FW: [prout_usp] Manifesto contra a Medicalização da Educação - em favor da vida

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Néia Rippel

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Jan 4, 2011, 9:04:04 AM1/4/11
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CAROS.
Os interessasdos em assinar o manifesto que lança o fórum sobre a medicalização da infância é só clicar abaixo. por favor, divulguem (coloquei abaixo uma cópia do manifesto)
Adriana (Marcondes)
 
Debates, convidados internacionais, apresentação de trabalhos, lançamento de livro, mil participantes. Veja o que de melhor aconteceu durante o I Seminário Internacional "A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos", realizado na Unip campus do Paraíso, em São Paulo. Aproveite e assine o Manifesto que criou o Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.
 

Manifesto de Lançamento do

Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade

A sociedade brasileira vive um processo crescente de medicalização de todas

as esferas da vida.

Entende-se por medicalização o processo que transforma, artificialmente,

questões não médicas em problemas médicos. Problemas de diferentes ordens são

apresentados como “doenças”, “transtornos”, “distúrbios” que escamoteiam as

grandes questões políticas, sociais, culturais, afetivas que afligem a vida das pessoas.

Questões coletivas são tomadas como individuais; problemas sociais e políticos são

tornados biológicos. Nesse processo, que gera sofrimento psíquico, a pessoa e sua

família são responsabilizadas pelos problemas, enquanto governos, autoridades e

profissionais são eximidos de suas responsabilidades.

Uma vez classificadas como “doentes”, as pessoas tornam-se “pacientes” e

consequentemente “consumidoras” de tratamentos, terapias e medicamentos, que

transformam o seu próprio corpo no alvo dos problemas que, na lógica

medicalizante, deverão ser sanados individualmente. Muitas vezes, famílias,

profissionais, autoridades, governantes e formuladores de políticas eximem-se de

sua responsabilidade quanto às questões sociais: as pessoas é que têm “problemas”,

são “disfuncionais”, “não se adaptam”, são “doentes” e são, até mesmo,

judicilializadas.

A aprendizagem e os modos de ser e agir – campos de grande complexidade e

diversidade – têm sido alvos preferenciais da medicalização. Cabe destacar que,

historicamente, é a partir de insatisfações e questionamentos que se constituem

possibilidades de mudança nas formas de ordenação social e de superação de

preconceitos e desigualdades.

O estigma da “doença” faz uma segunda exclusão dos já excluídos – social,

afetiva, educacionalmente – protegida por discursos de inclusão.

A medicalização tem assim cumprido o papel de controlar e submeter

pessoas, abafando questionamentos e desconfortos; cumpre, inclusive, o papel ainda

mais perverso de ocultar violências físicas e psicológicas, transformando essas

pessoas em “portadores de distúrbios de comportamento e de aprendizagem”.

No Brasil, a crítica e o enfrentamento dos processos de medicalização ainda

são muito incipientes.

É neste contexto que se constitui o

Fórum sobre Medicalização da Educação

e da Sociedade,

que tem como objetivos: articular entidades, grupos e pessoas para o

enfrentamento e superação do fenômeno da medicalização, bem como mobilizar a

sociedade para a crítica à medicalização da aprendizagem e do comportamento.

O caráter do Fórum é político e de atuação permanente, constituindo-se a

partir da qualidade da articulação de seus participantes e suas decisões serão

tomadas, preferencialmente, por consenso. É composto por entidades, movimentos e

pessoas que tenham interesse no tema e afinidade com os objetivos do Fórum.

2

O Fórum se fundamenta nos seguintes princípios:

Contra os processos de medicalização da vida.

Defesa das pessoas que vivenciam processos de medicalização.

Defesa dos Direitos Humanos.

Defesa do Estatuto da Criança e Adolescente.

Direito à Educação pública, gratuita, democrática, laica, de qualidade e

socialmente referenciada para todas e todos.

Direito à Saúde e defesa do Sistema Único de Saúde – SUS e seus

princípios.

Respeito à diversidade e à singularidade, em especial, nos processos

de aprendizagem.

Valorização da compreensão do fenômeno medicalização em

abordagem interdisciplinar.

Valorização da participação popular.

O Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade se propõe os

seguintes desafios:

I. Ampliar a democratização do debate

o

Estabelecer mecanismos de interlocução com a

sociedade civil

i. Popularizar o debate, sem perder o rigor científico.

ii. Pluralizar os meios de divulgação, incluindo cordéis, sites,

artes em geral.

iii. Construir estratégias para ocupar espaços na mídia.

o

Estabelecer mecanismos de interlocução com a

academia

i. Ampliar a discussão entre profissionais das diversas áreas;

ii. Construir estratégias para ocupar espaços nos cursos de

formação inicial e continuada dos profissionais das diversas áreas.

iii. Apoiar propostas curriculares de humanização das

práticas de educação e de saúde.

o

Socializar o significado da medicalização e suas

consequências

i. Reconhecer as necessidades das famílias que

vivenciam processos de medicalização.

ii. Esclarecer riscos da drogadição – drogas lícitas e

ilícitas - como consequência da medicalização.

o

Ampliar a compreensão sobre a diversidade e

historicidade dos processos de aprendizagem e de desenvolvimento

humano.

II. Construir estratégias que subvertam a lógica medicalizante

3

o

Ampliar a produção teórica no campo da crítica à

medicalização.

o

Intervir na formulação de políticas públicas, subsidiando

o embasamento em novas concepções de ser humano e de sociedade.

o

Apoiar iniciativas de acolhimento e o fortalecimento das

famílias, desmitificando pretensos benefícios da medicalização.

o

Apoiar ações intersetoriais que enfrentem os processos

de medicalização da vida.

São Paulo, 13 de novembro de 2010





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Denise Mazeto
Sustentabilidade Integrada - Unindo soluções, pessoas e tecnologias.
PROUT BR
55 11 9393-2106
skype: Denise.mazeto

"Quando os homens deixarem de se tratar como animais, talvez os animais deixem de ser tratados como coisas, e o planeta seja respeitado como um lar."
Aline M. Roldan


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