Essa semana o Cine-mão (projeto de exibição e debate de filmes da UNEB de Conceição do Coité) lhe convida a assistir e discutir Milk – A Voz da Igualdade (2008), um poderoso filme do premiado diretor Gus Van Sant. A obra narra a luta homossexual contra a violência, a discriminação sexual e o preconceito encabeçada por Milk, primeiro gay assumido a alcançar um cargo público de importância nos Estados Unidos (veja sinopse e mais informações abaixo). Tocante e inspirador, o filme ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original e de Melhor Ator (Sean Penn), entre outros prêmios.
Para conversar sobre o filme teremos o privilégio da presença do professor Kleber Simões (UNEB), mestre em História Social, membro do Grupo Liberdade Igualdade e Cidadania Homossexual (GLICH) e coordenador do projeto de Pesquisa e Extensão “Grupo de Leitura e Estudos Sobre Gênero e Sexualidade” (GLEIGS) – UNEB.
A sessão é gratuita e aberta a qualquer pessoa a partir de 16 anos, então pode trazer amigos, vizinhos, colegas e familiares. E se você é professor, pode trazer sua turma! Basta agendar entrando em contato conosco através deste e-mail ou do facebook. Venha aprender sobre cinema e com o cinema! É nessa terça (29.05.12), às 16:00h, no auditório da UNEB.
Abraços,
Carolina Ruiz de Macedo
Coordenadora do Cine-mão
SERVIÇO
O quê: Filme “Milk – A Voz da Igualdade”
Onde: Auditório da UNEB de Conceição do Coité
Quando: dia 29.05.12 (terça-feira)
Horário: 16:00h
Quem pode participar: qualquer pessoa com idade a partir de 18 anos
Sinopse:
Início dos anos 70. Harvey Milk (Sean Penn) é um nova-iorquino que, para mudar de vida, decidiu morar com seu namorado Scott (James Franco) em San Francisco, onde abriram uma pequena loja de revelação fotográfica. Disposto a enfrentar a violência e o preconceito da época, Milk busca direitos iguais e oportunidades para todos, sem discriminação sexual. Com a colaboração de amigos e voluntários (não necessariamente homossexuais), Milk entra numa intensa batalha política e consegue ser eleito para o Quadro de Supervisor da cidade de San Francisco em 1977, tornando-se o primeiro gay assumido a alcançar um cargo público de importância nos Estados Unidos.
Título
original: Milk
Direção:
Gus Van Sant
Roteiro: Dustin
Lance Black
Gênero: Drama / Biografia
Duração: 128 min
Ano de lançamento: 2008 (EUA)
Produção: Dan Jinks e Bruce Cohen
Música: Danny Elfman
Fotografia: Harris Savides
Edição: Elliot Graham
Elenco principal: Sean Penn, James Franco, Josh Brolin, Emile Hirsch, Diego Luna, Alison Pill, Victor Garber, Denis O'Hare, Lucas Graabel.
Assista o trailer!
http://www.youtube.com/watch?v=0vX-X259gxA
Leia Mais!
Marcelo Hessel
A ópera no final, como em Philadelphia, e a música clássica que toca ao longo do drama político Milk - A Voz da Igualdade (Milk, 2008) são inequívocos. O primeiro trabalho do cineasta Gus Van Sant (Gênio Indomável, Elefante) depois de Paranoid Park reitera votos de esperança, à maneira Obama, neste momento de incerteza, mas no fundo é um filme de luto, um réquiem para um sonho.
Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos, foi assassinado em 1978. Se você não sabia disso antes de entrar na sessão, o próprio Van Sant dá a notícia no começo do filme. Milk (Sean Penn) está diante de um gravador, com microfone em punho, sentado na cozinha de sua casa, verbalizando seu testamento. Caso seja morto, diz ele, as fitas virão a público. A essa altura Harvey Milk tem consciência da importância de sua luta e de sua imagem. O longo flashback que vem a seguir nos dá o contexto.
Como já adianta o título do livro sobre Milk, The Mayor of Castro Street, de autoria de Randy Shilts (no qual o filme não se baseia), o político ficou famoso como o "prefeito da rua Castro". San Francisco é hoje a meca dos gays nos EUA, em boa medida, pela forma aberta e engajada com que Milk administrava sua lojinha de material fotográfico na rua Castro ao lado do namorado, Scott (James Franco no filme). Se os outros comerciários da rua vinham ameaçá-lo, Milk retrucava com beijo na boca em plena calçada. Rapidamente a região se tornou seu nicho eleitoral.
Milk entrou na política para impedir que a polícia da cidade caçasse e matasse homossexuais impunemente. Como supervisor distrital (semelhante, a grosso modo, com nossos vereadores), poderia dar aos gays uma voz ativa, uma voz que os unisse. O ponto nevrálgico de sua luta - e que ecoa fortemente na situação vivida hoje na Califórnia - era a oposição à proposição 6, que em forma plebicitária sugeria em 1978 uma lei em que professores de escola homossexuais poderiam ser demitidos por justa causa.
Gus Van Sant, homossexual assumido, faz de Milk menos uma ode ao movimento do que ao homem. Não se trata, em outras palavras, apenas de uma radiografia militante de um momento histórico, mas de um filme dedicado a capturar a alma de seu protagonista. Sean Penn desaparece sob Milk, mas sua entrega física e emocional ao papel não seria a mesma sem a câmera do diretor de fotografia Harris Savides (Zodíaco, O Gângster) a registrá-la.
Savides já trabalhou com Van Sant quatro outras vezes, e seu talento para enquadrar semblantes em planos movimentados (como em Elefante) nunca ficou tão evidente como aqui. Ainda que seja no protesto público mais confuso, mais lotado, a câmera sempre dá um jeito que achar o rosto de Milk. O filme cresce com esse misto de documental urgente e drama íntimo.
É importante não perder Harvey Milk de vista, não desperdiçar suas falas, porque afinal é um filme de luto. Se pensarmos os trabalhos recentes de Van Sant como uma obsessão pelo efêmero da vida - Gerry, Elefante, Últimos Dias, Paranoid Park - então mais do que nunca Milk é uma cerimônia de respeito à morte. E o filme pode passar pelos olhos do público como uma mera historiografia panfletária, mas no fundo está mais para uma homenagem operística ao prazer de existir - e aproveitar.
OSCAR
Ganhou
Melhor Ator – Sean Penn
Melhor Roteiro Original
Indicações
Melhor Filme
Melhor Diretor
Melhor Ator Coadjuvante – Josh Brolin
Melhor Edição
Melhor Figurino
Melhor Trilha Sonora
GLOBO DE OURO
Indicações
Melhor Ator - Drama – Sean Penn
BAFTA
Indicações
Melhor Filme
Melhor Ator – Sean Penn
Melhor Roteiro Original
Melhor Maquiagem
INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Ganhou
Melhor Ator Coadjuvante (James Franco)
Melhor Roteiro de Estréia
Indicações
Melhor Ator (Sean Penn)
Melhor Fotografia.
FESTIVAL DE PALM SPRINGS
Ganhou
Melhor Ator (Sean Penn)