Olá Junia,
Vou tentar expor as minhas idéias sobre essa questão de "verdade" e compreendo que haverá palavras e frases que precisarão de explicações mais densas, porém não quero escrever um livro aqui, até mesmo porque o diálogo deve ser mais continuo e conciso para que o grupo possa ler e participar.
Verdade é diferente de ponto de vista. Existem vários pontos de vista sobre uma mesma realidade, mas verdade é aquilo que existe independente de ponto de vista.
Interpretações são pontos de vista sobre uma realidade, ou seja, quando eu pergunto vc gosta da fruta maçã, vc poderia me falar do sabor da pera, porém maçã não é pera, nem alface. Maça tem propriedades físicas e culturais que a fazem ser maçã.
Para haver comunicação é necessário palavras que tenham o mesmo significado para o "joãozinho" e a "mariazinha". Se as palavras tiverem um significado para cada pessoa então não poderá haver conhecimento, discernimento e muito menos interpretação.
Sem verdade não há realidade, apenas fantasias, ilusões individuais. Nesse sentido, a gente pode diferenciar um louco (termo do senso comum) de uma pessoa normal, pois o louco cria fantasias sobre a realidade, pensa e sente que está sendo perseguido quando isso não ocorre, etc. Sem verdade não haveria mentira, falsidade, enganação, etc. Seríamos pessoas completamente individualistas e não conseguiriamos nos relacionar com ninguém. Por isso, verdade não pode ser subjetivada.
Vivemos em uma época que há muita pluralidade de opiniões, e um dos fatores que proporciona isso é a globalização acelerada pelos meios de transportes e midias. Opiniões locais se tornam globais, culturas totalmente distintas convivem no mesmo espaço, e a tendência ( até mesmo para que haja melhor convivência entre os diferentes) é de as culturas se fundirem, mesmo coabitando coisas divergentes entre si, como por exemplo: reencarnação conciliar com ressurreição.
O termo "verdade" antes do iluminismo estava atrelada ás escrituras sagradas e até então não poderiam sequer ser questinadas, pois isso já seria trangressão, pecado. Dai veio o protestantismo e trouxe a livre verificabilidade das escrituras, dando assim ao indivíduo autonomia (orientada pela fé e a graça de Deus) para a interpretação. No Iluninismo diversos pensadores, intelectuais, etc, deram segmento à idéia de autonomia do sujeito perante Deus, o que desembocou em autonomia sem Deus, ou melhor, em autonomia, liberdade aos indivíduos, se Deus existisse ou não isso já não era importante e/ou necessário à existência.
A verdade deixou de ser sagrada, cada indivíduo apropriado de técnicas poderia conferí-la empiricamente, ou seja a verdade existe e ela pode ser palpável, medida, universalizável, portanto ela é absoluta.
Porém, não bastou muito tempo para então perceberem que essa verdade não era "neutra", perguntas levavam a respostas e se mudasse a pergunta, mudaria-se as respostas. Nesse sentido, de um extremo (da verdade absoluta) passou-se ao outro, o de que não existe verdade, ela é algo apenas subjetivo.
Essa idéia é muito difundida hoje na cultura globalizada, até mesmo porque existem pessoas de várias culturas convivendo no mesmo espaço, religiões divergentes coabitando na mesma pessoa, e a ciência que um dia trazia segurança através do seu conhecimento, não chega a nenhum conseso, pois um dia ela diz "café faz bem a saúde", coincidentemente na época que a cotação do café está em alta, e no outro fala o contrário "café faz mal", quando o interesse econômico é baixo.
A falta de discernimento, por exemplo entre certo e errado, favorecem o consumo (Hoje eu posso ser paty, amanhã hippie, depois punk... o importante é comprar os assessórios). A mentira é a base do mercado ( imagina se todos os comercios falassem só a verdade, o que seria de alguns publicitários? rs... imaginem os políticos falando só a verdade, que eles estão atendendo as demandas das elites e não do povo, o que seria da democarcia?...rs)
Existe verdade, por mais que ela não se exaure, podemos ter pontos de vista sobre ela, mas não somos capazes de encubá-la e dizer que estamos com ela nas mãos.
Espero ter sido clara.... apesar de ter sido superficial nessa discussão.
abraços
Milenne
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"A esperança que se vê não é esperança. A fé é certeza das coisas que esperamos. É a convicção do que não vemos"