| Olá, Recebi um email com um texto do arnaldo jabor, intitulado "Brasileiro é povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca". No seu estilo agressivo, ele argumenta que o brasileiro é "acamodado", se contenta com puco, e não quer trabalhar, acusa as pessoas que recebem bolsa familia de serem vagabundos, pois não usam isso para "alavancar sua vida". E somos babacas, pois nos sentimos responsabilizados pelos outros, e damos esmolas, ao invés de apenas exigir que o governos faça sua parte, e tal e coisa. Ah, sim, e não crescemos e viramos uma superpotência, porque nosso povo não tem vontade. Se alguém quiser ler está no anexo. Bem, eu li, ri um pouco, e quando minha cabeça já estava apresentando argumentos políticos, e analisando os elementos de construção do discurso percebi uma coisa engraçada. Tudo foi dito como as piores características que um povo poderia ter, num pessimismo raivoso, mas pensando bem, um povo que não quer crescer, que se contenta com o suficiente para viver, que se precoupa pessoalmente com o outro, que não gosta de trabalhar, no sentido alienante do termo, é na verdade a grande esperança do mundo, rs, rs, rs. Pois são essas as caracterísitcas que precisamos recuperar e reviver. Mais, esse discurso conteria então duas verdades, que surgem quando a leitura é feita a partir de pressupostos diferentes. E os pressupostos, podem ser verdadeiros e falsos? Pois é muito claro para mim, que o pressuposto de que precisamos crescer sempre e a todo custo, que a individualidade é o valor supremo, que se o meu país não é uma potência eu devo sentir isso como um problema profundo da minha existência, é falso. É poderoso, mas falso. Se leva à destruição, se nos degrada fisicamente, emocionalmente e mesmo moralmente, como pode ser simplesmente uma verdade como qualquer outra, como se verdades fossem apenas uma brincadeira, um jogo onde tudo vale e nada importa? Pensar civilizalção como deturpadora, é pensála como alienadora, ou seja, nos aliena, retira de nós, a capacidade de pensar, de decidir, e atuar. E não há nada mais alienante do que acreditar que não existem verdadades, que tudo é relativo, ou que a verdade depende da individualidade. Retira de nós a necessidade de julgar e decidir diante das "verdades" que nos são apresentadas. Abraços |
Li o texto do Jabor e eu acho que, levando em consideração o conceito
de que pode-se mentir dizendo verdades, pode ser que hajam verdades,
mas todas elas compõem também 2 mentiras, no mínimo.
A primeira é essa defesa da democracia por meio do ataque ao estado
atual do Brasil, é dizer que o Brasil deveria ser como os EUA ou como
a Europa. Outra é dizer que o Brasil é o contrário disso, porque não
é, antes fosse.
Abraço
Janos
| Janos, É verdade, precisamos sempre tomar cuidado com os discursos simplistas e redutores. Mas é bem bacana preceber elementos culturais que são diagamos assim, anti-civilizatórios por natureza, o que não quer dizer que não possam ser devidamente englobados, encaixotados e vendidos. A grande malandragem das empresas que vendem produtos "ecológicos" e montam esquemas de produção "sustentável" com comunidades tradicionais, ribeirinhas, quilombolas, etc, é se aproveitar da tendência dessas comunidades de não desejar o crescimento como nós desejamos. Eles se contentam com muito alegria com a pequena cota que recebem ao participar da produção de produtos geralmente muito caros. Aqui mesmo em goiânia os grupos indígenas que visitam a cidade, nos programas da faculdade, e do museu antropológico, vendem seus artesanatos (bem pouco tradicionais hj em dia) e depois suas peças são encontradas 500% mais caras em lojas pela cidade. É claro que a questão aqui não é socializar os lucros, mas não viver de lucros, pois essas comunidade jã estão "destruidas" já que os objetos que era carregados de valor cultural e social são agora produtos, e que sua vida deixou de depender do ambiente e relações internas e passou a depender do mercado, e da obtenção de dinheiro. Abraços |