É guerra atômica no BB : saiba quem é quem

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Mauricio David

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Feb 15, 2012, 4:46:03 PM2/15/12
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Não é preciso ser pitonisa, para adivinhar que daqui pouco a guerra chega ao fortim da Avenida Chile...

 
Date: Wed, 15 Feb 2012 16:21:42 -0200
 Subject: Fwd: É guerra atômica no BB: saiba quem é quem
  É guerra atômica no BB: saiba quem é quem
 ttp://brasil247.com/pt/247/economia/41793/É-guerra-atômica-no-BB-saiba-quem-é-quem.htm
 
Foto: Divulgação
 A DISPUTA PELO COMANDO DO MAIOR BANCO BRASILEIRO JÁ TRANSBORDOU AS
 FRONTEIRAS DA INSTITUIÇÃO; É UM JOGO PESADO, QUE ENVOLVE BILHÕES E
 DISPAROS CONTRA GUIDO MANTEGA, RICARDO FLORES, SÉRGIO ROSA E ALDEMIR
 BENDINE, ENTRE OUTROS GENERAIS; A PRESIDENTE DILMA PODE SE VER FORÇADA
 A INTERVIR
 14 de Fevereiro de 2012 às 05:25
 
Leonardo Attuch _247 – O Banco do Brasil está em guerra. E os
 disparos, cada vez mais frequentes, podem causar estragos
 significativos ao governo da presidente Dilma Rousseff. Até algumas
 semanas atrás, tratava-se de uma guerra surda entre alas rivais. Hoje,
 a disputa começa a transbordar para a imprensa e a ganhar também
 contornos policiais. Na sexta-feira passada, a coluna Painel, da Folha
 de S. Paulo, informou que o presidente da Câmara dos Deputados, Marco
 Maia, decidiu retaliar o governo Dilma em razão de mudanças internas
 promovidas pela instituição – peças indicadas por Maia foram afastadas
 pelo presidente Aldemir Bendine, conhecido como Dida, numa troca
 recente de 13 diretores (leia mais aqui). Também no Painel da Folha,
 informou-se que a demissão do vice-presidente Allan Toledo, noticiada
 em primeira mão pelo 247 (leia mais aqui), teria sido motivada também
 por movimentações atípicas detectadas pelo Coaf, órgão do ministério
 da Fazenda que investiga lavagem de dinheiro. Ainda no Painel,
 fechava-se com a informação de que toda essa confusão teria como
 objetivo derrubar o presidente Bendine do comando do banco. E o
 principal interessado seria ninguém menos que Ricardo Flores,
 presidente da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do BB e também
 maior acionista do banco. Em resumo, uma guerra atômica.
 
A disputa no Banco do Brasil, no entanto, é bem mais complexa e
 remonta à transição do governo Lula para o governo Dilma. Naquele
 momento, o executivo Sérgio Rosa, ligado ao sindicato dos bancários de
 São Paulo, na turma de Ricardo Berzoini, Luiz Gushiken e João Vaccari,
 estava concluindo seu segundo mandato à frente da Previ. Sonhava
 assumir a presidência do Banco do Brasil, no lugar de Bendine. E foi
 justamente no final de 2010 que começaram a circular dossiês apócrifos
 contra a atual administração do Banco do Brasil. Contra Aldemir
 Bendine, dizia-se que ele havia adquirido um imóvel no interior de São
 Paulo pagando em espécie. E contra Paulo Caffarelli, um dos
 vice-presidentes mais fortes da instituição, que ele encaminhava
 pedidos de Marina Mantega, filha do ministro da Fazenda, dentro da
 instituição.
 
Esses dossiês fizeram com que Mantega se fechasse ainda mais com o
 grupo de Bendine e Caffarelli. Sérgio Rosa não conseguiu ser
 presidente do Banco do Brasil nem fazer seu sucessor na Previ. Ganhou
 como prêmio de consolação a presidência da Brasilprev, a empresa de
 planos de previdência do Banco do Brasil. E foi neste momento que uma
 nova frente de batalha teve início no mundo bilionário do BB e dos
 fundos de pensão. Com Sergio Rosa enfraquecido e Roger Agnelli,
 ex-presidente da Vale, vivendo seu inferno astral, Aldemir Bendine, o
 Dida, passou a sonhar com a presidência da Vale. Seria necessário,
 neste caso, fazer com que Paulo Caffarelli assumisse o comando da
 Previ, que, além de maior acionista do BB, é também sócia majoritária
 da mineradora.
 
O grande arquiteto desse projeto é aquele que, hoje, talvez seja a
 figura mais poderosa do Banco do Brasil. É o discretíssimo
 vice-presidente Ricardo Oliveira, que é apaixonado por jogos de
 estratégia, em especial pelas grandes batalhas da Segunda Guerra
 Mundial pelo lado alemão. Foi Oliveira quem soprou aos ouvidos de
 Gilberto Carvalho, em 2008, que Dida deveria ser presidente do Banco
 do Brasil. E, desde então, ele vem sistematicamente ampliando seu raio
 de influência na instituição. Ainda que seja subordinado ao
 presidente, Oliveira exerce influência direta sobre Dida e também
 sobre Caffarelli. O jogo era claro. Caffarelli iria para a Previ,
 Bendine para a Vale e Oliveira indicaria um de seus homens no BB para
 o comando da instituição. Em relação ao PT, as pontes de Oliveira são
 Gilberto Carvalho e Delúbio Soares.
 
Ocorre que esta solução seria uma humilhação completa para o grupo
 sindical incrustado no Banco do Brasil. Além de perder com Sérgio
 Rosa, perderiam também na Previ e na Vale. Seria o equivalente a uma
 declaração de guerra do governo Dilma a um dos grupos mais fortes do
 PT. E foi assim que Guido Mantega e o ex-presidente Lula, que
 discutiam a sucessão na Previ, passaram a buscar um nome de consenso,
 um “tertius”. A escolha, neste caso, acabou recaindo sobre Ricardo
 Flores, de perfil técnico, que era vice-presidente de crédito do Banco
 do Brasil e que se tornou conhecido de Lula e Mantega na crise
 financeira de 2008, quando o BB reduziu spreads e expandiu o crédito.
 “Quero o pernambucano”, disse Lula, batendo o martelo em relação a
 Ricardo Flores.
 
Mudanças sucessivas
 
Na mudança, nem os sindicalistas venceram, nem o grupo orgânico do BB,
 liderado pelo estrategista Ricardo Oliveira. Ainda assim, este segundo
 grupo passou a esperar que Ricardo Flores, na Previ, indicasse Bendine
 para o comando da Vale – o que não aconteceu. E todas as intrigas
 internas no Banco do Brasil, antes atribuídas a Ricardo Berzoini e sua
 turma, passaram a ser debitadas na conta de Ricardo Flores.
 
Depois disso, o grupo dominante no Banco do Brasil passou a adotar
 decisões de alto risco, para fortalecer seu domínio sobre a
 instituição. A primeira foi a tentativa de transferir a área de
 marketing de Brasília para São Paulo, centralizando na capital
 paulista gastos gigantescos. Tal medida foi abortada por interferência
 direta da presidente Dilma Rousseff, que ficou incomodada com o
 esvaziamento político e econômico da capital federal.
 
Em seguida, veio a demissão de Allan Toledo, que não era alinhado ao
 grupo de Ricardo Oliveira, Paulo Caffarelli e Aldemir Bendine. E mais
 recentemente, a aposentadoria forçada de quatro diretores também não
 alinhados e uma dança de cadeiras em 13 postos relevantes do banco.
 
O quadro atual
 
Hoje, o clima no BB é de guerra atômica. Uma nova nota na coluna
 Painel de hoje informa que os boatos por trás da possível queda do
 ministro Guido Mantega, noticiada em primeira mão pelo jornalista
 Vicente Nunes, do Correio Braziliense, e repercutida aqui no 247 (leia
 mais aqui), teriam como pano de fundo a disputa por cargos no Banco do
 Brasil.
 
Não se sabe, de fato, se o presidente da Previ tem interesse na queda
 de Aldemir Bendine. O que é fato é que ele, efetivamente, não
 trabalhou para que Dida assumisse o comando da Vale. Mas Ricardo
 Oliveira, o estrategista maior dessa guerra, se pudesse, enviaria o
 xará Ricardo Flores para um desterro na ilha de Santa Helena. Só não
 faz isso porque o presidente da Previ desfruta de um mandato e
 conquistou o apoio dos sindicalistas, ligados a Ricardo Berzoini e
 João Vaccari.
 
Além dos disparos, sobram as intrigas. E não parece ser coincidência o
 fato de que o ministro Mantega, incomodado com o fogo amigo que o
 atinge, tenha chamado os fundos de pensão, especialmente a Previ, para
 explicar por que pagaram tão caro nos leilões dos aeroportos (leia
 mais aqui).
 
É uma guerra pesada e que só causa danos ao governo federal. Eis
 algumas inconveniências que já vazaram desde o início da briga:
 
- o atual presidente do BB comprou um apartamento pagando à vista
 
- a filha do ministro da Fazenda pedia favores na instituição
 
- um vice-presidente foi demitido por movimentações atípicas no Coaf
 
- demissões recentes foram fruto de uma pesada guerra interna
 
- os fundos de pensão podem ter inflado os ágios na compra dos aeroportos
 
Antes de toda essa confusão, a agenda do BB era positiva. Era o banco
 que, na crise de 2008, teve papel decisivo na política anticíclica e
 contribuiu para reduzir spreads e expandir o crédito.
 
A agenda atual certamente não interessa à presidente Dilma Rousseff,
 que pode se ver forçada a intervir, assim como fez na disputa recente
 da Caixa Econômica Federal, que quase gerou um "banho de sangue" entre
 diretores indicados pelo PT e pelo PMDB.
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