A provável eleição, na terça 13.12, do professor de teologia Michel Deneken causa polêmica
LE MONDE | 12.12.2016
Camille Stromboni em tradução de Tadeu Cotta
« A candidatura de um padre e teólogo à direção da universidade de Strasbourg suscita as nossas mais vivas reservas », alerta o Sindicato nacional do ensino superior (Snesup- FSU), na sexta-feira 9.12, por ocasião do 111o aniversário da lei de separação das Igrejas e do Estado. Ele denuncia um « desvio a mais no princípio republicano da neutralidade dos serviços públicos ».
Legalmente, nada impede essa escolha . A Alsace se encontra num contexto particular pelo fato da sua história: caso único na França, essa universidade pública conservou no seu seio as faculdades de teologia, protestante e católica, em 1919, quando de seu retorno ao domínio francês .
O professor de teologia Michel Deneken tem então, como os seus homólogos das outras disciplinas, a possibilidade de pretender os diversos postos de governança acadêmica, inclusive o de diretor.
Quanto aos princípios de laicidade e de neutralidade dos agentes dos serviços públicos, eles não proíbem confiar a direção a membros do clero, segundo um parecer do Conselho de Estado de 1972, revela Nicolas Cadène, relator geral do Observatório da laicidade . O que confirma um estudo do Conselho de Estado de 2013, que precisa que o acesso de um agente ao statut de eclesiástico não permite sua exclusão só por esse motivo.
É então além do respeito ao direito – que esse statut de padre não coloca nenhum problema – que a situação assim criada questiona muitos universitários no campus alsaciano . « Se nada juridicamente o impede, isso não é desejável no contexto atual de debate vivo e de fortes tensões sobre a laicidade », diz Pascal Maillard, secretário acadêmico do Snesup em Strasbourg.
« Nós não abordamos essa questão enquanto tal na campanha que se referia a uma política para a universidade, afirma Hélène Michel, professora de ciência política e rival de Michel Deneken nessa eleição . Mas fomos interpelados quando das numerosas reuniões públicas. De fato isso coloca a questão : mesmo não sendo Michel Deneken encarregado de uma paróquia, ele é padre por toda a vida, e submetido à autoridade eclesiástica . Daí nossos temores quanto à reputação da universidade, mas também quanto a conteúdos de pesquisas. »
Muitos acadêmicos e pesquisadores universitários apóiam esse ponto de vista . Instalado no impressionante palácio universitário, o decano da faculdade de artes, Pierre Litzler, concorda que «isso pode parecer bizarro do exterior ». « Mas para ser um bom universitário, é preciso deixar em casa seus hábitos ideológicos, e isso é o que Michel Deneken sempre fez », diz ele . Até agora ele não sabia que ele era padre .
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