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Dr. Puga e Demais:
Com texto extraído das referência indicadas ao final, segue minha colaboração.
Na virada do século XIX, o remo era o esporte soberano no Rio de Janeiro, a capital da república.
Segundo Alberto B. Mendonça (Historia do sport náutico no Brazil. Rio de Janeiro. Federação Brazileira das Sociedades de Remo, 1909), a origem das regatas no Brasil remonta ao ano de 1566, época em que o Rio de Janeiro estava ocupado pelos franceses, que tinham nos índios tamoios seus aliados.
Nessa época havia um confronto entre os portugueses e franceses. Com intuito de comemorar uma fuga dos holandeses e os tamoios seus aliados, foi instituída a partir do ano seguinte(1567), exatamente no dia 20 de Janeiro a “FESTA DAS CANOAS”, nesta, além das solenidades religiosas em homenagem a São Sebastião, haviam disputas entre canoas.
Este foi o embrião das regatas, no Rio de Janeiro e no Brasil.
Há registros nos escritos do Padre Antonio Vieira, confirmando que os colonos e índios, faziam corridas de canoas entre si, ao longo da costa brasileira. Outros historiadores confirmam que até os holandeses, na Bahia, participavam dessas disputas, que foram sendo difundida em todo o litoral, ganhando as páginas dos jornais em 1846.
O jornal do Commércio, do Rio de Janeiro, anunciou no dia 20 de janeiro de 1846, um desafio entre as canoas CABOCLA e LAMBE-ÁGUA, sendo seus remadores ALECRIM E JOSÉ FERRO, respectivamente, com largada na Praia de Jurujuba(Niterói) e chegada na Praia Santa Luzia, também chamada Praia dos Cavalos, no Rio.
Registra que um multidão postou-se na chegada à espera da canoa vitoriosa, que foi a CABOCLA.
A partir daí, os desafios públicos virou moda e passaram a ser construídas canoas especiais, mais rápidas para à disputa.
No Rio, começou a se falar em criar um grupo para promover corridas em barcos a remo.
O primeiro a surgir foi o Grupo dos Mareantes, em Niterói, que realizou sua primeira e única regata em 3 de dezembro de 1851. Em 1862 surgiram mais duas associações: o Grupo Regatas e o British Rowing Club.
A Marinha também apoiava o remo e realizava regatas. Em 1862, realizou duas, sendo que a de 14 de julho de 1862 foi assistida por D. Pedro II (que presenciaria outras, no futuro), sua corte e grande público. Em 1863, realizou outra, em que surgiram novos tipos de barcos (a seis remos) e estrearam muitos remadores.
Em 1867 foi criado no Rio o Club de Regatas, que durante dois anos atuou na Enseada de Botafogo.
Somente em 9 de agosto de 1874 seria fundado o clube que marcaria definitivamente o estabelecimento do remo na cidade: o Club de Regatas Guanabarense.
Em seguida, começam a surgir dezenas de Clubes , que destaco entre eles o:
- Club de Regatas de Botafogo (1894), criado por desportistas oriundos do Grupo de Regatas Botafogo, fundado em 1892 e do Club Guanabarense- fundado em 1874(Em 8/12/1942, o Club de Regatas de Botafogo fundiu-se com o Botafogo Football Club, surgindo o Botafogo de Futebol e Regatas);
-Club de Regatas do Flamengo (1895);
-Club de Regatas Vasco da Gama (1898);
-Club de Regatas São Christóvão, em 1899 (que em 13/2/1943 fundiu-se com o São Christóvão Athletico Clube, formando o São Cristóvão de Futebol e Regatas),
Fontes :
http://www.remolivre.com/historia_frerj.html
http://www.travinha.com.br/esportes-aquaticos/9156-remo/3114-remo-historia-e-regras
http://www.efdeportes.com/efd126/o-surgimento-do-futebol-dos-clubes-de-futebol-carioca.htm
O Remo é seguramente o esporte mais antigo praticado pelos baianos, na verdade remo e canoagem que, segundo alguns registros, já eram praticados no Porto da Barra de águas calmas, em finais do século XIX, muito antes dos ingleses introduzirem entre nós a pratica do criquet e mais tarde do futebol.
Mas foi em Itapagipe, na praia da Ribeira, que o esporte ganhou popularidade. Tornou-se o preferido dos baianos, até a década de 20 disputando a preferência da torcida com o futebol. Em mais de uma ocasião jogos da Liga Baiana de Esportes Terrestres foram antecipados para o sábado para não concorrerem com o remo que tinha mais prestígio. É que ambos os esportes, remo e futebol, tinham um elo em comum: a prática por jovens adinheirados da elite baiana.
A partir de 1905 começou a ser realizada a Taça Olga que durante anos foi o torneio mais disputado, inclusive pelo prémio. Consistia numa taça de prata legítima com peso estimado de um kilo. Quatro guarnições se destacavam no cenário: Clube de Regatas São Salvador (representado no cartão postal que ilustra este post), Esporte Clube Vitória, Club de Regatas Itapagipe e Esporte Clube Santa Cruz. E dia de regata era dia de festa, mobilizava milhares de pessoas e toda uma infraestrutura de arquibancadas, barcos a vela e návios de apoio (vapores) para a torcida acompanhar de perto. Návios-Camarote com buffet, banda de música e todo conforto.
Em 1906, segundo ano dos tornéios regulares na Ribeira, a Revista do Brasil de José Alves Requião, assim se referia aos preparativos para a grande festa:” Brilhantíssimas devem ser as regatas a realizaram-se na quinta feira 24 na Bahia, no Porto dos Tainheiros, em Itapagipe. Sabemos que as guarnições que vão disputar o campeonato estão muito treinadas sendo impossível dizer qual tem mais probabilidades de ganhar”.
“Sob o cais serão armadas duas arquibancadas, sendo uma da Federação e outra do Clube Itapagipe. Para os sócios do Clube de Regatas São Salvador partirá, da ponte da Companhia Bahiana, o vapor Nazaré, às 11 horas da manhã, dando ingresso o recibo do mês de abril findo. Acha-se também contratado o vapor Conselheiro Dantas para o Esporte Clube Vitória e o Gonçalves Martins para o Santa Cruz”.
O tornéio estimulava as mulheres a vestirem os seus melhores trajes e a exibirem finos chapéus importados da França e da inglaterra. A festa das regatas não tinha preferência de sexo, era uma festa da família.
Me permitam acrescentar e citar, a título de ilustração pitoresca , que, segundo as más línguas, o Dr. Mílton Jordão, cevelisteiro, foi um dos introdutores das regatas na Bahia.
Talvanes Lins