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Pela primeira vez nos últimos anos, o "lifting" não está entre as
cinco cirurgias estéticas mais procuradas nos Estados Unidos e foi
superado por tratamentos como o "botox".
Leia abaixo o texto
As técnicas cirúrgicas continuam perdendo popularidade para
tratamentos revolucionários, menos dolorosos e traumáticos, segundo
revelou o relatório anual da Associação Americana de Cirurgiões
Plásticos.
"Esta tendência registra o aumento do número de pacientes que
preferem combater os efeitos da idade com tratamentos que não provocam
tanta alteração do corpo, como as injeções", disse num comunicado
Bruce Cunningham, presidente da associação.
No ano passado, o uso do "lifting" caiu 5% e "apenas" 109 mil
americanos escolheram esse procedimento para eliminar de seu rosto os
sinais da passagem do tempo.
Parece que o "lifting", muito popular na década de 90, perdeu a
batalha e iniciou o novo milênio com uma queda em sua procura. Assim
demonstram os dados, que indicam que nos últimos cinco anos o número
de tratamentos caiu quase 20%.
Atualmente, procedimentos mais inovadores e menos traumáticos para o
paciente, como o "botox", conquistaram o mercado americano, onde em
2005 quase quatro milhões de pessoas, em sua maioria mulheres,
apostaram nele.
O "botox", como é conhecido um complexo de neurotoxina produzida pela
bactéria "Clostridium botulinum", leva à redução das rugas através
do enfraquecimento da contração muscular facial.
Seu uso cosmético foi aprovado pela Administração de Alimentos e
Drogas (FDA) dos EUA em abril de 2002, mas desde o fim dos anos 80 já
era utilizado por oftalmologistas para tratar diversas doenças.
Apesar do reinado do Botox, outros tratamentos popularizados pelo "star
system", como o aumento dos glúteos, chamaram a atenção da sociedade
e começaram a ser cada vez mais procurados.
"Os glúteos costumavam ser algo que as pessoas escondiam, mas agora é
uma parte do corpo que elas querem expor", disse ao jornal "The New
York Times" o cirurgião Thomas Roberts III, que por US$ 20 mil é
capaz de desenhar um bumbum sob medida.
No entanto, a Associação Americana de Cirurgiões Plásticos assinala
que esta moda tem mais a ver com a sua divulgação na imprensa que com
uma realidade social, "já que este tipo de procedimento não é
realizado em um número elevado".
"Isto não impede que sua popularidade possa aumentar no futuro, mas,
até agora, não é tão comum entre os clientes como a imprensa
afirma", ressaltou Cunningham.
O mundo da beleza cirúrgica movimenta anualmente cerca de US$ 9,5
bilhões nos EUA, onde progressivamente foi destruído o mito de que
esses tratamentos eram exclusivos para ricos e famosos.
Segundo os estudos realizados pela associação, "71% das pessoas que
se submetem anualmente a tratamentos estéticos têm renda anual
inferior a US$ 60 mil, e apenas 13% superam os US$ 90 mil".
No entanto, numa sociedade onde uma imagem atraente continua sendo
sinônimo de sucesso, esta democratização da beleza esculpida com o
bisturi conseguiu aumentar de maneira exponencial o risco de levar o
culto ao corpo ao extremo.
O relatório revela um dado alarmante: mais de 330 mil jovens
americanos, de 18 anos ou menos, se submeteram a tratamentos de
cirurgia estética em 2005.
Publicado no site "Último Segundo"