Olá à
tod@s!
Não acho que falar em Direitos Humanos seja tarefa fácil. Podemos cair em reducionismos, romantismos, materialismos, e em tantos outros "ismos" por aí.
Quando falam em Direitos Humanos, penso na diferença entre
sobreviver e
viver. Muitos vivem em situações de sobrevivência, lutando para sobreviverem, lutando por comida, por água, por dinheiro, por trabalho, por acolhimento, por saúde física, mental e psicológica. Por isso discordo da expressão "
viver na miséria", pois se trata de "
sobreviver na miséria".
É lamentável que muitos seres humanos vivam para sobreviverem. Para mim, falar em Direitos Humanos é transitar entre esses dois conceitos. Conceitos estes que são transitórios na medida em que se contextualizam cultural e historicamente. No âmbito dessa discussão, considero importante pensar: o que é necessário para se viver nos dias atuais? Uma pergunta nada fácil de se responder, pois inventa-se novas "necessidades" a cada dia, num sistema cruel que não se cansa de fazer elogios constantes ao consumismo, ao individualismo, à competitividade, à violência, ao comodismo, à invisibilidade e à exclusão sociais.
Podemos listar aqui o que é necessário pra se viver atualmente: comida, água, luz, trabalho, moradia, trasporte, atendimento médico e psicológico, amor, lazer, informação, conhecimento, participação... Não podemos, porém, dissociar a quantidade de direitos à qualidade desses direitos. Associar quantidade à qualidade é fundamental!
Aproveito para compartilhar um pequeno texto de Eduardo Galeano, que muito tem a ver com a nossa discussão, principalmente no que se refere à mudança de entendimento sobre Direitos Humanos:
A cultura do terror/4
A extorsão,
o insulto,
a ameaça,
o cascudo,
a bofetada,
a surra,
o açoite,
o quarto escuro,
a ducha gelada,
o jejum obrigatório,
a comida obrigatória,
a proibição de sair,
a proibição de se dizer o que pensa,
a proibição de fazer o que se sente,
e a humilhação pública
são alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a traadição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo.
- Os direitos humanos deveriam começar em casa - comenta comigo, no Chile, Andrés Domínguez.
"Seja a mudança que você deseja ver no mundo" (Mahatma Gandhi)