Espiritualização do Cristo
A Doutrina Espírita esclarece que o Pai de Infinita Bondade criou os espíritos simples e ignorantes para no transcurso das eras evoluírem infinitamente.
No âmbito espírita e em resposta a indagações quanto à natureza divinal do Cristo, entidades boníssimas descreveram sua elevação em sentido vertical, desde o princípio, há bilhões de anos anteriores à formação de nosso sistema solar, sem Ele ter praticado labéus que outras individualidades se concederam ao longo de suas jornadas planetárias.
Causa estranheza, no entanto, o extraordinário fenômeno da caminhada retilínea, se em pretérito longínquo a falta de conhecimento e as necessidades de sobrevivência em ambiente hostil impunham situações emergenciais vexatórias e excessivamente rigorosas, sem que houvesse particular protecionismo, posto que as condições ambientais idênticas para todos os viventes conforme estabelecido pelos luminares.
Em argumentação favorável à natural inclinação do Filho de Deus para o bem, admite-se que por instinto peculiar o ente angelical tenha escolhido a estrada da justiça e virtude, dela não se afastando milímetros. Desse modo, monstruosidades quais rapinagens, chacinas, estupros, pedofilia e traições inomináveis jamais se afirmaram em seu destino lirial. Contudo, pode-se depreender que a convivência entre concidadãos tenha por vezes agitado sua mente excepcional e disto fazemos crença, mormente quando lançamos vistas na fonte de águas cristalinas e deparamo-nos com palavras benditas e nela encontramos os fariseus hipócritas, que se considerando puríssimos, adotavam comportamentos execráveis e abusivos e se contradiziam por apresentarem superioridade moral fictícia. Para com eles Jesus valia-se de francas e severas admoestações, o que para nós outros ressoa como impaciência ou mesmo inconformismo com a falsidade reinante, manifesta ou esconsa. Embasado em tal raciocínio, possível que em determinados momentos de sua existência, não registrados no Novo Testamento, sentimentos comuns de raiva passageira, descontentamentos ligeiros e indignação decorrente de perseguições e injustiças sofridas por inocentes tenham ocasionado alguma forma de constrangimento a seu senso de equidade e equilíbrio. Como reforço de consideração e apreço, o que se pense, o que se propague, nada há que deslustre sua verdade e seu brilho perenes.
A figura do Divino, demais portentosa e prodigiosa e se faz preciso que seus esclarecimentos e exemplos sejam seguidos por todos, com ênfase no materialista, que com excessivo apego, entesoura fortunas que se dissolvem quando cerradas as pálpebras em definitivo. O vaidoso por excelência e o orgulhoso inconsequente atrasa seu progresso espiritual e afasta-se da companhia amorável da Divina Providência por insensibilidade e estupidez inominável.
José Periandro Marques