Fwd: ANÁLISE DE CENÁRIO: DELAÇÕES JBS (Vale Este)

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Marcelo Chiminazzo

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May 18, 2017, 5:02:55 PM5/18/17
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Para quem interessar, um artigo interessante do nosso núcleo político e, no anexo, análise da repercussão nas redes sociais. Já está atrasado, é de hoje de manhã, mas a parte analítica ainda vale.


  Marcelo Chiminazzo


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---------- Mensagem encaminhada ----------
De: FSB Inteligência <midiaea...@midiaeanalise.fsb.com.br>
Data: 18 de maio de 2017 09:10
Assunto: ANÁLISE DE CENÁRIO: DELAÇÕES JBS (Vale Este)
Para:


análise de cenário | delações JBS   

18 de maio de 2017 - primeira edição



Em meio à poeira radioativa que paira sobre Brasília, emergem muitas dúvidas e algumas certezas sobre os rumos da política e da economia no curto prazo:


o mais provável

Reformas, sobretudo a previdenciária e a trabalhista, estão prejudicadas. Chance de aprovação passa a ser remota;


Recuperação econômica será mais lenta que o previsto. Retomada do emprego, idem;


Cotação do dólar tende a subir e bolsa deve abrir pregão em baixa. Ações do Brasil listadas na bolsa de Nova York desabaram 11% ontem à noite;


Juros: trajetória de corte mais acentuado deve ser interrompida;


Pressão das ruas: protestos tendem a aglutinar forças de esquerda e de direita nos principais centros urbanos.


as incertezas

Renúncia: Temer perderia o foro privilegiado e ficaria exposto a sanções penais imediatas, incluindo risco de privação de liberdade;


Ante a pressão popular, o TSE pode antecipar o julgamento da chapa Dilma-Temer, marcado para 6 de junho, de modo a viabilizar o afastamento do presidente. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiria e convocaria eleições indiretas em 30 dias;


Sem solução institucional e pressionado pelas ruas, Congresso pode mudar a Constituição e aprovar eleição direta já. A CCJ da Câmara já tem projeto nesse sentido em tramitação;


Congresso pode acatar pedidos de impeachment de Temer e, em rito célere, proceder o afastamento constitucional do presidente;


Supremo Tribunal Federal pode, em última instância e numa manobra não prevista na Constituição, intervir para assegurar a ordem institucional, abrindo a possibilidade de um governo de transição liderado pela presidente da Corte, Cármen Lúcia.

 

o que observar com lupa nesta quinta

Desembarque coletivo da base parlamentar de Michel Temer;


Reação do PSDB, pilar da governabilidade - cujo presidente, Aécio Neves, também está implicado na delação da JBS;


Posicionamento de governadores;


Capacidade de mobilização de sindicatos, movimentos sociais e entidades que defenderam o impeachment (MBL, VPR e afins) na catálise da energia das ruas;


Declarações públicas da equipe econômica: Henrique Meirelles terá capacidade de acalmar o mercado com promessa de "previsibilidade"?


Declarações de presidentes de entidades representativas da sociedade civil, em especial a OAB;


Manifestações de ex-presidentes: Lula e FHC, o que dirão? Que tipo de conduta terão? Serão incendiários ou apaziguadores?


Tratativas do Judiciário: para onde vão e qual será a pauta das articulações envolvendo os ministros do STF e os integrantes do TSE;


Lava-Jato: como se comportarão Sérgio Moro e os procuradores da Força-Tarefa diante de uma ação da qual não foram protagonistas;


Operações de buscas da PF contra envolvidos na delação;


Eventuais medidas restritivas e mandados solicitados pelo Ministério Público ao STF contra personagens com prerrogativa de foro.


o cenário de eleições diretas

Candidatos estranhos à polarização político-partidária tendem a ganhar força: Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa (ambos a depender das regras do pleito), João Doria, Marina Silva, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes;


Fator Lula: ex-presidente largaria na frente nas primeiras sondagens, mas pode virar alvo da Justiça com eventual inelegibilidade;


Fator Surpresa: outsiders com alta popularidade em outros ramos (celebridades de vários segmentos) podem se apresentar como alternativa à política tradicional.




um dia depois, PF na rua


A nova fase da Operação Lava Jato deflagrada nesta quinta (18) torna o cenário ainda mais turbulento: o ministro Edson Fachin (STF) mandou afastar Aécio Neves do mandato de senador e autorizou busca e apreensão em endereços do tucano. A Procuradoria-Geral da República também solicitou a prisão de Aécio - o pedido será submetido por Fachin ao pleno do STF.


Edson Fachin também determinou o afastamento do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). O procurador da República Angelo Goulart (TSE) foi preso na etapa de hoje. Há ainda mandado de prisão contra a irmã de Aécio, Andréa Neves, e contra o advogado Willer Tomaz.


mapeamento de cenário


O ato falho do apresentador William Bonner, que chamou Michel Temer de ex-presidente na abertura do principal telejornal do país, reflete a gravidade da nova crise que se instalou sobre o Planalto - resume o colunista Bernardo Mello Franco (Folha).


Como revelou ontem à noite o site do jornal O Globo, Temer foi grampeado pelo empresário Joesley Batista - dono do grupo J&F, holding que controla a JBS, maior produtora de proteína animal do mundo -, em conversas altamente comprometedoras. Além de gravar diálogos com Temer e com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o empresário forneceu informação para que a Polícia Federal pudesse filmar entrega de propina. Foi a primeira ação desse tipo na Operação Lava Jato, em mais de três anos de investigações.


Joesley e seu irmão Wesley negociaram acordo de delação premiada, ainda não homologado pelo STF. O acordo foi fechado em tempo recorde: apenas dois meses de negociação, contra mais de nove meses no caso das delações da Odebrecht.


Entre influenciadores, é unânime a leitura de que a delação dos irmãos Batista é um tiro no coração político de Temer. Um primeiro pedido de impeachment contra o presidente foi apresentado ontem pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). Outros dois foram apresentados mais tarde.


A pressão não vem apenas da oposição ao governo: o jornalista político Gerson Camarotti (G1) também relatou que vários grupos de parlamentares que integram o núcleo duro da base aliada querem a renúncia de Temer. Aliados e adversários do governo ouvidos pelo Painel (Folha) concordam que restam apenas dois caminhos para Temer: renúncia ou afastamento via TSE.


O novo torpedo vem uma semana após o presidente dizer, em entrevista ao mesmo O Globo, que se sentia “tranquilo” em relação à Operação Lava Jato porque “os dados são muito frágeis, falam por ouvir dizer, nada concreto, nada palpável”.


Agora, não mais. As revelações se espalharam como pólvora, tanto na mídia tradicional quanto nas redes sociais. No Twitter, “Temer” era o segundo tema mais comentado no mundo ontem à noite. #DiretasJa aparecia em sétimo lugar. No Brasil, postagens relacionadas às delações chegaram a ocupar as 10 primeiras posições dos temas mais comentados logo após a publicação de O Globo (veja anexo o relatório completo com o pulso nas redes sociais).


Espera-se forte turbulência no mercado financeiro nos próximos dias, segundo o "Estadão". Jornal publica declaração da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, prevendo grande perda de riqueza para o país e antecipando risco de fuga de investidores estrangeiros.


a delação


Favorecimento à J&F

Em conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, o presidente Michel Temer indicou o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto para a J&F, intermediando interesses do grupo no Cade. Rocha Loures foi filmado, posteriormente, recebendo R$ 500 mil enviados pelo empresário.


Compra de silêncio

Na mesma conversa, Joesley Batista disse a Temer que paga uma mesada na prisão ao ex-deputado federal Eduardo Cunha e ao operador do PMDB Lúcio Funaro, para que permaneçam em silêncio, ao que o presidente respondeu: "Temos que manter isso, viu?" O diálogo pode configurar obstrução de Justiça


Em nota divulgada na noite de ontem, o governo confirma o encontro com o presidente da JBS, no Palácio do Jaburu, no começo de março, mas diz que "não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República".


Dívida com Cunha

O empresário também revelou à PGR que pagou R$ 5 milhões a Eduardo Cunha, após a prisão do deputado, referente a um saldo de propina. Segundo O Globo, ainda haveria uma dívida de R$ 20 milhões referente à tramitação da lei sobre desoneração tributária do setor do frango


Pedido de Aécio

O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, foi filmado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista. O dinheiro foi entregue ao primo do senador, Frederico Pacheco de Medeiros, em cena filmada pela Polícia Federal. Segundo a PF, o dinheiro foi depositado  em conta de uma empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).


Segundo a colunista Mônica Bergamo (Folha), Aécio provavelmente reconhecerá ter feito o pedido. “Ele deve afirmar que solicitou os recursos para pagar dívidas e que se trata de um negócio privado, sem contrapartidas nem tentativa de obstrução da Justiça”.


Propina para o PT


Joesley Batista também afirmou que o ex-ministro Guido Mantega era seu elo com o PT, com quem tratava de propina.  


próximos passos


Caso o cargo de presidente fique livre, por impeachment, cassação ou renúncia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assume a Presidência e deve convocar eleições indiretas em 30 dias.


Especialistas, porém, apontam que a Constituição não é clara sobre as regras do jogo para um eventual pleito indireto. Um dos impasses é quem pode ser candidato.


Para realização de eleições diretas, seria preciso aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).



SocialPulse_ Redes Sociais e a Crise Temer.pdf
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