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Tadeu Cotta

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Dec 15, 2016, 7:24:19 AM12/15/16
to Lista de discussão dos Professores da UFLA

Alívio da dívida grega é suspenso após anúncio de medidas sociais

O comissário europeu para a economia Pierre Moscovici (PS) lastima esse contratempo, provocado por um  veto do  ministro  das finanças da Alemanha

LE MONDE | 14 15.12.2016

 Cécile Ducourtieux (Bruxelles, bureau européen) em tradução de Tadeu Cotta

 

 

Le premier ministre grec Alexis Tsipras, au Parlement, le 10 décembre.

A crise grega teria sido resolvida muito rapidamente?  O  Mecanismo  europeu de estabilidade  (MES, principal credor da dívida pública grega )  decidiu na 4ª-feira 14.12, suspender a aplicação das medidas de alívio da dívida helênica, que já tinham sido validadas pelos ministros das finanças da zona euro em 5.12.

A razão ?  O poderoso ministro das finanças alemão , Wolfgang Schäuble,  colocou seu veto a essa decisão do  MES – que só é válida se for unânime.

É assim que ele reagiu ao anúncio feito pelo primeiro  ministro  grego Alexis Tsipras, em  8.12,  de restabelecer para as pequenas aposentadorias um 13º salário nesse ano, além de adiar a alta de impostos para as ilhas do norte do mar Egeu onde se amontoam mais de 16.000 migrantes  e   refugiados, e «enquanto durar a crise dos refugiados ».

Seu engano foi tomar essas decisões sem consultar previamente os credores.. « É  imperativo que as medidas não sejam decididas de modo unilateral, ou anuladas sem pré-aviso  »,  declarou o Sr.  Schäuble, na 4ª feira . « As instituições  [  os representantes dos credores ] concluíram que as ações do governo grego parecem não estarem enquadradas nos nossos acordos »,  reagiu  Michel Reijns, o porta-voz do presidente do Eurogrupo , Jeroen Dijsselbloem. « É dessa forma  que alguns Estados membros vêem a questão e  então não há unanimidade para que  sejam aplicadas medidas »  de alívio da dívida, acrescenta ele .

Responsabilidade do veto

Esse contratempo não agradou o comissário europeu para a economia Pierre Moscovici ( do PS ), que recusa que a Comissão endosse a  responsabilidade  do  veto.« Não se pode dizer que essa decisão   [de suspensão]  foi tomada sobre o fundamento de uma avaliação da Comissão  [ sobre as medidas decididas por   Tsipras], posto que essa avaliação não está terminada , afirma o ex-ministro das finanças do governo do PS da França ao LeMonde. Os que desejam a suspensão das medidas de curto prazo é que devem assumir  as suas responsabilidades. »

Para o Sr.  Moscovici,  as medidas referentes à dívida não devem ser questionadas . Seus princípios haviam sido aceitos pelos dezenove ministros das finanças da eurozona, em fins de maio. « Esse acordo sobre a dívida grega continua fortalecido, já que os engajamentos sobre as medidas de curto prazo repousavam no fechamento da primeira revisão do plano de ajuda [ esse fechamento ocorreu nesse outono europeu ] », explica o comissário .

Mesmo não tendo elas nada de radical, as medidas sobre a dívida objetivam aliviar de maneira substancial o enorme peso grego  (180 %  do PIB ). É verdade que elas tinham sido aceitas da boca pra fora pelo Sr. Schäuble, que frequentemente repetiu que elas não eram necessárias .

« Uma aplicação das regras sem indulgência »

Desde que o terceiro plano de assistência financeira à Grécia foi validado  (86 bilhões de euros, no verão de 2015), Alexis Tsipras aplicou a maioria das novas medidas de austeridade exigidas pelos credores, entre elas uma redução no valor das aposentadorias dos gregos , na primavera. E inúmeras altas do TVA  [ICMS].

« De maneira nem sempre espontânea, mas  constante,  os gregos respeitaram o programa de ajuda, e os esforços que eles fizeram foram consideráveis . Então quando eles cumpriram sua parte do contrato, os outros países devem também cumprir a deles »,martela o Sr. Moscovici. « A  Comissão clama por uma aplicação das regras, sem indulgência, mas que permita uma progressão compartilhada. Não se pode opor o alívio da dívida grega à justiça e à coesão sócial  esperada pelo povo grego », acrescenta o socialista .

A delegação socialista francesa no Parlamento europeu reagiu vivamente  à   suspensão das medidas quanto à divida na quarta-feira.  « É um exagero, e nós dizemos  basta Sr.  Schäuble. Demonstre um mínimo de senso político e de humanidade, simplesmente, diz ela num comunicado. A  Grécia reencontra seu crescimento já por dois  trimestres, é legítimo que um chefe de governo redistribua lá onde exista urgência social .  A Union européenne  deve enviar um sinal social positivo . Não deixemos a Grécia se esgotar, nem o povo grego sem esperanças . »

Essa suspensão parece ter reforçado a determinação do Sr.Tsipras. Na quarta-feira ele disse que apresentaria suas medidas diante do seu Parlamento.« Nós vamos respeitar integralmente o nosso acordo com os credores,mas nós vamos também defender com todas as nossas forças a coesão social », afirmou ele em  8 de  dezembro.

As tensões  entre gregos e credores, que tinham sido apaziguadas nos últimos tempos, vão elas recomeçar para durar ?

 




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