de acumulación de riqueza. Sería así, como en Brasil, con su
    reformismo, la forma de la dominación habría cambiado, pero no su
    contenido. Bajo esas condiciones, es, entonces, completamente normal,
    que Perry Anderson observe que:
    “Lejos de ser una amenaza para los propietarios, el Gobierno [de
    Luis Inácio Lula da Silva (2003-2010)] los ha favorecido mucho”.
    Según él, “el capitalismo no tuvo jamás tanta prosperidad como
    bajo Lula. Los círculos financieros y los industriales brasileros se
    cuentan dentro de los sostenedores del gobierno de Lula. La bolsa
    brasileña superó a todas las demás plazas del mundo. Las
    subvenciones vertidas en el marco del programa “Bolsa Familia” no
    representan sino el 0,5% del PIB, mientras que los intereses de la
    deuda pública se incrementaron del 6% al 7%, y los impuestos se
    estancaron o disminuyeron”. Como otros países ubicados a la
    izquierda, el subrayado es nuestro, Brasil no ha realizado
    verdaderamente una transformación estructural susceptible de
    erradicar las causas de la pobreza y las desigualdades: el
    mejoramiento de las condiciones de vida sigue siendo frágil, puesto
    que se basa en programas gubernamentales que podrían ser suspendidos
    –incluso suprimidos–, como consecuencia de un cambio de gobierno o
    de un plan de austeridad “impuesto” por una recesión
    económica… Por otra parte, la palabra “privatización”,
    prohibida por la Administración de Lula, reaparece en el discurso de
    su sucesora, Dilma Roussef” (5).
    Fundados en lo que antecede, vemos entonces como Brasil, como otros
    países ubicados a la izquierda, según nos lo relata el autor, no han
    realizado reformas estructurales susceptibles de erradicar, de manera
    permanente, las causas de la pobreza y las desigualdades en la
    región. Lo que indicaría que la izquierda en el poder, frente a las
    estructuras del poder económico dominante, con su reformismo, optó
    por pactar en lugar de enfrentar -en la línea propuesta por Frei
    Betto- las estructuras arcaicas que lo sostienen. Reformismo que se
    nos presenta entonces, como más de forma que de contenido y que, hoy
    como ayer, continúa fomentando que la riqueza siga acumulándose más
    y más en un polo mientras que, en el otro, más y más la pobreza. Y
    sería así, como ese tipo de reformismo el que, por sus impactos
    negativos, como los descritos por los autores antes citados, habría
    suscitado su propia negación; la cual, según nuestro análisis,
    habría tomado forma y contenido en la crítica de la izquierda
    crítica. Volviendo al tema de los cuervos y los buitres Y volviendo
    al tema de los cuervos y los buitres, nos parece que él nos envía a
    algo así, como a un juego de espejos. En donde lo que vemos
    dependería de lo que queremos percibir, en función de lo que
    queremos justificar, para así, bajo diferentes argumentos, legitimar
    o deslegitimar. Se trataría entonces aquí, digámoslo de una vez por
    todas, de una lucha por la hegemonía de los procesos políticos en
    marcha en la región. Disputas de tendencias, en donde, es evidente
    que Emir Sader, con su artículo, busca activamente legitimar a la
    izquierda en el poder, lo cual pasa, inevitablemente, en las luchas de
    tendencias, por deslegitimar al adversario político. En el ámbito de
    lo político, nos parece que esto es la regla y, por lo tanto,
    ineludible.
    Para nosotros, lo cuestionable del artículo de Emir Sader, Cuervos y
    buitres, es que él plantea esa lucha de tendencias, como algo que
    tendría su origen, en las malas intenciones, en las perversidades de
    la izquierda crítica. Con nuestro trabajo, tratamos de salir de ese
    reduccionismo para llevar la discusión a lo que nosotros consideramos
    serían los móviles reales que la impulsa. En el plano económico
    veíamos que la crítica de la izquierda crítica, como en el caso de
    James Petras, iba más allá del velo progresista de la izquierda en
    el poder, para situarnos en una posición concreta, desde la cual, él
    plantea que la América Latina no se dirige al socialismo, ni a nada
    que se le parezca sino que hacia un capitalismo del siglo XXI. Y que
    esto, nos llevaba al dramático caso, de insertarnos, progresivamente,
    al siglo XXI con un modelo económico del siglo XIX, como lo señala,
    el economista de la CEPAL citado. Pasemos entonces del plano
    económico, al plano de lo político, es decir, al nivel de la
    izquierda en el poder y sus prácticas, y, con testimonios sobre
    Brasil y Bolivia, evaluemos si la región cambia o simplemente
    reproduce más de lo mismo. En el caso de Brasil y de su experiencia
    política con la izquierda en el poder, Frei Betto testimonia como
    sigue: “Lamento que los dirigentes del PT (es decir del Partido de
    los Trabajadores de Brasil con tres periodos consecutivos en el poder)
    hoy sean consultores de los dueños del dinero. Viajando por Brasil no
    encuentro a esos dirigentes siendo consultores de los movimientos
    sociales”, dijo Frei Betto al diario O Estado de São Paulo. La
    referencia de Betto fue hacia uno de los dirigentes más poderosos del
    PT, Antonio Palocci, quien renunció a la jefatura de ministros de la
    presidenta Dilma Rousseff sospechado de tráfico de influencias por su
    asesoramiento a empresas privadas, con las cuales su patrimonio se
    multiplicó 20 veces en cuatro años. El escritor y religioso dominico
    siempre estuvo ligado al PT y fue asesor especial entre los años 2003
    y 2004 del entonces presidente Luiz Inácio Lula da Silva”(6).
    En el caso de Bolivia Félix Patzi (7), ministro de Educación en los
    primeros años del Gobierno del MAS, plantea lo siguiente: “Creo que
    el Evo, igual que Felipe Quispe, ya cumplió su misión histórica. La
    misión histórica de Felipe

     

    Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com> Jan 22 11:41PM -0200  

    Ceci: Muito bom o texto. Interpreta lucidamente o que vem ocorrendo. É
    lamentável ser obrigado a criticar a passividade do governo, mas a
    alternativa de deixar a vaca ir pro brejo em silêncio é mil vezes pior.
    Para não ser injusto com os críticos cabe identificar o sentido da crítica.
    A crítica conservadora nunca aponta na direção da mudança em favor de maior
    igualdade e de redução do poder da oligarquia.
    Um abraço.
    Flavio
     
    2012/1/21 <ceci....@terra.com.br>
     

     

    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com> Jan 23 07:41AM -0200  

    O problema de muitos intelectuais de esquerda é que os mesmos embarcaram na
    generosidade chapa branca. Verifiquem nos sites dos blogueiros
    progressistas os patrocínios da Petrobras, CEF e outros... De quanto seriam
    esses patrocínios por blog? Bolsa-intelectual?
     
    Cordialmente,
     
    Rodrigo
     
    2012/1/22 Flavio Tavares de Lyra <lyra....@gmail.com>
     

     

    Paulo Timm <paul...@gmail.com> Jan 23 07:07AM -0300  

    É verdade, Rodrigo.
     
    A noção do velho engajamento intelectual é confundida com com apoio
    incondicional ao Governo. É o mesmo que o dirigismo cultural que acaba
    publicando só livros de quem apoio a este ou aquele regime. Isso mata a
    cultura, mata o senso cr'tico indispensável ao bom exercício da ciência, da
    filosofia e da poesia. Além da publicidade nos blogs há tb o apoio do
    Ministério da Cultura a blogs ditos culturais, como o famoso apoio de R 1
    milhão ao Blog da Bethania. Ora, nem precisa dizer como amamos Bethania. Eu
    me lembro, até hoje, de sua interpretaçao de CARCARÁ em Liberdade,
    Liberdade! nos anos 60 como uma das maiores emoções da minha vida. Ela até
    merece mais do que um milhãi. Mas, por uma questão ética não deveria ter
    pedido o apoio. E o Governo não deveria lhe ter apoiado. Há outras maneiras
    de apoiá-la. Enfim, VIVA A INTELIGENCIA LIVRE E SOBERANA, maior patrimônio
    dos povos.E abaixo as tentativas de estigmatizar o senso cr'tico, dentro
    dos parâmetros da ciência, da filosofia e da poesia como DE DIREITA ou DE
    ESQUERDA, ou ANARQUISTAS , ou DELETÉRIOS.
     
     
     
    2012/1/23 Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com>
     

     

    Paulo Timm <paul...@gmail.com> Jan 23 07:57AM -0300  

    A propósito do papel dos intelectuais, vale reproduzir um texto muito
    simples e despretencioso do Correio Braziliense, há alguns dias publicado:
     
    POLITICA : O DEVER DOS INTELECTUAIS , Ricardo Allan
     
    Um oásis no deserto da televisão brasileira, a TV Cultura transmitiu esta
    semana imperdível entrevista com o escritor israelense Amós Oz no programa
    Roda Viva. Racional e bem-humorado, Oz deu uma aula sobre como um
    intelectual deve se comportar. Num dos vários momentos luminosos da
    conversa, ele contou como costuma ser tratado pelo governo de Israel.
     
    Nas trocas de gabinete, o novo primeiro-ministro sempre o convida para
    discutir o conflito com os palestinos e outros assuntos políticos. Nessas
    ocasiões, Oz faz pesadas críticas. Segundo seu relato, o líder iniciante o
    ouve com atenção, pergunta muito e concorda com quase tudo. Depois, na
    gestão cotidiana, ignora completamente as recomendações. O caso mostra o
    claro papel dos intelectuais na vida pública: contestar o poder de forma
    aberta. No Brasil, onde a tradição é a covardia adesista, o simples acesso
    aos salões oficiais é suficiente para domesticar eventuais opositores.
     
    Desde 2003, quando o PT chegou ao Palácio do Planalto, poucos intelectuais
    se levantaram para apontar os erros da administração federal. Cooptada por
    cargos, subvenções ou meras demonstrações de prestígio, a maioria prefere o
    silêncio. Em artigos, livros e filmes patrocinados com receita de impostos,
    a tônica é a bajulação. Cada um fala o que quiser, mas no que contribui um
    pronunciamento com o único objetivo de enaltecer governantes? No Brasil,
    eles não precisam de defensores. Sua força já é descomunal — o que falta é
    oposição.
     
    Também do Oriente Médio vem um modelo acabado da atitude correta de um
    intelectual. Onde quer que esteja, ele deve cultivar o espírito de um
    outsider, alheio às pressões e limitações dos governos, da sociedade, da
    identidade nacional e até da própria língua. Sem medo de represálias,
    precisa ter a coragem de cutucar as feridas, promovendo a liberdade humana
    e o conhecimento.
     
    *"Penso que um dever especial do intelectual é criticar os poderes
    constituídos e autorizados da nossa sociedade, que são responsáveis pelos
    seus cidadãos, particularmente quando esses poderes são exercidos numa
    guerra manifestamente desproporcional e imoral", afirmou o crítico
    literário palestino Edward Said (1935-2003), em Representações do
    intelectual. Aplausos a Oz e a Said.*
     
     
    *(Ricardo Allan) 05/01/2012 Correio Braziliense*
     
     
     
     
    2012/1/23 Paulo Timm <paul...@gmail.com>
     

     

    Fatima Oliveira <oliveira...@gmail.com> Jan 22 06:10PM -0300  

    ---------- Mensagem encaminhada ----------
    De: Evelane Dias Barbosa Lima <edb...@hotmail.com>
    Data: 21 de janeiro de 2012 17:32
    Assunto: FW: China
    Para:
     
     
     
     
    ------------------------------
    Date: Sat, 21 Jan 2012 14:18:19 -0300
    Subject: China
     
    REPASSANDO...
     
    E Napoleão Bonaparte tinha razão quando disse:
    "Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, o mundo irá estremecer"
     
    *(VIDE ANEXO)
    *
     
     
    ------------------------------

     

    Gusthavo Santana <gusth...@gmail.com> Jan 22 02:01PM -0200  

    Os limites do adesismo<http://blogjefferson.blogspot.com/2012/01/os-limites-do-adesismo.html>
    *Defesa do projeto PSD explica proposta de Kassab ao PT*
     
    Cláudio Gonçalves Couto, publicado no Valor
    Econômico<http://www.valor.com.br/politica/2492834/os-limites-do-adesismo>
     
    Se há algo que notabiliza como político o prefeito de São Paulo, Gilberto
    Kassab, é a sua habilidade como articulador. Antes mesmo de ser guindado
    por José Serra à condição de alcaide da maior metrópole brasileira, Kassab
    já havia se destacado como o principal construtor do PFL paulista,
    organizando o partido pelo interior. Foi essa capacidade como negociador
    político, mais do que eventuais sucessos administrativos, que lhe renderam
    o posto de vice-prefeito na chapa demo-tucana e, depois, a reeleição,
    cindindo o PSDB. Seguiu nessa senda ao deflagrar uma defecção em massa do
    DEM, que teve como subproduto substancial a oportunidade de migração sem
    custos ou riscos para insatisfeitos de todos os matizes, tanto os
    desconfortáveis no barco da oposição como os incomodados em agremiações do
    campo governista. Nada mais fácil, já que o PSD não seria “de direita, de
    esquerda, nem de centro”, apenas oportunista.
     
    A última cartada desta raposa foi a oferta ao PT de uma aliança nas
    eleições municipais paulistanas. O fato de seu partido ser um invertebrado
    ideológico, disposto a negociar com quem quer que seja, em princípio
    facilita as coisas. Mas isto não seria exatamente algo indispensável, já
    que a lógica coalicional do multipartidarismo brasileiro facilita todas as
    aproximações, a despeito de quaisquer origens programáticas que as
    agremiações possam ter tido. Isto fica evidente tanto pelo apoio do PP
    (partido do capitão Bolsonaro e sucessor da Arena da ditadura militar) ao
    governo da ex-guerrilheira Dilma Rousseff, quanto pela presença do PCdoB na
    administração kassabista em São Paulo. Nessa festa partidária brasileira,
    ninguém é de ninguém e todos são de todos; ou quase. Um dos limites mais
    claros para isto está nas alianças eleitorais entre os dois partidos
    polares do sistema nacional, PT e PSDB. Para esses dois, são interditadas
    as alianças nacionais, estaduais ou em municípios de primeira grandeza,
    embora sejam liberadas as coligações pelo interiorzão afora, onde a lógica
    da política nacional não faz sentido e a ideologia é uma língua estranha.
     
    Aliança entre PSD e PT só interessa ao primeiro
     
    Ao acenar publicamente com seu possível apoio ao PT no pleito paulistano,
    Kassab aumenta seu cacife numa negociação com os tucanos, seus parceiros de
    primeira hora. De quebra, facilita sua amizade com o governo federal.
    Contudo, para que tal proposta matreira seja politicamente levada a sério,
    é preciso considerar se tal aliança é proveitosa para o PT, já que o
    casamento não sai sem a anuência das partes. Fazendo-se as contas, faz
    muito pouco sentido, pois o prefeito paulistano não tem muito a oferecer,
    mas pode causar prejuízos. Vejamos.
     
    Em primeiro lugar, o PSD não carreia tempo de TV para seus aliados (não
    mais do que 30 segundos), pois tendo sido criado após as últimas eleições
    congressuais, não obteve votos para deputado federal e, consequentemente,
    não pontua no critério de distribuição do tempo no horário eleitoral
    gratuito. Em segundo lugar, a administração de Kassab é mal avaliada pela
    população, como demonstram todas as pesquisas. Assim, contar com seu apoio
    mais tira do que atrai votos – como também foi demonstrado em recente
    pesquisa do Datafolha. Em terceiro lugar, o PT faz uma forte oposição à
    administração Kassab na Câmara Municipal e em outras instâncias, de modo
    que uma aliança obrigaria o partido a moderar seu discurso e, no limite,
    defender o aliado. Como explicar ao eleitor tal mudança de posição? E, se
    como afirmou Fernando Haddad ao Valor de ontem, candidatos não devem
    esconder seus aliados, seria muito difícil jogar Kassab para baixo do
    tapete.
     
    Em quarto lugar, poder-se-ia alegar que Kassab barganharia a aliança
    eleitoral em troca do eventual apoio dos vereadores de sua base ao futuro
    prefeito petista, se eleito. Ora, mas há quem duvide que os vereadores que
    hoje apoiam o prefeito na Câmara, sejam ou não de seu partido, apoiarão
    qualquer um que for eleito, desde que recebam algo em troca? Portanto, uma
    oferta como essa apenas enganaria a ingênuos, que se dispõem a pagar por
    algo que já têm. Em quinto lugar, Kassab poderia barganhar o apoio do PSD à
    presidenta Dilma em troca da aliança em São Paulo. Mas vale aqui a mesma
    lógica dos vereadores: o PSD e seus deputados se dispõem a apoiar qualquer
    governo que atenda a seus pleitos no Legislativo.
     
    O único ganho a ser auferido pelos petistas no caso de uma aliança com o
    PSD seria o isolamento de José Serra em relação a um de seus maiores
    aliados. Contudo, tal ganho é largamente sopesado pelos prejuízos que traz
    (como nas segunda e terceira razões aduzidas acima). Ademais, Serra já
    passa por um processo de isolamento dentro de seu próprio partido, tanto na
    frente nacional (com Aécio à frente), como na estadual (com Alckmin à
    frente). Para quê, então, gastar cartuchos importantes na aceleração de um
    processo que já está em curso por questões internas à disputa tucana? Faz
    mais sentido buscar uma aliança com o principal parceiro nacional, o PMDB,
    eliminando um adversário que também é ligado à educação, jovem e com forte
    potencial de crescimento (Gabriel Chalita). Ou então, repetir a tradicional
    aliança com o PCdoB, que possui um candidato bem situado nas pesquisas
    (Netinho de Paula) e que reforçaria a candidatura petista na periferia da
    cidade, oferecendo um contraponto à imagem de moço de classe média
    escolarizada de Haddad (apesar de sofrer forte rejeição).
     
    Em suma, embora o assédio de Kassab ao PT seja um ato de esperteza
    política, ela faz muito mais sentido para o prefeito de São Paulo do que
    para o partido de Lula. Entretanto, como ele, apesar de engenheiro e muito
    matreiro, não é o único que sabe fazer contas, é pouco provável que tal
    aliança prospere.
     
    *Cláudio Gonçalves Couto* é cientista político, professor da FGV-SP e
    colunista convidado do “Valor”

     

    ceci....@terra.com.br Jan 22 03:19PM  

    Repasso porque sou absolutamente solidária ao ponto de vista aí
    expresso. Sinto-me também indignada por mais este produto alienigena
    que invade nossos lares e corrompe a juventude. Ceci
    ______________
    Acho que não é dele mas não importa---Importa é fazer circular a
    indignação, que ainda nos resta, contra este horror que entra na
    casa de tds sem pedir licença. Ajudem nesta campanha!
    -------------------------
    O OLHAR DE VERISSIMO SOBRE O BBB
    Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil
    (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas
    conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma
    síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil
    encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à
    nossa modesta inteligência.
    Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve
    seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo,
    principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema
    banalização do sexo.
    _LUIS FERNANDO VERíSSIMO__ _
    _É cronista e escritor brasileiro_
    Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays,
    lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”,
    como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho
    que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na
    TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade
    em busca do IBOPE.
    Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um
    “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas
    parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
    Pergunto-me, por exemplo,como um jornalista, documentarista e
    escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do
    Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse
    nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve
    maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se
    à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não
    pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e
    princípios, da moral, da ética e da dignidade.
    Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um
    outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um
    milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela
    frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses
    nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele
    percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde,
    professores da rede pública (aliás, todos os professores) ,
    carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que,
    diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação,
    competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
    Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de
    comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem
    sobreviver a isso todo dia.
    Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças
    complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais
    saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e
    beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam
    ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa
    eterna heroína Zilda Arns).
    Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo,
    pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação,
    como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela
    própria Rede Globo.
    O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo,
    não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos
    telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro
    estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à
    criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e
    moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol,
    fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o
    “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum
    psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o
    comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
    Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da
    Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de
    pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta
    centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e
    setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil
    reais a cada paredão.
    Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse
    dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação,
    ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520
    casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)
    Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e
    indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de
    telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, quetal ler um livro, um
    poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir
    ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e
    jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... ,
    pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente
    dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e
    destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído
    nossa sociedade.
    _Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de
    e-mails._

     

    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com> Jan 22 10:52AM -0200  

    Quatro das dez maiores empresas do mundo são estatais
     
    20 de janeiro de 2012 | 18h29
     
    Sílvio Guedes Crespo /
    Estadão<http://blogs.estadao.com.br/radar-economico/2012/01/20/quatro-das-dez-maiores-empresas-do-mundo-sao-estatais/>
     
    Atualizado às 19h07
     
    [image: capa_the_economist_20012012_reproducao.jpg]
     
    Quando a respeitada revista “*The
    Economist*<http://www.economist.com/printedition/2012-01-21>”
    não consegue mais do que lamentar o avanço do capitalismo de Estado,
    podemos suspeitar que o livre mercado esteja, de fato, ameaçado.
     
    Com o revolucionário russo Vladimir Ilitch Lenin na capa da sua atual
    edição, o semanário mostra o avanço, mundo afora, das empresas estatais de
    países emergentes – e dos governos que as dirigem. Em seguida, expõe os
    principais problemas desse modelo e afirma que ele tende a ruir no longo
    prazo. Mas o fato é que, com todas as suas distorções, esse modelo está
    ganhando espaço justamente por causa da crise dos países onde reina o livre
    mercado.
     
    *Poder do Estado*
     
    A revista apresenta alguns dados que mostram o poder do capitalismo de
    Estado:
     
    - Das dez empresas de capital aberto do mundo que mais faturam, quatro são
    estatais: as chinesas Sinopec, Corporação Nacional de Petróleo da China e
    State Grid e a japonesa Japan Post (veja abaixo reprodução de gráfico
    publicado na revista);
     
    - As dez maiores empresas de petróleo e gás do mundo, medidas pelo tamanho
    das reservas, são estatais;
     
    - Juntas, as companhias controladas pelo Estado têm um valor de mercado
    correspondente a 80% do mercado de ações chinês, 62% do russo 38% do
    brasileiro, considerando o índice de ações MSCI, calculado pelo banco
    Morgan Stanley;
     
    - Dos investimentos estrangeiros diretos em países emergentes previstos
    para 2012 e 2013, um terço tende a ir para empresas estatais.
     
    [image: maiores_empresas_capital_aberto_economist_reproducao.JPG]<http://www.economist.com/node/21542931>
     
    E o avanço do Estado em territórios tradicionalmente liberais não para. No
    dia em que a “Economist” publica essa reportagem, a rede pública de TV
    britânica informa que o *Fundo Soberano da China comprou 9% da Thames
    Water*<http://www.bbc.co.uk/news/business-16643989>,
    a maior empresa de tratamento e fornecimento de água do Reino Unido.
     
    *Fraquezas do novo modelo*
     
    É mais do que sabido que o capital estatal é menos eficiente que o privado.
    Mesmo assim, a “Economist” reforça esse argumento, explicando que as
    estatais costumam crescer mais devagar do que as empresas privadas e seus
    custos tendem a aumentar mais rapidamente. Acrescenta que o capital público
    promove menos inovações.
     
    Mesmo assim, as companhias gigantes controladas pelo Estado, como a
    Corporação Nacional do Petróleo da China, acabam “roubando” a cena no
    mercado local, atraindo grandes investimentos e profissionais de talento,
    sobrando pouco para o setor privado. “Pode levar muitos anos para as
    fraquezas desse modelo se tornarem óbvias.”
     
    É verdade. Principalmente enquanto não encontrarmos uma solução razoável
    para a crise provocada pela radical liberalização (ou desregulamentação) do
    mercado financeiro – cujas fraquezas, essas sim, já estão mais do que
    evidentes desde pelo menos 2008, com a quebra do banco Lehman Brothers.
     
    A revista espera que, no longo prazo, os problemas do modelo chinês
    apareçam com força e provoquem a normalização da economia de mercado. “Ao
    transformar empresas em órgãos do governo, o capitalismo de Estado
    simultaneamente concentra o poder e gera corrupção. Ele introduz critérios
    comerciais em decisões políticas e decisões políticas em negociações
    comerciais.”
     
    Mas por que esperar que esse modelo entre em colapso num momento em que os
    países que teoricamente defendem o livre mercado crescem pouco,
    engalfinham-se em guerra cambial e ameaçam, ainda que veladamente, aumentar
    o protecionismo comercial?

     

    Rodrigo Medeiros <medro...@gmail.com> Jan 22 09:43AM -0200  

    Gilberto Guerzoni Filho: "Em todas as hipóteses, o servidor vai se
    aposentar recebendo menos"O problema em relação ao fundo é que o governo
    está apresentando a proposta com uma rentabilidade exagerada
     
    21/01/2012 - 17h54 - Atualizado em 21/01/2012 - 17h54
     
    <http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html#><http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html#><http://www.addthis.com/bookmark.php?v=250&winname=addthis&pub=xa-4cce9bb329f606d8&source=tbx-250&lng=pt-BR&s=myspace&url=http%3A%2F%2Fgazetaonline.globo.com%2F_conteudo%2F2012%2F01%2Fnoticias%2Fa_gazeta%2Fdia_a_dia%2F1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html&title=G ilberto%20Guerzoni%20Filho%3A%20%22Em%20todas%20as%20hip%C3%B3teses%2C%20o%20servidor%20vai%20se%20aposentar%20recebendo%20menos%22%20-%20gazeta%20online&ate=AT-xa-4cce9bb329f606d8/-/-/4f1bf621d85e0396/1&frommenu=1&uid=4f1bf6215ee279b5&ct=1&pre=http%3A%2F%2Fgazetaonline.globo.com%2Findex.php%3Fid%3D%2Fa_gazeta%2Fcapa%2Findex.php&tt=0><http://www.addthis.com/bookmark.php?v=250&winname=addthis&pub=xa-4cce9bb329f606d8&source=tbx-250&lng=pt-BR&s=orkut&url=http%3A%2F%2Fgazetaonline.globo.com%2F_conteudo%2F2012%2F01%2Fnoticias%2Fa_gazeta%2Fdia_a_dia%2F1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html&title=Gilbe rto%20Guerzoni%20Filho%3A%20%22Em%20todas%20as%20hip%C3%B3teses%2C%20o%20servidor%20vai%20se%20aposentar%20recebendo%20menos%22%20-%20gazeta%20online&ate=AT-xa-4cce9bb329f606d8/-/-/4f1bf621d85e0396/2&frommenu=1&uid=4f1bf621c3d6fdaf&ct=1&pre=http%3A%2F%2Fgazetaonline.globo.com%2Findex.php%3Fid%3D%2Fa_gazeta%2Fcapa%2Findex.php&tt=0>
     
    1. NOTÍCIA<http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html#>
    2. Enviar por
    e-mail<http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html#>
     
    [image: Imagem Exemplo]<http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html#>
    [image: Imagem
    Exemplo]<http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html#>
    *Mikaella Campos*
    mikaell...@redegazeta.com.br
     
    O projeto de lei complementar que iguala a aposentadoria do servidor à do
    trabalhador da iniciativa privada e tenta compensar o funcionário público
    com um fundo de pensão é imprescindível para evitar um futuro colapso nas
    contas da União. Mas a polêmica criação da previdência complementar para o
    servidor público está há 14 anos em debate.
    O governo tentou, a todo o custo, aprovar a proposta em 2011, mostrando
    que em 2010 o rombo com os aposentados do funcionalismo foi de R$ 48
    bilhões. No ano passado, os gastos podem ter chegado a R$ 56 bilhões. Para
    2012, existe a chance do custo ultrapassar os R$ 60 bilhões.
     
    Apesar do fundo parecer uma boa solução, o consultor legislativo do Senado,
    Gilberto Guerzoni Filho, mostra que a aposentadoria complementar pode
    provocar danos profundos no regime previdenciário. O projeto não deixa
    claro quem vai administrar os recursos. E o governo tentar mostrar a
    proposta com uma vantagem excessiva, além do real.
    foto: Divulgação
    [image: Consultor Legislativo do Senado Gilberto Guerzoni Filho - Editoria:
    Economia AG - Foto: Divulgação]
    *"O problema do fundo é o risco político. Quem será o gestor? Existem
    chances reais de ocorrerem desvios dos recursos"
     
    **Ele acompanha as reformas desde 1998
    *Gilberto Guerzoni Filho acompanha desde 1998 as reformas previdenciárias.
    Ele é bacharel e licenciado em História e especialista em Política
    Brasileira pela UFMG, especialista em Políticas Públicas e Gestão
    Governamental pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), mestre
    em Ciência Política pela UFMG. Foi secretário de Recursos Humanos do
    Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, secretário de
    Administração Geral do Ministério do Trabalho (1992-1993), assessor dos
    Departamentos de Modernização Administrativa e de Serviços Gerais da
    Secretaria da Administração Federal da Presidência da República.*
    *
    *Como as primeiras mudanças na aposentadoria do servidor foram
    importantes para o equilíbrio econômico?*
    A primeira mudança significativa na previdência do servidor público foi a
    Emenda 20, de 1998, que fixou a idade mínima para a aposentadoria. Até essa
    data o funcionário público vivia numa situação confortável. As pessoas
    podiam se aposentar em idades inacreditáveis. As mulheres saiam da
    atividade aos 45 anos e os homens com menos de 50 anos. Naquela época, só
    havia a exigência do tempo de serviço. E a reforma do governo FHC colocou
    como limite 55 anos para mulheres e 60 anos para homens.
    *
    A fixação da idade mínima foi um passo importante?*
    Ela foi imprescindível. O regime que nós tinhamos, no caso do serviço
    público, era de uma generosidade que não existia em lugar nenhum do mundo.
    Na prática, os limites para a aposentadoria eram de 35 anos de contribuição
    para homens e 30 para mulheres. Só que a maioria das pessoas pediam
    aposentadoria proporcional, que oferecia um benefício quase igual ao de
    quem se aposentasse por tempo de serviço. Sem contar que ao requerer o
    benefício, o servidor ainda ganhava bônus e vantagens.
    *
    Mas como um sistema tão bondoso não entrou em colapso? *
    Apesar de ser um sistema de uma generosidade impressionante, o regime
    previdenciário dos servidores não criou problemas antes por causa da
    inflação. Na época tinhamos uma inflação que chegava a 40% ao mês. Se o
    governo ficasse um mês sem dar aumento, o funcionário tinha uma redução
    real de 20% a 30% do provento. Então, bastavam pequenos ajustes para o
    controle dos gastos públicos.
    *
    A economia estável trouxe à tona o problema previdenciário?*
    Com a estabilização que tivemos em 1994, ficou praticamente impossível
    manter o mesmo sistema previdenciário. As despesas com os aposentados
    começaram a aparecer como gastos importantes. E alguns fatos anteriores
    contribuíram para que o governo tomasse atitudes drásticas em relação a
    aposentadoria do servidor. A Constituição de 1988 garantia um benefício
    integral para o funcionalismo e a paridade (aumento idêntico do ativo para
    os inativos). E pior: a Constituição acabou com limite de idade para a
    entrada no serviço público. Com isso, muitas pessoas entravam para a
    carreira pública com 33 anos de contribuição ao INSS pela iniciativa
    privada, ficavam apenas dois anos no governo e se aposentavam com benefício
    integral.
     
    *Mas por que a reforma de 98 não atingiu o regime geral?*
    A reforma no texto original, como saiu do Senado, pretendia fixar o limite
    de idade também para o regime geral. Só que o projeto caiu na Câmara por um
    voto contrar. O processo, inclusive, ficou bastante famoso, pois o deputado
    Antonio Kandir, líder do governo, errou na hora de votar.
     
    *A emenda 20 já previa a possibilidade de igualar a aposentadoria do
    servidor ao INSS e criar o fundo de previdência complementar?*
    A ideia surgiu nessa época. O governo mandou o projeto para o Congresso,
    mas nunca foi aprovado e está parado por lá até hoje. Na época, a não
    aprovação foi motivada pela resistência dos servidores públicos e dos
    partidos de oposição, inclusive o PT.
    *
    Agora, o atual governo vê que tem necessidade de aprovar essa lei?*
    No ano passado, o governo chegou a fazer um acordo com a Câmara para a
    aprovação, mas a proposta não foi votada. Ele aumentou a contribuição para
    8,5% para viabilizar a previdência complementar. Mas a preocupação não
    começou no governo da Dilma Roussef. O governo Lula também fez reformas
    importantes. Em 2003, tivemos a criação da Emenda 41, que é a segunda
    grande reforma na previdência do servidor. Ela avançou muito na proposta de
    FHC. Ela não mexeu com o limite de idade, mas acabou com a regra de
    transição que permitia os homens se aposentarem aos 53 anos e as mulheres
    aos 48 anos. Ele acabou com a o benefício integral e com a paridade. Quem
    entrou a partir de 2004 no serviço público não tem direito mais ao
    benefício integral e não terá direito ao aumento igual ao do servidor da
    ativa quando se aposentar.
     
    *Com a criação do fundo de pensão, o governo visualiza um novo futuro?*
    A ideia é pensar em longo prazo. O fundo de pensão só vai ter efeito daqui
    a 30 e 40 anos. Em princípio, o fundo é uma boa solução, vários países
    adotam o modelo parecido. No entanto, apesar de ser interessante, a
    proposta tem problemas. Primeiro que o governo tenta vender a situação do
    rombo provocado pela aposentadoria do servidor como mais grave do que ela
    realmente é. A despesa previdenciária subiu muito na União nos últimos
    anos, devido aos aumentos salariais dos servidores que foram também
    repassados para os aposentados. De 1995 a 2010, os gastos com o servidor
    público cresceu 97%, enquanto que dos inativos aumentou 73%. Mas o
    percentual de gastos se manteve. Em 2003, a despesa de inativos e
    pensionistas correspondia a 36,6% da folha. Em 2010, ficou em 34,2%. Essa
    despesa total deve chegar a R$ 200 bilhões, mantendo o mesmo percentual.
     
    *A rentabilidade vai compensar o servidor?*
    Um outro problema que vejo em relação ao fundo de pensão é que o governo
    está apresentando a proposta com uma rentabilidade exagerada. Dificilmente
    vamos ter uma economia, nos próximos 30 anos, com taxas de juros reais
    acima de 5%. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Em outros lugares,
    os mais otimistas chegam a correção de 3% e 4%. Em todas as hipóteses,
    teremos uma aposentadoria menor do que o servidor recebe hoje.
     
    *O fundo traz risco político?*
    Esse é uma das principais preocupações, pois que quem vai administrar os
    recursos? A última proposta que está no Congresso cria três fundos, um para
    cada Poder. Isso pode até dificultar uma a blindagem das aplicações. Hoje,
    é possível observar várias denúncias de uso político do dinheiro dos fundos
    da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa. Só esses três fundos
    correspondem a 45% dos ativos de todo esse mercado. Então, é complicado
    imaginar o que vai acontecer com a previdência complementar do servidor. Se
    o governo administrar, a possibilidade de desvio dos recursos é
    significativa. Não estamos falando de corrupção. Basta apenas pensar numa
    aplicação não tão rentável. Além disso, os recursos podem ser usados em
    políticas do governo, em obras de infraestrutura, ou para compra de ativos
    de empresas. Os fundos são complicados de administrar. É igual você
    resolver fazer uma poupança para a faculdade de seu filho. No meio do
    caminho, você fica desempregado e usa o dinheiro para se manter. O governo
    pode usar o fundo num momento de dificuldade para até pagar salários. Na
    construção de Brasília, por exemplo, o governo usou recursos dos fundos de
    pensão para pagar as obras.
    *
    Existem outros problemas?*
    A versão apresentada pelos relatores no Congresso tem um aspecto polêmico.
    Ele cria um fundo de benefícios extraordinários. No artigo 17 da proposta,
    é estabelecido um fundo para pagar situações excepcionais. É normal ter uma
    espécie de seguros para pagar benefícios não programáveis, como
    auxílio-doença, aposentadorias por invalidez. Isso é comum. Mas, agora, o
    projeto como foi apresentado, coloca como responsabilidade do fundo
    extraordinário, as aposentadorias especiais, das mulheres, professores e
    policiais e joga na conta desse fundo uma compensação dessas
    aposentadorias. Isso é complicado por fugir da lógica da capitalização. A
    pessoa que contribuir para esse fundo vai ter que financiar a aposentadoria
    especial desse policial.
    foto: A Gazeta
    [image: simulação de aposentadoria, tabela]

     

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