A falta de estacionamentos específicos e seguros para
bicicletas é um entrave para o uso do veículo como meio de
transporte em Campinas. Apontada por especialistas como uma das
saídas para os problemas de mobilidade urbana e saúde pública, o
uso da chamada “magrela” ainda encontra barreiras em uma cidade
onde existem poucos locais adaptados, conhecidos como
bicicletários, para os usuários estacionarem o veículo de duas
rodas em segurança.
É raro encontrar esse tipo de equipamento em locais de grande
circulação como bancos, supermercados, prédios públicos e até
empresas privadas. Sem ter onde deixar a bicicleta, o usuário
acaba tendo que usar veículo próprio ou o transporte coletivo
para se locomover. Se fosse de bicicleta, ajudaria a reduzir o
volume de carros nas ruas, a lotação do sistema de transporte e
o impacto ambiental gerado pela emissão de gases poluentes por
esses veículos contribuindo para a sustentabilidade do
município, além de obter benefícios à sua própria saúde e à
qualidade de vida.
A reportagem percorreu os principais pontos de aglomeração de
pessoas na área central de Campinas e constatou que não existe
nenhum estacionamento para as “bikes”. Em menos de duas horas,
flagrou três bicicletas acorrentadas em postes em vias
importantes da área central como nas ruas Thomaz Alves, Regente
Feijó e Ferreira Penteado.
“Atualmente, qualquer política de mobilidade urbana é voltada
para a questão do transporte não motorizado. As saídas possíveis
e mais ágeis são o incentivo do uso de bicicletas e até a
própria caminhada”, afirmou o especialista em sistemas de
transportes e professor do Departamento de Transporte da
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Carlos Alberto
Bandeira Guimarães.
O especialista defende que a criação de um bicicletário seria o
primeiro passo para implementar e incentivar o uso do transporte
de duas rodas no município. “É barato e demanda pouco espaço. E
deve ser instalado em locais estratégicos, onde existe a
presença de serviços como bancos, supermercados e praças, para
que pessoas guardem a bicicleta em segurança. Isso é feito há
anos na Europa e dá certo. Em São Paulo, existe bicicletários no
metrô”, disse.
Guimarães acredita que implementar o sistema em terminais de
ônibus também incentiva a população a utilizar o meio de
transporte entre o caminho do trabalho e de casa.
No terminal Rodoviário Ramos de Azevedo foi implantado um
biciletário, onde as pessoas podiam alugar as bicicletas, porém
o local foi fechado por não ter demanda. “A nova rodoviária é
localizada em um local ruim para ciclistas. E se a pessoa for
até o Centro, como vai fazer com a bicicleta? Vai ter que
prendê-la em um poste”, afirmou o professor.
“Campinas já enfrenta problemas sérios nas vias com
congestionamentos. E se algo não for feito, vai virar um
verdadeiro caos em poucos anos. A saída é o incentivo em
transporte público. Fazer as pessoas deixarem os carros nas
garagens, usar uma bicicleta até um terminal de ônibus e de lá
utilizarem o transporte coletivo até o trabalho.”