Verde, amarelo, alaranjado, e até azul. Um infinito leque de cores existe, frequentemente graças a procedimentos 100 % naturais
LE MONDE | 15.10.2016
Ophélie Neiman em tradução de Tadeu Cotta
E sem necessidade de ser versado em criar coisas como um
Frankenstein para brincar com as cores : o vinho contém todas as cores do
arco-íris . Os brancos jamais são brancos de verdade, mas cinzas ou amarelos,
com nuances verdes, douradas, ocres, âmbares ou russas . As taças para vinho
da Alsace têm os pés verdes para acentuar a cor chá do vinho jovem. Existe até
mesmo o vinho verde português, o vinho verde, engarrafado logo após a
fermentação .
Do lado oposto, o vinho amarelo mostra com orgulho um cinza-dourado rico de maturidade . Os tintos – rouges -, segundo a sua idade, a sua origem, oscilam do berinjela ao telha-queimada, passando pelo rubi, a cereja, o púrpura, o cobre ou ...o bordeaux . Avalia-se comumente que quanto mais escuro, mais forte é o vinho . Com freqüência isso é verdade, mas nem sempre, pois é preciso que a degustação ofereça o seu lote de surpresas.. .
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Os vinhos do norte da Europa geralmente são mais claros do que aqueles inundados de sol do sul. A casca da uva é mais fina, e transmite menos cor . Se você for invadido pela vontade de fanfarronar em volta de uma taça, você pode sempre afirmar para o entorno da mesa – forçosamente admirativo – que, afora algumas cepas coloridas atualmente abandonadas, o suco das uvas pretas destinadas ao vinho tinto de fato é branco!
É o contacto entre a casca e o suco que define a intensidade da cor .
É isso que explica o leque infinito dos rosés : églantine, carne de perdiz, casca de cebola, abricot, salmão, groselha, grenadine, pivoine… Sempre originadas de uvas coloridas, os mais claros são os « rosés de pressurização »; isso quer dizer que essa cor é obtida pressionando muito lentamente as uvas .
Os rosés mais sustentados são feitos como os tintos : com uma maceração do suco e da pele . Eles são chamados « rosés sangrados». Ganhando em cor, eles ganham também em taninos e em corpulência. Eles podem às vezes se aproximar furiosamente dos tintos, como os claretes do Bordelais. Mas a tendência atual é favorável ao rosé bem pálido, do tipo Provence. Razão para recolocar no gosto do dia o Gris de Toul, rosé translúcido meio rejeitado há dez anos .
Vinho tinto, violeta, preto, azul, branco, amarelo, verde, rosé, cinza… e alaranjado ! É essa última a nova cor chuchu dos bares de vinhos de ponta; e portanto ele é um vinho ancestral. Longe das experimentações de science-fiction, o vinho alaranjado se volta para as origens da vinificação. Há cerca de 6.000 anos, os georgianos deixavam fermentar suas uvas brancas em ânforas. O suco em contato com a casca durante várias semanas tomava uma cor âmbar , ao mesmo tempo em que se carregava de taninos.
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Desde os anos 1990, alguns produtores italianos retornaram ao vinho produzido em ânfora; esse movimento se ampliou e menos de vinte anos mais tarde, o vinho alaranjado, com sua textura de vinho tinto, se tornou uma apelação nos EUA . Mas na França, os conhecedores o chamam principalmente de « vinho branco de maceração ». Se assim não fosse, seria simples demais...
Alsace, gewurztraminer, Qvevri, Laurent Bannwarth 2011
Um vinho alaranjado na mais pura tradição : Qvevri é o nome das jarras em
terra cozida da Geórgia nas quais os vinhos foram vinificados . Aromas fortes,
uma textura robusta e salina, esse vinho sem enxofre oferece uma experiência tão
surpreendente quanto agradável. 28 €
Vin de France, Moulin Blanc, blanc de noirs, Jérémie Mourat, 2015
Pode-se bebê-lo como um bom vinho branco aerado, com aromas de pêra e de
framboesa . Pode-se também enganar os amigos, pois esse vinho deveria ser tinto
: ele é originado da pinot noir, da Loire meridional, mas vinificado sem
maceração . 9,90 €
Côtes de Toul, Gris de Toul, Domaine Lelièvre, 2015
Deguste esse vinho e ouse dizer que o rosé de Toul é ruim ! Você mentiria . Esse
é fino, floral com uma ponta de abricot. Diferente. . 7,95 €
Vin de France, Vin bleu des Vosges, Coopérative des coteaux de
Montfort
Muito mais natural do que o seu homônimo espanhol, esse vinho nascido de cepas vosgienas
esquecidas, mostra um caráter selvagem com uma verdadeira garganta de vinhedos
da terra . Cerca de 6 €
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Ophélie Neiman em tradução
de Tadeu Cotta
(Jornalista no Le Monde)
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