FW: Páscoa beleza pura com mistura - de Irmã Julieta Amaral - do Haiti - maio de 2011

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vanessa ferreira

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May 1, 2011, 9:56:32 PM5/1/11
to nikole...@hotmail.com, Eder, ana maria, cebs cebs
bacana leiam partilhando a vida
 

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Subject: Páscoa beleza pura com mistura - de Irmã Julieta Amaral - do Haiti - maio de 2011
Date: Sun, 1 May 2011 11:25:01 -0300

PÁSCOA: BELEZA PURA, COM MISTURA

 

Amiga/o, veja, abaixo ou em anexo, que beleza de texto, reflexo de uma experiência de Deus, o divino no humano. Obrigado, Irmã Julieta por nos ajudar a captar (e ser presença do) o divino no mundo, no humano.

 

Um abraço afetuoso. Gilvander Moreira, frei Carmelita.
e-mail:
gilv...@igrejadocarmo.com.br
www.gilvander.org.br
www.twitter.com/gilvanderluis
skype: gilvander.moreira

PÁSCOA: BELEZA PURA, COM MISTURA

Julieta Amaral da Costa[1]

                       

Vou começar falando de Natal na Quaresma. Li, no final do ano passado, um pregão natalino que dizia: “O natal este ano será no Haiti”. Fiquei impressionada porque, justamente, acabava de decidir voltar ao Haiti para colaborar na continuidade do Projeto de solidariedade da Arquidiocese de Belo Horizonte. O final do pregão dizia: “então, este ano, não vamos a Belém, vamos ao Haiti e lá encontraremos Maria, José e o Menino”. Mais impressionada fiquei com a insistência de uma de minhas amigas, Elza, de 84 anos, que me dizia|: “então, você vai encontrar lá Maria, José e o Menino!”

Tomei o avião no dia 15 de março, rumo ao Haiti.

A casa que nos acolhe, na capital, está cercada de barracas de lona por todos os lados. Essa é a realidade de todas as praças, ruas e quintais.

No dia seguinte, a primeira vez que saí de casa, me deparo com uma mulher saindo de um dos barracos exclamando: “você voltou”? Fiquei admirada, me aproximei e perguntei arriscando falar o Kreyol, língua própria daqui: você se lembra de mim? Ela suspendeu um pouco a saia, mostrou-me uma cicatriz na coxa dizendo: “você comprou a pomada que curou minha ferida”. Aí me lembrei o nome dela e exclamei: Elisabeth?? Abraçamo-nos muito felizes. Ela apontou para dentro do barraco, entrou e veio trazendo nos braços uma menininha muito bonita. Tinha um mês de idade. Tomei-a nos braços e perguntei o nome. “Marie”, respondeu. “Tenho mais três”, acrescentou, falando a idade de todos eles.

Na mesma hora saltou da minha memória o pregão natalino. Mas como assim? Encontrei, sim, a mãe, e a menina... não foi um menino. A mãe é Izabel (Elisabeth), nome da prima... que também experimentou um abraço revelador... Quem quiser que ponha na ordem bíblica os fatos e as personagens, por enquanto, todas femininas.

Faltava, no entanto José. Fiquei meio sem jeito de perguntar pelo pai, levada por tantos prejulgamentos que fazemos sempre: deve ser um de cada pai...

             Saí dali intrigada e fui comprar algumas coisas de que precisava. Na volta, lá estava ela. Sentei-me, então na “porta” do barraco e conversamos. No meio da conversa perguntei despistadamente: você tem marido? Estava na hora de completar o quadro meio disforme.

             Com olhos brilhantes, quase em lágrimas, me disse: “ele tinha morrido na véspera do dia que a senhora passou aqui! Era pedreiro, perdeu uma perna no terremoto e, 4 meses depois, não resistiu... eu estava grávida”...Aí os olhos que brilharam foram os meus.

             Compreendi que ali estava uma Maria sem José, vítima da fatalidade de 12 de janeiro. E que, naquele barraco, se misturavam muitos mistérios: natal, paixão, morte e ressurreição. Por isso essa reflexão também pode ser de Páscoa. Misturei com ela os versos de João Cabral de Melo Neto, no auto de Natal pernambucano: Morte e Vida Severina. Ele apresenta os pobres trazendo presentes ao menino que acabava de “saltar pra dentro da vida”. Frutas, coisas pequenas da região.

              Entrei e fui buscar algo que poderia trazer de presente à pequena Marie. Acabei encontrando partes de uma fralda que minha irmã mais velha tinha cortado em quatro, para eu enxugar o rosto no tempo de muito calor. Peguei três pedaços, dobrei bem, sem papel de presente, e levei.

               Momentos plenos de sentido e de simplicidade. Sem necessidade de teorizar: Natal? Paixão? Páscoa? Menino ou menina? E a mistura bíblica? Personagens fora de tempo e de lugar?

                De qualquer forma a gente acaba consultando “os botões” da teologia. E vai se convencendo de que hoje não é o caso de procurar o menino-homem, Jesus histórico. É o caso de encontrar a humanidade: homem-mulher, assumida na encarnação. De perceber que o mistério da ressurreição já penetrou o nascimento a paixão e a morte que continuam acontecendo hoje. E que a vitória é da VIDA. Tive, então, vontade de cantar com o Gonzaguinha que a “vida é bonita, é bonita e é bonita”. Vou continuar matutando: “Vida Severina, mas de qualquer forma, VIDA”!!!  E você? Quer continuar?

 

                                   Haiti - Páscoa 2011

                                                                                                                                                        

 



[1] Irmã da congregação das Irmãs Providência de Gap; e-mail: julie...@hotmail.com . Julieta está sendo missionário no Haiti, em 2011. Pertence também ao CEBI – Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos.

 

Um abraço afetuoso. Gilvander Moreira, frei Carmelita.
e-mail: gilv...@igrejadocarmo.com.br
www.gilvander.org.br
www.twitter.com/gilvanderluis
skype: gilvander.moreira

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