De: Anabela Mota <anabela...@gmail.com>
Enviada: 15 de dezembro de 2025 14:32
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Assunto: "Os humanos são os animais mais inteligentes de sempre... e os mais estúpidos"
O ecologista Wolfgang Goymann acredita que o fator decisivo que torna os humanos diferentes de todas as outras espécies é a nossa inteligência — e a capacidade de a usar para a destruição em massa de forma consciente.
Um ecologista comportamental de renome publicou uma avaliação mordaz sobre o lugar da humanidade no mundo natural, argumentando que, embora os humanos possuam capacidades cognitivas incomparáveis, a nossa incapacidade de aplicar sabedoria às nossas ações pode tornar-nos “tanto a criatura mais inteligente como a mais tola que o planeta Terra já viu“.
O artigo, publicado na revista Ethology, é da autoria de Wolfgang Goymann, do Instituto Max Planck para a Inteligência Biológica.
O editorial de Goymann explora uma questão antiga: o que é que realmente diferencia os humanos das outras espécies? Embora o nosso intelecto avançado seja frequentemente tratado como a característica definidora do Homo sapiens, sublinha que a inteligência em si não é exclusivamente humana.
Mesmo animais com cérebros pequenos, incluindo invertebrados, demonstraram capacidades cognitivas surpreendentes. As abelhas, por exemplo, demonstraram recentemente compreender matemática básica e podem até ser treinadas para interpretar o código Morse. Os corvos e outras aves demonstraram capacidades de resolução de problemas igualmente sofisticadas.
O investigador questiona ainda a ideia de que os humanos são a única espécie capaz de limitar deliberadamente a reprodução. Algumas aves conseguem rejeitar o esperma de parceiros indesejados, e certos roedores podem abortar embriões espontaneamente; estratégias biológicas que funcionam de forma muito semelhante à contraceção.
Se o intelecto ou o controlo reprodutivo não tornam os humanos excecionais, pergunta Goymann, o que os torna? Uma possibilidade perturbadora, sugere, é a nossa capacidade sem precedentes de provocar uma extinção em massa. Contudo, mesmo isso não é exclusivo: as plantas desencadearam dois eventos de extinção anteriores — o Grande Evento de Oxigenação, há 2,7 mil milhões de anos, e a extinção do Devónico Superior, há 360 milhões de anos — ao transformarem a atmosfera e o clima da Terra.
O que distingue os humanos, defende Goymann, é a intenção e a consciência. “Somos o primeiro organismo com um cérebro e as capacidades cognitivas que podem causar uma extinção em massa conscientemente, de olhos bem abertos”, escreve. Ao contrário das formas de vida anteriores que remodelaram o planeta involuntariamente, os humanos correm o risco não só de exterminar inúmeras espécies, mas também de potencialmente arquitetar a sua própria ruína.
Há muito que os cientistas alertam que a atividade humana pode já estar a impulsionar uma sexta extinção em massa, com a perda de biodiversidade a acelerar em todo o mundo. Goymann observa que a nossa natureza contraditória de imensa inteligência aliada a um julgamento falacioso, está no cerne desta crise.
ZAP //