O domingo, 3 de novembro, foi de dupla emoção para o gráfico aposentado Edgar Seiler. Uma já era esperada: a formatura do filho, Éder, no curso de formação de bombeiros operacionais. Outra, uma surpresa: na mesma solenidade, uma homenagem aos 46 anos que ele próprio completa como bombeiro voluntário.
A efetivação de Éder confirma a vocação dos Seiler para o combate ao fogo: “Foi um colega de trabalho que me incentivou, e ali descobri praticamente uma segunda profissão”, diz Edgar. Seus dois outros filhos, Edmar e Edson, também já serviram na corporação voluntária joinvilense.
Nascido em Joinville há 62 anos, Edgar Seiler criou-se nas imediações do América. “Eu gostava de jogar como goleiro”, diz o ex-camisa 1 de times amadores como Pinguim e Ipiranga. Mais tarde, dedicou-se ao tiro ao alvo, colecionando medalhas pela Sociedade Esmeralda.
Ainda adolescente, foi trabalhar na Impressora Ipiranga, onde ficou 34 anos; passou depois pelas gráficas Meyer e Divangel, onde se aposentou. “Eu ajudei a montar o maquinário da Ipiranga. Passei por quase todos os setores lá”, lembra com saudade.
Comprovando a ligação com o pai, também o caçula Éder, 28, trabalhou nas mesmas Mayer e Divangel – além de também atirar pela Esmeralda e jogar como goleiro (só desviou-se da paixão paterna pelo Santos, tornando-se corintiano).
O som da sirene ecoava pela cidade
Edgar Seiler deve a um colega de gráfica o incentivo a ser bombeiro voluntário: “Foi o Waldir Gorisch, que era bombeiro, que me convenceu a também me inscrever. Eu nem pensava nessa possibilidade, mas resolvi ver como era e acabei gostando. Hoje, não me imagino longe do quartel.” Ele entrou em 1967, quando a torre dos bombeiros era uma das mais altas estruturas da cidade. “Naquele tempo, sem esse mar de prédios de hoje, dava pra escutar o alarme de qualquer ponto.”
Seiler passou por todas as funções dentro do quartel, e testemunhou a evolução dos equipamentos e das técnicas. “O período mais complicado – admite, assim como os demais veteranos já mostrados neste espaço – foi o dos incêndios criminosos em meados dos anos 70. O estado de prontidão era permanente, nunca sabíamos onde seria o ataque.”
Hoje, compondo o Grupo Tradição, Seiler praticamente só participa de solenidades. Mas isso não impede que o sangue de bombeiro ferva ao presenciar uma emergência. “No mês passado – contava, no dia da entrevista –, precisei entrar em ação, quando passava pela rua Benjamin Constant bem na hora de um incêndio numa loja de lava-jatos. Chamei a guarnição e ajudei no primeiro combate” (uma loja de venda, assistência técnica e locação de lava-jatos, localizada no piso inferior de um sobrado na rua Benjamim Constant, no bairro Costa e Silva, foi destruída por um incêndio no dia 20 de outubro).
O filho Éder, prestes a se formar técnico em enfermagem (mesma profissão da esposa Carla) e trabalhando como cuidador, admite que sempre gostou de atender a emergências: “Isso me levou a escolher a profissão e a fazer o curso de bombeiro – além da influência do meu pai e meus irmãos, claro”.
Como se não bastasse, um tio, Bento Maliseski, também é bombeiro. Com o certificado na mão, Éder tem uma certeza: “Ser bombeiro era exatamente como eu esperava. Não vejo a hora de começar o estágio, próxima etapa antes de ser efetivado e fazer uma carreira dedicada como a do meu pai”. A comunidade agradece pelo empenho dos Seiler.