Uma missa organizada pelo Conselho Missionário Regional - COMIRE e celebrada na capela da sede do Regional Sul 1 da CNBB, em São Paulo, marcou nesta quarta-feira (1º/02), o envio do padre Isaías Daniel, da diocese de Limeira – SP, e da leiga Izalene Tiene, para a diocese de Alto Solimões - AM. Eles irão somar forças com outros cinco missionários que atuam na Amazônia pelo Projeto entre as igrejas do Regional Sul 1 - Norte 1.
Renato Papis
Dom Tarcísio entrega crucifixo ao padre Isaías
Daniel A celebração teve
início às 10h e foi presidida por dom Vicente Costa, bispo de Jundiaí - SP e
Presidente do COMIRE Sul 1 da CNBB, e concelebrada pelo secretário-geral do
Regional Sul 1 da CNBB, dom Tarcísio Scaramussa, contando ainda com a
participação do Monsenhor João Luiz Fávero, Administrador Arquidiocesano de
Campinas e dos padres Nelson Rosselli Filho, secretário adjunto e Jaime Carlos
Patias da Imprensa Missionária, além de pessoas envolvidas com o Comire e amigos
dos missionários que lotaram a capela na sede do regional para desejar sucesso
na nova missão.
Durante a missa, Dom Vicente Costa, destacou, entre outros, a importância da vocação missionária. "Antes de ser missionário é preciso ter muita clareza do projeto que Deus tem para mim. Apesar das dificuldades encontradas no caminho não podemos desanimar. Que a exemplo de Jesus, que não se abalou nas perseguições, é preciso permanecer firmes nesse projeto para evangelização da Amazônia.", afirmou.
No final da celebração, Dom Tarcísio e Mons. João Luiz Fávero fizeram os seus agradecimentos aos missionários e os desejos de bom trabalho em sua nova missão. Em seguida os missionários enviados também disseram algumas palavras de agradecimento aos presentes e à comunidade que os acolhem. "Quem envia, recebe também. Com certeza levarei comigo essas pessoas que me ajudaram a discernir minha vocação missionária e testemunharam esse meu envio", concluiu Izalene.
O padre Isaías e Izalene receberam das mãos de dom Tarcísio e do Monsenhor João Luiz Fávero, a cruz de missionários para anunciar o Evangelho e ajudarem nos lugares onde há maior necessidade. Há dezoito anos que novos missionários são preparados e enviados em Missão na Amazônia através do Projeto Missionário Sul 1 - Norte 1.
Izalene Tiene partiu hoje, (02/02) para Tabatinga (AM), onde inicia sua missão na Diocese de Alto Solimões, juntamente com o padre Isaías que viaja para Amazônia no dia 02 de março. Antes de viajar, Izalene contou um pouco sobre sua vida, sua relação com os movimentos sociais e sobre o seu interesse pela missão. Confira a entrevista.
Izalene,
fale um pouco da sua vida? Onde nasceu? Profissão?
Renato Papis
Mons. João Luiz entrega cruz missionária para
Izalene Nasci no dia 6 de
março de 1943, em Campinas-SP, mas fui registrada em Valinhos-SP, cidade onde
minha família residia. Meu pai Armando Tiene, pedreiro, e minha mãe Maximila
Torqueto Tiene, ceramista, faleceram. Sou solteira e tenho uma irmã, Marlene
Tiene Silva e cunhado Jose Orlando Silva. Três sobrinhos e uma sobrinha, todos
(a) com família constituída. Já chegaram três sobrinhas netas e um sobrinho.
Estudei até a quarta série do ensino fundamental numa escola rural. Comecei a
trabalhar com 12 anos, junto com minha mãe, na cerâmica de fabricação de telhas.
Aos 15 anos trabalhei de balconista e aos 19 anos voltei a estudar (ginásio) e
comecei a trabalhar como secretária na Paróquia São Sebastião de Valinhos.
Cursei magistério, trabalhei como professora e fiz faculdade de Serviço Social,
com especialização em Saúde Pública. Trabalhei 22 anos na Prefeitura de
Valinhos. No ano 1996 entrei no mestrado em Serviço Social na PUCSP. Minha
pesquisa foi junto às mulheres moradoras na rua, em Campinas. Trabalhei também
durante 12 anos como professora na Faculdade de Serviço Social - UNISAL - em
Americana - SP e me aposentei em 2009.
A senhora
tem uma atuação bem significativa nos movimentos populares. Como foi
isso?
Desde os treze anos fiz curso de líder rural e toda minha vida
sempre participei na Igreja Católica, iniciada por minha mãe, priorizando as
Comunidades Eclesiais de Base - CEBs. Tenho atuação nos movimentos populares e
no Partido dos Trabalhadores, com prioridade na formação e organização das
mulheres. Fui eleita vice-prefeita com o Prefeito Antonio da Costa Santos, de
Campinas, em 2000. Assumimos em 1º de janeiro de 2001. Em 10 de setembro do
mesmo ano; o Prefeito foi barbaramente assassinado e eu assumi como sucessora,
até 31 de dezembro de 2004.
E sua vida
pastoral?
Na Pastoral atuei sempre na Arquidiocese de Campinas, como
catequista, na equipe de liturgia e organização de comunidades. Desde a Paróquia
São Sebastião em Valinhos, Paróquia Cura d'Ars, Paróquia Santa Luzia e
atualmente, na Paróquia Divino Salvador, todas em Campinas. Faço parte da equipe
de formação da Comissão Arquidiocesana das CEBs.
Quando e
como surgiu a ideia de ser missionária?
Em 2009, participei como
delegada no 12º. Intereclesial das CEBs em Porto Velho, Rondônia. Fiquei muito
encantada com o profetismo presente na Igreja da Amazônia. Foi a motivação para
eu começar a buscar caminhos de inserção nessa Igreja já que coincidentemente eu
estava aposentando. Desde a minha juventude tinha um desejo de ser
missionária.
Quais são
suas principais expectativas diante da sua nova missão?
Viver no
meio do povo. Conhecer a realidade onde vou estar. Buscar na inculturação e na
vida do dia a dia descobrir no que posso ajudar. Antes de tudo quero
aprender.
O seu
destino será Tabatinga (AM), na Diocese de Alto Solimões. Quando parte o que
você vai fazer lá?
Embarco no dia 2 de fevereiro. Dom Alcimar Caldas
Magalhães, bispo de lá, convidou-me para colaborar nos projetos sociais que a
Diocese desenvolve. Vou chegar e conhecer quais são os projetos e ver no que
posso ajudar. Eu não conheço a Região do Solimões.
Qual sua
palavra de incentivo aos cristãos leigos interessados pela Vida
Missionária?
Respondo a essa questão com um pensamento extraído da
5ª. Semana Social Brasileira. "Empenhar-se no sentido de que todas as
comunidades de seguidores e seguidoras de Jesus assumam a sua missão de
anunciadoras do Reino de Deus através de sua vivência do amor libertador,
presente na vida comunitária e no serviço aos pobres. Serviço que se expressa
especialmente na luta por políticas públicas que garantam os direitos de todas
as pessoas, o que só acontece com um Estado efetivamente
democrático".
Fonte: www.cnbbsul1.org.br