Essa semana o Cine-mão (projeto de exibição e debate de filmes da UNEB de Conceição do Coité) lhe convida a assistir a primeira sessão do projeto deste semestre letivo. Meia Noite em Paris (2011) é a pedida, filme recente mais bem recebido pelo público e pela crítica do famoso diretor americano Woody Allen (confira sinopse, trailer e mais informações abaixo). Após a exibição teremos espaço aberto para um bate-papo sobre o filme.
Participe! A sessão é gratuita e aberta a qualquer pessoa a partir de 12 anos, então pode trazer amigos, vizinhos, colegas e familiares. Venha aprender sobre cinema e com o cinema! É nessa terça (amanhã, 11.09.12), às 16:00h, no auditório da UNEB.
Abraços,
Carolina Ruiz de Macedo
Coordenadora do Cine-mão
SERVIÇO
O quê: Filme “Meia Noite em Paris”
Onde: Auditório da UNEB de Conceição do Coité
Quando: dia 11.09.12 (terça-feira)
Horário: 16:00h
Quem pode participar: qualquer pessoa com idade a partir de 12 anos
Sinopse
Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e quis ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que por um lado fez com que fosse muito bem remunerado, por outro lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora, ele está prestes a ir para Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.
Título original: Meia Noite em Paris
Direção: Woody Allen
Gênero:
Comédia
Duração: 94 min.
Ano de lançamento: 2011 (EUA / ESP)
Roteiro: Woody Allen
Produção: Letty Aronson, Jaume Roures, Stephen Tenenbaum
Fotografia: Darius Khondji
Trilha Sonora: Stephane Wrembel
Elenco: Kurt Fuller, Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet
Assista o trailer!
http://www.youtube.com/watch?v=aYP4RfN1NvU
Leia Mais!
Marcelo
Hessel
16 de Junho de 2011
Pseudointelectual
é uma palavra muito mal utilizada hoje em dia - qualquer discussão sobre cultura
termina nessa ofensa, como uma Lei de Godwin dos ignorantes orgulhosos - mas,
quando a usa em Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris), Woody Allen o faz com propriedade.
Owen Wilson interpreta Gil, roteirista de Hollywood que está passando férias em Paris com a família da noiva, Inez (Rachel McAdams). Gil adora voltar à Cidade Luz. É lá que se reconecta com a "grande arte", longe do dia a dia de enlatados encomendados de Los Angeles. Seu sonho era viver nos anos 1920, quando F. Scott Fiztgerald, Ernest Hemingway e Pablo Picasso circulavam por ateliês e cafés da cidade. Certa noite, Gil misteriosamente realiza esse sonho.
Allen adere ao realismo fantástico para discutir uma imagem de Paris que, amargamente, os americanos engoliram ao longo do século 20: é a cidade que prestigia os mestres, um lugar onde artistas sem crédito nos EUA podem se refugiar para ter seu valor reconhecido. Uma cidade-museu. Não deixa de ser irônico: o cineasta que não conseguia financiamento para rodar em Nova York e partiu para uma bem-sucedida turnê de filmes europeus, ao chegar em Paris, debate essa própria acolhida.
A questão é que Allen (que já fez piada com ostracismo parisiense no final de Dirigindo no Escuro) não acredita na arte como museologia. Daí a provocação de Gil contra o erudito amigo (Michael Sheen) de Inez, que leva todo mundo pra conhecer as estátuas de Rodin, os jardins de Versalhes, e derrama seus conhecimentos. "É um pseudointelectual", diz Gil. O cara está tentando pegar a noiva dele, então dá pra entender a raiva. Em todo caso, Allen defende aqui que a arte não deve ser ostentada, mas experimentada.
É uma noção presente em muitos filmes do diretor, essa valorização do "consumível" (ou cultura popular, se preferir, afinal Cole Porter também é pop) versus o intelectualismo de pedestal - cuja imagem fundamental talvez seja a presença de Marshall McLuhan na fila do cinema em Annie Hall. Em Tiros na Broadway, John Cusack aprende que até mesmo os gângsteres podem ser dramaturgos. Em Manhattan, assim como em Meia-Noite em Paris, Allen abre o filme com imagens da cidade em movimento, o cartão-postal em transformação. É o anti-museu.
O parentesco mais imediato de Meia-Noite em Paris, claro, mesmo por conta do realismo fantástico, é com A Rosa Púrpura do Cairo. Além da repetição dos "Gils" (Gil Shepherd no filme de 1985, Gil Pendler agora), há as referências a Buñuel: os personagens grã-finos de Rosa Púrpura congelam como a aristocracia de O Anjo Exterminador, e em Meia-Noite em Paris aprendemos - é uma das melhores piadas do filme - como o cineasta espanhol teve aquela ideia surreal.
Mais importante, tanto A Rosa Púrpura do Cairo quanto Meia-Noite em Paris defendem com humor e melancolia que não se deve abdicar da vida em nome da arte - afinal, a arte mais elevada é aquela que nos ajuda a entender a vida.
Fonte: http://omelete.uol.com.br/cinema/meia-noite-em-paris-critica/
Prêmios
- Vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Roteiro
- Ganhou o Oscar 2012 na categoria de Melhor Roteiro Original