Resposta ao “Civilização, primitivismo e anarquismo” de Andrew Flood

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Janos Biro

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Jan 4, 2019, 11:24:41 AM1/4/19
to Civilização
O artigo “Civilização, primitivismo e anarquismo”, escrito por Andrew Flood[1] em 2004 e traduzido recentemente por Rafael V. da Silva[2], é provavelmente a crítica ao primitivismo mais discutida na internet. Apesar de ter sido respondida diversas vezes[3], ela ainda atrai pessoas em busca de uma refutação fácil ao primitivismo. O seguinte artigo tem o objetivo de rever essa discussão e expressar uma posição eco-anarquista anticivilização em relação à crítica de Flood.

Jefferson Cavalcanti

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Jan 5, 2019, 11:11:33 AM1/5/19
to civil...@googlegroups.com
Peguei o texto do Flood pra ler. Depois chego na tua crítica.

Abraço

Atenciosamente: Jefferson Cavalcanti Lima


chanchalam hi manaha krishna pramaathi balavaddrudham  -  tasyaaham nigraham manye vaayoriva sudushkaram



Mailtrack Remetente notificado por
Mailtrack 05/01/19 14:10:53

Em sex, 4 de jan de 2019 às 14:24, Janos Biro <janosbi...@gmail.com> escreveu:
O artigo “Civilização, primitivismo e anarquismo”, escrito por Andrew Flood[1] em 2004 e traduzido recentemente por Rafael V. da Silva[2], é provavelmente a crítica ao primitivismo mais discutida na internet. Apesar de ter sido respondida diversas vezes[3], ela ainda atrai pessoas em busca de uma refutação fácil ao primitivismo. O seguinte artigo tem o objetivo de rever essa discussão e expressar uma posição eco-anarquista anticivilização em relação à crítica de Flood.

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Diego Dyan

unread,
Jan 8, 2019, 11:52:22 AM1/8/19
to civil...@googlegroups.com
Janos,

Como sempre: excelente o seu texto. Não só como crítica ao artigo, mas como resumo de vários elementos de identificação da crítica anticivilização. Realmente o texto de Flood tem argumentos rasos e, como você pontuou, trata o primitivismo como uma alucinação que não oferece alternativa. 
Adiciono à sua crítica a apropriação que Flood fez do argumento de John Zerzan sobre evolução da linguagem e pensamento abstrato como a conclusão lógica do que é civilização. Na minha opinião ele cita e concorda com Zerzan somente para enganar o leitor, passando-se por conhecedor do objeto que critica. Desse ponto em diante admito que não fiquei muito aberto para os próximos argumentos.

Quero chamar a atenção para um parágrafo que achei especialmente bem construído:

Mas Flood vai mais além. Ele não apenas subestima a inteligência das primitivistas, como as acusa de desonestidade. É como se as primitivistas estivessem fugindo da questão lógica da população (como alimentar 6 bilhões), como se qualquer crítica à civilização implicasse simplesmente em fazer desaparecer num passe de mágica o sistema que atualmente alimenta 6 bilhões de pessoas. Seria como dizer que criticar o capitalismo é largar seu emprego, ou que criticar a domesticação é soltar seu cachorro e não alimentá-lo mais.


Outro parágrafo que gostaria de estender a discussão:

A questão para Flood parece ser: “Se não assim, então como?”. Se não destruindo a agricultura aqui e agora, sem alterar nossa relação com este meio de produção, então como? A resposta se torna evidente na medida em que se conhece a literatura da anarquia anticivilização. Neste ponto eu poderia simplesmente apontar uma série de textos que tratam justamente disso. Mas parece arrogante demais fazê-lo. Um crítico que se preza deveria no mínimo conhecer o que está criticando. Então vou simplesmente assumir que o público alvo desse artigo já está familiarizado com essa produção.


Apesar de ter sido exposto a muito material (compartilhado por você, inclusive), admito que a resposta não está tão evidente, pelo menos não de maneira enciclopédica, como fui levado a compreender pelo texto.

Se puder, aponte os textos que tratam disso, não é arrogante...rsrs


Abraço.




Janos Biro

unread,
Jan 10, 2019, 2:26:18 PM1/10/19
to civil...@googlegroups.com
Oi Diego, obrigado por ler.

Na real eu até mudei essa parte do texto porque tava arrogante mesmo, hehe. A verdade é que não há boas referências bibliográficas para nada na anticiv ainda, quanto mais para propostas sobre como se livrar da agricultura industrial. Agricultura familiar daria certo? Poderia ser uma transição? Agrofloresta, permacultura? Sinceramente, não sei. Minhas referências são "Sociedade contra o Estado" do Clastres, "Primeira sociedade da afluência" do Sahlins e coisas do tipo. Sei que não são referências tão boas assim, nenhum deles é anarquista ou primitivista. Clastres inclusive era marxista, mais ou menos. Tem também Jarred Diamond e Richard Heinberg, mas também, referências ainda menos acadêmicas, e que não são do movimento. Quem dera fosse algo tão estabelecido assim. Mas por outro lado, talvez o mundo intelectual ocidental seria outro se esse assunto estivesse estabelecido nele. Tem o Mark Nathan Cohen que talvez valha a pena conhecer. Richard Heinberg, o famoso teórico do pico do petróleo, escreveu em detalhes sobre uma transição para uma sociedade em que a produção de comida não dependa de combustíveis fósseis: https://www.resilience.org/stories/2006-11-17/fifty-million-farmers/http://transitionus.org/sites/default/files/PCI-food-and-farming-transition.pdf
Esse tipo de sociedade porém é compatível com o anarquismo? Essa é uma questão totalmente diferente, e bastante importante. Muitas pessoas que se decepcionam com o velho marxismo acabam indo para um anarquismo tipo Bookchin, mas reproduzindo os mesmos preconceitos que os marxistas tinham com a anarquia, só que o alvo agora são justamente os primitivistas e anticiv. Essa é uma longa discussão que está só começando. Eu cito um trecho de Barclay, um atropólogo anarquista do Canadá:

"Anarquia é a ordem do dia entre os caçadores-coletores. De fato, os críticos vão perguntar por que um pequeno grupo face-a-face precisa de um governo de qualquer forma. [...] Se isso for possível, podemos ir além e dizer que a sociedade igualitária de caça e coleta é o tipo mais antigo de sociedade humana e prevaleceu durante o maior período de tempo - durante milhares de décadas - e a anarquia deve ser o mais antigo e um dos mais duradouros tipos de governo." - Harold Barclay
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