FORUM PERMANENTE TVC Sb questões indígenas comentadas na Rede

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fabiano...@globalgarbage.org

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Feb 5, 2012, 3:04:06 PM2/5/12
to televisa...@yahoogrupos.com.br
 



-------- Mensagem original --------

Assunto: [anaindi] Sb questões indígenas comentadas na Rede
Data: Sun, 5 Feb 2012 10:27:35 -0800 (PST)
De: Inês Rosa Bueno <inesro...@yahoo.com.br>
Responder a: ana...@yahoogrupos.com.br
Para: undisclosed recipients: ;


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--- Em dom, 5/2/12, Inês Rosa Bueno <inesro...@yahoo.com.br> escreveu:

De: Inês Rosa Bueno <inesro...@yahoo.com.br>
Assunto: Sb questões indígenas comentadas na Rede
Para: "Culturas Populares" <culturasp...@yahoogrupos.com.br>
Cc: "Inês" <inesro...@gmail.com>
Data: Domingo, 5 de Fevereiro de 2012, 16:24

Recebi hoje o resumo de postagens do dia na rede de Culturas Populares, no qual li três encaminhamentos sobre a questão indígena, que me deixam mais angustiada do que com a sensação de que temos uma mobilização em curso. 
A primeira angústia é mais uma vez com o apelo do nosso companheiro Tupinambá da Bahia. Há pelo menos dois anos venho acompanhando os apelos desesperados desse povo, vítima da truculência policial, enquanto luta por reconhecimento de suas terras. Certamente mínimas terras como costumam sê-las as terras indígenas do nordeste, onde os índios são obrigados a procurar trabalho em terras de vizinhos, naturalmente casando-se algumas vezes lá por fora, e trazendo de volta para o seio de sua cultura, esses novos membros e gens. Processo que não nos tornou menos brasileiros... o fato de meu avô ter se casado com filha de alemães ou meu avô materno ser de origem africana não identificável não me torna menos brasileira, mas quando se trata de índios, todas as lógicas são diferentes, menos a lógica para compreender a diferença que faz o índio como meio de fuga a tudo aquilo que o capitalismo em sua expansão veio destruindo Brasil adentro... a começar pelo apoio que deram á formação dos quilombos, único recurso de fuga à escravidão e seu banzo..
Mas, o que me preocupa não é essa falha na lógica pública, que até hoje não conseguiu perceber que eles é que estão devendo demarcações de terras e não os índios que estão devendo provar que são índios e que estão na terra, que aliás, por sinal, é deles. Engraçado, não é? Índio tem tanta terra? Por que? Pensei que só gente rica tivesse esse direito. Pelo menos, pela lógica desse nosso estado lusitano, é assim: todos têm direito à terra... os índios ás terras que sempre ocuparam... aqueles que foram transformados de índios ou posseiros em indigentes... reforma agrária... aqueles que receberam historicamente todas as concessões de terras governamentais, a manutenção de suas propriedades atuais, dentro dos limites legais de utilização das mesmas. Bem, acaba que como prevê o Estado de Direito, com sua corrupção estrutural e outras características intrínsecas, quem já tinha terra, toma mais terra de quem estava esperando, continua descumprindo todas as leis quanto às formas de utilização das mesmas, mas tudo isso se justifica porque temos que continuar crescendo, expandindo nossa economia.  Estamos expandindo tanto que boa parte do nosso solo já foi parar em siderúrgicas japonesas e agora, segue rumo às chinesas. Expandimos demais. E como a gente compreende muito bem a troca entre o mundo material e o mundo espiritual, a gente exporta matéria e importa espírito. Espírito de porco, como diria minha falecida mãe.
Mas, o motivo de eu expressar minha angústia com essa situação continuada dos Tupinambá é o silêncio em que vejo caírem seus distantes e isolados lamentos e sofrimentos. É sempre assim... algumas campanhas emplacam... Raposa Serra do Sol, Guarani Kaiowá, Belo Monte... mas enquanto isso, o cerco vai se fechando, territórios vão sendo tomados e o Congresso Nacional se prepara para dar mais um golpe nas leis jamais cumpridas desse campo também.
Então, vamos ver onde é que poderiam estar sendo ouvidos esses clamores dos Tupinambá. Vejo neste mesmo boletim, informes sobre duas outras questões indígenas. 
Uma delas é do querido Marcos Terena que nos anuncia o lançamento de um livro do André Trigueiro, que ele apresenta como alguém que tem dado visibilidade às questões indígenas. Não sei. Quando escrevi ao André Trigueiro comentando algo de um livro seu que li no passado, ele me respondeu. Quando escrevi novamente pedindo visibilidade para a questão de Maraiwatsede na Globo, ele nem respondeu e anos depois a Globo lançou uma matéria em rede nacional informando grandes mentiras sobre Maraiwatsede. Escrevi cobrando correção dos fatos, com cópia para André Trigueiro, e não recebi qualquer resposta, novamente. (A Globo disse que estava encaminhando a algum departamento que preferiu nem comentar mais.) Então, não sei bem quem é André Trigueiro, nem que interesses ele representa. Falar em produtos de linha ecológica está na moda e o nicho de mercado é grande. Sei que deve ser um grande prestígio para ele ter Marcos Terena entre os autores de seu livro.
Mas, aí, o Marcos Terena nos remete à Karioka, evento que ocorrerá durante o Rio+20 e vejo em seguida um apelo da ABIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - em outro texto postado nesta rede no boletim de hoje, que afirma o seguinte:
ressalvando o respeito aos nossos irmãos e irmãs que ali comparecerão, não reconhecemos que a Karioca II seja o espaço de discussão da agenda global da Rio + 20 e de outras questões que nos afetam enquanto povos, pois trata-se de uma iniciativa claramente de caráter oficial desvinculada da realidade social e política, dos problemas concretos dos nossos povos e comunidades.

Quinto – Reafirmamos perante todos os nossos irmãos e irmãs, os diferentes órgãos governamentais, organizações não governamentais e as mais diversas organizações políticas, sociais e populares do Brasil e do mundo que o espaço de discussões da agenda global e da pauta específica dos povos e comunidades indígenas será o Acampamento Terra Livre (ATL), pelo Bom Viver e Vida Plena, no Rio de Janeiro, no contexto da Cúpula dos Povos e da Conferência das Nações Unidas.

E por outro lado, em outros meios, ouço falas de membros de outro acampamento, o Acampamento Revolucionário Indígena, deslegitimando também esse Acampamento Terra Livre a que a ABIB se refere acima.

Então, nesse contexto, vejo uma certa dificuldade para que o apelo desesperado do nosso companheiro Tupinambá, que denuncia agressões e expulsões de tupinambás na Bahia, seja devidamente ouvido e receba a devida atenção, porque naturalmente, todas essas divergências internas de um movimento já por sua vez bastante monitorado, passam a ser mais relevantes do que a luta em si. E isso, eu digo por experiência própria. É tudo tão tortuoso e confuso que eu até agora não consigo saber como é que os diferentes militantes e representantes fazem para conseguir se orientar em meio à neblina. 
Veja bem... quando eu falo por exemplo em monitoria desses movimentos, eu me refiro a monitoria por meio de instrumentos governamentais e não governamentais com pernas no governo. Então, não sei onde se apóiam esses que querem independência em relação a políticas federais. Se vc fala tanto em partidos quanto em  ONGs, vc fala em financiamentos de empresas. E muitas vezes as mesmas empresas que estão também por trás de governos... Se vc fala em ONGs, vc fala muitas vezes também em financiamento governamental. Se vc fala em ONGs, atualmente, vc fala em governo porque elas estão dentro do governo também, principalmente na questão indígena. 
E quando vejo algumas lideranças pretenderem se opor a isso com um discurso de autonomia, vejo que o fazem sem compreender o que seja autonomia, recorrendo de forma bastante dependente, novamente aos mesmos apoios, cuja atenção eles disputam entre si, assim como os atenciosos disputam entre si campos aos quais dar atenção... enquanto outros campos, tais como os Tupinambá, continuam às moscas. De vez em quando, algum profissional, de forma altruísta e individualizada, resolve se dedicar a alguma causa indígena, prestando um serviço de ponte de compreensão entre um sistema burocrático do qual se pretende arrancar algum direito, nem que não sejam todos os previstos em lei, mas pelo menos um prêmio de consolo após uma vida de lutas e perdas, e a vida cotidiana e iletrada de uma aldeia indígena.
Não existe algo em fluxo para articulação de movimentos indígenas, tenham eles moldes de organização burocrática institucional para lidar com o Estado, ou tenham eles moldes próprios e mais eficazes. Um cidadão indígena não tem muito a quem recorrer, embora tenha hábito de recorrer mais a poderes públicos do que seus irmãos que passaram mais ou menos recentemente da condição indígena para a condição indigente ou favelada. E apesar de índio ser considerado meio que fora, fora até do direito a direitos, ele certamente entende melhor como funciona o Estado de Direito do que muitos que são obrigados a sentar num banco escolar para obter uma bolsa família e desaprender isso.
Mas, aos nossos companheiros Tupinambás, fica a minha solidariedade, que não posso expressar de maneira mais do que pelos símbolos com que um deles nos comunicou seu desespero, porque realmente nos faltam outros meios, além de ficar nesse constante denunciar. Mas, se nossa presidente diz que não pode controlar falhas em outras instituições de outras instâncias de governo, sejam elas municipais ou estaduais, sejam elas judiciais etc.  No que eu também concordo com ela... aliás, o que nós temos de melhor na política indigenista, apesar dos pesares, é o governo federal, que estamos bombardeando de críticas, enquanto poupamos ou nos omitimos sobre os poderes que realmente estão atirando para matar. E quando falo de política indigenista me refiro a política governamental... entranhada de políticas não governamentais nacionais e internacionais... Mas, claro, sempre a gente pode continuar atacando o governo federal, omitindo os ruralistas, os poderes locais, como esses que agridem os Tupinambá da Bahia ou matam cacique de uma aldeia acampada na beira de uma estrada no Mato Grosso do Sul... e nossa impunidade realmente tem dimensões continentais...  e tantos outros, e quando finalmente o governo federal estiver inteiramente desmoralizado nessa questão, os ruralistas aprovam todas as alterações que quiserem no Congresso. 
Mas, se Dilma aponta como caminho institucional, a denúncia desses desmandos ao sistema judiciário... o que é que se pode fazer institucionalmente? Isso. Denunciar. Institucionalmente. Para que depois de dezenove anos se resolva arquivar a denúncia, como aconteceu com a denúncia do assassinato a queima roupa de líder sem terra amarrado no chão, no Paraná, por presidente de entidade dos ruralistas que está por aí até hoje, sendo ouvido em seus direitos democráticos.
Eu conheço esse caminho. Esse, dito institucional. Esse de denúncias, com todas as provas. É um caminho de papéis e interlocuções com autoridades que costuma levar vinte anos até chegar no arquivo. É bom para fazer algumas carreiras políticas decolarem.  E ai, tem a vantagem de que os quilombolas, os índios e todos os setores desfavorecidos historicamente vão se sentir representados. Um membro da própria comunidade vai poder explicar a todos direitinho porque aquele direitinho que eles queriam ver atendido teve que ser adiado por mais dois séculos.  É bom. Capilarização da democracia participativa. Enquanto a sexta economia do mundo não cresceu o suficiente para dividir suas terras, conforme previsto no seu estatuto máximo em vias de transformação modernizante, a gente senta para participar nas reuniões em que nos explicam quantos por cento de juros vão ter que ser baixados para que os investimentos sejam estimulados para que se gere mais renda taxável para que mais dez mil famílias de sem terras acampados em beira de estradas ao lado de Tupinambás e Kaiowás recebam bolsa família. Enquanto isso, com o novo programa de Bolsa Família, as criancinhas deles podem ir para a escola comer merenda, porque ali na poeira da estrada não dá comida e a terra continua sendo do gado e do trator importado do dono da terra, aquele que expulsou com título falso todo mundo que estava naquela terra. Lá, nessa escola, à qual eles têm direito, desde que a professora tenha sido contratada no começo do ano, eles vão aprender o que é um Estado de Direito e o que é um operário padrão. E se mesmo com bolsa segura na escola, eles decidirem que não entenderam nada daquilo tudo que estão papagaiando ali na frente dele quando ele aprende muito mais com o Zorra Total. vão saber porque eles são burros demais e indisciplinados demais para conseguirem evoluir para o estágio de um operário padrão e obter direitos de um Estado de Direito à terra dos outros comprados no cartório público de registro de terras mais próximo. Mas, quem sabe colocando esse aluno na escola o dia todo, desde a mais tenra infãncia, ele muda de caráter.... Eu também acho que a educação é a prioridade.  Isso, aliás, é unânime. O problema do Brasil é mesmo o seu povo ignorante. Consenso. Bom mesmo é a Rede Globo.
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Atividade nos últimos dias:
Este é o FORUM PERMANENTE para discutirmos os avanços na TV Pública, principalmente as Comunitárias, Universitárias, Legislativas e Educativas.

As TVs do Campo Público , atuam em conjunto no sentido de integrar o objetivo maior da DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO, cuja a meta a ser alcançada é a de agregar o SINAL ABERTO e manter o sinal no cabo. Queremos estar no SINAL ABERTO sem no entanto perder a legitimidade do cabo.

Vamos fazer uma grande mídia pública, tudo depende de nossa união e força.
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