As pessoas que se reuniram para contribuir com a formação do grupo
campus verde dedicaram seu tempo a tentar reverter a falta de
planejamento, quando na verdade deveriam ter focado suas ações na
produção de conteúdo, interação com os campuseiros e consolidação do
grupo de discussão criado. A iniciativa do grupo campus verde no
www.groups.google.com/groups/campus-verde já tem participação de
dezenas de pessoas, e é o que discutirá as medidas necessárias para
implementar nos próximos campus-partyano que vem um campus verde mais
sustentável, ético e solidário.
A organização do campus party contratou a empresa de limpeza sem
exigir que o serviço de coleta seletiva e destinação adequada dos
resíduos do evento. O responsável pela empresa assumiu, quando a
situação nos conteineres estava dramática, devido à ação dos
catadores, que poderia ter contratado 4 pessoas a mais para cuidar da
coleta seletiva, separação e destinação correta dos resíduos para
reciclagem, pelo mesmo valor do pacote fechado com a organização. Os
organizadores espanhóis não precisam se preocupar com isso na europa,
já que todos devem realizar coleta seletiva por lei.
Aqui tiveram um incoveniente, o jeitinho brasileiro da empresa de
limpeza, que viu nos estrangeiros desinformados uma oportunidade de
lucro. Os encarregados da limpeza desta empresa ganham 30 reais por
dia, menos de 10 euros, enquanto na europa, segundo Juán Negrillo,
ganham 100 euros. O evento deveria contratar cooperativas de limpeza,
para contribuir com o desenvolvimento sócial além do ambiental. O
campus party deve incentivar ações de comércio justo, economia
solidária, consumo responsável, utilizando produtos e serviços
financeiramente viáveis, ambientalmente corretos e socialmente justos.
O plantio de uma muda por participante prometido pela organização
ainda não aconteceu, 3.300 mudas devem ser plantadas de acordo com as
normas de diversidade de espécies, e preferencialmente em
reflorestamento de mata ciliar. Para isso ainda não foi elaborado um
projeto, que provavelmente será contratado de entidades de grande
porte como SOS Mata Atlantica ou Instituto Socioambiental.
O processo de avaliação do evento também é necessário, pesquisas de
opinião e caixa de sugestões devem ser espalhadas, enquetes e
formulários publicados na internet para quantificar, qualificar e
comparar o pensamento dos campuseiros, e também de todos interessados
em tecnologia.
O Brasileiro é usuário mais ativo na internet, devemos utilizar as
ferramentas de software livre, o ambiente colaborativo, e a
acessibilidade dos gerenciadores de conteúdo para divulgar, armazenar
e produzir informações. Temos o direito de nos organizar em redes
sociais, e deliberar propostas para solucionar problemas comuns,
exercendo assim nossa cidadania na única verdadeira democracia no
mundo, porque a Internet não é uma rede de computadores, mas uma rede
de pessoas.
Diego Fernandes Barbosa