Governo da Noruega vê Brasil como modelo de combate ao desmatamento
fonte:
http://www.portaldomeioambiente.org.br/noticias/2008/agosto/26/2.asp
26/8/2008
Sergio Leo
São Paulo, SP - Vista por autoridades brasileiras como exemplo do que
fazer com as riquezas do petróleo, a Noruega vê o Brasil como modelo
do que fazer no combate ao desflorestamento. O governo norueguês se
dispõe a pagar para apoiar e acompanhar a experiência brasileira, e
pensa em exportar esse conhecimento a outros países de floresta
tropical. Quem afirma isso são o primeiro-ministro da Noruega, Jens
Stoltenberg, e o ministro de Meio Ambiente do país, Erik Solheim. Eles
viajam em setembro ao Brasil para apoiar o recém-criado Fundo de
Preservação da Amazônia.
"Nos impressionou o que o Brasil tem feito em biocombustíveis e com a
preservação da floresta", diz o primeiro-ministro Jens Stoltenberg.
"Vocês estão muito além de qualquer outro país nesse tema", confirma o
ministro Solheim. "Há experiências positivas que podemos usar no
Congo, em Papua-Nova Guiné e em outros países da América Latina."
Os noruegueses sabem do aumento recente da taxa de desmatamento e das
ameaças à floresta, mas Solheim argumenta que não existe em nenhum
outro lugar do mundo um mecanismo tão sofisticado de acompanhamento em
tempo real, por satélites e relatórios periódicos, do que acontece nas
áreas de mata tropical. A criação do fundo de proteção da Amazônia,
discutido nos últimos meses entre autoridades brasileiras e
norueguesas, também impressiona o governo de lá.
"É, de longe, o melhor fundo do mundo. Estive na Indonésia, Papua-Nova
Guiné, Congo e outros países com florestas tropicais, não há nada
similar", relata Solheim. "Logicamente, esse fundo evoluirá, esperamos
aprender com a experiência", comenta ele. A continuidade do
financiamento estará vinculada ao sucesso na redução do desmatamento
no Brasil, avisa o primeiro-ministro Stoltenberg.
Embora haja ministros na coalizão governista norueguesa que temem
apoiar agricultores na floresta, governo e organizações não-
governamentais do país concordam que o combate ao desmatamento no
Brasil deve incluir apoio monetário a atividades econômicas
alternativas para as populações amazônicas. "Já passamos da fase de
projetos-piloto, localizados", comenta o secretário-geral da ONG
Amigos da Terra na Noruega, Jan Odegard. "Com o dinheiro destinado
pela Noruega para enfrentar a mudança de clima, temos de financiar
políticas nacionais contra o desmatamento", diz ele, que vê o Brasil
como possível "modelo para o mundo".
"Vocês precisam de incentivos para que as pessoas que moram nas áreas
de floresta tropical ganhem mais evitando cortar a madeira do que com
o desflorestamento", diz o Solheim. "A maioria dessa população é
pobre, que quer sustentar a família, dar educação às crianças, então é
muito compreensível que tenha de haver incentivos a eles".
Para o ele, o Brasil, mesmo com "problemas", avançou
impressionantemente nos mecanismos de policiamento e repressão à
derrubada das matas. "É importante ter iniciativas positivas ao lado
da fiscalização", endossa o coordenador da Amigos da Terra para a
Amazônia, Torkjell Leira, que critica apenas o pequeno número de
representantes da sociedade civil no conselho gestor do fundo
brasileiro, dominado pelo governo.
O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já declarou que o
Brasil receberá US$ 100 milhões, dos cerca de US$ 600 milhões anuais
que a Noruega pretende destinar, por cinco anos, a projetos de redução
das emissões de carbono, mas o primeiro-ministro Jens Stoltenberg
afirma que a quantia a ser doada ao país ainda é segredo, a ser
revelado durante a visita ao Brasil, em setembro.
A Noruega planeja usar parte do dinheiro em projetos da União Européia
e do Banco Mundial para proteção de florestas em países tropicais,
onde, segundo as autoridades norueguesas, a tecnologia e serviços
brasileiros poderão ser usados, com financiamento nórdico.
O apoio da Noruega a projetos de meio ambiente é defendido pelo país
como uma maneira de compensar a contribuição negativa, para o meio
ambiente, da indústria de petróleo - principal atividade econômica,
responsável por 24% do Produto Interno bruto e 50% das exportações
norueguesas.
Fonte:
Amazonia.org.br / Valor Econômico.