Gripe aviária surpreende...

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Tadeu Cotta

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Dec 10, 2016, 12:54:15 AM12/10/16
to Lista de discussão dos Professores da UFLA

No Gers, os produtores de foie gras frente à hecatombe da gripe aviária

Esse episódio de influenza aviária é um novo golpe duro para os produtores de foie gras, já muito atingidos pela última crise .

 

LE MONDE  09.12.2016 | 

 Feriel Alouti em tradução de Tadeu Cotta

 

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                            Le marché au gras de Gimont, dans le Gers, mercredi 6 décembre.

A feira de foie gras de Gimont, no Gers, em 6.12 FERIEL ALOUTI

 

Quarta-feira 7.12 pela manhã, juntos atrás de uma barreira, cerca de 40 pessoas, aposentados na maior parte, esperam o apito.

Às 10h em ponto, o sininho do mercado de Gimont, no Gers, ressoa.

Os clientes se apressam diante das mesas . Alguns hesitam em tocar a mercadoria para escolher, visando as festas de fim-de-ano, as peças de foie gras.

Mas é preciso ser rápido, pois nesse dia apenas um punhado de produtores ali compareceu . « O ambiente é pesado, paciência, vai ter que ser assim. Não ter medo e conservar o moral », lança um  leitmotiv Claudine, 56 anos, dos quais 33 fabricando o produto .

 

E tem motivo. Na semana passada um foco  de  gripe  aviária H5N8, « altamente patógeno  » para as aves, segundo o ministério da agricultura, foi descoberto na região do Tam, antes de se extender para o Lot-et-Garonne,  os Hautes-Pyrénées… e o  Gers.

Nesse departamento, três novos focos secundários foram descobertos em  Monlezun, Eauze  e  Beaumont-sur-l’Osse desde o 1e de dezembro.

Para evitar uma propagação do vírus, uma zona de proteção de 3 km, bem como uma zona de vigilância  de 10 km foram instauradas em torno das criações e salas da gavagem {instalaçõe onde os animais são terminados].  Na quarta-feira 7.12, cerca de  18.000 patos foram  eliminados, executada uma desinfecção, e proibido todo trânsito de aves e palmípedes vivos .

 

Uma situação vivida com dificuldade pelos produtores. No mercado de foie gras  de Gimont, muitos nem tocam no assunto e acusam a imprensa de « dizer não importa o que  ». « Não tem nada no Gers »,  grita um deles, antes de virar as costas . « O ambiente é muito tenso  », observa o representante  do ofício de turismo, um grande rapaz postado na entrada do mercado .  « Se falar de gripe aviária, eles sobem nos tamancos  », prossegue ele, sorrindo .

 

« Afora suportar, nada podemos fazer »

 

É preciso dizer que esse episódio de gripe aviária, a duas semanas das festas, é um novo e duro golpe para a profissão, já muito afetada pela última crise. Ainda mais no  Gers, onde se produz o foie gras  « desde sempre »,  essa produção fazendo viver inúmeros lares. Segundo a câmara de agricultura, « há quatro a  cinco empregos atrás de cada produtor  ».

Na primavera, 11 focos da gripe foram recenseados no departamento obrigando os produtores  de foie gras a suspender suas atividades por várias semanas.  Esse foi o caso  de Kelly, 28 anos, cujo companheiro é produtor em  Saint-Médard : « Paramos a gavagem em fins de abril antes de recomeçarmos em setembro. Resultado, ficamos sem atividade por 4 meses. Felizmente que o meu companheiro produz vaca de corte e cultiva cereais. É mais complicado para quem só produz o foie gras. »

 

É também o caso de Vincent, 32 anos, gavador  de foie gras em  Aubiet. Instalado há 10 anos, o jovem produtor, depois de 4 meses inativo, e uma perda no faturamento de 6 000 euros. Indenizado em torno de « 45 % »,  ele precisou investir cerca de 20.000 euros em sistemas de biossegurança, instalando principalmente pedilúvios na entrada das salas de gavagem e das áreas de limpeza para os veículos .   « Afora agüentar, nada mais se pode fazer. Mas francamente eu jamais vi algo parecido », explica ele, o rosto amedrontado. Desde abril  Vincent  não tem nenhum salário .

 

Como outros, Vincent  tem raiva principalmente dos industriais acusados de querer matar os « pequenos ». « As grandes firmas como Vivadour  querem eliminar os pequenos produtores como eu, pois somos um freio para o desenvolvimento deles, diz ele . Quando não mais existirmos, as grandes marcas se apossarão de nossa clientela . »

 

Vivadour. Nesses últimos dias, o nome dessa cooperativa  de 475 milhões de euros de faturamento anual , como indicado no seu site Internet, suscita uma viva polêmica . Muitos suspeitam que ela não respeitou o princípio de precaução, tendo autorizado a importação no Gers e em outros departamentos atingidos, de uma mercadoria potencialmente contaminada pelo  vírus H5N8.

 

« Me deram uma bomba relógio »

 

Para melhor compreender o que brota nos espíritos, é preciso  retraçar a cronologia .  Tudo começa no sábado 26.11 no Tarn, em  Almeyrac, uma comuna de 282 habitantes. Naquele dia, um criador constata uma taxa de mortalidade inabitual nos seus patos .  Ele logo se comunica com o seu veterinário. Na segunda-feira, a direção departamental dos serviços veterinários (DSV) efetua as primeiras amostragens . Na quinta-feira, os resultados definitivos confirmam que se trata mesmo de um vírus da gripe aviária, do tipo   H5N8.

 

Mas  na véspera, um outro criador, filiado à cooperativa  Vivadour,  cuja exploração está situada a menos de 1km do foco inicial, descarregou em  Gers,  nos Hautes-Pyrénées  e  no  Lot-et-Garonne  milhares de patos prontos para serem gavados. . Em Monlezun, Frédéric Labenelle recebe um  carregamento de 1.600  cabeças  :

« Na quinta-feira elas começaram a morrer. Tivemos que eliminar todas. Os patos prontos , mas também os 14.000  da minha criação, por princípio de precaução .   Eu estou frustrado por ter sido obrigado a eliminar  os animais que eu criei durante dois meses e meio porque me entregaram uma bomba relógio. Isso me deixa  com um gosto amargo . »

 

Para  Philippe Martin, deputado do  PS do  Gers e  presidente do conselho  departamental, « a mercadoria jamais deveria ter deixado a criação  doTarn ». « O  princípio de precaução deveria ter sido aplicado enquanto se esperava o resultado. Como é que pode um grupo cooperativo tomar o risco de despachar a produção, quando a  800 metros havia uma suspeita grave ? Por quê os serviços do Estado não aplicaram o princípio de precaução? »

 

Apesar das várias solicitações , Vivadour  recusou responder à  questão. « Eles me  disseram que o criador não estava sabendo que seu vizinho tinha uma suspeita de contaminação  », relata o Sr.  Labenelle.  O criador no foco inicial afirma, entretanto, o contrário  : « Eu preveni todos os meus vizinhos desde que suspeitei  »,  diz ele, cortando no ato a conversa . Para separar o verdadeiro do falso, o ministério da agricultura requereu uma investigação à   direção geral da alimentação  (DGAL).

 

O  princípio de precaução

 

Uma outra questão alimenta as conversas. Por que os serviços do Estado não interromperam a circulação de palmípedes desde a primeira suspeita de contaminação ? « Não se pode decidir bloquear toda uma zona quando há uma suspeita. Se fosse feito isso a cada vez, haveria bloqueios todos os dias. Aplicar o princípio de precaução não pode ser ficar super reagindo sempre », responde Bruno Ferreira, chefe de serviço na DGAL.

 

Em 6.12, um decreto ministerial foi publicado  com urgência. Se os  textos já previam « a possibilidade de instalar uma zona de controle temporário para tomar as medidas conservadoras até que um resultado fosse confirmado », como explica o Sr.  Ferreira, para ganhar em « rapidez », o delegado – e não mais apenas o ministro  – poderá a partir de agora tomar a decisão . Um decreto em  forma de confissão , segundo o  vice-presidente da câmara de agricultura :

« Eu deploro que a decisão não tenha sido tomada em nível do  Tarn. Pedir ao delegado tomar a partir de agora a decisão, isso é reconhecer que um tal decreto é útil. »

« Não houve atraso em alertar sobre o tema », conclui o  chefe de serviço  da  DGAL. Para ter certeza,  Philippe Martin,  o  presidente do  conselho  departamental do Gers, espera os resultados da enquete . « Se eles não responderem a todas as minhas questões, eu prestarei queixa judicial contra  X »,  afirma ele .

As autoridades  sanitárias em pé de guerra

 

No  Gers, as autoridades  sanitárias e os criadores concernidos tentam, há vários dias, parar a propagação da gripe aviária.  Contrariamente à  precedente crise,  o  vírus H5N8  parece mais fácil ser contido pelo fato da forte mortalidade que ele causa .

 

« Ele  se transmite muito rapidamente, seu tempo de incubação é baixo  – entre 24h e 48h – e  sua mortalidade é alta . Até  50 %  dos patos morrem nas seguintes 72h  », explica o  vice-presidente  da câmara de agricultura . « No ano passado o vírus era fracamente patógeno . Como os patos resistiam  à doença, era difícil ver que eles estavam contaminados . O atual parece ser então mais facilmente dominado  », prossegue o secretário geral do  Comitê  interprofissional dos palmípedes para foie gras (Cifog).

 

Cerca de 18.000 patos já foram abatidos .  A desinfecção dos sítios atingidos está em curso. Após a descontaminação, um prazo de 21 dias é necessário para eliminar a infecção. A desinfecção  consiste principalmente em tratar  com  água de cal as camas e o esterco dos patos .






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