O comissário europeu para a economia Pierre Moscovici (PS) lastima esse contratempo, provocado por um veto do ministro das finanças da Alemanha
LE MONDE | 14 15.12.2016
Cécile Ducourtieux (Bruxelles, bureau européen) em tradução de Tadeu Cotta

A razão ? O poderoso ministro das finanças alemão , Wolfgang Schäuble, colocou seu veto a essa decisão do MES – que só é válida se for unânime.
É assim que ele reagiu ao anúncio feito pelo primeiro ministro grego Alexis Tsipras, em 8.12, de restabelecer para as pequenas aposentadorias um 13º salário nesse ano, além de adiar a alta de impostos para as ilhas do norte do mar Egeu onde se amontoam mais de 16.000 migrantes e refugiados, e «enquanto durar a crise dos refugiados ».
Seu engano foi tomar essas decisões sem consultar previamente os credores.. « É imperativo que as medidas não sejam decididas de modo unilateral, ou anuladas sem pré-aviso », declarou o Sr. Schäuble, na 4ª feira . « As instituições [ os representantes dos credores ] concluíram que as ações do governo grego parecem não estarem enquadradas nos nossos acordos », reagiu Michel Reijns, o porta-voz do presidente do Eurogrupo , Jeroen Dijsselbloem. « É dessa forma que alguns Estados membros vêem a questão e então não há unanimidade para que sejam aplicadas medidas » de alívio da dívida, acrescenta ele .
Esse contratempo não agradou o comissário europeu para a economia Pierre Moscovici ( do PS ), que recusa que a Comissão endosse a responsabilidade do veto.« Não se pode dizer que essa decisão [de suspensão] foi tomada sobre o fundamento de uma avaliação da Comissão [ sobre as medidas decididas por Tsipras], posto que essa avaliação não está terminada , afirma o ex-ministro das finanças do governo do PS da França ao LeMonde. Os que desejam a suspensão das medidas de curto prazo é que devem assumir as suas responsabilidades. »
Para o Sr. Moscovici, as medidas referentes à dívida não devem ser questionadas . Seus princípios haviam sido aceitos pelos dezenove ministros das finanças da eurozona, em fins de maio. « Esse acordo sobre a dívida grega continua fortalecido, já que os engajamentos sobre as medidas de curto prazo repousavam no fechamento da primeira revisão do plano de ajuda [ esse fechamento ocorreu nesse outono europeu ] », explica o comissário .
Mesmo não tendo elas nada de radical, as medidas sobre a dívida objetivam aliviar de maneira substancial o enorme peso grego (180 % do PIB ). É verdade que elas tinham sido aceitas da boca pra fora pelo Sr. Schäuble, que frequentemente repetiu que elas não eram necessárias .
Desde que o terceiro plano de assistência financeira à Grécia foi validado (86 bilhões de euros, no verão de 2015), Alexis Tsipras aplicou a maioria das novas medidas de austeridade exigidas pelos credores, entre elas uma redução no valor das aposentadorias dos gregos , na primavera. E inúmeras altas do TVA [ICMS].
« De maneira nem sempre espontânea, mas constante, os gregos respeitaram o programa de ajuda, e os esforços que eles fizeram foram consideráveis . Então quando eles cumpriram sua parte do contrato, os outros países devem também cumprir a deles »,martela o Sr. Moscovici. « A Comissão clama por uma aplicação das regras, sem indulgência, mas que permita uma progressão compartilhada. Não se pode opor o alívio da dívida grega à justiça e à coesão sócial esperada pelo povo grego », acrescenta o socialista .
A delegação socialista francesa no Parlamento europeu reagiu vivamente à suspensão das medidas quanto à divida na quarta-feira. « É um exagero, e nós dizemos “basta Sr. Schäuble”. Demonstre um mínimo de senso político e de humanidade, simplesmente, diz ela num comunicado. A Grécia reencontra seu crescimento já por dois trimestres, é legítimo que um chefe de governo redistribua lá onde exista urgência social . A Union européenne deve enviar um sinal social positivo . Não deixemos a Grécia se esgotar, nem o povo grego sem esperanças . »
Essa suspensão parece ter reforçado a determinação do Sr.Tsipras. Na quarta-feira ele disse que apresentaria suas medidas diante do seu Parlamento.« Nós vamos respeitar integralmente o nosso acordo com os credores,mas nós vamos também defender com todas as nossas forças a coesão social », afirmou ele em 8 de dezembro.
As tensões entre gregos e credores, que tinham sido apaziguadas nos últimos tempos, vão elas recomeçar para durar ?
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