Alexandre precisamos conversar dar um retorno para mim com URGENCIA
CAJA
Em 02/09/13, Alexandre Merrem<
alexand...@gmail.com> escreveu:
>
http://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2013/08/1331170-inimiga-n1-dos-transgenicos-fisica-indiana-denuncia-ditadura-da-industria-alimenticia.shtml
>
>> Inimiga nº1 dos transgênicos, física indiana denuncia ditadura da
>> indústria alimentícia
>>
>> PUBLICIDADE
>>
>>
>> *TATIANE RIBEIRO*
>> ENVIADA ESPECIAL A BOTUCATU
>> *TONI SCIARRETTA*
>> DE SÃO PAULO
>> [image: Ouvir o texto]
>>
>> Considerada a inimiga número um da indústria de transgênicos, a física e
>> ativista indiana Vandana Shiva afirma que há uma ditadura do alimento,
>> onde
>> poucas e grandes corporações controlam toda a cadeia produtiva. E dá nome
>> aos bois: Nestlé, Cargil, Monsanto, Pepsico e Walmart.
>>
>> "Essas empresas querem se apropriar da alimentação humana e da evolução
>> das sementes, que são um patrimônio da humanidade e resultado de milhões
>> de
>> anos de evolução das espécies", diz.
>>
>> Crítica feroz à biopirataria, Shiva ressalta que a única maneira de
>> combater o controle sobre a alimentação é o ativismo individual na hora
>> de
>> consumir produtos mais saudáveis e de melhor qualidade.
>>
>> Leia os principais trechos da exclusiva à *Folha* durante o 3º Encontro
>> Internacional de Agroecologia, em Botucatu.
>>
>> *É possível alimentar o planeta sem usar transgênicos?*
>>
>> O único modo de alimentar o mundo é livrando-se das sementes
>> transgênicas.
>> Essas sementes não produzem alimentos, mas produtos industrializados.
>> Como
>> isso poderia ser a solução para fome? Só estão criando mais controle
>> sobre
>> as sementes. Desde 1995, quando as corporações obtiveram o direito de
>> controlar as sementes, 284 mil fazendeiros cometeram suicídio na Índia.
>> Nós
>> perdemos 15 milhões de agricultores por causa de um design de produção
>> agrária criado para acabar com a agricultura familiar.
>>
>> *Como mudar a alimentação do modelo agroindustrial para outro baseado na
>> produção familiar e na distribuição local?*
>>
>> As pequenas fazendas produzem 80% dos alimentos comidos no mundo. As
>> indústrias produzem commodities. Apenas 10% dos grãos de milho e soja são
>> comidos por pessoas; o resto é 'comido' pelos carros, como
>> biocombustíveis,
>> e por animais. É possível elevar esses 80% para 100% protegendo a
>> biodiversidade, a terra, os fazendeiros e a saúde pública. É apenas por
>> meio da agroecologia que a produtividade agrícola pode aumentar.
>>
>> *Como as grandes corporações dominam a cadeia mundial de alimentos?*
>>
>> Se você olha para as quatro faces que determinam nossa comida, são todas
>> controladas por grandes corporações. As sementes são controladas pela
>> Monsanto por meio dos transgênicos; o comércio internacional é controlado
>> por cinco empresas gigantes; o processamento é controlado por outras
>> cinco,
>> como a Nestlé e a PepsiCo; e o varejo está nas mãos de gigantes como o
>> Walmart, que gosta de tirar o varejo dos pequenos comércios comunitários
>> e
>> com conexões muito diretas entre os produtores de comida e os
>> consumidores.
>> São correntes longas e invisíveis, onde 50% dos alimentos são perdidos.
>>
>> Temos sim uma ditadura do alimento. A razão que eu viajei todo esse
>> caminho até o Brasil é porque eu sou totalmente a favor da liberdade
>> alimentícia, porque uma ditadura do alimento não é só uma ditadura. É o
>> fim
>> da vida.
>>
>> *Como as corporações chegaram a esse domínio?*
>>
>> Infelizmente, o chamado livre comércio trouxe a liberdade para as
>> corporações, mas não para as pessoas. As corporações estão escrevendo as
>> regras e se tornando os governantes.
>>
>> Os direitos intelectuais acordados entre as organizações mundiais foram
>> escritos pela Monsanto. Para eles, o problema era que os fazendeiros
>> estavam guardando as sementes. E a solução que ofereceram foi dizer que
>> guardar as sementes agora é um crime de propriedade intelectual. É isso o
>> que dizem as regras da OMC. A Índia, o Brasil, a América Latina e a
>> África
>> deveriam dizer: 'Você não pode patentear a vida porque a vida não foi
>> inventada. Pare com a biopirataria'.
>>
>> Até agora, a revisão dessas regras não foi permitida, o que mostra que
>> essas corporações ditam as regras. E não é apenas na OMC. A Monsanto
>> escreveu o ato de proteção para o orçamento nos EUA. O vice-presidente da
>> Cargill foi designado para escrever a lei de comércio e agricultura dos
>> EUA.
>> Fabio Braga-29.mai.2012/Folhapress[image: A ativista indiana Vandana
>> Shiva, 59, que veio ao Brasil para fazer palestras sobre temas da
>> Rio+20]A
>> ativista indiana Vandana Shiva, 59, que veio ao Brasil para fazer
>> palestras
>> sobre temas da Rio+20
>>
>> *É possível modificar esse cenário?*
>>
>> A única maneira de reverter essa situação é cada pessoa fazer seu papel
>> de
>> recuperar a liberdade e a democracia do alimento. Afinal, cada um de nós
>> come duas ou três vezes ao dia. E o que nós comemos decide quem somos, se
>> nosso cérebro está funcionando corretamente, ou nosso metabolismo está
>> saudável ou, se por conta de micronutrientes, estamos nos tornando
>> obesos.
>> Isso afeta todo mundo: os mais pobres porque lhes foi negado o direito à
>> comida; mas até os que podem comer porque não estão comendo comida. Chamo
>> isso de anticomida, porque a comida deveria nos nutrir. A comida mortal
>> que
>> as corporações estão trazendo para nós destrói a capacidade da comida de
>> nos nutrir e no lugar disso está nos causando doenças.
>>
>> Cada um de nós deve se tornar um forte ativista da liberdade da comida e
>> das sementes no nosso dia a dia. O que significa que temos que apoiar
>> mais
>> os fazendeiros e a agroecologia. Devemos ser comprometidos com a
>> alimentação saudável.
>>
>> *Qual a importância do Brasil nesse jogo?*
>>
>> O Brasil tem um papel muito importante. De um lado, está uma agricultura
>> altamente destrutiva e irresponsável, mantida pelas corporações, levando
>> transgênicos, produtos químicos e piorando a fome. Do outro lado, está o
>> modelo agroecológico, caracterizado pela diversidade, conhecimento
>> popular,
>> o melhor da ciência, e levando efetivamente comida às pessoas. Essa
>> disputa
>> está ocorrendo justamente aqui, no Brasil.
>>
>> Provavelmente, o Brasil tem a maior proporção de diversidade de alimentos
>> em sua agricultura. No entanto, a maior parte não é usada para a
>> alimentação humana. Por exemplo, as plantações de cana-de-açúcar e soja
>> vão
>> para a alimentação de animais e para fabricação de combustíveis.
>>
>> O Brasil é parte do que eles chamam de Brics. Eu não gosto de 'tijolos'.
>> Eu prefiro plantas. Mas é um forte jogador na cena global, e os jogadores
>> vão decidir como os outros jogam.
>>
>> *Qual o papel da sociedade urbana em relação à agricultura familiar?*
>>
>> É muito feliz. Não porque eu acredito que as áreas urbanas têm mais
>> riqueza e mais poder, mas porque, por terem mais riqueza, têm mais
>> responsabilidade. E porque eles controlam a tomada de decisões, tanto em
>> termos de governamentais como a sua própria atitude em termos de consumo.
>> Se eles mudassem sua postura de consumo para longe das corporações,
>> comprando, sim, alimentos dos pequenos produtores, eles ajudariam não
>> apenas o agricultor familiar, mas também ajudariam a Terra e seus
>> próprios
>> corpos.
>>
>> *Recentemente o presidente da Nestlé afirmou que é necessário privatizar
>> o fornecimento da água. Quais as consequências desse processo?*
>>
>> Tudo que é essencial à vida desde o começo da história, em todas as
>> culturas, tem sido reconhecido como pertencente à sociedade. E isso
>> inclui
>> a semente, porque a semente é a base da comida, inclui a água porque água
>> é
>> vida. E são esses recursos que essas corporações gigantes querem
>> enclausurar. Essas são as novas inclusões comerciais. Assim como na
>> Inglaterra, eles enclausuraram a terra, e a tiraram dos camponeses para
>> terem a revolução industrial.
>>
>> Hoje, as corporações gigantes estão assumindo os bens comuns que são as
>> sementes, a biodiversidade, a água. Quando a Nestlé diz que é necessário
>> privatizar a água, eles estão, obviamente, pensando na necessidade de
>> aumentar os lucros deles. Eles não estão pensando na necessidade dos
>> aquíferos de serem sustentados e recarregados, porque corporações somente
>> podem construir uma economia extrativa. Se eles privatizam a água, eles
>> vão
>> somente tirar a água para eles, o que significa que as comunidades locais
>> são deixadas sem água. Então é um assalto.
>>
>> As Nações Unidas têm de reconhecer que o direito à água é um direito
>> humano. A Coca-Cola agora quer entrar no meu vale, um vale lindo no
>> Himalaia, chamado Dune Valey. Em maio nós iniciamos uma campanha porque a
>> privatização da água por essas empresas de engarrafamento significa,
>> primeiro, que o direito universal à água é destruído. O aquífero, que
>> pertence a todos, está agora engarrafado numa garrafa de 10 rupis que
>> pode
>> é acessível só aos ricos. Os pobres bebem apenas água contaminada.
>>
>> A segunda coisa é que ela destrói água, e eu não sei por quanto tempo
>> essa
>> mineração poderá aguentar. A terceira é que ela polui. Sobram poucas
>> fontes
>> de águas puras, e, se eles realmente se importassem, deveriam limpar o
>> pouco que sobra, ao invés de roubar o que resta limpo. Isto é roubo de
>> água
>> e, portanto, um crime contra a humanidade.
>>
>> Essa dependência da Coca-Cola é um dos vícios da vida moderna. Nós temos
>> muito mais bebidas saudáveis.
>> Na Índia, começamos uma campanha para as avós ensinassem aos seus netos
>> as
>> bebidas geladas que elas costumavam fazer. Somos um país tropical,
>> sabemos
>> como transformar qualquer fruta em uma bebida saborosa: um suco de manga
>> crua, que é ótimo para prevenir insolação, uma mistura maravilhosa de
>> sete
>> grãos, que é como uma refeição completa e, se tomada no café da manhã,
>> você
>> não precisa de mais nada. As bebidas venenosas que são vendidas pela
>> Nestlé
>> e pela Coca-Cola roubam o nosso dinheiro, a nossa água e a nossa cultura.
>>
>> *Qual é a forma alternativa à globalização?*
>>
>> Originalmente, o livre comércio deveria reconhecer a liberdade de todas
>> as
>> espécies e por isso não destruiria nenhuma espécie nem ecossistema.
>> Originalmente, o livre comércio reconheceria os direitos dos camponeses e
>> dos povos indígenas e, por isso, não iria cortar as raízes. Reconheceria
>> também os direitos dos pequenos agricultores familiares e iria cuidar
>> para
>> que existam preços justos, ao invés de tentar debilitar o preço por meio
>> de
>> dumping e jogando fora os produtos.
>>
>> Um verdadeiro livre comércio seria a liberdade para as pessoas e não a
>> liberdade para as corporações. O que nós temos agora é uma corporatização
>> global com uma negligência total, uma destruição negligente e desatenta.
>> O
>> que precisamos é uma consciência livre que esteja profundamente ciente de
>> nossa interconexão com outras espécies, outras culturas e com toda a
>> humanidade. Temos que ser conscientes do dano que fazemos aos outros.
>> Dessa
>> forma, não vamos incrementar o tamanho de nossa pisada ecológica, mas
>> vamos
>> a reduzi-la.
>>
>> E, na alimentação, a única forma em que você pode reduzir sua pisada é de
>> mudar de agroindústria para agroecologia, mudar da distribuição global
>> para
>> distribuição local, mudar de um sistema violento, que depende do governo
>> corporativo, para um sistema pacífico, que depende da comunidade e da
>> solidariedade. No momento em que mudamos para isso, a pisada se reduz.
>> Podemos ir do industrial e global para ecológico e local.
>>
>> *Como acelerar o processo de alinhamento entre os vários movimentos para
>> um estilo de vida mais sustentável?*
>>
>> Agroecologistas, camponeses e agricultores familiares são, na minha
>> opinião, os maiores, protetores do planeta. É o momento de os movimentos
>> ecológicos perceberem que os verdadeiros ambientalistas são os
>> agricultores, que realmente reconstroem o solo, que fazem o cultivo de
>> uma
>> forma que os besouros não sejam mortos, que protegem a água.
>>
>> E o movimento pela saúde tem que perceber que os agricultores são os
>> médicos, que fazer crescer comida saudável é a melhor contribuição que
>> podemos fazer. No momento em que fazemos essas conexões, existe uma nova
>> vida, porque a vida cresce por meio de inter-relações.
>>
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