"O Cabra que Matou as Cabras"
Um advogado vigarista, que sobrevive
dando pequenos golpes em seus clientes, se vê envolvido em um caso de
assassinatos de cabras e bodes. Uma trama cheia de traições, trapaças e
reviravoltas, onde uma esposa maliciosa engana seu marido advogado que engana
um comerciante ganancioso que engana seu empregado que engana um juiz que quer
enganar todo mundo.
Uma comédia visceral que lida com as
relações de poder e hierarquia implícitas no cotidiano das pessoas e trás o
riso como força reveladora e de libertação, um riso festivo que não forja
dogmas nem é autoritário, que exorciza os nossos medos e a nossas angustias.
O texto do espetáculo é uma livre
adaptação da peça medieval francesa A Farsa do Advogado Pathelin, de autor
desconhecido, mesclado com textos de cordéis nordestinos, esquetes de
picadeiro, fábulas medievais, ditos populares e vários elementos da cultura
popular brasileira. Produzindo, assim, um texto original, inquieto e ágil,
contendo bastante versatilidade e surpresas.
A encenação também busca essa
pluralidade, trabalhando com diversas linguagens, como o teatro de bonecos,
circo e músicas cantadas e tocadas ao vivo. Elementos que ajudam a construir um
universo de encantamento regido somente pelas leis do teatro e do carnaval.
Os atores na construção dos
personagens partiram de imagens de corpos em transformação, de uma metamorfose
ainda incompleta, trabalhando com membros corporais atrofiados ou exagerados,
produzindo imagens de corpos grotescos. Essa visão de corpo, além de toda
estética da montagem, tenta negar a visão dos cânones modernos de um modo
preestabelecido, ideal e acabado da vida cotidiana, do mundo.
O que o espetáculo anseia é um caráter
regenerador, transcendente, renovador. Um fôlego de vida marcado pela
ambivalência entre o antigo e o novo, o que morre e o que nasce, o principio e
o fim dos rituais.
--
Lucas de Souza Nunes, Palhaço Batatão
Arte Educador e artista circense do Circo LahetoWhatsApp:(62)8521-0333
(62) 9280-5409