Retratos da Vida

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José Periandro Marques

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Oct 1, 2021, 10:20:38 AM10/1/21
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Retratos da Vida

Em “Retratos da Vida” são expostas fotografias de personagens diversificados, em preto e branco mor parte, poucas coloridas, aspectos da nacionalidade brasiliana, quiçá identificada com gentes de outras plagas, porque a humanidade, globalizada.

Mostramos a seguir as faces desnudas das personalidades...

Nobre cidadão que se desloca vagarosa e incessantemente em direções várias em meio à multidão em procura de sonhos inatingíveis e pretende alçar-se ao Paraíso, que se distancia a cada movimento em direção contrária, como lograr bons resultados se não reconhece os objetivos a serem alcançados?

Vossa Senhoria passa pela vida como meteorito para logo findar, usufrui o estar plenamente, consegue amar indistintamente, com todas as fibras de um coração excelente, possui virtudes de um homem de bem ou resguarda, qual avaro, valores monetários e anímicos sem expressá-los ou partilhá-los, permitindo-se introspecção angustiante e aridez de terras ressecadas, sem brilho e sem folhagem? Resiste aos encantos de ninfas graciosas que lhe dedicam afetuosa atenção, enamora-se com frequência e se envolve em carícias candentes ao sol poente, paixões que se desfazem aos primeiros raios matinais, ou se permite amor verdadeiro, ao clímax, em integral confraternização com a alma-gêmea, e só de relembrar seu porte elegante e belo, sensação arrebatadora, indescritível e esfuziante?! Atesta a efemeridade em sua real extensão, o átimo, que se cumpre desde a infância até a decrepitude, valoriza os dias nebulosos e frios a serem compensados com suave luminosidade e calor afetivo, se faz fiel aos sentimentos recíprocos mantidos com a eleita de seu coração ou se deixa seduzir pelo tilintar monótono de moedas a caírem em seus cofres abarrotados de quimeras? Curva-se às ingerências paternais, a seus planos grandiosos e escolhas vantajosas, que o fizeram notável, e, no entanto, ranzinza e insatisfeito? Tentou conciliar a realidade terrena aos anseios transcendentes?

O fogo para ter utilidade deve ser empregado conforme os fins previstos. Assim, é preciso alimentá-lo ou extingui-lo consoante as necessidade e oportunidade aprazadas. De idêntico modo, a existência precisa ser dosada, a fim de que susceptibilidades desconexas ou descontroladas não pulverizem esperanças e causem desilusão e desapreço de criaturas por si mesmas ou pelo próximo.

Para que seja atingido o ápice o primeiro passo precisa ser dado. Não se estabelece no topo a individualidade, se lhe faltam determinação, persistência e vontade. A realização pessoal é fruto do esforço concentrado no fim almejado. Não se produzem milagres se eles não forem provocados.

No sistema capitalista, vencedor quem acumula tesouros. No que concerne à segurança pecuniária na ancianidade, fator de equilíbrio e bem-estar financeiro, ela reflexo de metódico cumprimento de programação prévia ou resultante de polpudos ganhos salariais ou empresariais, enquanto milhões, em extrema pobreza, mal se alimentam uma vez ao dia, a gemer desconsolados infortúnios e penúrias inimagináveis, agravados na velhice por doenças e o acolhimento de familiares desalentados, isto quando se faz patente tal possibilidade.

 As misérias ocultas, instaladas em choupanas ou mansardas, comprovam profundos desamor e descaso social, que muito deslustram a condição humana. Em este sentido, serão certos indivíduos quais sítios a produzirem fartura, contudo incapazes de mitigar as carências enfrentadas pelos desvalidos? Como endeusar o ter em plenitude, se ele enseja ganância ou por sua influência deformam-se personalidades que se tornam insensíveis ao padecimento de tantos, criações divinas quais elas próprias assim consideradas?

No atual estado de incertezas e perplexidades não se evidencia, tampouco se prenuncia novo alvorecer de consoladoras e inclusivas teorias, capazes de estabelecer um modus operandi efetivo, correto e lídimo, a ser seguido por séculos sem fim.

O progresso inda hoje se constrói por meio de coerções, penalizações e extermínios. Sendo execrável e indefensável o processo em curso, a insistência em aplicá-lo significa condenar a classe laboriosa e massacrada ao desestímulo, à carência de haveres, ao servir sempre sem expandir-se em méritos e conquistas.

Entre interrogações e exclamações indignadas, pondera-se: a humanidade é irremediavelmente degenerada e depravada ou ainda resta esperança de que se concretizem mudanças alvissareiras?

Os questionamentos anteriores, para efeito didático. Detentor de racionalidade, o sujeito, capacitado a estabelecer novos parâmetros, que podem interferir em seu modo de ser e proceder de forma coerente, correta e consistente, e tal iniciativa se estende para a sociedade global, o que se espera possa acontecer em um porvir não muito distante.  

Em passado longínquo que se reflete no presente, qual motivação teve o patrimonialista para ter se armado e espoliado o vizinho? Caráter depravado, ambição desmedida e desapreço ao semelhante foram os ingredientes usados para ferir sensibilidades e destruir existências? Não tendo paciência para alcançar seus objetivos paulatinamente, ele avançou nos domínios alheios e deles se apossou, deixando rastros de sangue de criaturas inocentes, algumas delas pelo prazo de permanência em esta arena de dores e sofrimentos. As intrigas e desonestidades praticadas ficaram gravadas na contabilidade divina e as vítimas que não souberam relevar os abusos recebidos, desenvolveram processos de vingança, com revides do antigo infrator, disto por vezes derivando séculos de inimizades que só causam amargor, ruína e atraso espiritual.

Será que o elitista normalmente insensível, em momentos íntimos, quando uma tristeza indefinível o alcança, pondera a respeito das coisas do mundo, da opulência e servidão, e sua consciência é acionada quanto à má ou não repartição de renda causadora de inúmeros contratempos, além de configurar-se como crime imprescritível? Não há como o nababo que usufrui vida faustosa conceder das sobras válidas de sua prosperidade agasalhos e mantimentos suficientes para as noites frias e os estômagos vazios dos desgraçados? Faz-se verdadeiramente feliz o sujeito encastelado, a deslocar-se pelos ares, sem afetividade, com insônia por temer a perda de status, e que para triunfar mune-se de indecências e sortilégios que aniquilam sumariamente competidores, como se os anseios de fartura também não povoassem a mente do outro e ele não merecesse da mesma forma graças da fortuna através de empreendimentos geradores de empregos que permitissem tranquilidade e dignidade às famílias trabalhadoras?

Ainda que a sociedade desigual e a ambição e a inveja alimentem o crime, fundamental que se reformulem conceitos ultrajantes e se estabeleça um contrato social com base no respeito, consideração, gentileza, estima e lealdade. O que impróprias, a estupidez, a deslealdade e a ilegalidade.

As críticas e os preconceitos devem ser considerados ao ponto de paralisar o tirocínio ou causar danos psíquicos ao vitimado? Os julgamentos injustos ou apressados de medíocres e hipócritas são merecedores de apreço e confiabilidade? Denota caráter frágil quem empunha as bandeiras da empatia, bondade e cordialidade? Demonstra virilidade quem ludibria com promessas enganosas a namorada para sorver o néctar inigualável, trai o colega nas caladas e disso faz anedotário, espécie de comprovante de masculinidade, e empenha-se em divulgar seus atos de libertinagem, e com ditos picantes o erotismo idiotizado e canalha? Satisfações particulares justificam adulteração, humilhação e a desonra de um camarada que sofre o existir envergonhado? E o sujeito pedófilo, e o que estupra, assalta e mata? Como satisfação às vítimas e seus familiares deve sofrer execução pelo Estado ou merece nova chance para reabilitar-se perante a sociedade, valendo-se de um sistema penal rígido, contudo reabilitador e impoluto? E os funcionários da justiça e segurança pública, aproveitando-se de cargos relevantes, são merecedores de tratamentos diferenciados, receber salários exorbitantes, pensões e aposentadorias privilegiadas? Por raciocínio equivalente, é elogiável as filhas solteiras de militares receberem pensão vitalícia, mesmo que elas executem trabalhos remunerados ou convivam em consórcio estável, e as viúvas dos militares, que além de receberem as pensões paternas, as acumulam com as do falecido companheiro?  Há equidade no que se refere aos aspectos apontados? Faz sentido os grupos mencionados usufruírem mordomias, em alguns casos muito além do estabelecido pelo órgão previdenciário oficial? Fazem-se válidos favorecimentos ou justas medidas empregadas, que proporcionem ganhos iguais para casos idênticos, ou por não se querer ou não poder universalizar certos benefícios, não seriam admitidas benesses se todos não tivessem direito a elas?

Em tudo constam interesses superando a sensatez e a sensibilidade. Corporações militaristas, fiscais, jurídicas e outras que sustentam a ordem e o poder constituídos, e com os quais se confundem e afinam, agem entrosadas em defesa da riqueza, que resguardam e pretendem possuir. Pelear por romper a superestrutura de domínio, ao menos no Brasil, causa de golpes ou tentativas de golpes militares com o poderoso auxílio de força estrangeira, e ultimamente claramente deflagrados pelos poderes militar-midiático-plutocrata e político, que nada veem além de suas satisfações particulares, sem quaisquer traços de compaixão e estima por quem não partícipe de seu mundo de luxo e fantasias. Por assim ser, cômodo não mexer no que pode ocasionar abalos; governantes, para terem seus planos facilitados, nada constroem em prol de relativa igualdade, e além disso, penalizam outras classes trabalhistas, tais como as de servidores da educação e da saúde, contanto que as peças-chaves não sejam questionadas nem se sintam constrangidas.

 A concentração de renda, fator de orgulho e sustentação do capitalismo, (e quantos não admiram o megaempresário com ares de deus infalível), produz escassez de recursos para numerosa parcela da sociedade. A circulação da moeda, indispensável para as relações financeiras e comerciais, e por natural resolução, o dinheiro fatalmente se concentrará nas mãos daquele que souber tratá-lo convenientemente; contudo, a penúria que extrapola o bem viver e a dignidade humana, é chaga irremovível e fonte de desventuras material e espiritual, se o indigitado não conseguir absorver os percalços e parta para a insensatez e a criminalidade, e por tais razões, deve ser extirpada do sistema planetário.

Há coisas mais expressivas que o simples transcorrer dos dias, que geralmente domina todos os planos do vivenciar bem-estar e harmonia, dentre elas, a virtude, que se revela nos atributos anímicos; ela segue padrão de conduta irreprochável e se impõe leis justas, que se relaxadas sobrevirá infelicidade. Entre outras especificidades a virtude é conscienciosa, prudente e se manifesta na prática do bem.

Os limites impostos pelo dever e responsabilidade precisam ser rigorosamente cumpridos, se se quer vivência amena e produtiva. Outros fatores influem e contribuem para que se agitem humores, que concorrem para que se estabeleçam consequências díspares; o refletir e o admitir o que é justo e necessário enseja a oportunidade da ocorrência de mudanças expressivas em tradições falidas. A não observância de normas justas, o que facilita a dominância da lei do mais forte, transmuta-se em delinquência e anarquia.

Ninguém se mantém saudável em promiscuidade, mentalmente desajustado ou se supondo constantemente perseguido por homens e monstros. Mínima que seja a confiança em uma criatura, há possibilidade de que tal dádiva seja a “tábua de salvação” que permitirá ao indivíduo ensimesmado sair do antro em que predominam complexos medonhos para convívio social agradável. Desilusão e depressão levam o atormentado ao túmulo. E o que significa perecer efetivamente? A este respeito, ilude-se o céptico ao supor que extinto o tônus vital, tudo o mais consumado. Tal parecer, niilista, desconectado com a veracidade, assim atestam entidades venerandas, que venceram a fria escuridão das lápides e influenciam mentes, visando o despertar do ser galáctico para as blandícias celestiais.

A atual civilização, mergulhada em egocentrismo, ressente-se de criaturas benignas. Os ultrapassados trogloditas, que na atualidade ainda persistem em estupidez, ofendem com seu proceder grotesco a normalidade e ocasionam mal-estar para quem desfruta de sua companhia. Se as injunções trabalhistas e familiais compelem a relacionamentos considerados invasivos ou abusivos, façam-se as vistas turvas, audições interrompidas e munam-se as vítimas de piedosa convivência e funcionem como conselheiras no intuito de depurar a pobre alma confusa, salvo se o assédio moral de tão aterrorizante, impossível de ser absorvido, às vias judiciais deverão recorrer os prejudicados e ofendidos.

Indivíduos sagazes e bem sucedidos apresentam-se sob mil disfarces para não mostrar suas naturezas condenáveis. Tal estratégia, além de negativa, impede relacionamentos seguros: onde prepondera mentira, mãe de desenganos e desventuras, só escuridão e ruína. O que se espera de proveitoso e propositivo é que os humanos reneguem hábitos vergonhosos, equilibrem-se moralmente, se socializem e resguardem sentimentos benignos, a fim de que se possa conviver harmoniosamente.

Almejar e obter comodidades que o progresso oferta faz parte da condição humana; empenhar-se em sua concretização, esperado; todavia, nem todos no mesmo patamar evolutivo, e como lidar com as diferenças sem que se estabeleçam opressores e oprimidos? Quanto a isto, por não dispor de certa cultura ou profissão consagrada, um elemento deve ser execrado e relegado ao submundo? Quem não obteve destaque deve sofrer opressão, repressão e castigo? É vantajosa a conquista de fabulosos tesouros e perderem-se as glórias celestiais? Dosar conhecimentos morais e intelectuais não mais condizente com o progresso espiritual?

A sociedade se aperfeiçoa na medida em que se amplia a capacidade cognitiva dos indivíduos, e o trabalho é o meio mais eficaz pelo qual se materializam os sonhos e as utopias. Se as disciplinas curriculares sinalizam conhecimentos específicos, além dos abrangentes adquiridos no curso da existência, a educação moral, marco da civilidade; elas se complementam, favorecendo o desenvolvimento ideal pela integração matéria-espírito. Em complemento: para que se estabeleça urbanidade faz-se imprescindível que os seres pensantes entendam-se e aceitem-se quais são e quanto mais virtuosos e dignos sejam, maiores as possibilidades de convivência plena, embasada em amenidades, solidariedade, respeito e valorização da natureza que, agradecida, retribui com atmosfera límpida, águas cristalinas, vegetação exuberante, frutos opimos e a fauna deslumbrante em seu peculiar viver. Para que se alcance marco civilizatório onde o ecossistema se apresente em equilíbrio, imprescindível o amadurecimento da sensibilidade e da razão, a competitividade, de individualista, se fazer solidária para benefício da totalidade, e a fortaleza, seja a de mãos dadivosas, de abraços dados, nunca de braços musculosos armados, a convivência serena e pacífica, as moradias acolhedoras e confortáveis, sem que haja qualquer humano a dormir ao relento, em um tempo no qual a virtude adquirida pela assimilação dos conceitos sublimes seja soberana e se revele definitiva.

Em este estado paradisíaco, as fronteiras se manterão abertas para todos os povos, desta e de outras galáxias, e os animais, confiantes, mansos e com a inteligência aperfeiçoada, sem mais servirem de pasto para indivíduos famélicos.

Há de supor o leitor eventual que a descrição acima, mera ilusão, contos de mil e uma noites, todavia, caro amigo, na eternidade não se reajustam os desafetos, que se tornam amistosos, e os demônios não se transformam em angélicos? Como duvidar da Providência, que produziu pigmeus capacitados a se tornarem gigantes?

Há orbes materiais espalhados em infinitas galáxias, que alcançaram desenvolvimento inimaginável à nossa vã compreensão, e planos paralelos, verdadeiros édens de felicidade.

Creiamos na mudança da humanidade egocêntrica e confusa em outra humanidade venturosa e pura: isso depende unicamente de nossas prodigiosas vontades.

José Periandro Marques

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