Carta aberta aos companheiros dos coletivos “Nada será como antes”, "Uma flor nasceu na rua" e “Florestan”

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Oct 28, 2010, 1:22:42 AM10/28/10
to Ciências Sociais usp 2010 noite
Carta aberta aos companheiros dos coletivos
“Nada será como antes”, "Uma flor nasceu na rua" e “Florestan”


Temos visto nos últimos anos diversas investidas do governo no sentido
de aprofundar o caráter mercadológico e implementar seu projeto
privatista nas Universidades Estaduais paulistas. Na USP, João
Grandino Rodas foi escolhido por José Serra para cumprir o papel
histórico de implementar de vez esse projeto, varrendo quem quer que
se oponha. O movimento de estudantes, funcionários e professores tem
atuado, ainda que de modo desigual e heterogêneo, como uma verdadeira
trincheira em defesa do caráter publico, autônomo e popular para a USP
e, por isso, tem sido alvo de toda a ofensiva repressiva por parte da
reitoria e governos.
Agora Rodas, o reitor de Serra, dá um passo decisivo, aprovando no
C.O. uma reforma universitária para, como diz o Estadão, “fechar os
cursos que têm baixa procura, altas taxas de evasão e baixo impacto
social, bem como os que não atendem às necessidades do mercado ou
foram superados pelo avanço da tecnologia. A manutenção de alguns
cursos noturnos também será discutida.” A pró-reitora de graduação,
Telma Zorn, fez questão de não deixar tanta margem para dúvidas sobre
o que significa “baixo impacto social”, declarando, na última edição
do Jornal da USP, que esses cursos “seriam melhor definidos com a
troca de ‘social’ por ‘econômico’.” Essa reforma é um ataque muito
duro a todos os setores da universidade, que segue medidas como o fim
da reposição automática de professores que se aposentem ou faleçam, a
quebra da isonomia salarial e a UNIVESP, e assim retoma e aprofunda os
decretos lançados por Serra em 2007, e é parte de um processo que já
está em curso também nas outras universidades estaduais paulistas, se
expressando na degradação das condições de ensino.
Para implementar seu projeto e retomar o controle sobre a
universidade, a reitoria aprofunda a política de repressão contra o
movimento na USP: se acumulam os processos contra diretores e
ativistas do Sintusp e corre um processo absurdo que pretende desligar
14 estudantes da universidade que retomaram, no primeiro semestre, um
prédio de moradia estudantil que havia sido indevidamente ocupado pela
administração da COSEAS, e agora correm risco imediato de expulsão,
sem chance de defesa.
Os estudantes combativos somos por um projeto distinto, que seja
voltado às necessidades da classe trabalhadora e do povo pobre. Desde
o Bloco ANEL-às Ruas, em conjunto com muitos companheiros de seus
coletivos, lutamos pela reorganização dos estudantes e da juventude em
torno deste combate.
Para barrar esses ataques, consideramos fundamental trabalhar para
reverter o atual estado de fragmentação do ME da USP, e que ele possa
se ligar aos estudantes das outras estaduais paulistas e aos
trabalhadores que têm protagonizado importantes greves em defesa da
universidade. É por isto que temos buscado discutir com todos os
setores do movimento estudantil, sobretudo aqueles com os quais
compomos uma entidade como a ANEL, a necessidade de discutir a
formação de chapas unificadas a partir do combate aos ataques do
governo para as eleições do DCE e dos CAs que se aproximam.
Infelizmente, por mais de uma vez, nosso chamado não foi atendido por
quase todas as correntes e, quando mesmo alguns setores que não
concordavam com os termos da discussão que propunhamos, como o
Barricadas Abrem Caminhos, colocaram abertamente suas posições, não
obtivemos nenhuma posição de sua parte acerca de tais questões
decisivas para o próximo período de lutas que se aproxima.
Pelo contrário, nas Ciências Sociais, observamos seu chamado à Unidade
com a chapa organizada por setores dos coletivos Contraponto,
Barricadas, A hora é essa e independentes, sendo que em nenhum momento
buscaram responder ao chamado de Unidade que fizemos. Analogamente,
observamos uma carta que, corretamente discute os marcos gerais da
situação Universitária, e que convoca todos os setores da esquerda
“consequente”, citando vários coletivos, dentre eles o da atual gestão
do DCE e CEUPES, a unificarem-se a fim de darem o combate à direita e
sua chapa. Deste chamado também fomos excluídos.






Nosso DCE, sabemos, cumpriu um papel importante na construção da
passividade do ME neste ano, mantendo os estudantes distantes das
principais discussões, disputas e conflitos que atravessaram a
universidade. Chegaram ao absurdo de boicotar uma assembléia geral, o
que, do ponto de vista de nossa entidade é desmoralizante perante o
conjunto dos estudantes.
Nós, do Bloco ANEL-às ruas, estivemos, ao lado de companheiros de seus
coletivos, desde o início do ano nas mobilizações de professores
estaduais e nas assembléias da ANEL. De nossa parte, nos orgulhamos de
ter dedicado nossas forças ao longo do ano ao trabalho de politização
dos estudantes nos cursos e salas de aula, com debates, reuniões, e
atividades culturais, e à ampliação do apoio à greve do primeiro
semestre, propondo incorporação a piquetes, fundos de solidariedade,
abaixo-assinados e atos, e ainda agora, contra as medidas repressivas
e os novos ataques.
Buscamos sempre, também neste período, a unidade um uma série de ações
com os companheiros, a fim de que demonstrássemos a ANEL como um pólo
pró-operário no movimento estudantil. Sabemos que ainda há a
necessidade de acúmulo de discussão acerca do que representa a ANEL e,
aqui, mais uma vez, reivindicamos ações conjuntas neste sentido.
No curso de ciências sociais, buscamos, igualmente, nos unir em torno
da tarefa de construir medidas concretas, em conjunto com os
companheiros. Isto se dava ao mesmo tempo em que a direção do Ceupes
boicotava deliberações da única assembléia ocorrida no ano - o jornal
- e ignorava mais de 200 assinaturas reivindicando que ocorresse uma
assembléia para discutir o posicionamento do curso na greve. Todos os
outros coletivos convocados à Unidade por vocês tiveram não um papel
ativo na despolitização e passividade do curso, mas, em distintos
graus, iniciativas quase inexistentes de apoio concreto e busca real
da aliança operário-estudantil, a qual pressupõe cooperação mútua
constante, sobretudo nos períodos de luta. Entretanto, acreditamos
que, em base a este balanço, devemos, em unidade com estes setores,
combater o projeto do governo.
Temos clareza de que estes ataques que buscam implementar a reitoria e
o governo, afetam não somente a Usp mas todo o conjunto das
Universidades estaduais e a sociedade. Tendo isto em mente, desde
nosso bloco, buscamos organizar setores estudantis do interior do
estado e em Universidades particulares, a fim de assentarmos nossa
luta por um projeto distinto de Universidade, dada muito a partir da
ANEL, sob bases mais sólidas. Os exemplos dos atos e chamados de
unidade nas lutas pelo DCE da Unesp, a luta pela redução das
mensalidades na fundação Santo André, a gestão conjunta que compomos
com os companheiros no Cach da UNICAMP, definem como pensamos que
devem se dar os combates aos ataques das reitorias, e demonstram,
igualmente a conseqüência de nossa atuação no movimento estudantil.
Nós, que construímos com os companheiros um projeto de reorganização
do ME nacionalmente, lamentamos que os companheiros não tenham levado
tais questões em consideração quando do chamado à Unidade para estas
eleições. Reivindicamos então, em base a toda nossa atuação conjunta
em muitos momentos e todas as tarefas para o próximo período, que
revejam sua posição e que possamos discutir a unificação de nossas
chapas para as eleições de DCE e CA, a partir do programa da ANEL, que
defendemos conjuntamente. E ainda, independentemente disso, que
estejam conosco na construção de iniciativas que sirvam para dar mais
visibilidade, esclarecer e combater a reforma da USP e os processos
repressivos; estamos abertos a todas as iniciativas que proponham, e
já chamamos os companheiros a organizar desde as chapas um festival-
protesto com esses eixos, nas próximas semanas.
Acreditamos que as eleições são apenas um âmbito da luta, entretanto,
nelas devem estar presentes chapas alternativas, pró-operárias,
combativas que se prolonguem para além das eleições como verdadeiros
grupos de ação, reflexão e contraposição ao governo e às reitorias.
Propomos um passo concreto e sério contra a fragmentação e pela
reorganização do movimento estudantil, necessária a este combate.
Propomos, então, que esta questão seja discutida seriamente entre
nossos agrupamentos.
Esperamos resposta.
Bloco ANEL-às ruas e Grupo de mulheres Pão e Rosas.(Ler-qi e
independentes)
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