escolas sustentáveis

3 views
Skip to first unread message

maria henriqueta andrade raymundo

unread,
Dec 7, 2012, 5:27:23 PM12/7/12
to listarepea, eap_s...@googlegroups.com, cimeas...@googlegroups.com
Socialização!
 
uma entrevista sobre escolas sustentáveis
abraços

fonte original: rebista pátio
http://www.grupoa.com.br/site/revista-patio/artigo/7853/e-preciso-ousar-mudancas.aspx

http://gpeaufmt.blogspot.com.br/2012/12/e-preciso-ousar-mudancas.html

pátio - revista pedagógicaNovembro 2012Número 64, p. 18-21
http://www.grupoa.com.br/site/revista-patio/artigo/7853/e-preciso-ousar-mudancas.aspx

É PRECISO OUSAR MUDANÇAS
*Michèle Sato* tem licenciatura em Biologia, mestrado em Filosofia,
doutorado em Ciências e pós-doutorado em Educação. A diversidade em sua
formação acadêmica tem contribuído para que ela lance um olhar aguçado
sobre as questões ambientais, principal foco de seu trabalho.

Atualmente, é professora do Programa de Pós-Graduação em Educação na
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e líder do Grupo Pesquisador em
Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA). Também participa da comissão
nacional da Plataforma de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais
e Ambientais (DHESCA) na relatoria de meio ambiente. “Partimos do
pressuposto de que, toda vez em que há um crime ambiental, há também um
crime social, e as agressões ambientais causam maiores impactos nas camadas
mais pobres ou nos grupos sociais vulneráveis”, explica. “Para além de
direitos humanos, é preciso considerar a destruição da vida não humana e
todo o suporte da natureza. Assim, a escola precisa fazer emergir a
importância dos Direitos Humanos e da Terra, debater a temática, rever sua
função social, enxergar para além dos seus problemas intrínsecos e
envolver-se nos dilemas da sociedade”, afirma.

Leia a entrevista concedida à Pátio Ensino Fundamental.
Termos como “sustentável” e “sustentabilidade” são hoje repetidos à
exaustão, embora muitas pessoas desconheçam seu real sentido e este acabe
perdendo-se ou sendo interpretado de maneira equivocada e reducionista.
Como a senhora define sustentabilidade?
O termo sustentabilidade parece ter sido banalizado não apenas porque é
repetido à exaustão, mas porque é repetido por um grupo grande de pessoas
das mais diversificadas áreas do conhecimento ou de atuação. Perdeu-se,
assim, a identidade de quem está referendando o termo, já que se tornou um
“jargão” pasteurizado em todas as áreas. Tecnicamente, a sustentabilidade é
compreendida como algo durável que tenha a interface das três dimensões —
economia, sociedade e ambiente —, mas acabou tornando-se um discurso vazio,
porque as três dimensões estão apenas no nome, já que na prática muito
pouco se concretiza. Pessoalmente, compreendo que a sustentabilidade deve
incluir dois grandes destaques: a inclusão social e a proteção ecológica. A
economia é subjacente a isso, assim como tantas outras essencialidades,
como a educação, as ciências, a habitação, a espiritualidade e outras
dimensões que chamamos de “qualidade de vida”.

Na maior parte das escolas, essa questão não fica muito clara. O que seria
uma escola sustentável?
Uma escola sustentável almeja inclusão social com proteção ecológica.
Alguns exemplos: um jogo de cores e luzes naturais no pátio da escola para
que os surdos também possam cantar; uma exposição de cartuns ambientais em
Braile para os deficientes visuais; rampas de madeira para os cadeirantes,
em vez de concreto. E também uma bioarquitetura de aproveitamento das águas
da chuva, conforto térmico, horta escolar ou trabalhos sobre a importância
da alimentação livre de agrotóxicos. Trata-se de uma escola que sabe ouvir
a comunidade e junto com ela elabora um projeto ambiental escolar
comunitário, correspondente às identidades ali pulsantes:
fenomenologicamente correspondente à realidade da escola, mas
essencialmente estabelecendo um compromisso social e ambiental. Tem a
organização de um currículo não mais hegemônico, e sim baseado no contexto
de cada biorregião: educação indígena, quilombola, do campo e da cidade,
entre tantas outras educações possíveis e dialogantes.

Há décadas se vem falando em ecologia, educação ambiental,
sustentabilidade, mas percebe-se que os professores têm pouca informação.
Além disso, tais questões ainda não são bem-trabalhadas no currículo das
escolas. O que é necessário fazer para mudar esse quadro?
Há mais de mil anos falamos em matemática, geometria ou física, e não é
verdade que tenhamos o sucesso dessas áreas nas escolas. A língua
portuguesa, por exemplo, dispõe de uma enorme carga horária em relação às
demais disciplinas, mas nem por isso as pessoas falam ou escrevem com
gramática respeitável. A educação ambiental não é nenhuma ilha isolada em
um continente educativo em crise sistêmica. Não é possível ser vencedor na
educação ambiental se houver violência nas escolas e altos índices de
evasão ou repetência. Existe um mosaico de tecido global na tessitura
coletiva de pontos e nós, franjas e desenhos que conferem ligações entre
pontos e linhas. Teremos de cuidar da escola — e basicamente da educação
como um todo — se quisermos alcançar as mudanças desejadas. E, para isso,
os pequenos pontos que a constituem devem trabalhar conjuntamente. Não há
um ou outro culpado, nem uma ou outra área que seja bem-sucedida. O tecido
educativo é o conjunto desses erros e acertos.

O que é preciso para que a escola seja formadora de cidadãos preocupados
com a sustentabilidade do planeta?
É preciso mudar a sociedade, ver a escola em seu âmbito, acreditar mais
nos jovens, ousar mudanças, rever posturas, frear consumos, mudar estilos
de vida, aprender a ser solidários. Estamos falando em mudar o modo como
fomos criados, abandonar hábitos tradicionais, inovar e ser capazes de
caminhar em outra concepção de mundo. Isso demora um pouco, por mais que os
educadores ambientais tenham pressa em salvar o planeta cada vez mais
ameaçado, mas a violência socioambiental existe justamente porque adotamos
esses modelos insustentáveis de vida.

Muitas escolas abordam pontualmente a sustentabilidade e a educação
ambiental, ou seja, com atividades sobre o Dia da Árvore, o Dia da Água, a
coleta seletiva de lixo, mas a sustentabilidade não está inserida em seu
projeto político-pedagógico. As ações pontuais são válidas?
As ações pontuais são interessantes, algumas vezes, porque despertam
interesse pelo tema e fomentam algum debate, por mais irrisório que possa
parecer. O Dia da Árvore (21 de setembro) deste ano foi celebrado com
milhares de fotografias compartilhadas no Facebook. Parece ser uma atitude
tola, mas foi interessante ver tantas páginas com árvores diversas.
Contudo, não sendo um processo educativo, isso tem um papel pequeno frente
à profundidade das mudanças necessárias no mundo. Nosso perfil imediatista
e talvez pragmático aceita essas ações porque são visíveis e rápidas, porém
a guinada conceitual de mudança socioambiental é lenta. Cumpre sempre
destacar, todavia, que há um movimento em marcha, com vistas a construir
projetos político-pedagógicos que saiam de meras datas e se enraízem em
propostas pedagógicas mais processuais. No futuro, todo dia será o dia das
mulheres, dos índios ou do Zumbi!

Haveria exemplos de escolas que desenvolvem um trabalho voltado à
sustentabilidade?
Conheci muitas na Inglaterra, onde surgiu o termo “escolas sustentáveis”.
Inúmeras escolas realizam não só a coleta seletiva de lixo, mas também
exposições de desenhos e pinturas, enfatizando a bioarquitetura e a
alimentação orgânica. Há belas experiências no Canadá, com a mitologia
indígena. Os rituais são reproduzidos nas escolas e as hortas seguem uma
lógica indígena, que garante o que eles chamam de land education, ou seja,
uma educação mais próxima da terra. No Quênia, para não citar apenas os
países ricos, conheci algumas escolas rurais que faziam plantações em
rotação de culturas. Aproveitavam tudo e dispunham de enormes contêineres
para captação de águas da chuva. Havia também uma espécie de tubulação que
aproveitava o vento para girar moinhos usados na secagem das sementes para
a merenda escolar. Pela condição socioeconômica, a bioarquitetura era
escassa, e a ênfase estava na alimentação sem agrotóxico. Há outras boas
iniciativas que não carregam essa nomenclatura em todo o mundo, mas são
poucas, infelizmente, como é o caso brasileiro.

Existe alguma experiência em nosso país que mereça ser citada?
Há algumas vivências boas aqui e acolá. Ainda que sejam poucas, observa-se
um movimento em percurso, acenando a emergência das mudanças necessárias. A
proposta brasileira de escolas sustentáveis veio da inspiração inglesa,
quando a coordenadora geral de educação ambiental do MEC, Rachel Trajber,
esteve lá visitando escolas. Em Mato Grosso, a universidade federal (UFMT)
e a secretaria de educação (SEDUC) aliaram-se, e já começamos o processo de
formação de professores e jovens que se associam em coletivos (COM-VIDAS).
Uma parceria com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) está em
planejamento, e pretendemos construir duas escolas maravilhosamente
sustentáveis. Nosso objetivo será calcular a pegada ecológica do município
de Cuiabá e iniciar um amplo processo educativo contra o consumo, uma vez
superado o problema da fome — pegada ecológica é um indicador de qualidade
de vida mais abrangente que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que
pode mensurar também o consumo individual Ainda estamos engatinhando nessas
propostas, mas tenho esperanças de que teremos belas vivências
ecopedagógicas na escola e fora dela.

Recentemente, o Brasil sediou a Rio+20. Como a senhora avalia os resultados
desse evento?
Um retrocesso de 20 anos, uma “Rio menos 20”. Uma triste constatação de que
a economia triunfou nos debates ambientalistas, trazendo a vã ilusão de que
a natureza só pode ser vista por seu poder “recursista” de uso e acúmulo do
capital. Foi um momento vergonhoso de constatação de que muito pouco foi
feito em prol do ambiente pelos governantes, e não apenas do Brasil, mas do
mundo todo. Temos testemunhado uma derrota após a outra: Belo Monte,
transposição do rio São Francisco, aprovação do Código Florestal e tantas
outras mazelas que assolam a natureza e as pessoas mais pobres, vulneráveis
ou invisibilizadas de nossa sociedade patológica. É preciso mudar esses
cenários para que o cuidado socioambiental seja possível.

O que a senhora diria aos professores que se preocupam com o presente e o
futuro do planeta e querem dar sua contribuição, mas não sabem o que fazer?
Eu diria que não existe uma receita pronta a ser seguida, mas sim
tentativas para mudanças. Que a escola não está isolada e que o sistema em
crise precisa ser repensado à luz de uma complexidade de pontos e linhas
que formam o tecido educativo. Que as pequenas ações realizadas somam-se e
ecoam diferentemente em cada região. Um projeto, uma aula ou um debate
ambiental podem parecer pequenos frente às atrocidades do mundo, mas tudo
isso se magnifica quando consideramos a escola como centro de um universo
local, articulada com a sociedade e com as mudanças, em vez de apenas
aguardar passivamente pelas mudanças que a sociedade nos impõe. Também
diria que existem inúmeras publicações, materiais, estratégias educativas e
roteiros que oferecem diversas possibilidades para que a escola seja um
espaço mais atuante e progressista no tocante às dimensões ambientais.

As escolas, assim como as indústrias, poderiam ser envolvidas nas
discussões sobre os créditos de carbono?
Penso que a economia verde está enganando certos professores, tentando
fazer parecer que os serviços ecossistêmicos são a grande solução do século
XXI. Um dos grandes desafios educativos para o tratamento da mudança
climática é que as pessoas não percebem o fenômeno climático com nitidez.
Isso as desmobiliza, e algumas chegam inclusive a duvidar que a escassez da
água seja um problema mundial. Por isso, a pesquisa torna-se importante na
escola para que conduza alunos e professores a descobrir novos mundos, e
não meramente reproduzir discursos. Depois da Rio92, o Brasil pautou a
economia nos modelos de desenvolvimento. Houve retrocessos tremendos, não
apenas ambientais, mas também sociais. Entrar na pauta dos créditos de
carbono é meramente continuar uma política desenvolvimentista que só
destruiu o planeta. É preciso ir além da economia!

Créditos da imagem:
Foto: Luigi Teixeira de Sousa/divulgação
*

*.*

**
**Michèle Sato <http://lattes.cnpq.br/9264997837722900> **
mailto:michelesato%40gmail.com
<http://www.ufmt.br/ufmt/site/>Cuiabá, MT - BRASIL *☎* 55 65 3615 8431
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Artes -
GPEA<http://gpeaufmt.blogspot.com.br/>

Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT<http://www.ufmt.br/ufmt/site/page>

*★ *Remtea <http://remtea.blogspot.com.br/> *★* iCaracol
<http://www.icaracol.org.br/>
*★* Nerea <http://www.nerea-investiga.org/default.htm>

*★* Fórum de Direitos Humanos e da Terra,
FDHT-MT<http://direitoshumanosmt.blogspot.com.br/>
*★* Plataforma DHESCA-Brasil <http://www.dhescbrasil.org.br/>
<http://www.icaracol.org.br/>*
*

*mimi by imara quadros*

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

__._,_.___
Atividade nos últimos dias:
*****************
Esta é a lista de comunicação da Rebea.
Para se inscrever, escreva para
re...@terra.com.br e solicite o cadastro.
Preencha-o, envie e faça
parte da comunidade da Rebea.
*****************
A página da lista está no endereço
http://br.groups.yahoo.com/group/REBEA/
Lá você pode ter acesso a todas as
mensagens que já circularam desde a
criação da lista, à lista de membros,
arquivos, etc.
*****************
Visite o site www.rebea.org.br e
acompanhe as atividades das redes
de EA em todo o Brasil.
.

__,_._,___


Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages