Fonte: http://www.blackandgreenpress.org/p/what-is-green-anarchy.html
Por favor, note que estas opiniões não representam qualquer “movimento” ou “organização”. São pensamentos coletados endossados por vários anarquistas verdes.
Isto não é para ser a palavra final sobre o assunto. Entre em contato se você tem algo a contribuir.
“… a luta contra a Sua-história, contra o Leviatã, é sinônimo de vida, é parte da autodefesa da biosfera contra o monstro que está deixando-a em pedaços. E a luta não está de modo algum terminada, ela continua enquanto a besta for animada por seres vivos.” – Fredy Perlman
Recusa da ideologia
Preste bem atenção: Não há ideologia “anarquista verde” ou “anarco-primitivista”. Anarquistas são definidas essencialmente pelo desejo e pelas ações em direção a um modo de vida que é definido pelo que não está presente. Anarquia significa essencialmente “antiautoritária”, e como é fácil de ver, isso significa coisas diferentes. Não há uma visão ‘anarquista’ única.
Os “ismos” utilizados aqui são somente para razões convencionais, para se identificar com uma crítica maior. Anarquistas são aquelas que procuram um mundo livre de dominação e de hierarquias: o que significa a abolição de todos os poderes do Estado. O prefixo ‘verde’ aponta para a extensão dessas estruturas autoritárias, ou seja, aponta mais para a tecnologia, o industrialismo e a própria civilização (embora estas três categorias não se apliquem a todas as anarquistas verdes, veja a seguir mais informações sobre as várias vertentes).
Uma ideologia é um sistema de crença rígida que tem uma crítica, plano de ação e visão, encarnada por organizações, plataformas e assim por diante. Uma parte da crítica anarquista verde tem sido a compreensão do papel deste tipo de instituição de “pensamento em grupo”. A esquerda se segura forte na ideologia como um meio para a revolução, enquanto nós sentimos que o pacote completo não serve para despertar as pessoas para o seu próprio potencial, só lhes dá algo de novo para regurgitar. Nós sentimos que a ideologia é uma ferramenta da civilização, uma parte da totalidade do pensamento civilizado que mantém as pessoas num estado vegetativo constante. Nossos interesses estão em realizar um mundo de seres autônomos, não autômatos.
Isso deu razão para esquerdistas criticarem anarquistas verdes por não serem “organizados” e terem apenas visões soltas. No entanto, sentimos que este é um passo importante se quisermos voltar a ser seres inteiros.
Anarquia não é democracia
Apesar dos esforços em favor de aspirantes a populistas para provar o contrário, a anarquia é, por definição, diferente da democracia (mesmo que seja democracia direta ou social). Ter que tocar nesse ponto parece um pouco mesquinho, mas é difícil olhar para a enorme quantidade de literatura anarquista sem ver a maior parte dela como nada mais do que “democracia radical” vestida de retórica anarquista.
Anarquia significa ausência de governo. Democracia é uma forma de governo. O sufixo ‘cracia’ significa poder, e democracia significa poder do povo. Para descer mais um degrau aqui, um governo é uma organização que media todas as atividades sociais, econômicas e políticas de um determinado povo. Então anarquia, por definição, não é democracia.
Anarquistas partem da rejeição completa de todas as instituições ou estruturas autoritárias por princípio. Todos os governos impõem-se sobre a Terra e a Vida. Enquanto eles existirem, a autonomia não pode existir. Tendo isso em mente, sigamos.
Anarquias verdes?
Não existe apenas uma vertente da “anarquia verde” e há certamente muitas divisões entre nós, como há em todas as perspectivas políticas. O princípio unificador entre os anarquistas verdes é uma compreensão ecologicamente orientada das relações de poder. As diferenças surgem principalmente a partir da extensão com que consideramos que a domesticação pode, ou deve, ser derrubada.
Não conseguimos nem desejamos listar todas as diferentes vertentes do anarquismo verde. Queremos enfatizar que essas categorias são usadas para simplificar. Nós não temos nenhum interesse em restrições ideológicas e não tenho fé absoluta em tais resumos. As distinções apontam para críticas específicas e são utilizadas somente por razões convencionais.
Anarco-primitivismo: Essa crítica olha para os milhões de anos de coexistência humana selvagem dentro da comunidade da vida como um olhar para a “natureza” e a capacidade humana. O que é compreendido a partir disso é que, contrariamente aos mitos dos civilizados, seres humanos, dada a chance, não são maus, embora o poder corrompa absolutamente.
A crítica olha para a domesticação como o início de um processo que nos trouxe até onde nós nos encontramos agora. Nosso entendimento é que não apenas as relações capitalistas são opressivas, mas que a agricultura sedentária deu lugar à propriedade e, assim, ao poder. Este ponto mostra o início do processo de remover a nós mesmos do “outro” e partir para uma relação “coisificada” com o mundo, onde todas as coisas são vistas como objetos para nosso uso ou manipulação.
Alguns dos principais pontos de discordância quanto a essa crítica estão em suas implicações. John Zerzan alega que para derrubar a civilização seria preciso a abolição do pensamento simbólico, enquanto outros diriam que a cultura simbólica é uma realização superior, mesmo concordando sobre a necessidade de rejeitar o sedentarismo agrícola.
Anti-civilização: Essa crítica é semelhante ao anarco-primitivismo, mas tende a afirmar que o anarco-primitivismo idealiza certos povos ou tempos. A convenção desta vertente é remover essa bagagem que anarco-primitivistas tendem a carregar.
Anarquismo verde: Esse termo é usado como um termo geral para aqueles que não utilizam qualquer das categorias acima e isso não significa que há consistência entre eles, logo este título amplo não se destina a agrupar essas pessoas inteiramente.
As distinções dentro desta categoria encontram-se principalmente nas questões sobre quão longe para trás devemos olhar para compreender a capacidade de destruição da civilização. Alguns diriam que a domesticação e agricultura podem ser ecologicamente “sustentáveis” e preferíveis. Outros afirmariam que a tecnologia em si não é um problema inerente.
O princípio unificador encontra-se na base ecológica e na compreensão do Estado Megatecnológico como destrutivo.
As vertentes filosóficas acima mencionadas tendem a ser acompanhadas por outro fator (embora não necessariamente tão divisivo ou particular):
Revolucionários: Aqueles que procuram um movimento de massas e a revolução como meio para um mundo anarquista.
Insurrecionais: Aqueles que buscam a revolta aqui e agora como um meio para abolir o sistema de uma forma mais individual.
Raramente há uma verdadeira separação aqui, mas a distinção tende a ter um impacto maior sobre as abordagens para destruir a totalidade da existência civilizada.
A grande disputa é que os dois não são inseparáveis e que qualquer ato de revolta é um golpe contra a ordem civilizada. Alguns poderiam apontar que a insurreição é o terreno fértil da revolução. Para um exemplo de debate entre as duas posições, ver Ted Kaczynski, “Atinja onde dói” (http://pt.protopia.at/wiki/Atinja_Onde_D%C3%B3i), e Primal Rage, ”Atinja onde dói, mas no momento certo” (http://pt.protopia.at/wiki/Atinja_Onde_D%C3%B3i…_Mas_no_Momento_Certo).
Uma nota sobre a ecologia social
A ecologia social, geralmente relacionada com Murray Bookchin e seu Instituto de Ecologia Social tem sido vista como parte da anarquia verde. Vários grupos de anarquistas verdes têm publicamente denunciado que esta vertente não tem relação alguma com a anarquia.
A ecologia social, ou municipalidades libertárias, são inerentemente autoritárias, utopias democráticas que procuram apenas criar uma civilização verde. Nós não temos nenhum interesse em nos relacionar com aqueles que procuram ativamente reformar e continuar com uma realidade tão destrutiva.
Ver post: https://contraciv.noblogs.org/o-que-e-anarquia-verde/
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Sua frase foi correta, saudosismo e idealização não ajudam. Mas não é saudosismo querer sair do campo de concentração, nem idealização afirmar que os seres humanos existiram por 2 milhões de anos. E é só isso que é preciso saber sobre eles: que eles existiram, que a vida humana sem civilização é possível. Não é possível se apegar a um passado que não conhecemos. O que os saudosistas fazem é tentar trazer um pouco de um passado reconfortante para a atual situação de miséria. Colocar uma plantinha na sua cela para se sentir um pouco melhor. E nada idealiza mais a humanidade, a natureza e a relação entre elas do que a civilização. Realmente não há futuro em nenhuma dessas idealizações civilizadas, seja do passado ou do futuro ou do presente.O planeta continua exatamente o mesmo. O que mudou foi nossa percepção sobre ele. E talvez seja interessante pensar se essa consciência ecológica é realmente uma capacidade humana. Por que deveríamos nos adaptar às condições que a civilização nos impõe? Porque nossa ecologia deveria ser a ecologia de um ser civilizado, que domina todo o globo? Isso meio que ignora que a "relativamente recente e vertiginosa aceleração do processo civilizatório" não se deu como um simples acontecimento, mas foi em si mesma a escolha pelo domínio que só pode levar ao colapso. O próprio fato de que agora o planeta deve ser visto como uma fonte limitada de recursos deveria ser indicativo da loucura inerente ao processo civilizatório, ele transforma a natureza nisso, e impõe essa percepção se quisermos viver. Ela impõe, em último grau, que deixemos de ser humanos. Quem é espete homo superior que toma suas decisões considerando o impacto global de suas ações, tendo ele acesso a uma tecnologia que coloca sobre seus ombros a responsabilidade total sobre todo o planeta? É isso que você acha que os seres humanos deveriam ser? Eu diria que dificilmente se poderia idealizar a relação entre a humanidade e natureza de modo tão distante da realidade.
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