Associar a cirurgia plástica à outra intervenção cirúrgica tem
sido um recurso bastante utilizado pelos pacientes que desejam
aproveitar uma única internação para corrigir imperfeições
estéticas e solucionar algum problema de saúde. 'Após cuidadosa
análise, a cirurgia plástica poderá englobar outros procedimentos
cirúrgicos, dependendo das dimensões e da duração da intervenção
principal. Ressalto, entretanto, que antes de optar por associar
cirurgias, devemos levar em conta as características particulares de
cada paciente e a criteriosa avaliação médica', afirma o cirurgião
plástico Lecy Marcondes Cabral.
As cirurgias associadas ou combinadas como são conhecidas, ocorrem,
mais comumente, em associação aos procedimentos ginecológicos. Por
exemplo: quando é necessária a realização de uma histerectomia
(retirada do útero) é possível aproveitar o mesmo momento para
realizar uma plástica de abdômen ou mesmo uma lipoaspiração. Da
mesma forma, a retirada de um nódulo benigno de mama pode ser
associada à redução ou aumento das mamas. Outras especialidades
também entram no rol das cirurgias associadas como a
otorrinolaringologia, onde é possível associar a correção funcional
com a parte estética.
'Esta prática se tornou comum nesta última década e se firma cada
vez mais como uma alternativa benéfica e econômica ao paciente, quer
pela internação e pelo tempo de recuperação únicos, bem como pela
possibilidade de uma única anestesia. Hoje, no consultório, as
cirurgias associadas já respondem por 15% dos procedimentos
realizados, num total de 10 cirurgias/mês', explica Lecy Marcondes
Cabral, que também é titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e
da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Restrições - A realização da cirurgia combinada só é recomendada
pelo médico em casos em que não há processo infeccioso associado. O
diabetes descompensado, anemia, hipertensão descompensada são alguns
dos problemas que também contra-indicam este recurso. 'É preciso que
o paciente tenha uma relação de confiança com o médico que
indicará qual o cirurgião plástico para a realização da cirurgia
associada', afirma Marcondes.
A sintonia entre a equipe e o especialista, é fator determinante para
o sucesso da cirurgia. 'O trabalho harmonioso de uma equipe
multidisciplinar é fundamental para que todo o procedimento transcorra
da melhor forma, além de respeitar o pós-operatório recomendado pelo
especialista, que muitas vezes exige um prazo maior que o indicado pelo
cirurgião plástico, mas que deve ser seguido à risca pelo paciente',
afirma o cirurgião plástico.
Como as mulheres, acima dos 40 anos, respondem por 90% dos pacientes
que se submetem a este tipo de procedimento, a parceria mais comum
acontece entre o cirurgião plástico e o ginecologista, e não raro
entre o cirurgião plástico, o mastologista e o
otorrinolaringologista.
Os homens, embora em número reduzido se comparado às mulheres,
também se beneficiam das cirurgias combinadas. Em geral, eles realizam
cirurgias funcionais, como a correção do desvio do septo nasal em
associação à plástica para correção de imperfeições estéticas
do nariz ou orelha. Enviados pelo oftalmologista, também é comum o
público masculino retirar 'bolsas de gordura' das pálpebras, que
provocam secura dos olhos e dificultam a visão.
Vantagens - Além do benefício econômico, já que é possível
reduzir em até 30% os gastos com os procedimentos, também há a
vantagem de receber apenas uma anestesia e passar por um único um
pós-operatório. A redução do tempo de duração das cirurgias é
mais uma vantagem para o paciente.
Artigo publicado no Jornal O Liberal on line